Cronicas de Luiz Fernando Verissimo Pneu Furado

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O estado de direito com que um dia sonhei foi o que nos daria advogados para levar justiça aos inocentes, promotores para que a impunidade não se tornasse ancoradouro de culpados, e juízes capazes de entender a diferença entre ambos. Bastaria esses estatutos se mostrarem fiéis a seus propósitos para mudar a realidade que nos foi vendida como “direitos humanos”.

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Nenhuma doutrinação passiva é legítima. É direito de todos entender as interfaces de suas peças para montar o próprio quebra-cabeças, o que torna odioso o dogmatismo por ação externa para usurpar a decisão alheia, com o intuito de ampliar poder e destituir as pessoas do seu inalienável direito de escolha. E aos que se mostrem funcionalmente incapazes de fazê-lo deve ser garantida proteção contra o domínio dos que estão atrás apenas da força emprestada pelo volume, e não pelo pensamento.

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Como pais, sempre cometeremos erros com nossos filhos e eles farão o mesmo com os deles, por conta da inexperiência da juventude quando os geramos, até a maturidade nos oferecer a todos uma segunda chance. Se as feridas de ontem, porém, não cicatrizaram, cabe-nos perguntar se este segundo tempo foi usado para corrigir o primeiro ou se seguimos repetindo os mesmos erros, mesmo sendo possível fazê-lo. Haverá, por certo, um ponto da estrada em que já não poderemos culpa-los por seu amor não ter resistido à inutilidade de tantas esperanças traídas, mas em qualquer caso nossa parte precisará estar cumprida.

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Nossos filhos têm todo o direito de cobrar-nos presença, já que personificam nossas escolhas e não há alegação válida para não dar-lhes suprimento. Mas pais eles não escolhem, e não lhes cabe o dever de dar amor a quem não tenha antes conquistado seu respeito. O que diferencia o pai de fato do pai de direito – bem como o direito legal do moral – não é o ato de se gerar um filho, mas o de fazer-se pai, que é muito mais substantivo e meritório do que o papel de mero provedor.

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Nossos pais podem se tornar os melhores instrutores a respeito dos erros que não devemos cometer com nossos filhos, bastando refletir sobre o que nos causaram quando os usavam conosco. Buscando não reproduzi-los – pois que possivelmente não farão bem a eles também – podemos transformar as cicatrizes em meios de nos tornarmos pais melhores, bem com filhos menos amargos pelo exercício do perdão.

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Ser indiferente ao final triste alcançado por alguém pode não estar associado a nenhuma espécie de maldade ou sentimento de vingança, mas tão somente o de preservar a fé, acreditando que a vida é justa o bastante para não deixar que quem viveu para tornar pior a de todos não saia dela sem ter descoberto que tal escolha não vale à pena.

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O próprio Senhor do Universo, ao expulsar Adão e Eva do paraíso e condenar um de seus anjos mais amados a reinar nas trevas, quis mostrar que o retorno é proporcional ao feito, e que oferecer simplesmente o perdão a todo mal produzido é ser conivente com ele e estimular o transgressor a se afastar ainda mais do caminho que lhe foi apontado.

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O parâmetro para o limite da minha fé é a lógica que não desafie minha inteligência. Se uma ação ou decisão divina for capaz de agredir até mesmo a mim enquanto ser humano sujeito a inúmeras falhas, nunca serei convencido a dar-lhes crédito, pois que o Deus em que creio me deu como escudo o discernimento para que eu não fosse induzido a erro por falsos senhores da verdade. A chamada “fé cega”, que se permite conduzir por interpretações dadas por outrem, à priori é fruto da manipulação que se apressa em preencher o vazio deixado pela ignorância.

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Nao usa o poder que te delegaram apenas com teus amigos, se queres que ele perdure. A sabedoria ensina que se a cobiça e a arrogância substituírem a justiça e a igualdade que precisa ser levada a todos, tu e aqueles que privilegiaste serão esmagados pela outra parte que esqueceste, mas que também foi responsável por estares lá.

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O bombardeio de ”likes” que se segue a imagens sem qualquer significado, se confrontado com a ausência quase absoluta de reações para um texto relevante que force a reflexão, dá a dimensão exata das prioridades desse novo mundo mostrado em tempo real. A roupinha “fru-fru” que o pet ostenta na foto adquiriu mais relevância que o desejo de se ter um mundo melhor, e na frivolidade da vidinha cênica e sem conteúdo mostrada nas “selfies” é o que as pessoas efetivamente esperam que as demais acreditem.

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Os funerais existem para atender os vivos, e não os mortos. Antes ser lembrado pelo que fizemos do que pela imagem cadavérica, sem relação com o que fomos e rodeada de tristeza no fundo de um caixão, revelando todas as marcas que, se pudéssemos, não gostaríamos de ver exibidas sequer no espelho do banheiro. Que os que me amam me prestem sua homenagem poupando-me dessa última exposição pública tão contrária ao que busquei ser ao longo de minha passagem pelo planeta.

