Cronicas de Luiz Fernando Verissimo Pneu Furado

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⁠Conhece o velho ditado que se conselho fosse bom não se dava, se vendia? Concordo com ele em gênero, número e grau. Sempre tive ojeriza àqueles conselhos que me pedem como primeira opção, assim como os que me dão sem que os tivesse pedido. Quando peço é porque já esgotei minha capacidade de solução e aí toda ajuda é bem-vinda. e quando me pedem, pergunto se fizeram a mesma coisa, e então digo que vou trocar o conselho por alguma experiência para que o interessado reflita se serve pra ele ou não, já que pessoas diferentes podem chegar a resultados diferentes. Proporcionar reflexão é menos arriscado do que qualquer solução pronta.

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⁠Tem pessoas que revelam opiniões bastante firmes e imutáveis – aparentando segurança quanto ao que acreditam – quando tais “certezas” não vão além de inflexibilidade, subtraindo a visão sistêmica que lhes revelaria toda a complexidade por trás do objeto de suas afirmações. Isso porque rigidez nunca foi sinônimo de posse da verdade, o que cobra admitir o contraditório como possível de forma a mudar sempre que necessário, já que a verdade também troca de lados.

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⁠Há pessoas que se guiam durante toda uma vida pelo padrão que lhes foi passado na infância e jamais se questionam se haveria uma forma melhor de viver suas experiências, como se fossem estanques e não tivessem relação entre si. Ao observador fica perceptível que nascem em determinado momento e deixam a vida como se o tempo não tivesse passado, tanto em autopercepção quanto nas mudanças que ocorreram em torno delas. Longevidade, portanto, nunca foi sinônimo de evolução.

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⁠Nossas crenças são versões puristas de um momento pessoal que não possui, necessariamente, relação direta com a realidade factual. Podem perdurar por efeito de escolha, ou mudar ao longo do tempo pelo choque entre o antes e o depois que uma consciência mais evoluída nos impõe. Realidades opostas – surgidas por mero exercício da lógica e das análises resultantes – nos revelam a inutilidade das “verdades” cultivadas e de nossa pequenez disfarçada de superioridade.

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⁠Frente a um ato que lhe pareça incompatível com um longo histórico de confiança mútua, o íntegro fará contato em busca do entendimento, na certeza de alguma razão não conhecida. Já o venal o julgará mesmo tendo-o ouvido de outrem, adotando posturas por seu próprio juízo sem buscar pela verdade dos fatos.

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⁠Agnóstico é um tipo de pensador cuja única certeza é que a deidade – seja qual for o nome que lhe dêem – nunca será uma certeza. Admitir, portanto, a sua dúvida lhe parece mais honesto do que optar pelo sim ou pelo não. Tem também na consciência um guia mais confiável do que qualquer escritura, e no seu caráter o mandamento que se sobrepõe a todos os demais, pois que o único a dispensa-lo de repressores, juízes e tutores.

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⁠Se ser uma pessoa honesta dependesse de escolha, a honestidade dela não seria autêntica, pois que surge e se desenvolve no indivíduo de forma natural e espontânea, e a isso se dá o nome de índole. A renúncia à desonestidade, porém, pode ser uma escolha a partir de uma tomada de consciência seguida da decisão.

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⁠Enganar-se é natural: acontece com todo mundo em vários momentos. Imperdoável é ignorar todo e qualquer alerta, não aprofundar o conhecimento, ou até recusar-se a fazê-lo apenas para não reconhecer o equívoco. Equivale a fundir o erro com aquilo que se é, e a partir daí não encontrar mais justificativa para sua inclusão definitiva no lado errado da história.

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⁠O propósito maior da Ciência é o de interferir na natureza de modo a acelerar processos que beneficiem à humanidade. Quando tal objetivo não se concretiza a intervenção lhe pode trazer danos irreversíveis ou até causar-lhe a destruição, como no caso de algumas descobertas convertidas em ameaças nunca antes experimentadas.

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⁠⁠Vez por outra nos descobrimos presos a memórias felizes de um passado distante – o amor da adolescência, o momento de uma conquista, o trabalho dos sonhos – esquecendo que a vida nos reserva coisas incríveis neste aqui e agora na forma do amor definitivo, do trabalho que nos realiza, de conquistas autênticas apenas porque do passado ficam as boas lembranças, mas a felicidade real, tal como deve ser, só acontece neste agora!

