Crônicas do Cotidiano
Vivas ao desacelera
Observo com imensa admiração os calmos das calçadas. De passos mansos e pernas harmônicas. Parecem até serem donos do tempo, do tempo deles.
Hoje não há situação mais luxuosa e cobiçada do que andar devagar. E não está, tal fato, relacionado somente ao tempo. Muitos de nós desaprendemos a andar sem correr.
Aproveitar o caminho sem franzir a testa e olhar o relógio.
Ir até lá, apenas, sem temer o atraso.
Além de controlarmos mal o nosso relativo tempo, sofremos dessa doença moderna e silenciosa: pressa.
O maior sintoma se mostra quando já tendo terminado nossos compromissos, voltando de algum lugar, ainda assim caminhamos rápido. Como se fosse bonito, como se fôssemos máquinas. A vocês desacelerados mesmo em meio ao caos cotidiano; toda a minha admiração.
►Ouvinte Confidente
Uma pessoa fácil para se conversar
Segredos para ela podes contar
Só não sei o porque nela confiar
Um alguém para se comunicar
Atenção vos dar
Ela não te pede confiança
Talvez não tenha importância
Ela só está ali presente, para escutar
Você pode, com ela desabafar
Se aliviar, acalmar.
Essa pessoa se torna tua confidente
Talvez tudo aconteceu de repente
Mas agora vocês se tornaram irmãos, não é diferente
Dividindo com ela suas lágrimas
Que ela as transformarão em cenas mágicas
Essa pessoa será sua conselheira
Essa pessoa será sua companheira
Para te animar fará até mesmo uma bobeira
Que talvez tu fique até surpresa
Da maneira que contigo ela se comporta
O motivo é que por ti ela se importa.
Com ela pode se abrir
Tua pessoa confidente lhe fará sorrir
Talvez felicidade poderá sentir
O caminho que escolherá seguir
Ela irá junto a ti
Possuindo alguém para lhe escutar, ajudar
Teus problemas poderão acabar
E a esperança irá, em ti, raiar
Mas encontrar tal pessoa é uma tarefa difícil
A busca por ela se torna um vício.
Ela não usará teus defeitos no futuro
Não possui aquele pensamento impuro
Quer lhe deixar em algum lugar seguro
Consegue entender o que quero dizer?
A confidente em te fazer bem sente prazer
Alguém para tu confiar
Alguém que, tem como objetivo, te animar
Alegria, conforto e o ombro para tu chorar
Alguém para lhe escutar, te apoiar
Conselhos talvez lhe dar.
Melhor amiga, talvez?
Se ela assim merecer
Não adianta se esconder
Ela saberá que não estas bem
Que não estas cem
E, ainda assim porém
Ela tentará te levantar
Quando tu pensar que não vai mais aguentar
Uma solução para seus problemas ela encontrará
E, juntos iram caminhar
Essa é a história que hoje vim contar
Espero ter ajudado alguém, em algum lugar
Pois, mesmo distante do meu lar
Alguém em mim estas à pensar
E com essa pessoa posso me expressar
Com ela posso, meus lamentos, livrar
Sei também que, por hora, ela deseja meu bem estar
Não é necessário confiar
É necessário nos aliviar.
►Passado
O passado para mim não é para ser lembrado
Pensar sobre ele é algo a ser evitado
Por ele fui prejudicado
Claro que não fui o único marcado
Mas é verdade que ele me deixou preparado
Mesmo que ainda hoje estar sendo treinado
Os pecados que cometi
E que também sofri
Fazem-me sempre refletir
Mas sempre procuro sorrir
Talvez para disfarçar o que vi
E que as vezes me encontro assim
Com vontade de sumir.
Muitos enxergam o passado como aprendizado
Porém eu já vejo por um outro lado
Arrependimento pelo tempo que perdi
Pelas vezes que me iludi
Quero construir um passado melhor
As vezes me encontro refletindo
Lembrando daqueles que brincaram comigo
Que diziam que "sou seu amigo"
Digo em um termo geral
Pois tiveram garotas que me deixaram mal.
