Dias
Tem dias que a vida da gente
Parece simplesmente
Missão de ser ajudante
e a gente vai cumprindo a vida
Como a cumprir expediente
Construindo coisa importante
Sabendo que a gente mesmo
Não tem importância nenhuma
E permanece nos lugares
o tempo suficiente
Pra que aquilo seja feito
Mas que, após cuncluido
Sabe que vai ser
Esquecido
Não tem jeito
E no dia seguinte
Começa novamente
A fazer tudo aquilo
Qua a vida ensinou
A fazer sempre completo
Concreto e perfeitamente
sabendo que no final
Vai ser igual
E não vai poder ficar
Pra olhar por um mínimo instante
E lá se vão
Esses seres desimportantes
Seguindo adiante na sua jornada
Esperando
Um dia feliz,
Um olhar que me reconheça
A mão carinhosa
Uma cara ansiosa
Me esperando no portão.
Uma noite de Lua
Ama boa conversa
debaixo de um Céu de estrelas
E pares de olhos
e olhares sinceros
Sinceramente enlevados
Tudo aquilo que passou
A gente esquece e deixa de lado
Assim que adormece
A vida passa finalmente
a ter um sentido
As palavras ressentidas
Aquele mal que existiu por muito tempo
em todas as nossas vidas
Não haverão de encontrar espaço
Nunca mais
Apenas um milhão de abraços
Atmosfera de paz
Fortalecendo esses laços
E tudo que aqui não tiver
A gente vai juntos buscar
E aquilo que lá não houver
Basta me dizer que quer
E juntos a gente faz.
Edson Ricardo Paiva.
Insista
Vista-se de precioso sorriso
E faça tudo novamente
Há dias que parece
Que não se vive esta vida
E esses dias, muitas vezes
Duram anos, conforme você permite
Portanto
Viva somente o bastante
Pra que haja certeza
E que ela seja
Cortante, contundente e elucidante
Pra concluir
Que está da hora de encontrar
A melhor maneira de viver
Outra vida, antes que ela se acabe
Descubra
Que há muito mais a saber
Além do muito
Que você pensa que sabe
Conclua que tudo isso
É ridiculamente pouco
Senão
Você não teria sido
Louco o suficiente
Em não tentar enxergar
Aquilo que teus olhos
Tanto insistiam em não ver
Enquanto o teu coração
Sabia o tempo todo
Que é necessário e urgente
Viver
Aquilo tudo não vivido até agora
Pois
No eterno dia
Aquele que não acabava
Repleto
de dias perdidos
Horas tristes de sorrisos adiados
E insistia
Porque
Você acostumou-se a ver as horas
Num relógio que há muito tempo
Havia parado.
Edson Ricardo Paiva.
A chuva cai de vez em quando
Noutros dias
Verdadeiras tempestades
Desabam na vida da gente
Advindo aqueles tristes
Momentos tempestuosos
E eu sinto uma grande saudade
Dos primeiros olhares de mãe
e beijos de irmãs
Naquelas manhãs
Que se perderam no passado
Lembranças felizes se unindo
a essas crises doloridas
Invadindo as nossas vidas
Sem a gente ter permitido
e nem dado licença
Essas coisas acontecem
Também em dias ensolarados
É quando surgem as dúvidas
Enquanto, outras elucidam-se
Em verdades pra lá de sofridas
Uma janela se abre no escuro
A alma propensa a desistir
Pela falta, pela imensa falta
Dos momentos
Em que a gente costumava
Simplesmente sorrir
e mais do que isso : a gente ria
Sem saber de quê
Pois, se permitia a dar risada;
E então a minha fé
Faz ver surgir a Luz Intensa
E eu sinto a Divina presença
do Deus, que eu sempre tive ao meu lado
Pedras surgem no caminho
Anjos de asas negras
Criam laços
Ensaiam abraços
e abrem sorrisos falsificados
Eu olho pro espaço e me lembro
do Deus que eu tenho sempre ao meu lado
Tem noites em que sombras vem
Amigos verdadeiros
Distantes no tempo e no espaço
Eu olho ao meu redor
Não há nada
e nem ninguém
Além da dor insistente que acompanha
Mas minh'alma também não desiste
Pois eu já não me sinto tão triste
Sei que não fui abandonado
Fecho os olhos
E me lembro da luz
Do Deus, que me pôs neste mundo
E que esteve sempre
Sempre esteve do meu lado
Edson Ricardo Paiva.
