Era

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⁠Acima da linha do coador

Nata, mais nata mesmo me fazia feliz. Era simplesco e ia simploriando os cômodos, incômodos por serem minúsculos; pequenos eram os nervosismos, nocivos se insistentes, incentivados na maioria absoluta por preocupações; precauções não sendo tomadas; tomadas desprotegidas chocando-se; as serpentes só vivem se chocadas, os escândalos só existem se chocarem.

Fico de queijo caído se me derreto demais, sou facilmente impressionável quando a pressão é constante, na estante coleciono copos, cascas, taças, sementes, uvas-passas de parafina, soldadinhos de metal enferrujados; na clínica particular o terapeuta diria que é uma boa terapia colecionar, não tenho verba pra pagar terapeuta, sempre fui peralta, tratamento pra marotíce era cinta, jamais apanhei.

Tamanho é documento, extrato não é pagamento, identidade não é só uma cédula com data de nascimento e expedição, é teu caráter, tua atitude, tua coragem, tua concepção do que aprendeu, aplicou, questionou, descartou, revisou, reciclou; como incentivador te convido a escrever e encher de sentido o que vem desmedido acima da linha do coador.

Inserida por michelfm

⁠Úmida e insecável era aquela rua, um pouco depois daqueles limites o sol reinava, mas ali não, não ali. Aliás, o cheiro de mofo exalado pelas alvenarias e madeiramentos depreciados, marcava característica e peculiarmente aquele beco, com o esverdeado e vívido musgo que saltava por entre os seixos que assentavam a calçada; um catingueiro interminável forrava os jardins dos casebres que se pareciam mais com caixotes de verdura do que com habitações.

Inserida por michelfm

⁠Mas o mais curioso naquela viela, não era a chuva que nunca cessava, nem os hábitos e costumes pouco convencionais, demasiadamente estranhos e inapropriados de seus habitantes. E sim um personagem, talvez o mais antigo daquele local, talvez o mais antigo de qualquer localidade entre a latitude, a longitude e a altitude. O fundador da Viela de Badacosh, um visionário misantropo com a idade de 320 primaveras.

Inserida por michelfm

⁠A Viela de Badacosh

Úmida e insecável era aquela rua, um pouco depois daqueles limites o sol reinava, mas ali não, não ali. Aliás, o cheiro de mofo exalado pelas alvenarias e madeiramentos depreciados, marcava característica e peculiarmente aquele beco, com o esverdeado e vívido musgo que saltava por entre os seixos que assentavam a calçada; um catingueiro interminável forrava os jardins dos casebres que se pareciam mais com caixotes de verdura do que com habitações.

Lindo aquele lugar, quando não gostamos do que é bonito, mas me agradava. A garotada encharcada corria pelas poças, sapateando na lama, brincando de roléfas, atividade saudável para essa idade, consistia em segurar uma cinta com a fivela solta, perseguindo seu colega para enfim acertá-lo com o instrumento, berrando: roléfas. Não me pergunte o porquê, nunca soube.

Mas o mais curioso naquela viela, não era a chuva que nunca cessava, nem os hábitos e costumes pouco convencionais, demasiadamente estranhos e inapropriados de seus habitantes. E sim um personagem, talvez o mais antigo daquele local, talvez o mais antigo de qualquer localidade entre a latitude, a longitude e a altitude. O fundador da Viela de Badacosh, um visionário misantropo com a idade de 320 primaveras.

Inserida por michelfm

⁠Como fora ensinado por seus antepassados, no longínquo Reino de Túrrilas de Árbara, era preciso resistir. O veneno da lança atravessada em seu tórax, descendia de uma planta maligna, de tempos antigos, seria incurável em qualquer outra região do mundo conhecido, mas naquele local sagrado, existia uma única planta capaz de salvá-lo.

Inserida por michelfm

⁠Como igualar se não descrimina ?
Quando era muchacho não adivinhava,
Que no orbe dos adultos a gente se adestrava.

Inserida por michelfm

⁠A frase lúdica que ele repetia,
Não era música, não era poesia,
Mas a enfática que ele pretendia,
Era sua voz rouca quem transmitia.

Inserida por michelfm

⁠Na maioria absoluta das vezes dispensava qualquer formalidade e etiqueta, era anti-etiquetas, fossem sociais ou em vestimentas informais, era informada, era formada e briguenta.

Inserida por michelfm

⁠Seu relaxo era charme, a negligência consigo mesma, forjava sua singularidade. Empurrou o portão, saiu. Na rua, na realidade mundana, era o centro, o centro de convergência, centralizava a atração.

Inserida por michelfm

⁠Mostraria àquele parquinho,
Quem era a menina das acrobacias,
Desceu as escadarias, ligeira;
Na mesa comida típica,

Inserida por michelfm

Uma borboleta
Como as outras
Voltou a ser lagarta
Para salvar sua amada

Ontem era uma borboleta
Hoje é uma lagarta
Ao voltar no tempo
Matou sua amada

Inserida por Ancelmobento

Não sei como tudo começou
Mas sei como terminou
Tudo era um começo
Tudo era um fim
Quando as palavras perderam a força
Entrou em cena o amor
Quando tudo desabou
A vida cobrou
Quando todos se foram
Restou a dor.

Inserida por Ancelmobento

Mas era feito com pouco esmero, na rua dos fascistas, numero 17, sensibilidade zero.

Inserida por Ancelmobento


Há tempos não era eu
era a mesma face
e a mesma personalidade,
mas no fundo era um personagem
e eu até atuava bem
o tempo passava
e eu, meu bem
passava também,
estando mal ou bem
eu passava por cima
dos problemas, e eles
por sua vez
também passavam
por cima de mim
passei anos assim,
e ainda assim
fui feliz.

Inserida por Ancelmobento

⁠Não era 2012
era 2021

A vida ainda
é valorada em reais,
eles acham que a vida deles
vale mais do que a de vocês

é só dinheiro e poder,
nada pessoal,
seu pessoal
tem que morrer
tá ok?⁠

Inserida por Ancelmobento

⁠eu vejo o tempo passar
e tem passado
tão rapido
ainda ontem
me questionava
se era possivel
escrever um poema
que fosse eternizado.

Inserida por Ancelmobento

⁠Ninguém morre de amor

Eu repetia varias vezes
durante o dia
era a minha mentira favorita,
ninguém morre de amor
ou pelo menos
ninguém morria
eu seria o primeiro,
o primeiro a perder a batalha
entre a dor e o tempo.

Inserida por Ancelmobento

Era tarde
Mas era tao tarde
Que não viu a noite passar
E surgir um novo amanhecer
Em sua vida

Inserida por LAZAROANDRE

⁠Edegar era um filósofo, apesar de raramente falar algo, ele notava, notava as pessoas, as construções, os veículos, as sarjetas, o mato que nascia por entre o calçamento; notava o céu, conhecia tão bem as nuvens, as revoadas de pássaros próximas do rio que cortava a vila.

Inserida por michelfm

⁠Naquele Pretérito
Bem-mais-que-perfeito,
Convivência era próspera,
Em nosso proveito.

Inserida por michelfm