Meu passado não foi esquecido
Aquele assunto que não foi resolvido
Aquele mal entendido
Que acabou não sendo compreendido
Até ontem me encontrava entristecido
Por memórias que lembrei
Por situações que falhei
Por palavras que não falei
Mas o que aconteceu no passado, nele ficará
Não há como o tempo voltar
Mas não devo me preocupar
Pois as pessoas que me magoaram
Não irão voltar.
►Indiazinha
As curvas dela eram perigosas
Não gostava das garotas vaidosas
Ela era entretida
Todos ao seu redor ela divertia
Era bela, divertida e animada
Toda manhã perguntava como eu estava
Nós dois conversávamos
Nós nos abrasávamos
Brincávamos
Ela era um tanto quanto diferente
Bastava olhar para nós, o assunto entre a gente
Qualquer conversa se tornava fluente
Muitas pessoas pensavam que ela era minha namorada
Que nada
Ela se encaixava mais como uma garota despreocupada
Pois, o que diziam sobre nós ela não se importava
Ela não "ligava", ouvidos ela não dava
Era realmente uma doida, boba
De certa forma ela era fofa
Vegetariana, brincava com ela dizendo
"Você come folha?".
Ela me ajudou quando precisei
Até o fim, conversando com ela eu fiquei
Creio que nunca me decepcionei
Por ela uma rima farei
Como forma de agradecimento
Lembro de você em meu pensamento
No passado você não fora um lamento
Que eu já deixe esclarecido
Fui feliz contigo.
O tempo não volta mais
Falta faz
Poder rir sem se preocupar
Poder brincar sem limite para me barrar
Para você a folha irei dedicar
Leia com atenção o que estou a expressar
Tente, então, se deliciar
Com os versos que irei formar
Obrigado pela ajuda que prestou
Lembro de algumas vezes que se preocupou
Não te abandonei, e amizade continuei
Porém, quando eu me formei
Nossa conexão se perdeu
Mas não esqueço do sentimento seu
Talvez você mesmo já se esqueceu do meu
Tudo bem, não é erro teu.
A nossa amizade eu guardo
Não se tornou um fardo
Alguns dizem até que por ti fui amado.
Castanhos seus olhos, eu sei
Linda, não te deletei
Acredito que não te esquecerei
Rindo de quando uma flor eu te dei
Agora, daquela vez me lembrei.
Era até quieta na sala
Mas não era "santa"
Saudades, Ana.
►Lembrete Na Cozinha
Eu pensei que se eu fechasse os meus olhos,
Toda essa minha dor acabaria
Mas quando os abri, o que restou foi o ódio
A tortura me deixara um lembrete na cozinha,
Dizendo que mais tarde voltaria.
Hoje eu disse a mim mesmo para me manter de pé
Disse a mim mesmo que faria o que puder,
Para ser feliz, para ser o que eu quiser ser
Eu me preparei para mais um dia comum,
E deixei minha tristeza fazendo jejum
Tudo se adequando, conforme o plano
Mas, infelizmente a vida fez sua jogada,
E me apunhalou com a garota das minhas fábulas
Aquela que dedilhei em linhas mágicas
Golpe baixo ou não, isso feriu gravemente o meu coração
E, quando retornei à minha cama, eu disse a almofada,
"Ela não mais me ama, minha saudade por ela clama"
E, inusitadamente, eis que o desânimo
Tomou posse da minha semana.
Mesmo que eu me previna
Mesmo que eu pressinta,
A dor da decepção sempre me humilha
Essa é minha vida, essa é minha sina
E a minha história sempre me ensina,
Que meus erros são apenas presságios
E que os meus ideais não passam de raios,
Que acertam duas vezes o meu retrato.
Às vezes, distraído, eu levo alguns tombos
Às vezes indago se, em minhas costas, há um anjo
O mal que sofro cada dia que uma lágrima caí,
Me deixa cada vez mais perto do precipício que vejo por aqui
Eu tento enxergar além da névoa do medo e ódio,
E, às vezes eu enxergo amor, ou algo similar
Enquanto meu espírito estiver sóbrio.
Ainda não desisti da minha rotina,
Muito menos da minha jovem vida,
Mas devo admitir que às vezes ela me intriga
Eu resolvo um problema, logo sou recebido com ironias.
