Cronicas de Luiz Fernando Verissimo Pneu Furado

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⁠Como saber se estamos vencendo a guerra? Eu, pelo menos, o descubro ao acordar pela manhã envolvido na angústia de que não há nada mais a esperar e, em vez de mergulhar nos meus medos, percebo um ponto para muito além de mim – inacessível a olhares minúsculos e acovardados – me falando do quão insignificantes e efêmeros podem ser os eventos que eu acreditava no controle do presente para erguer muralhas intransponíveis a um futuro ainda possível.

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⁠A revelação de nossa força é como aquela minúscula formiga que se vê perdida quando a pata gigantesca de um elefante se abate sobre ela, e se descobre protegida por diminutos e imperceptíveis grãos de areia que evitaram fosse esmagada. Conclui então que, na vastidão de um universo em que tudo é possível, o que menos importa é saber-lhe a forma e o tamanho, mas apenas que ele está lá!

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⁠Toda vez que colocamos nossas expectativas além do exequível, é certo que o resultado se traduzirá por frustração associada a culpa, perda de significado e sentimento de impotência, todos brotados de uma mesma raiz: a fantasia de poder moldar a realidade e dar a ela o formato dos nossos sonhos, ignorando pré-requisitos indispensáveis e a visão de futuro que poderia deixá-la minimamente factível.

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⁠Até mesmo para aqueles casos mais críticos existe uma vantagem quando nós mesmos lhes demos causa, seja por algum erro que inadvertidamente tenhamos cometido, ou por uma decisão equivocada que se tomou em algum momento. O melhor lado desse tipo de percalço é que o restabelecimento da normalidade acaba quase sempre dependendo apenas de nós.

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⁠Ao contrário do que alguns possam pensar, não é contra as religiões que luto, mas contra quantos as usem para impor sua visão de mundo a outrem, subvertendo-lhes o direito às próprias escolhas. Religiões são benfazejas enquanto instrumentos de aprimoramento da alma humana, mas só se mostram legítimas quando ocorrem de dentro pra fora, nunca de fora pra dentro. Pregações e doutrinamento nunca serão uma condição necessária (e muito menos obrigatória) para se buscar a Deus, mas apenas tentativas arbitrárias de “padronizar” essa busca, que deveria ser íntima e silenciosa. Em se havendo um Deus que nos ampara, não dependerá de “arautos” para se revelar, atuando por si mesmo a exemplo da mudança operada em Saulo.

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Quando num primeiro instante me sobrevém um sentimento de rejeição por parte de outrem, lembro em seguida que as pessoas não existem para suprir minhas expectativas, e que o foco delas apenas pode estar voltado para momentos de vida distintos. Ninguém nasce para ser metade da laranja, mas a laranja inteira.

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⁠Existem afetos que nos provocam a dolorosa sensação de tentar segurar água com as mãos enquanto a vemos escorrendo por entre os dedos, mesmo que a presença se mantenha. Ainda que para nós o convívio se mostre tão prazeroso e importante quanto antes, para a outra pessoa esse afeto aparece na história dela como algo gratificante naquele momento de vida, mas que o tempo transformou apenas em lembrança de um passado feliz que se mistura a várias outras.

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⁠Abstenha-se de cobrar promessas, ou lembrar compromissos assumidos com você. Quem tem interesse real em atendê-lo vai se antecipar no cumprimento – por mais “distraído” que se mostre – pois que a natureza humana dispara respostas compatíveis com o grau de relevância que atribuimos a cada coisa. Apenas entenda a importância que seu pedido teve para a outra pessoa e a aceite como é, bem como a relação que se estabeleceu entre ambos.

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⁠A afirmação sobre o que não pode ser provado nos transforma em ovelhas de um rebanho idiotizado e manipulável. Por sua vez, a negação sem evidências nos coloca numa posição de arrogância estúpida para qualquer cérebro minimamente lógico, donde se conclui, portanto, que toda convicção vazia passa atestado de indolência intelectual.

