Encontro entre Amigos
Ele:
E foi assim, no sorriso fácil entre nossas conversas melífluas, que você encantou quem a observava...
Ela:
E foi assim, na leitura de um livro, que você encantou quem o observava...
Irmãos! irmãos! amemo-nos! é a hora...
É de noite que os tristes se procuram,
E paz e união entre si juram...
"Viagem irreal"
No tempo sem fim, sem inicio e sem meio;
as batatas brotavam entre nuvens carregadas,
os crocodilos andam de aviões movidos a lenha,
o zumbi ultrapassava paredes vaporosas e as cigarras
na frente do espelho enfeitavam-se para a nupcia mortal,
crianças brincavam de papai e mamãe sem engolir a hóstia sagrada;
hóstia sagrada não se engole mesmo,
caixões ocos levando outros caixões ocos dentro de outros caixões ocos,
sem alças e sem pregos,
fumaça com as cores do arco-iris evaporavam-se de chaminés subterrâneas e seguiam ao encontro de pessoas carentes, ardentes de amor,
um metro de esperança ainda pulsa nas entranhas do ser vivente, que insiste em manter-se vivo, mesmo que suas forças tenham sido acorrentadas e marcadas com ferro de propriedade privada,
e do solo brotam raízes quadradas, que levada ao quociente, não chegam a um denominador comum perfeito,
mentes pagãs que mentem numa insistente tentativa de alterar a já escrita registrada na página amarela do dicionário linguístico;
o ultimo tiro, a ultima bala risca o espaço entre o cano e o alvo em preto e branco em forma de surrealismo pintado por Miró,
A faca encravada no coração transforma a dor em profundo suspiro.
Adeus dia, adeus noite, adeus elementos da natureza pulsante.
Não há cambista, nem bilheteria. Não há ticket, nem passaporte. O Céu é de graça e pela graça. Entretanto, falsos bilhetes estão sendo vendidos pelo mundo. Não caia nessa armadilha. Seja esperto. Não tente comprar aquilo que já está sobre o tapete da sua porta. Ouça o toque da campainha. Batidas incessantes desejam entregar-lhe a encomenda. Não passe horas, espiando pelo olho mágico. Abra a porta. Receba o presente. Abrace o Entregador (que vale mais do que a própria entrega).
Entre sois sós, nós.
Entre vos há nós.
Entre vozes há versos.
Entre sós há sois.
Entre olhos, universos.
Entre em ti, e veja que.
Entre o agora e o após.
Sós, dirão à nós.
Somos mais que sois.
Entre luz há vista.
Entre vãos há vento.
Entre ventos, vozes.
Que falam de nós.
A diferença entre correr e andar consiste no facto que, uma é mas rápido e o outro é lento, mas o destino é igual.
"LER EM TI"
Meu amor se queres saber onde estou
Procura-me por entre as páginas
Do último livro que lemos juntos
Procura-me nas cartas que recebeste
Das palavras de amor que me escreveste
Eu só quero apenas encontrar-te
Em cada porto que eu atracar
Em cada montanha que eu escalar
Em cada oceano que eu navegar
Em cada sonho que eu tiver
Em cada olhar fixo para o mar
Em cada esquina que eu andar
Em cada rua que eu caminhar
Em cada pensamento meu
Em cada momento só nosso
Se queres saber de mim meu amor
Procura entre as páginas do último livro
Ou no meio das cartas que me escreves.
PROCURA
Meu amor se queres saber onde estou
Procura-me por entre as páginas
Do último livro que lemos juntos
Procura-me nas cartas que recebeste
Das palavras de amor que me escreveste
Se queres saber de mim meu amor
Procura entre as páginas do último livro
Ou no meio das cartas que me escreves.
Monotonia
Vês o céu de raios ofuscantes e primor Luzido?
Vês o sol entre teus olhos convertido?
És vaidade na vida, onde já se foi presumido.
Tua glória empavesada e assumida,
Fará tornar-se até a airosa manhã oprimida.
Sol e Lua se encontraram com alento e sem pudor.
E um dia mostrar-te-ei o quão sublime é o meu amor.
Sinto-me hoje desvanecida.
Em tuas faces, considero-me equivocada.
Ostentas meu coração inflamando as mais sublimes faces ao considerável nada.
Não mais me considerarei humana,
Minha mente quase profana necessita de alento.
Meu amor por ti peleja,
Ao mesmo ponto onde fraqueja presumindo o desastre iminente.
Comparo-te ao aljôfar mais precioso.
Sendo assim, sigo minha busca somente a te encontrar.
Pois nem isso me seria tudo,
Já que tudo para mim é nada.
Me cubro de espasmos,
A vista de teu rosto, meu amado!
Deus é o próprio amor
exalando entre os homens de bem
sua fraternidade.
para que sejamos como ele próprio
o amor entre nós.
Cântico dos desesperados
Caminhais por entre o fio da navalha
E de pés ensanguentados cambaleias
Temendo a direção do norte
Como também o caminho imaginário
Que se diz ser do sul.Resumis um todo a uma escala mínima
E mesmo assim vossos sonhos são tão iguais
Aos que sempre vão pensando alto…
Eis a sina dos que bebem água turva pela manha,
O quanto basta para que vossa voz se confunda
Com a razão que tendes, mas que sempre vos tiram.
Conflitos e dores numa palavra tão simples
Que vos levara ao progresso,
Mesmo que este progresso esteja tão distante
E ninguém entre vós há que vos desperte.
Caminhais sobre o fio da espada
E aqueles que se dizem entender sobre vós
Nada sabem e nada fazem.
Panfletos que se perdem na virada do tempo
A mistura de seres sempre desesperados
Quando os vossos lamentos e cânticos se abafam
E todo mundo se encontra as escuras.
Gritais e não há entre vós um só que vos escute,
Bolívia não esta mais entre vós outros,
Ché foi morto por todos aqueles que se diziam
Protetores.
Existência e identidade de um povo
América do sul de todos os adormecidos,
Quando sobre o fio da cruel espada ensangüentada
Que lentamente a todos vos mata…
E ressume cada instante quando por entre as trevas
Nada mais se avista do que as próprias trevas.
Murmúrios, sobre telhados quebrados…
Em pleno amanhecer tão estranho e sempre tão doloroso.
Deus meu, deus meu… Será que entre nós
Existe alguém capaz de fazer frente a esta tão estranha
Manha sempre tão densa e sempre serrada?
Escrito quando viajei pelo
Paraguai – Asunción
As vezes se faz necessário, vestir a armadura do endurecimento para passar incólume entre os sentinelas da barbárie que ainda assólam esse orbe...mas na real sou apenas um cara que ainda se emociona até as lágrimas, ouvindo uma ária na vóz de Bocelli !