O tempo cura tudo, menos as más escolhas
Elas irão me perseguir até minha cova,
Mas eu ei de aproveitar minha vida até o cair da última folha
Sei que tenho um caminho imenso a minha frente,
Mas a minha vontade de ser feliz me dará forças
Encontrarei alguém que poderei dizer que me entende
Tudo o que peço é que haja tempo para tudo isso,
Sei que meu futuro não será um desperdício,
Pois, em meus ombros, carrego a determinação do meu pai
E em minhas pernas, a resistência da minha querida mãe
E, quando eu sair de casa, sempre irei olhar para trás
Para que eu me lembre onde poderei voltar,
Quando os meus sonhos eu realizar.
Pessoas felizes se distraem facilmente. Se perdem em seus próprios sorrisos e se encontram dentre abraços trocados. Pessoas felizes estão sempre cercadas de gente, tanto dos que o amam quanto os que talvez nem os amem tanto assim, a verdade mesmo é que gente feliz atrai gente.
Pessoas felizes se preocupam em fazer os outros felizes também, pois não querem sofrer com a infelicidade dos outros, gente feliz não sabe lidar com falta de sorrisos. Pessoas felizes não têm inimigos e se por acaso existirem, elas os desconhecem.
Pessoas felizes não necessitam de provas sobre sua felicidade, ela é nítida aos olhos de quem vê.
Pessoas felizes sabem sobre o Amor, porque o sentem. Pessoas felizes seguem em frente, elas querem saber mais sobre a vida e vão viver.
O banho gelado
me faz gritar
como em um
dia chuvoso.
Me lembra como
conseguimos aguentar
tantas coisas
das quais não
gostamos.
Na vida,
estamos sujeitos
á um banho gelado
todo dia.
Se você
não gosta
do banho
frio.
Você não está
preparado para
a vida em um
dia
de
chuva.
►Navio Do Asfalto
Sombras indo e vindo
Calçados refletidos pelos vidros
Sorrisos e brincos, moletons contra o frio
Os quebra-molas que sempre são percebidos
Os raios do sol que desenham os cílios
Em um navio de metal,
Transportando os marujos até a capital,
Que desembarcam no ponto final.
Crianças no colo dos pais,
Que lembranças isso me traz
O navio possui o seu próprio conforto
O capitão está a caminho do porto
As ondas de concreto causam sono
As paisagens são expostas em cada canto
Normalmente os marujos não possuem um canto,
O silêncio as vezes é constante.
Ah dia que o tempo não passa
Outros, ele simplesmente me ultrapassa
Alguns eu mal adormeço e já chego em casa
Parece até que viajei dentro de uma espaçonave
E quando desço, me sinto pesado, e não leve
Posso levar para casa novas pessoas que conheci
Dentro deste navio também posso interagir.
O velho viajante estava perdido no deserto já fazia semanas... Toda a sua comida já tinha se esgotado dias atrás e seu cantil tinha derramado a última gota de água.
Ele tinha certeza de que não iria sobreviver por muito tempo, sem comida e sem água.
Com o passar do tempo ele avistava um ou outro oásis. Mas sempre que se aproximava, o então oásis se revelava ser uma miragem. Gastava então energia à toa, encontrando somente a ilusão...
Ele já estava fraco, magro e desidratado, quando avistou um outro oásis. Porém indignou-se com a sua própria vida e disse para sí mesmo que não gastaria suas últimas forças para encontrar uma outra miragem.
Mas então ele ouviu uma voz que lhe dizia: -Vá até o oásis, ele é a sua salvação!
O viajante relutou com a voz: -Não vou mais a lugar nenhum, sei que é mais uma outra miragem. Lembre-me que nesta parte do deserto não existem oásis, foi duro crer nisso, até tentei encontra-lo mas somente me iludi... Prefiro morrer com orgulho nestas areias a morrer sofrendo em meio à ilusão.
Porém a voz voltou somente a insistir: -Vá até o oásis, ele é a sua salvação!
Mesmo indignado e sem esperança, o viajante resolveu seguir o conselho da voz. Mesmo assim tinha a certeza de que morreria ao chegar lá e não encontrar nada...
Gastou suas últimas forças e ao chegar realmente não encontrou o oásis, mas encontrou uma caravana que o ajudou e salvou a sua vida!
