Ditadura
Apenas os que afirmam deter poderes absolutos se mostram refratários à crítica, como se a sua própria natureza fosse imune à análise perspicaz.
Quando um poder atribui a si mesmo maior poder que lhe foi conferido, torna-se um poder usurpador e ditador, causando desarmonia entre os demais poderes, e muita dor entre o povo, pois a injustiça se instala, prevalecendo tão somente o “entendimento” dos que se acham Superiores a todos.
Todos os ex-guerrilheiros dizem que estavam lutando pela democracia. Mas se você examinar o programa que tínhamos naquele momento, queríamos uma ditadura do proletariado. Esse é um ponto de separação do passado. A luta armada não estava visando a democracia, ao menos não no seu programa.
O que uma criança melhor aprende enquanto ainda é pequena é ser livre, porque ainda não subordinou-se à ditadura do relógio.
É extremamente triste perceber, como muitas autoridades e meios de comunicação falam dissimuladamente de respeito ao "estado democrático de direitos", à liberdade de consciência e de comunicação, de paridade de direitos, quando na verdade estão defendendo a censura, a ditadura, e promovendo um candidato em detrimento do outro. Povo brasileiro, abramos o olho da consciência, acordemos, antes que seja tarde demais!
Para dominar um povo não basta lhes tirar a liberdade de pensamento, mas também a liberdade de o expressar com palavras e a capacidade de se defender com as armas apropriadas. Eis o cenário para escravizar toda uma nação.
No Brasil, a síntese da maldade, da violência, da tortura, da desonestidade e do desprezo à vida ganhou status ideológico e chegou ao poder.
Independente dos possíveis resultados das eleições
Eu me preocupo
Sabias decisões
De lutar, não me poupo
Pois é um momento histórico que se inicia
A possível tomada da democracia
Um pesadelo sem fim?
Sim, amanhã vai ser outro dia.
LETRAS MORTAS NO PORÃO
Houve um tempo em que letras
eram soterradas a sete palmos do chão.
Junto a corpos dizimados
pela ignorância de fuzil na mão.
Letras sem fala, sem grafia.
Esmagadas por coturnos
em um país soturno.
Nas ruas, o carnaval passava
enquanto a vida sem plenitude agonizava.
Mas ninguém notou.
Ninguém viu.
E uns ainda clamam,
renunciando à própria palavra,
por esse carnaval sombrio.
Ditadores não gostam de ser ridicularizados, até mesmo os bobos da corte estão andando sobre uma corda bamba, a principal característica de uma ditadura é a censura contra os comediantes.
Um totalitário, absolutista, não é poético ou idealista, ao ponto de nutrir preferências por pólos originários do poder e as consequências na prática. O único desejo dele é o poder.
Num tempo em que as principais democracias do mundo foram colocadas em xeque, não se pode atrasar medidas, mudanças na lei, na defesa das intuições e do sistema democrático de direito. Nem é aceitável postular a defesa de um menor acirramento na luta por mantê-la livre dos seus antagonistas. A democracia é a garantidora de limite a tiranos e déspotas no poder.
Precisamos tirar o DEMO da DEMOCRACIA.
É uma ironia institucionalizar a censura,
instalar a DITADURA,
em nome da democracia!
Na Venezuela de hoje, os dias começam sem cor, em oposição à sua bandeira vibrante. A luta é obrigatória assim que as pessoas acordam, quando não há mais nada para colher. Lixões se tornam mercados, e a concorrência é contra os ratos. As crises nas ruas são motivo de riso para o tirano, que dança enquanto o povo sofre. Aqueles que se recusaram a ser submissos, agora são vítimas daqueles que deveriam protegê-los. Os olhos murchos perderam a fé, pois não há consolo para o sofrimento. Mas a resistência pacífica a uma ditadura cruel que busca impor uma falsa constituição, é o que mantém a esperança viva. A multidão, ansiosa, continua nas ruas, buscando o que lhes é de direito: a liberdade. As marcas da luta só motivam a nação a continuar lutando por seus direitos.
Prega a democracia que todos tenham o mesmo ponto de partida.
Prega o socialismo que todos tenham o mesmo ponto de chegada.