Num dia a gente nasce
Noutros dias cresce
E vive
Vive coisas tão incríveis
Simplesmente
Sem saber-lhes
Quais as causas
A vida vai passando
desde quando a gente nasce
O tempo simplesmente
Jamais faz uma pausa
Na verdade o tempo mente
Enquanto a vida nos esconde
Quando e onde
Uma brisa muito branda
Chega assim, tão de repente
E vem bater na cara da gente
Enquanto manda
Manda a gente se dar conta
Que um tempo sem monta
Cercado de requinte
E um certo acinte
Fez nascer no coração
Uma saudade um tanto incerta
do tempo que a gente vivia
E não via
Que devia ter parado,
Olhado pros dois lados...
Antes de atravessar
Uma rua do passado
E visto o que estava escrito
Nas entrelinhas de uma esquina
Pois, daquela vez
Talvez fosse a hora
de simplesmente prosseguir
Pela mesma calçada
Pra ver onde ela termina
Há ruas que ainda estão lá
Pra sempre nos aguardando
Nos caminhos do passado
Mas não saberemos jamais
Quais serão e onde estão
Nesta vida sem tamanho
Infestada
de uma grande quantidade de palavras
que jamais foram verdades
E de sonhos
E tantas alegrias verdadeiras
Perdidas
Pra sempre esquecidas
Pelos caminhos da vida.
Edson Ricardo Paiva
Amanhece mais um dia
O tempo passa
O mundo gira
Nasce o Sol
E o Sol se põe
Nuns dias
a gente sabe onde vai
Noutros não
É somente uma questão de tempo
A vida vai correndo como um rio
Os sinos tocam
Mas você não os escuta
Sopra o vento
E vai mudando a cara do mundo
Momento a momento
Corre o rio
Frio e calor
Seu coração se enchendo de amor
Transborda segredos
Pra depois se transformar em ódio
Ódio em medo
E o medo traz saudade
Nesse momento você pensa
Que já possui sabedoria
Mas foi só mais um dia
Um dia na vida que passa
Não há nada que se faça
Ou que se possa fazer
A vida passa
O cansaço te alcança
O teu coração repleto de espaços
Incompletos
Vazio de valor
Amores e abraços
Agora há somente
Espaço e lembrança.
Edson Ricardo Paiva.
Tem dias que se olha pro Céu
E procura encontrar figuras nas nuvens
Prende o coração no peito
Com pedaços de arame
E, não havendo outro jeito
Segue a vida
Repleta de dados imprecisos
Indiferente ao nome que a gente a chame
Esconde tristeza no sorriso
Sorrindo onde estiver
Até quando o sorriso durar
de resto, nada
Laços azuis por trás das nuvens
Um espaço, um pequeno indício
do que um dia
Podia ter sido vida
Fadada ao fracasso, desde o início
Esquecimento
O endereço e o rumo de tudo isso
No desenho das pegadas
E poeira da calçada.
Edson Ricardo Paiva
Um dia o dia nasce
Como nascem os dias
Todo dia
Mas conforme o tempo passa
Vemos que se vão caindo
As vendas de nossos olhos
Os dias passam
Assim compreendemos
As lendas do passado no presente
Ou não
Isso é uma decisão só da gente
Compreender
A profundidade da vida e do Mundo
Podemos apenas passar por eles
Ser mais um
O Mundo prossegue girando
E não pára pra esperar ninguém
O vento carrega as folhas e o pó
Depende da minha vontade
Ser folha, ser só isso
Conhecer ou não
A verdade que me aguarda
No pouco que eu puder mudar
Em tudo isso
Os dias nascem
E vão continuar a nascer todo dia
Sem que a imensa maioria
Faça conta ou questão
De entender o motivo disso tudo
Mas saiba
Existe sim uma razão
Isso
É você que deve descobrir
Ou não.