Muitas vezes tentamos achar o caminho de nossa salvação,o caminho do sucesso, de nossas conquistas... Mas quando chegamos ao fim dele e não encontramos o que queríamos, achamos que a vida é injusta com nós. Isso porque não sabemos que o caminho não termina ali, mas sim nos interliga com o verdadeiro caminho de nossas conquistas. Deixamos de ouvir a voz da esperança e nos conformamos com o fim. Sendo de que o fim não é onde está escrito que é o fim, mas sim até onde cada um acha que pode chegar.
►Pequena Roça
Sobre o sol um calor sem igual
Acima da estrada de terra, sobre o céu o grande farol
Os carros de bois seguem com uma trilha sonora
Os garotos estão ali, dando banho as hortas
O homem batalhando para o crescer de sua pequena roça
Reparando os portões de ferro enferrujados, com sua antiga solda
Sua esposa torna-se companheira de dança da enxada
E lá de longe pode ser ouvido a serenata da cigarra
Os vaga-lumes brilham nas noites mais claras.
O suor desce como lágrimas do Nordeste
E os corpos respiram com aquelas brisas leves
O campo rural floresce, e a santa Mãe as vozes agradecem
E aqueles humildes portões prevalecem
O tempo machuca os pais daquela terra,
E os filhos então tornam-se herdeiros dela.
Em meio ao trabalho árduo, um prestígio
Lá naquela casinha de madeira encontra-se um abrigo
Um lugarzinho quentinho, para fugir do frio
A pequena roça muitas vezes passa por momentos terríveis
O homem, com um palito em sua boca, sabe dos perigos
E na mata espreita animais que se tornam inimigos.
Viver sobre o solo arranhado não é difícil, disse um dos filhos
Difícil é racionalizar a força ao segurar o garfo
Pois o corpo se torna mecanizado, acostumado com o trabalho pesado
Ele acordou junto ao cacarejo do galo,
E fechou os olhos ao nascer da noite, com os dedos calejados
A vida no campo possui seus pontos altos e baixos
Seus pontos fortes e fracos,
Mas aquela família sempre estará pronta para o trabalho.
Numa funerária, vivi meu trampo mais desafiador
Corpos desfigurados, familiares em pranto
Madrugadas silenciosas, reflexões austeras,
sobre o amanhã incerto.
Sozinho, habituei-me à solidão do ofício,
Movido pela necessidade, pela dura realidade.
Enquanto os entes queridos choravam, eu lucrava, comissões por serviços prestados.
eu não podia estar triste, nem inteiramente em euforia.
Somos a alegria de outros, mesmo na morte
Os fantasmas não eram os vilões, percebi então,
eram guardiões contra ladrões, em noites de uivos de cães, que ecoam como lobos.
Na encruzilhada entre a vida e a morte, testemunhando o desfecho, encontrava conforto e paz para descansar sobre um colchonete no chão do escritório.
Venha, venha, venha a mim, ó pilim,
em toda a tua vil glória, cintilante e fugaz,
talvez não traga felicidade, é verdade,
mas nunca vi um rosto entristecer
ao encontrar-te perdido, esquecido no chão.
Ah, doce ilusão de papel e metal,
não devemos viver sob teu jugo,
nem erigir altares em teu nome,
mas, quando vens, és bem-vindo,
como a chuva inesperada em tarde de verão.
Traz contigo o conforto, o alívio momentâneo,
não a essência da alegria, mas um suspiro,
um descanso breve na jornada.
Não te idolatro, pilim, mas acolho-te,
com a mesma simplicidade que acolhe a flor,
sabendo que, apesar de efêmero,
teu brilho pode, por um instante,
aliviar o peso do cotidiano.
Venha, venha, venha a mim, pilim,
não como senhor, mas como servo,
um convidado que chega sem aviso,
e cuja partida deixará apenas
um eco suave, uma lembrança de luz.
►Cético
Este ano novo infelizmente será como os outros
Estarei apenas remoendo meus erros
Enraivecido pelos tantos enganos
Pelos "eu te amo" ditos com afeto, mas
Que acabaram morrendo no intenso deserto
E, me vi apaixonando novamente
O meu coração, tolo como só, se feriu gravemente
Se entregou, com caixa e tudo, tão inocente
Mas, na espreita daquele lindo jardim, se encontrava
A hedionda, repugnante falsidade, junto à ilusão
E, acabaram dilacerando o que pensava ser a tal paixão.
