Distraída
Ciclo
Nasci com a alma distraída...
Inocente.
Cresci me concentrando um pouco a cada dia
Mostrei-me já adulto
Num espelho distraído.
Hoje ele me mostra envelhecido
Como a lembrar-me que eu já
Vivi o que podia ter vivido.
Relaxo novamente,
É natural...
Não se fica pra semente.
Talvez eu seja muito desligada
É que procuro ser livre e despreocupada
Vivia distraída como borboletas no ar
Sempre desastrada
Acabei colidindo com uma bolha de sabão
Tempo
_ Vê distraída resposta
a tua volta o prende,
vê que a resposta dá volta
e a mesma resposta o surpreende!
Você sabe que esqueceu, quando distraída olhar para trás e, ver que suas pegadas de mágoa, foram completamente cobertas pelo pó da indiferença.
Distraída como sou, nem me apercebi, mas se considerar a dor e o amor, reconheço que permaneci demasiado tempo entre uma e o outro, perdida entre o não e o sim, intercalada entre o inferno e o paraíso. E, no entanto – rio de mim própria – transformou-se no livro não lido mais lindo da minha vida. Apesar de o ter conhecido pouco, sei que não me enganei, que o seu sorriso era bondoso e que, ao mesmo tempo que me matava sem barulho, também me salvava com deleite. Está bem, Deus. Eu aprendi. E perdoei. Então, deixa-o ser feliz. Deixa-o ir. Liberta-o. Lava-o. É o mais puro que posso desejar e a forma mais bonita que eu própria possuo para ficar bem e poder sentir, na sua plenitude, a paz infinita que dentro de mim começa a despontar.
Gosto de ver-te pensando, assim, distraída; cresce minha alegria de uma bucólica expectativa do teu regaço – braço – amaço – teu espaço em mim.
Deixa de buscar ser feliz o tempo todo...
Vai andando distraída que a felicidade é coisa faceira
uma hora assim de repente você tropeça nela e ela te traz um daqueles presentes bonitos, pra levar pra vida toda...
Deus mudou o norte eu não vi
Mexeu no Sul e eu não notei
Foi mudou o leste e distraida passei reto
E só agora que ele mexeu nos quatro cantos
Que consegui enxergar seu movimento em minha vida.
Deus é maravilhoso
Um pensamento apolíneo
Momentos que merecem você sair do ar. Para alguns, você parece distraída, talvez um pouco perdida. Não sabe eles que, apenas estou submergida em meu mundo. Não tenho pressa em voltar à superfície, a realidade às vezes pode ser dolorosa. Quero ficar aqui e admirar esse apolíneo céu azul. Faltou-me o ar, fui obrigada a voltar (mesmo sem vontade!). Não consigo distinguir a ausência de ar, de um sonho não conquistado - a sensação de agonia pareceu-me a mesma. Andei pelas areias da praia, cada passo eu contava. Olhei para as pegadas, e vi o quanto era bom caminhar, se perder nos pensamentos, deixar fluir a alma. E foi nesse vazio, que me achei. As nuvens se misturam, dando suas formas variadas. Parei, e me deitei na areia, voltei a olhar as nuvens e vi a minha infância passar por mim. Vi dragões, anjos e pássaros. E percebi o quanto era crescer. Porque enquanto eu era criança, agia e pensava como criança. Algo me distraiu! A água do mar tocou em meus pés, despertando-me dos sonhos de infância. Levantei-me e caminhei em direção ao sol. Quem sabe novos horizontes não me esperam.
TRISTE
Encontrei-te, triste calada em
uma poltrona sentada,
olhando para o céu distraída.
Ao teu lado fiquei, não me viste.
Algo teu pensamento indagava,
via-se no rosto a expressão.
Teus olhos, lágrimas tinham
tua mão, posta sobre o coração.
Afastei-me em silêncio,
não quis tirar-te, do teu eu,
de algo que a ti era importante.
Como te amo, preocupou-me a
força da tua expressão,
desses lindo olhos distantes,
e da mão, no coração.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