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⁠O “óbvio”, por si só, se opõe a lógica científica, uma vez que não vai além de presunção, da conclusão sem base, de uma ideia não refletida. Surge no vácuo da análise, na esteira da negligência inconsequente que despreza o pensar, da insensatez que dispensa a prudência e acata o preconceito pela ausência do conhecimento.

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⁠Insistimos em crenças sobre o que existe ou não existe, na vã tentativa de chancelar verdades inacessíveis a nós. Para piorar, esse homem que se acredita sábio avalia probabilidades com base no universo conhecido, desprezando o desafio que o desconhecido lhe impõe. Faz da prepotência, portanto, a sua grande barreira para romper com a própria ignorância.

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⁠O maior desafio dos que nunca serão indiferentes ao outro é conseguir harmonizar a profundidade de sua empatia com sua sede intransigente de justiça; é achar o equilíbrio entre sua indignação frente às iniquidades humanas e a natureza pacífica que busca impor à irracionalidade das mentes nefastas, expondo aquela luta permanente entre o médico e o monstro que se enfrentam no ringue de nossas almas.

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⁠Parafraseando Giordano Bruno, a verdade não muda apenas por que se acredita ou não se acredita nela. O importante é que todos têm direito à própria versão, independente de qual seja a verdadeira, e quando defendendo as nossas nos mostremos honestos em relação aos outros, e coerentes em relação a nós mesmos.

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⁠Num primeiro momento, ao me comparar com esse mundo louco a que assistimos, cheguei a pensar: "Será que algum papa, diante do que se vê, ficaria inclinado após minha morte a me consagrar como santo?" Mas logo em seguida a realidade se impõe: "Oh, nossa! Se o fizesse estaria reduzindo as escolhas de Deus a níveis absolutamente inaceitáveis!"

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⁠Mente e consciência nem sempre são aliadas. Tua mente pode ditar rumos com os quais tua consciência não concordaria. Assim, teu foco deve se voltar para tua consciência: enquanto permanecer vigilante, ela estará trabalhando contínua e diuturnamente para que a mente permaneça saudável e garanta, por extensão, a saúde de cada uma das 30 trilhões de células do teu corpo.

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⁠Mente e Consciência são coisas bem distintas: a mente é tresloucada, e atende facilmente aos apelos dos sentidos. Já a consciência escolhe entre muitas alternativas antes de optar por uma. Não dá, então, tanto valor aos que criticam tuas idiossincrasias, por mais inverossímeis que se lhes pareçam: toma por referência a alegria que despertam em ti, e por critério a autenticidade conferida por tua consciência.

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⁠Habitualmente confundidos, um homem maduro não será, necessariamente, uma pessoa madura. Esta se refere a um estágio mental avançado, enquanto o primeiro diz respeito apenas ao passar do tempo, em seu sentido cronológico. O que difere uma condição da outra? A pessoa madura desponta no momento em que o homem circunstancial cede lugar ao homem de consciência.

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Sempre que abrimos mão da comparação para nos deixarmos conduzir por uma única fonte, corremos o sério risco de levantar a bandeira do absurdo surgido na cabeça de mentes doentes. A lógica jamais dispensará o cuidadoso trabalho de reunir dados dos mais diversos e compará-los até a exaustão, antes de concluir pela verdade que se esconde por trás de todos eles.

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Sou um triângulo equilátero quanto à posição no mundo, mas escaleno e libertário no plano das idéias, pois que rebelde a sectarismos que se expressem por meio de bandeiras, trincheiras, ordem unida, palavras de ordem, gritos de guerra, sociedades, clubes, irmandades, confrarias, torcidas, doutrinas, dogmas, partidos, segmentos rotulados, pensamentos por osmose e “ismos” ideológicos que me puxem para qualquer lado que a soberania da minha lógica rejeite.

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Formação científica não constrói necessariamente o tipo de cérebro que trocará crenças equivocadas pelo resultado de cuidadoso trabalho de pesquisa. Alguns colecionadores de títulos nunca abandonam "verdades de berço" nas quais não tiveram a menor preocupação de usar a ciência para confirmar ou refutar.

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