Este ano eu naveguei, sem encontrar terra
Beijei várias sereias, mas não encontrei a "certa"
Meus lábios se aqueceram no calor dos devaneios
Nas curvas e nos seios, em anseio
Mas, passarão a virada, em desespero.
Não espero um novo rumo, mudanças
Nunca conseguirei ser diferente do que sou hoje
Continuarei carregando a tristeza que tanto me cansa
Mas, talvez, só talvez, eu me torne um monge
Que eu passe a formar meus próprios planos
Sem que sofram mutações a favor de outros
Cansado eu me encontro, tantos desamores
Tantos desencontros, tantos abandonos
Tão cético ao ponto de esperar algo novo
Um amor, um conforto, até mesmo um sopro.
As coisas vão num espaço curto de tempo.
E voltam como se nada valesse apena.
Um dia abra os olhos e perceba o mundo dos homens.
Nele o simples não é belo.
A realidade é uma imaginação fértil.
E o adubo é vontade de viver.
Momentos de prazer se misturam com a fustração de não poder.
O que não se pode ter.
Onde a sensação é longa.
A viagem é curta.
E a insatisfação é prolongada ao infinito.
Já parou pra pensar em como as coisas mais simples são as mais bonitas que existem?
E você aí, tentando impressionar,
quando a maior beleza está na sutileza dos detalhes simples e singelos da vida.
Como apreciar um bom café da tarde,
um dia chuvoso entre lençóis e um bom filme
ou, simplesmente, a presença de quem se ama.
►E se?
Se eu te contasse como me sinto,
Você ainda ficaria comigo?
Se eu te contasse meus delírios,
Você ainda me daria sorrisos?
.
Se eu não fosse assim,
Você me deixaria sozinho?
Se eu não detestasse tanto a mim,
Você ainda me daria seu carinho?
.
Se eu sucumbisse ao meu pensamento,
Você me salvaria da depressão?
Se eu te pedisse um tempo,
Você se afastaria em compreensão?
.
Se eu entrasse em pânico,
Você me apontaria um cais seguro?
Se eu ficasse sem ânimo,
Você se tornaria o meu mundo?
.
Se eu tivesse pesadelos horríveis,
Você me abraçaria em afeto?
Se eu chorasse dias em crises,
Você apalparia meu ego?
.
E se?
Mais uma vez eu acordo,
Porém deitado na cama eu permaneço e com os olhos abertos continuo sonhando com a vida futura que eu queria ter de volta.
Mais uma vez me levanto
e no caminho para o banheiro vou pensando quando foi a última vez que eu acordei sem pensar que o mundo está acabando.
Não sei, talvez, quando essa pandemia começou. Não sei, talvez, quando esse vírus me contaminou.
Vírus;
Vírus que me mata, me afasta e me transforma em algo diferente,
Como um reflexo embaçado,
Que mostra quem eu era,
Mas que não é quem eu sou.
Vírus;
Vírus que me mata, me afasta e tira meu motivo de respirar.
E os amores que me inspiram a continuar,
Esse vírus asfixia
E sobra para longe de onde eu não possa alcançar.
Vírus;
Vírus que me mata e já me matou, pois no momento em que eu acordo eu penso que mais um dia se passou
E que menos um dia de vida a morte me tirou.
Entre amigos e bens da vida....
Em muitas ocasiões optei pelo meu julgamento pessoal sobre as pessoas, situações, teorias e bens da vida.
As pessoas, possuem relacionamentos interpessoais positivos e negativos, dependendo de com quem se relacionam. Já houve oportunidades de estar sentada entre duas pessoas dissonantes. Acreditem, essas pessoas, eram minhas amigas intensamente.
Um dia de domingo, na porta da casa de um parente comum a nós três, um deles queixou-se sobre o outro.
[A queixa], a queixa que me fazia era voraz, de uma dureza tremenda. O grande problema, é que percebi, que partiu de um "diz que me diz". Algo mais ou menos assim " uma delas teria participado de uma festa na residência na casa de seu anti-afeto e o outro queixou-se um parente por afinidade do primeiro que ele foi e não levou a cerveja, que era além de tudo "mão de vaca".