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A menos que sua descoberta seja surpreendente o bastante para mudar o mundo, não perca muito tempo ensinando às pessoas como podem melhorar seu dia a dia: elas vão sempre escolher errar pra descobrir, ou fazer do jeito delas. E ainda que sua idéia possa transformar o mundo, cuidado com os que o preferem do jeito que está, pois lhe apontarão seus canhões para não se verem forçadas a abrir mão do que gostam de acreditar ou do que ainda pode mantê-las no topo por quanto tempo o consigam.

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Com toda a informação que já se tem sobre os efeitos colaterais das drogas - por quem usa e por quem paga pelo vício deles - o único modelo admissível de drogados vítimas é o das crianças, e talvez o dos que caem na droga por debilidade mental, que traz incapacidade analítica para os próprios atos. O restante é formado por um exército de cínicos egoístas que colocam sua diversão acima do comportamento criminoso despejado sobre o restante da humanidade.

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Sentimentos são dessas coisas de caráter estritamente pessoal, e não estão vinculados às pessoas próximas das que os inspiram, pois depende de um histórico próprio e intransferível entre elas. Não se pode, assim, desejar que nossos amigos estendam também a nossos cônjuges, pais, irmãos ou filhos o carinho, amor ou gratidão que nos dedicam, pois que o respeito que recebemos pode não estar presente entre todos aqueles de quem gostamos. Jamais cobre essa vinculação, portanto, nem a transforme em moeda de troca para manutenção de algo bom que cabe apenas a você e a cada um construir ou desconstruir por si mesmos.

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O medo é um agente duplo de poder quase absoluto: enquanto o manténs distante e ocupado em infiltrar-se no inimigo, ele te trará conquistas inimagináveis; mas se deixares que se volte contra ti vais te deparar com o mais poderoso e cruel inimigo que já enfrentaste, pois não conseguirás fazer uso de qualquer dos teus recursos para manter domínio sobre nada mais, e principalmente sobre ti mesmo.

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Quando te derrubam com a primeira “pernada”, descobres que cometeste um erro de avaliação. Na segunda do mesmo padrão, fica claro que faltou inteligência para não amargares a raiva que sentiste de ti mesmo. Na terceira, porém, já te têm em conta de idiota, e está na hora de mudar o rumo ao preço de teu auto-respeito.

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Planeja tudo o que desejas realizar, pois quanto mais pensares em teus sonhos, mais reais se tornarão. Quanto aos teus temores, deixa para quando acontecerem, para não sofreres com eles desde já. Antecipar coisas só vale para as melhores, até porque algumas das ruins podem nem se concretizar, e todo o sofrimento que te impuseste por elas terá sido em vão!

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O tipo de caráter no Brasil, entranhado na formação moral de seu povo, mostra-se ainda mais degradante quando comparado ao das culturas orientais: lá eles colocam a moralidade num patamar mais elevado do que a própria vida, pela convicção de que a desonra a macula de forma indelével para não mais justificar sua manutenção. Assim, quando expostos por falhas da honra, é comum escolherem o suicídio antes de conviver com a vergonha. Em nosso país a valorização do homem não reside em esquivar-se da ilegalidade, mas na competência para negá-la à exaustão mesmo diante de todas as evidências contrárias, sendo esta capacidade motivo de orgulho por quem a domina e de admiração pelos que o defendem. A regra é de que o reconhecimento do delito jamais se faça por parte do criminoso, e a estratégia seja sempre a de transformar constatações inequívocas em "perseguições do poder vigente", e a correta aplicação da lei em injustiça.

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Talvez a lição mais importante que aprendi nas últimas décadas é que na vida tudo acontece exatamente como numa partida de xadrez: sempre que a estratégia inicial de vitória falha, o próximo lance do adversário pode promover uma reviravolta tão decisiva que, mesmo quando já se dava o jogo por perdido, tudo pode mudar novamente a nosso favor. Daí porque não se pode jamais aceitar a inexistência de saídas antes de aguardar pelo que vem a seguir. Se todos soubessem como esse mecanismo de alternância funciona, o desespero que leva muitos ao suicídio seria visto como realmente é: apenas mais uma ilusão de ótica igual a muitos outros equívocos criados pela mente humana e que subtrai, de forma abrupta e vã, a grande possibilidade de uma segunda chance.

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Existem pessoas que carregam tanto preconceito, arrogância, inveja e desonestidade para inviabilizar até tentativas de ajuda das mais próximas, que ainda assim seguem com ideias odiosas a respeito do mundo e se vendo eternamente injustiçadas por ele, o que reforça a tese de que nem toda compaixão se faz útil, e nem todo perdão consegue promover mudanças.

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