Corpo
Mil corpos em movimento,
Mil corações acelerados,
De repente, um estrondo,
Um corpo parado,
Um coração desacelerado.
Novecentos e noventa e nove corpos em movimento,
Novecentos e noventa e nove corações acelerados.
Apenas em casa um coração despedaçado.
Vou indo, na estrada da vida, seguindo em frente, em constante partida. Porque o corpo continuamente se refaz, até o dado momento que não mais, terá a capacidade de restaurar a vida, mesmo até, em seus tecidos epiteliais. Sim, os corpos seguem à extinções, e o que fica nesta vida são as memórias, principalmente, as que marcaram os nossos corações.
Muitos acham serem donos de alguma ou muita coisa, mas a grande verdade é que nem o próprio corpo lhes pertencem. Somos um amontoado de poeira cósmica bem ajustados com a função de habitar o sopro de vida.
A motivação é a gasolina do ser humano;
se não te motiva não te move...
o movimento do corpo não engana, já palavras...
❝ ...Ele me olhou nos olhos, discretamente deslizou
o olhar sobre meu corpo. Ele se aproximou se de mim,
e com um toque suave me pegou em seus braços e me
beijou. Seus lábios ardiam em fogo, podia se ouvir as batidas
aceleradas do seu coração.Ele me olhava com ternura e paixão.
Se aproximou de meu ouvido e disse baixinho. Você despiu minha
alma, e invadiu meu coração...❞
-----------------------------------Eliana Angel Wolf
❝ ...Alguém pode sim te amar por ter um corpo bonito,
um olhar encantador, uma beleza sem igual. Mas
é o que você traz em seu coração que vai eternizar
este amor...❞
❝ ...Amo seu toque, sua vós, seu
cheiro. Sua essência transborda
ternura, olhar de menina, corpo
de mulher. Sorriso de anjo, garras
de loba. Meu lobo anjo, meu anjo
lobo. Minha doce menina, deixe me
te proteger, te amparar em meus braços.
Mesmo forte se faz frágil. Quero cuidar
de você. Permita me aproximar de sua
alma, permita te amar por toda a vida....❞
Teu corpo é como droga vicia rápido.
Seu olhar sedento de amor, sua respiração
ofegante de lobo faminto, me seduz com
carinho, me leva ao paraíso, faça me
sua presa, e te alimentarei.
O Bolo de Coco e os Dias da Semana
Por Diane Leite
Ainda deitada, com o corpo entregue ao travesseiro e a mente girando devagar,
ouvi a cena como quem assiste a um filme sussurrado pela casa.
Era manhã de domingo.
E por coincidência — ou delicadeza do destino —,
também era dia primeiro.
O bolo era meu.
Mas deixei meu filho de sete anos pegar.
Ele queria dividir com o irmão de vinte e um.
Só que o mais velho já tinha comido outro doce,
e eu disse:
“Come sozinho, meu amor. Esse é todo seu.”
E foi aí que a vida virou roteiro.
“Eu acho que eu não gosto tanto assim de bolo de coco…”
disse ele, pensativo, como quem descobre que cresceu um centímetro por dentro.
O irmão, curioso, perguntou:
“Mas que nota você deu?”
“Sete.”
“Por quê?”
“Porque hoje eu não tô gostando muito de coco.”
E o mais velho, com aquela sabedoria prática que só os irmãos mais velhos têm:
“Ah… é que você gosta de bolo de coco de segunda a quarta.
De quinta a domingo, você já não gosta tanto.”
Era domingo.
E eu sorri.
Porque entre uma mordida e uma conversa,
eles me deram a melhor metáfora para começar o mês:
— Tudo que é nosso pode ser ofertado.
— Tudo que sentimos pode mudar.
— E tudo que muda pode ser recomeço.
Na simplicidade de um bolo dividido,
aprendi de novo que o amor mora nos detalhes.
Que a escuta silenciosa é presença.
E que ser mãe é isso:
testemunhar o mundo sendo redesenhado todos os dias pelas palavras dos nossos filhos.
Às vezes, o bolo de coco é só bolo.
Mas às vezes,
ele é tudo que precisamos para lembrar
que até o amor tem gosto diferente dependendo do dia —
e tá tudo bem.
Porque amar também é isso:
respeitar o paladar emocional do outro,
e ainda assim, continuar oferecendo o melhor pedaço.
Você é a única que me deixa assim, sem fôlego, corpo trêmulo, coração disparado. Fazer amor com você é gostoso demais.
Nasci sozinho e morrerei assim.
A solidão não é escolha, mas estado de fato, quando o corpo abandona sua plenitude e a mente se isola em labirintos de dor, estar só se torna destino inevitável. No entanto, essa solidão não me define completamente, é apenas o pano de fundo contra o qual tento colorir minha existência com versos e memórias que ecoam além do vazio.
Dia após dia, levanto palácios invisíveis
com tijolos de desejo moldados em palavras. O corpo se rende às limitações, mas a mente ergue pontes de esperança, cada linha escrita, um alicerce de legado. Sonhar em voz alta é recusar o silêncio eterno,
é semear promessas no coração de quem lê.
Às vezes, a frustração deságua em tempestade, quando o fôlego escapa e a voz se cala, e o corpo, traidor silencioso, trava sua guerra. Mas no fogo da raiva que me consome, arde também a brasa viva da coragem, um tambor que ecoa em meu peito, marca o compasso da luta que não finda, o passo firme no fio frágio entre desistir e persistir. Nesse turbilhão de emoções, nasce a semente da esperança, um suspiro que floresce em silêncio, um canto sutil que insiste em existir.
Às vezes, desejo sair do meu corpo e ser só sombra, livre da dor que insiste em ficar. Mas este corpo pulsa, me chama a resistir. E mesmo na escuridão, nasce uma luz pequena, promessa de que a aurora sempre pode voltar.
Não converso sozinho, mas dialogo com meus estados de espírito, vozes sem corpo, sombras que habitam meus pensamentos. Nem sempre nos entendemos, às vezes falamos em línguas estrangeiras, em murmúrios desconexos, em silêncios que pesam como pedras. Há dias em que a raiva grita alto e a tristeza responde em sussurros, outras vezes, a calma tenta interceder, mas é afogada pela dúvida e pelo medo.