A minha pessoa amiga vociferava, em sua própria razão, que levou as cervejas, mas que a outra pessoa não viu, pois não tratou com a outra, pois não se falavam. [ALGUÉM ESCUTOU]
Algumas pessoas escutaram, o que possivelmente foi uma autodefesa, pois não foi uma conversa em sigilo, foi um desabafo e uma justificativa pública.
Passados alguns dias.... A parte contrária, me perguntava de maneira sútil, se houvera aquela conversa, e eu respondi que sim! Um sim exclamativo!
E em seguida reputei, jamais vou levar para você qualquer desalinho raivoso que tenha partido entre vocês e vice-versa. Querendo ou não, eu gosto de ambos de maneira indistinta, e a minha responsabilidade afetiva, era ouvir, entender, calar-me e esquecer. Outrora, havendo a oportunidade de acertar as arestas diante de um mal entendido, eu o faria.
No entanto, o mundo não é composto apenas de pessoas responsáveis e conscientes. Questionaram a ambos, por qual motivo eu calei-me diante de ambos. Nem remediei perante a ele e nem levei a situação a ela. Pergunto: Qual seria a postura mais adequada?
A melhor postura, seria deixar ele terminar de falar e levar a ela?
Acredito, que a fidelidade possui os limites impostos pela lealdade e do bom-senso. Caso, eu tivesse optado por levar a informação, ela não seria fidedigna, teria uma versão minha ser e haveria ruídos. Consequentemente, haveria uma baixaria generalizada, e possivelmente eu seria a mola mestra dessa confusão.
O emissor de uma comunicação, ele dá a sua parcialidade aos fatos. Não existe imparcialidade informacional. Toda vez que contamos uma história, ela tem nossos olhares e perspectivas, assim, ainda que eu amenizasse e racionalizasse o estrago poderia ser fatal.
Quem nunca escutou sobre os efeitos nocivos de uma fofoca ou de uma fake News?
Naquela situação, optei por um julgamento racional dos fatos, deduzi que o informante dele -queria assunto e saber sobre a festa, jogou uma isca e causou uma confusão. Já informante dela jogou uma isca podre, para saber a resenha e de quebra queimar meu filme.
O que eu fiz, como eu não ouvi todos os lados. E já não me comunicava com ambos há um tempo, dei a ambos o meu direito ao silêncio. Contudo, mediante aos atos detrativos, quando da arguição dela, disse que melhor seria uma conversa franca e sem ressentimentos, ao outro, fui curta e grossa: Da mesma maneira que não levo a ele o que você desabafa, não levo dele para você.
Não é uma dúvida shakespeariana: Contar ou não contar, eis a questão?
É NATURAL: Dois ouvidos para escutar e uma boca para falar. A matemática diz: Cale-se (grito).
Assim, sobre as pessoas, cheguei à conclusão de que, importa o que elas são comigo e não com os outros. Acerca das situações, apenas, vivenciando-as para emitir um juízo pessoal de valor. Os produtos compro conforme meu gosto e paladar, afinal, já cantava chorão “Nem tudo lhe cai bem. É um risco que se assume. O bom é não iludir ninguém”.
E sobre o enredo crônico narrado, sigo com o poeta citado acima: “As vezes faço o que quero, e às vezes faço o que tenho que fazer”. Julguem-me, porém, com razão e parcimônia.
"A decisão corajosa de encarar a vida todos os dias, se dispondo a lutar de maneira incessante pela realização dos seus projetos e sonhos é, a um só tempo, o único caminho para alcançá-los, o tempero que dá cor e sentido às nossas existências.
Absolutamente nunca pare de tentar."
Exílio Nublado
O lençol me afaga a pele
Suave, mas é traiçoeiro
Ele me cura a angústia
Mas é na cura que ele me fere
E eu me levanto ao avesso
Triste, mas com esperança
De evitar o pedregulho
Que já me causou o tropeço
E eu insisto nas erratas
Ingênuo, mas já sabendo
Que o caminho que percorro
Já tem minhas pegadas
E eu não estou sozinho
Isto é, fora eu mesmo
E eu tento me abraçar
Mas eu sou só espinhos
