Corpo
"Mas eu vagueio sozinha,
pela sombra do quintal,
e penso em meu triste corpo,
que não posso levantar"
não mostre o seu corpo pois o amor é valioso e mora bem guardadinho em nosso interior e só quem enxerga alma tem o dom da paciência de esperar o grande dia da entrega acontecer
nudez
teu corpo nu entregou segredos que eu jamais poderia desvendar sozinho, trouxe traços e trouxe curvas que eu jamais teria a audácia de reproduzir. E a palavra jamais deixou de existir aos poucos, esboçando linha tênue do apagar. No fim da noite eu me sentava sozinho na varanda e o frio me acertava com um bocado de força, minha pele que já é teimosa se arrepiava contra vontade. Te esperava adormecer e voltava para a cama, tendo a liberdade para dizer palavras perigosas.
Eu te amo.
Ao acordar o vazio me fazia companhia. Se não fosse pelos lençóis do lado direito da cama estarem bagunçados, nem existiriam vestígios que esteve ali. O dia passava correndo em lentidão, afazeres lotavam minha cabeça e no fundo eu esperava que fosse assim com você também. Eu sabia, mas não queria aceitar esse fato. O Sol se pôs e as batidas na porta se tornaram frenéticas. O seu corpo artístico estava em minha frente e não demoraria muito para repetirmos todo nosso eventual processo.
Tocar. Arfar. Perder a cabeça. Chegar ao ápice.
E fizemos. Fizemos isso por tanto tempo que não consigo me lembrar o quanto. Às oito você chegava e trazia como bagagem apenas os assuntos chatos de alguém que ousou cruzar com você, ou até mesmo sobre 'eles. E às oito e meia eu já perdia a paciência e usava do meu plano secreto para ter você por pelo menos poucos instantes. Segundos que me levavam ao céu, êxtase momentâneo que eu pagaria fortunas para tê-lo sempre.
Eu paguei o meu corpo por ele.
Eu paguei minhas noites, meus sorrisos, meus sonhos para o futuro, minhas madrugadas. Eu paguei o equivalente ao infinito por um mísero pedaço de Lua. O pior. Eu paguei meu amor sufocante e minha esperança. Não foi o suficiente.
A primeira "oito horas" veio, mas você não. A segunda, a terceira, a quarta, a quinta e enfim uma ligação. "Está livre essa noite?" Eu sempre estava livre para ele, todas as noites. "Não. Vou a uma festa." Talvez eu pudesse me tornar algum ator. "Amanhã temos que conversar." Desligou em seguida, sem ao menos eu ter chance de perguntar. O tom feliz da voz dele, o vislumbre que me contaria sobre a descoberta do paraíso e me levaria para lá.
Mentira.
Diferente das rotinas tardias, era meio dia. Não tinha apetite e ele também não. Sempre funcionou assim. A queda foi brusca e quando me vi estava no inferno do meu quarto a pintar meu rosto de lágrimas ferventes. Como poderia alguém, qual eu depositei tantos sentimentos bons, me empurrar sem receios para esse fim de mundo chamado solidão?
Com o peito aberto e feridas doloridas por todo meu ser, eu ainda conseguia amar.
A prova foi quando meu gato arranhou a porta da sala às três da manhã, indicando sua chegada nostálgica. Embrulhado em tanta dor, eu cuidei. Prometi que enquanto eu vivesse o sentimento seria duradouro e de fato é. Estou escrevendo sobre ti, expondo novamente meu lado doentio d'alma. Desejaria vingança mais tarde? Incapaz. Deu-me seu embrulho e de surpresa achei a parte ruim de relembrar.
O dia que você verdadeiramente partiu. Levou todas as suas vestes e furacão de casa. Mas que merda foi a calmaria naquele instante. Nunca tive paz, sempre a almejei, agora que gostava de confusão ela me veio.
Agora vejo que te mostrei casa, criei-te lar e aconchego em meus braços, bem-queres em meus beijos. Meu coração serviu de hotel pra quem não quer ficar e fazer morar.
Alcancei a sua nudez estampada de superficialidade e usando toda a verdade eu a adorei. Serviu então para que me despisse de pele e encarasse alma nua, beijasse cada canto meu, lavasse os ferimentos e me livrasse dos rastros de sangue seco.
Você se foi, porém deixou algo aqui.
Nudez perversa e tentadora de realidade.
vai doer durante um tempo
o seu corpo vai suar em noites frias
você pode até sangrar em alguns momentos
mas, o casulo cedo ou tarde vai romper
mariposas, de voos noturnos
invadem as calles buscando prazer...
A FIDELIDADE não pode ser
um sacrifício do seu corpo,
nem um esforço
do seu comportamento,
mas a manifestação
do sentimento que diz:
"o seu amor me basta".
Porque a FIDELIDADE é fruto do amor
e não a sua prova.
(Walmir Monteiro - Crônica Existencial)
Chove tanto, parece que nunca terá sol. Será que um dia teve? Não me lembro! Chove pelo corpo sem fim.
Deixe-me
Deixe-me ir a seus relevos
Deixe-me sentir seus pontos de prazer
Deixe seu corpo ser meu desejo
Deixe-me fazer de você escrava do meu amor
Deixe-me te beijar como se fosse a última vez
Deixe-me te amar e ti fazer ser amada.
Sentir tua boca na minha tua língua na minha boca teu corpo colado com o meu corpo tua pele na minha pele teus olhos nos meus olhos minha mão te tocando a tua mão mi tocado desejo ardente corpos quente respiração ofegante coração acelerado amor compartilhado
Me ama, me beija, comigo esteja, em seu corpo eu pego forte, você é uma tentação, meu coração bate forte, me alucino de desejo quando aqui você está
Eu preciso te contar.
Tuas curvas são poemas que
Eu quero ler todos os dias,
Seu corpo são melodias que
Quero ouvir e sentir todas as noites.
Seu cheiro é o meu perfume favorito,
Sua voz é o coral angelical.
Suas cores brilhantes e tão vivas,
Sempre me iluminam.
Poema de trás para frente e vice versa.
Vacilo -
Hoje que o corpo parece vacilar,
num acto de profunda contradição,
levanto os meus olhos para Deus,
para que jamais permita
que me penetre a solidão ...
A nossa arma é a oração!
É de Deus que nasce a cura
pois é da Fé que nasce a paz
que paira leve e docemente sobre
o coração ...
Oh Senhora da Saúde
venho falar dos meus medos
são teus os meus segredos
que partilho em confissão.
Pois não vejo o caminho
Nesta imensa escuridão.
Mãe do destino
dos pobres, sem nada,
estou cheio d'incertezas
que deixo em vosso altar
nestas velas acesas.