Edson Ricardo Paiva.
Tem dias
Que o dia amanhece
Com cara de urgente
Talvez seja porque
Durante o sono o coração se esqueça
Que não existem mais
Urgências na minha vida
Tem dias
Claramente a imensa maioria deles
Em que o dia amanhece
Sem cara de nada
Se cada sonho
Não me desse o privilégio de esquecer
Acho que eu iria desejar
Que nem mesmo amanhecesse
Mas a vida segue assim
O coração quase esquece
E o dia quase amanhece
Até que um dia
Alguma emergência qualquer
Impeça a tarde de anoitecer.
Edson Ricardo Paiva.
Lugares.
Muito além dos lugares felizes
Cujos dias não se conta
Presentes nos melhores sonhos
Aquele, que é, quando a pele da gente
Arrepia, de pensar sonhar
Quando eu digo que se encontra além
Quis dizer; que você pode percorrer o mundo
Pode esquadrinhar os céus de ponta a ponta
Mas eu digo que talvez ele não seja assim, muito acessível
E, quiça, somente a gente o possa ver de olhos fechados
Descobrir que esteve sempre perto, ao lado
Reservado às almas que aprenderem, leves
A enxergar uma reserva enorme de universos
Presentes dentro de nós mesmos
O caminho pra encontrar essa leveza
É luz, a mesma luz que a escuridão da alma, oculta.
Edson Ricardo Paiva
Tem dias que são assim
As tardes de domingo
Varrem as tristezas
para baixo de um tapete
que Deus guardou dentro de mim
Pra Ele pisar, quando vier me visitar
E então, me basta lembrar que Deus existe
E já nem me sinto mais
assim...tão triste.
Há dias em que parece
Que a gente amanheceu
e levantou
Com dois pés esquerdos
não há nada e nem há flores
Que impeçam
Um amor de acabar mais cedo
Malograda a esperança
O Jeito
é colocar o pé na estrada
Larga ou estreita
E a gente não entende
Só aceita
Há dias em que mesmo sob o Sol
Tudo é cinza, tudo é triste
A gente nem mesmo tenta
Só desiste
E se pergunta
Se um dia haverá
de sorrir novamente
Não aceite,
Não desista,
Nem pergunte
Apenas tente.
Tem dias em que simplesmente
Minh'alma se eleva
Flutua por breve momento
É como se meu corpo
voasse ao vento, de tão leve
Não trago comigo
remorsos que me lesem
Não guardei na vida
nenhum ouro
e nem nada que hoje me pese
divido o que me caia às mãos
se não houver o que partilhar
partilho a fome
não quero e não desejo
aquilo que não me pertence
e é desta maneira que eu vejo
que devo viver
minha vida de homem
Não pergunto a ninguém
se estou correto
Na verdade, nem quero saber
a leveza que me invade
faz sentir
Que esta é minha única
e intrasferível
verdade.
Como haveria
de haver estrelas
sem noite
Como haveria
de haver as noites
sem os dias
Como haveria
de haver os dias
sem as saudades
Como haveria
de haver saudade
sem a ausência
Como haveria
de haver ausência
sem a distância
Como haveria
de haver distância
Sem um adeus
Como haveria
de haver adeus?
Pergunte pro seu coração,
pois o meu
parte sem culpa.