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⁠As pessoas que realmente amo, eu as guardo numa caixinha mágica que as mantém livres para entrar, sair, e receber a todos que desejem, mas apenas quando o desejem. Permanecem a sete chaves, no entanto, aqueles segredos que só aos dois pertencem, aqueles sentimentos compartilhados em linguagem tão singular a que só quem as construiu e vivenciou têm acesso por se mostrarem incompreensíveis, herméticas e impenetráveis para além das fronteiras que seus corações definem.

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⁠Há gente cuja felicidade se resume a sentir-se satélite de outrem, incorporando essa órbita infinita como sentido maior – ou até único – de suas vidas. Outras almejam se tornarem estrelas fulgurantes o bastante para atrair o maior número possível de satélites. Já um tipo mais raro de “estrela cadente” escolhe o brilho discreto e fugidio de um cometa, que se compraz em iluminar os lugares por onde passa sem se deter em momento algum para acolher satélites.

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⁠⁠Sobre os INFJ’s, especialistas afirmam que são dotados de um aguçado sexto sentido para identificar a natureza das pessoas com quem se relacionam, e que essa sensibilidade chega a ser tão apurada que beira a clarividência. Não sei até que ponto isso é verdadeiro, mas percebo sinais claros que falam muito das pessoas e suas visões de mundo, como quando leio os comentários sobre o que publico, e as percebo curtindo as mais superficiais e menos significativas, passando ao largo justamente das que realmente importam.

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⁠Meu papel não é ser o céu para onde voam os que me buscam: basta saber-me a pista de onde decolam. Tampouco a fonte da água que lhes aplaca a sede, mas apenas o leito do rio que a conduz até eles. Sou antes o farol na borrasca, não o Porto; o cinzel nas mãos do artista, não a Escultura; o milestone que os situa, não a Linha de Chegada.

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⁠Algumas pessoas que nos amam de verdade tendem a demonstrar seu amor pelo visão de suas crenças, esquecendo que o melhor presente será sempre o que o outro gostaria de ganhar, e não o que queremos oferecer. A consequência é que suas perspectivas internas acabem criando a falsa percepção de que alguns são responsáveis pela salvação de outros, quando a mais profunda expressão de amor é a do respeito a opção por diferentes caminhos, mesmo na ocorrência de um objetivo comum.

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⁠Como saber se estamos vencendo a guerra? Eu, pelo menos, o descubro ao acordar pela manhã envolvido na angústia de que não há nada mais a esperar e, em vez de mergulhar nos meus medos, percebo um ponto para muito além de mim – inacessível a olhares minúsculos e acovardados – me falando do quão insignificantes e efêmeros podem ser os eventos que eu acreditava no controle do presente para erguer muralhas intransponíveis a um futuro ainda possível.

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⁠A revelação de nossa força é como aquela minúscula formiga que se vê perdida quando a pata gigantesca de um elefante se abate sobre ela, e se descobre protegida por diminutos e imperceptíveis grãos de areia que evitaram fosse esmagada. Conclui então que, na vastidão de um universo em que tudo é possível, o que menos importa é saber-lhe a forma e o tamanho, mas apenas que ele está lá!

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⁠Toda vez que colocamos nossas expectativas além do exequível, é certo que o resultado se traduzirá por frustração associada a culpa, perda de significado e sentimento de impotência, todos brotados de uma mesma raiz: a fantasia de poder moldar a realidade e dar a ela o formato dos nossos sonhos, ignorando pré-requisitos indispensáveis e a visão de futuro que poderia deixá-la minimamente factível.

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⁠Até mesmo para aqueles casos mais críticos existe uma vantagem quando nós mesmos lhes demos causa, seja por algum erro que inadvertidamente tenhamos cometido, ou por uma decisão equivocada que se tomou em algum momento. O melhor lado desse tipo de percalço é que o restabelecimento da normalidade acaba quase sempre dependendo apenas de nós.

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⁠Ao contrário do que alguns possam pensar, não é contra as religiões que luto, mas contra quantos as usem para impor sua visão de mundo a outrem, subvertendo-lhes o direito às próprias escolhas. Religiões são benfazejas enquanto instrumentos de aprimoramento da alma humana, mas só se mostram legítimas quando ocorrem de dentro pra fora, nunca de fora pra dentro. Pregações e doutrinamento nunca serão uma condição necessária (e muito menos obrigatória) para se buscar a Deus, mas apenas tentativas arbitrárias de “padronizar” essa busca, que deveria ser íntima e silenciosa. Em se havendo um Deus que nos ampara, não dependerá de “arautos” para se revelar, atuando por si mesmo a exemplo da mudança operada em Saulo.

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