Coruja
Visto cara de coruja afoita
seca por beber de noite
versos noturnos de canudinho
nos períodos diurnos
Sô passarinho adormecido.
Imagine alguém, sendo conduzido por um belíssimo e místico ser Angelical, em forma de coruja, com destino à biblioteca mental de Deus?
E que tivesse acesso aos arquivos de Sua infinita sabedoria, situados dentro de Sua mente?
E que pudesse apreciar, quando bem entendesse, os riquíssimos volumes neurais Divinos?
Então...
👑🦉👑
Às 09h16 in 01.10.2023
Dama do Luar,
Tem a inteligência de um Corvo.
Lucius, tem a Sabedoria de uma Coruja!
Às 10:26 in 07.06.2025
🪄🦉🪄
CORUJA NA NOITE
Ave agoirenta que pela noite cantas
O teu chorar negro e triste, piedoso,
Ó coruja bruxa, és só tu que espantas
O meu sonhar tornado em teu gozo.
Nunca o presságio da morte
Seja o teu piar fúnebre de sorte;
E que eu viva sem ser soturno
Como esse teu gritar noturno.
Tens sibilas de assobiar
Medos e enredos de arrepiar,
Nos ares e arfares intranquilos
Das profundas dos pulmões,
Ó coruja dos meus sarilhos,
Castradora de emoções.
Não me queiras comer vivo
Que apenas sou um nativo
Das correntezas da noite,
Tela escura, meu açoite,
Chicote nas minhas costas,
Em carne viva às postas.
Não esperes amores de mim
Ó coruja malhada das torres,
Eu só queria no meu fim
Não ouvir o teu piar,
Esse tão sombrio cantar,
Ó ave das minhas dores.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-01-2024)
Esse molecão Olavo, meu neto mais novo, tá cada dia mais lindão e gostosão! Beijos do Vovô coruja Borges Da Viola, que tanto te adora. Beijos e abraços mil para a minha amiga lindona, Evelise Claure e para a minha nora amada e querida, linda e elegante, Katia Andreão Borges, mãe do Olavo, e, para o meu filhão querido e amado, Marcio Santolin Borges, pai do Olavo. Deus abençoe e proteja a todos.
Série Minicontos
Amor maternal
Em um dia de muita chuva e trovoada, sinhá coruja procurava atônita comida para os seus dois filhotes indefesos e expostos aos perigos da floresta
De repente encontra o gavião faminto que também caçava seu próximo jantar.
Mamãe coruja implora
- Compadre, se encontrares meus filhinhos poupe-os!
- Mas como vou identifica-los em meu a tantos bichos? - perguntou o gavião
- quando encontrares as mais belas criaturas da floresta serão os meus filhinhos.
E nunca mais sinhá coruja os encontrou.
Dentro da floresta, o coaxar do sapo,
o guizo da cascavel, o crocitar da coruja,
o chamado do uirapuru, entre tantos outros, mostram os caminhos de mistério,
contados ao pé da fogueira, sob a luz da lua,
guardado nas canções de amor e de cura...
ecos de caminhos da própria vida que
formam o coração de cada lugar.
NOITE
Amo a noite.
Como uma coruja que nos espreita camuflada.
A noite trabalha com o lado mais interno de nossas imaginações.
À noite nos aprofunda.
Quando falamos sobre assuntos que as criaturas do dia desconhecem, conversando sobre filosofias excêntricas e concluindo sobre todas as questões que abalam a humanidade.
Quando comemos aquele lanche magnífico, surpreendente, num “podrão” da esquina, ou mesmo quando um assalto noturno a uma geladeira soa tão divertido e agradável quanto a primeira vez que se anda de montanha russa.
Durante as madrugadas o mundo muda.
Os gênios tem idéias geniais.
Os cientistas descobrem curas.
Os militares decidem o melhor momento para o combate.
As paixões se tornam saudade.
Os desafetos viram passado.
Bons livros.
Boas bebidas.
Diversão sem hipocrisia.
Abajur, meia luz.
Velas, roupas espalhadas pelo chão.
À noite me basta.
Sou da noite, gosto das estrelas, da lua, dos planetas distantes, da possibilidade de avistar uma luz vagando pelo céu estrelado das pequenas cidades.
Dou uma olhada na janela para verificar se nenhum alienígena está disposto a me pegar para dar um rolê pelas galáxias e sem querer, vejo um vaga-lume piscando por entre arbustos da casa ao lado.
Infelizmente não era o que eu esperava, mas sinceramente, eu me sinto particularmente bem essa noite.
Espero que estejam se sentindo da mesma forma!!
Então, até acho que vou ficar para ver o dia nascer.
Pois na noite temos soluções pra tudo!
jupira coruja
Ave Maria
não era uma ave
não era uma jia
era pequena pra ser avestruz,
grande pra seu um condor
não era arrebatador pra ser paixão,
nem sereno para ser amor
Uma coruja pousa numa amendoeira numa sexta feira bonita, um beija-flor corteja as rosas do jardim, as borboletas chovem abundantes além do quadrado da minha janela; em que estação estamos se só nos delimitam duas estações; inverno e verão. Então o que será de primaveras e de outonos, o que será de nós poetas nordestinos divididos ao meio em nossas emoções. A natureza provavelmente se rebela e o que percebemos é essa moldura incrivelmente primaveril propícia ao amor. Percebo que depois de invernos muitas mulheres engravidam ou é uma falsa impressão; esse negócio de safra, entre seres humanos não funciona assim; é indiscreto imaginar o que fazem os casais nas noites frias e chuvosas, e se for o que imagino, não deixa de acontecer uma espécie de safra; então me lamento:" por que deixei lenira partir." Ela andava amuada, a cara sempre fechada, resmungona e murmurando sempre alguma insatisfação; numa tarde de quinta feira, dia de finados, pegou uma trouxa e disse que visitaria os país no cemitério, sabia que era uma despedida, que andava insatisfeita com a rotina e a monotonia do cotidiano, mas por pirraça, fiquei olhando seu perfil frágil, sua barriga proeminente tornando mais franzina sua silhueta num vestido de chambre estampado, perder-se na sinuosidade da estrada carroçal em contraste com a caatinga verdejante. Deveria estar tudo bem silencioso, mas da minha mente vem um flash com tilintares de copos, bateres de panelas e o ruído de seus passos pela cozinha, ajeitando e limpando sempre alguma coisa com a dedicação que lhe é peculiar; afora isso, na realidade tudo é tão silente que me perturbo com o sacolejar das palhas do coqueiro pelo vento e o esvoejar d'algum inseto na penumbra. Então às tardes, ponho-me à janela a observar a estrada, tentando contemplar sua volta, até que tudo vai desfocando, desfocando... com o final da tarde, e os vultos que chegam parecem fantasmas dos guerreiros que partiram pela manhã. Aquele mar de rosas que imaginei com sua ausência não existe, agora percebo certo encanto num canto qualquer, onde acontecia um riso raro e tímido, um olhar mais profundo, um charme qualquer; se tudo não era um mar de rosas, percebo agora que nada nada assim no nada... ficou esse vazio, esse ranço da sua ausência, uma dorzinha; e todos os detalhes dentro dos etcéteras que envolvem uma união entre duas pessoas; isso é ser sozinho, não é solidão. A coruja tem a sua amendoeira, o beija-flor tem o seu jardim... solidão é não ter onde pousar.
Amanhã pego a bike, um cravo, meia dúzia de tangerinas, um cacho de uvas... Lenira adora uvas...
Seja como uma coruja na madrugada
que, com uma sábia postura,
atentamente observa
para que as ameaças
não lhe ataquem de surpresa.