Quisera viver minha vida
Amando muito e ardentemente
Quisera viver os meus dias
Vivendo de te amar somente
Eu queria te dizer que o meu amor
É amor tão grande
Que até pode haver no Mundo
Outro coração que ame
mas tão grande amor não sente
Amor exuberante
Diante de você
Meus olhos ficam simplesmente exultantes
Amor que te alcança aonde estiver
Portanto, nunca hei de estar distante
As palavras que escrevo
E as flores que te dei
Não podem expressar
A maneira que te vejo
Mas querem te pedir que me veja
Sob o prisma da mesma lente
E que sinta no meu peito
Este coração pulsante
Que se cala diante de ti
Feliz
Vivendo de te amar somente
Dias há em que penso em me calar
E passar a simplesmente ler jornal
Guardar lá no fundo do armário
Este meu já não muito profíquo
Embornal de letras mortas
Absorto em minha leitura
ao final de mais um dia
Me vem a compulsiva e indomável tortura
Quase que lasciva obsessão que me domina
Minha cabeça se inclina
Completamente carregada
da boa e velha poesia pura
daquela que acalma as nossas vidas
traz de volta à razão
as almas dos suicídas
Amaina os corações dos homicidas
É muito mais feliz quem cria
Que aquele que um dia
Leu, porém não entendeu
Que talvez o homicida ou suicida
seja eu.
Tem dias em os dias são só dela
Dias há, em que as horas são só minhas
Há momentos em que não pertenço a nada
Nada faço e em mais nada penso
Nascem dias em que eu acordo propenso
a pensar somente em poesia.
Às vezes eu me sinto assim
Sozinho e esquecido
e é nesses dias
Quando eu me vejo perdido
Que percebo
O quanto eu pensei em outrem
Enquanto nem pensava em mim
Ontem, perto do final do dia
Chovia, choveu bastante
Meus olhos delirantes
e meu pulso vacilante
Concluiam, quase que perplexos
O quanto que
de tempos em tempos
A vida se revela
Algo que parece
carecer de nexo
e o tempo, apesar de complexo
Muitas vezes me parece desconexo
A gente se esquece quase sempre
Que a chuva exagerada de uma noite
No dia seguinte desaparece
Não deixa marcas
Muitas vezes, pensamentos simples
daqueles que nos chegam aos poucos
e aos poucos nos invadem
de repente te fazem olhar a sua vida
e perceber que pode ser tarde, muito tarde
São coisas assim que deixam marcas
Maiores que as maiores tempestades.
Não é todo dia que se ri
Nem todo dia é dia de chegada
Há dias em que a gente chora
Tem dias em que esse dia é agora
Há momentos presentes
Que de alguma forma
Nunca mais haverão de estar ausentes
Pois tudo muda em nossa vida
Quando vemos, infelizes, a partida
De quem no fazia sorrir
e também ria
Adeus, Maria
Tudo muda de repente
Mesmo que não seja repentinamente
O que não muda e não mudará jamais
Será o modo de viver aquele momento
Que eu te via, em movimentos lentos
Me lembro de todos eles
Mesmo que pra ti eu parecesse desatento
Pois eu sei que não mais chegará
Eu fico aqui
E peço que essas palavras voem ao vento
e te alcancem e te abracem
E te digam que o que eu mais queria
Era que você ficasse
Adeus, Maria
Até um dia!
Tem dias em que a gente
Simplesmente pensa
e pensa sinceramente
Que não compensa
Olha a vida pelo lado de fora
e dá vontade de ir embora
Pois ela parece apenas
Um absurdo que deu certo
Uma coisa passageira
Que dura uma eternidade
carente somente
de motivo concreto
haja visto
Que não dá pra entender
e nem mudar pra melhor
tudo isto
tem dias em que eu
Simplesmente
Quase desisto
Meu violão me disse não
Quando eu tentei agradar
Alguém que não merecia
Dias há em que isso acontece
Até que o coração arrefece
A tristeza é um enorme ciclope
Que traz uma clava na mão
Mas a vida não é,
de nenhuma maneira
Uma cópia da arte
As coisas tem vontade própria
Quando a verdade pulsa mais
As vias lacrimais
Se recusam a demonstrar
Qualquer emoção
Que não mereça ser mostrada
Eu creio ser esta a razão
Pra meu violão dizer que não
Quando é assim
Meu violão não diz mais nada.
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