Do nada
Nada se faz só, tudo o que queres e necessitas o outro tem de se fazer presente para que se concretize plenamente.
Não sei o som da melodia do meu nome em tua boca
Talvez nem me interesse mais
ou esteja só mentindo para disfarçar o meu descontentamento
Não sei.
O que percebo é só o vazio de não pensar.
Não pensar em coisa alguma.
Não concluir
O seu som é o eco de um nada
nada...
O seu som, é nada.
Prefiro ser considerado um nada e ter tudo com Deus, que ser tudo para esse mundo,mas para Deus ser um nada!
Minha vida pela sua, sua vida pela minha, nossa vida pela de tanta gente. Mas, nada disso vale sem o amor.
Do que adianta querer dar a vida sem a vida ter? O amor é a vida e a vida depende do amor, sem amor nada somos, sem amor nada temos, sem amor, só há vida sem sentido.
E respeito que considerar o que o outro diz, ainda que você não concorde com nada. Respeito é simplesmente parar para ouvir.
Em mim há um nada
Um nada sem muito propósito
Sem nenhum porquê
Só sei que há um nada
E esse nada dói
Cada vez que eu penso em você
Voce me tocou... nao era simples recado... eu que nem era amado... e você me tocou já bem era obrigado.... seguia conformado e desconfiado.... ou era tudo ou nada, é você me alcancou
Sabe oque seria bom agora? Eu+você, em algum lugar bem longe de tudo, com um céu limpo onde conseguíssemos olhar para ele e contar as estrelas e eu iria lhe dizer :
- Tá vendo todas essas estrelas "juntas"? Nem mesmo essa imensidão de estrelas é tão grande quanto o meu amor por você.
O cego e a guitarra
O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.
Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.
Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.
Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.
Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.
Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.
Do livro "Fernando Pessoa - Obra poética - Volume único", Cia. José Aguilar Editora, Rio de Janeiro (RJ), 1972, págs 542/543. (Fonte: Projeto Releituras)
Que nos falte tudo, menos sabedoria e maturidade para enfrentarmos todos os desafios desse mundo no qual entramos chamado amor.
