Corpo
Quando ela fala
Meu corpo se balança
Até o ouvido dança
Arrepia por inteiro
Pois o tempero
Causador do piripaque
Desse seu belo sotaque
É o bão jeitin mineiro
Dias de frio, seu corpo pra me aquecer
Fogo misterioso, chamas ardentes
Nossas almas a se envolver.
Toque leve como flocos de neve
Mas tão quente quanto lavas de um vulcão
Sentidos aguçados, sentimentos a flor da pele
Coração em erupção.
corpo descartável
mente vazia
apego carnal
caraminholas na cabeça
nada
e tudo
dois extremos
onde está o equilíbrio?
Ah, esse silêncio gritando em meus ouvidos, clamando pra eu me mexer...
E esse corpo dormente, doente, carente, querendo te ver...
Ah, tempo, negocia comigo, vai!?
"Está lá um corpo estendido no chão!".
Quem sou? Quem somos nós?
Oque sou? E pra que sou?
Vi certa vez um homem caído na vala, chovia muito, ele sangrava.
Ao passar de carro olhei e vi pessoas olhando, sem saber oque fazer. Era tão somente um corpo ferido, onde depois de lhe sugar o espírito, chamam apenas de cadáver. E de novo, oque e quem somos nós?
Acredito que apenas e tão somente um bichinho da seda tecendo nossos fios, que ao se romper, seremos apenas algo que frutificou mas que morreu, onde muitos nem sabem porque, ou pra que viveu!
Josefa -
Pôs no corpo negro linho
por enlutado coração
e eis que vê-la no caminho
parecia ver a solidão ...
Ó Josefa d'olhos tristes
lábios finos, sequiosos,
Senhora porque partiste
tão cedo de meus olhos?!
E da casa do Outeiro
lembro a calma de seu colo
pelas tardes de Janeiro ...
Pois na dor qu'inda persiste
sou saudade sem consolo
ó Josefa d'olhos tristes!
À Tia Josefa Francisca Louro
irmã de meu Avô.
Viva a vida
Não basta estar vivo
O importante é viver
Sentir corpo, sentir alma
Sentir vida, sentir prazer
Veja terra, céu e mares
Veja árvore, folha e flor
Veja dia, veja noite
Sinta luz, sinta calor.
Lembre de falar pra Deus
Na voz vibrante do coração
Fale aos filhos Seus.
Mergulhe no mar da vida
Afogue-se na paz Divina
Na bênção de Deus ungida.
Sinto o corpo como uma antiga arena, onde se digladiam o cérebro frio e calculista e o coração, intenso e passional, ambos dedicados aos teus olhos tão desejados por mim e por todas as versões que te veneram incontidamente.
Meu instinto – insólito e desvairado – tenta fazer da tristeza uma brisa leve de verão, guarnecendo meus sentidos com as lembranças boas, com os momentos perfeitos que que jamais se apagarão, mas esta inábil articulação me trouxe mais dor ao corpo.
Castigado pela saudade e pela batalha, meus olhos que verteram sangue, hoje expressam apenas uma tênue esperança de que a saudade e a solidão não me torturem até a morte, que o brilho de meus olhos não se apague pela ausência tua.
Casthoro´C
4 Letras -
Quatro letras me recordam o amor
embaladas no meu corpo de paixão
quatro pétalas caídas tem a flor
esperando ter ainda uma afeição.
Quatro dores se me dão à despedida
quatro zangas me separam desse amor
quatro mastros nos são dados pela vida
tantos sonhos numa barca além da dor.
Quatro Povos nos deram solidão
quando a vida amanheceu e começou
quatro vozes nos sangraram o coração
mal o fado p'las vielas se espalhou.
São quatro esses lamentos qu'inda canto
pelas noites que me abraçam ao serão
são quatro as minhas culpas que levanto
na tristeza dos meus versos d'ilusão.
A mente forte consegue suportar um corpo enfermo.
Mas o corpo forte não consegue derrotar uma mente doente.
DELÍRIOS
— Espírito (Deus)
— Alma (Senhor de si)
— Personalidade (filho imaturo).
Corpo: Universo(reino) dos prazeres, que podem escravizar ou podem levar a redenção da alma, pela razão e a intuição.
"A Alma para a sua redenção, deve ser senhor de si e de seu filho(Personalidade) para se tornar um com Espírito(Deus)."
Título: pigmaleão e Galateia
Uma mão fez um corpo sem vida, sem coração
Uma mão com formão fez, da habilidade de esculpir, fôrma
Ela deu forma ao feito
Ele esculpiu seu sonho
Seu desejo
Ele suplicou à deusa que seu ideal fosse feito carne
Que o mármore ganhasse vida
Que o movimento ganhasse a face
Ele fez
Ele quis
Ele pediu
E de tanto querer, conseguiu!
Campo de Batalha -
Sou um campo de batalha
onde a contenda é travada
e o meu corpo é a mortalha
de uma guerra inacabada!
Um sou eu desde que nasci
com um peso sem idade
outro o Poeta que recebi
e me castra a liberdade!
Dois que em não se entendiam
num confronto imortal
dois que em mim não percebiam
o quanto o corpo era mortal!
E como a lava de um vulcão
ou a cinza da lareira
resta nada e solidão
junto à minha cabeceira!
Os meus olhos bebem Fado -
Os meus olhos bebem fado
e o meu corpo solidão
ai de mim preso ao passado;
levo a dor na minha mão
deste Sol que está cansado
de nascer em dia vão!
A minha boca bebe fado
nunca mais verei o dia
só há sombras a meu lado;
já não sinto alegria
sou um pássaro errado
na rota da poesia!
E nesse longe onde fiquei
num jardim abandonado
dei-me tanto que nem sei;
se o poeta ao meu lado
foi verdade ou se o sonhei ...
A minha Alma bebe Fado!
