Coleção pessoal de RosangelaCalza

1 - 20 do total de 1594 pensamentos na coleção de RosangelaCalza

Desde Eclesiastes...


O sol desaprendeu a nascer.
Impossível isso... está no seu DNA
Nascer de manhã do lado de cá...
Morrer depois de seu caminho atravessar.


Mas ele esqueceu como se faz.
E parece que uma mudança tão radical
Muda também todo e qualquer coração (a)normal.


O doce perdeu seu sabor.
A flor do meu jardim perdeu a cor,
Qualquer palavra torta causa uma imensa dor.
Coisas que antes nem incomodavam...
Hoje nos jogam no chão e dobram o peso do coração.


Os dias são cinzas,
A inutilidade das coisas atingiu o superlativo.
A pergunta que mais surge nas mentes: por que se está vivo?
Está-se apenas a preencher um espaço...
Por um tempo limitado...
Anda-se um pouco...
E quando se vê um precipício bem à frente.
E... tudo acabado.


O bom é que nem todos sentem assim.
É preciso contrabalancear.
O mundo todo não pode enlouquecer...
Porque se assim acontecer...
Quem estará lúcido pra contemplar o fim?


Mas, já está dito, né não?
'Tempo de plantar e tempo de colher'.
"Tempo de nascer e tempo de morrer'.


Está escrito: vai acontecer"


Rosangela Calza

Dias leves


Uma leve nostalgia...
dos dias do passado,
dias passados,
dias azuis da cor do mar...
dias isolados – ilhas –,
separados só pra olhar o azul da cor do mar
olhar azul... olhar o azul, azul da cor do mar.
Nostalgia leve...
dos dias leves
dias em que o conhecido era leve
tudo esbarrava em mim de leve;
nostalgia de dias em que eu seguia leve...
sem lembranças...
carregando apenas esperanças.
Hoje procuro um farol na tempestade.
Não diferencio mais verdades de inverdades...
Vivo um tempo de escuridão e incertezas...
Sinto-me uma eterna presa.
A noite não parece ter fim.
O frio invade meu coração...
Só queria o aconchego de dias que tão longe vão.

Silêncio profundo


Depois de tudo, sigo firme na estrada...
Apesar de tudo, minha alma não é segue calada.
Vou tentando rimar meu canto no vento, na brisa, no vai e vem de uma aragem sutil...
Nesse voo rasante, sem medo, sem lamento... sigo passo a passo na minha estrada.
Aqui não há distâncias, só olhares que brilham no lusco fusco do amanhecer...
Novos horizontes onde os sonhos cintilam... e se esforçam para nascer e firmes e fortes vivos permanecer...
Corpo abandonado, leve a flutuar,
deixo-me planar, além do pesar.
Liberta e solta, entre nuvens a flutuar,
minha voz encontra o mar para nele totalmente se espelhar e se espalhar.
Em cada verso, uma força reluzente...
Na tempestade, sou eu a chama ardente.
Depois de tudo, renasço em poesia,
Apesar de tudo, floresço em melodia.
No silêncio profundo, minha essência canta,
E a vida, enfim, reinventa-se forte e solene, e tudo ao seu redor encanta.

Dias e noites


Noite e dia, em seu ciclo incansável, revelam os espasmos das dores que habitam meu coração.
Não vejo solução, perdida estou em labirintos internos onde a esperança parece de todo ausente.
Já tentei de tudo:
gritei contra o vazio, busquei voz no silêncio, fiquei mudo diante do meu próprio querer.
Sorri por momentos breves, mas rapidament lágrimas vieram para lavar o encanto e transformar o momento em desencanto.
Um pouco brisa suave acaricia às vezes minha alma cansada,
um pouco vento forte sacude os pilares do meu indelável ser,
e até tempestades brutais vêm testar a resistência do meu espírito.
Mas entre a sombra da noite e o brilho do dia,
descobro que não há dor que não se dissolva com o tempo,
nem ferida que não se reabra para, um dia, outra, e mais outra vez, cicatrizar.
Assim, no vai e vem da vida,
aprende-se a ser inteiro – mesmo nas partes que parecem desfeitas,
pois a luz sempre volta a vencer a escuridão... e a alma ensaia o tempo todo ser perfeita.

Quimeras


Uma nuvem noturna pairava sobre ele
Dia e noite
Noite e dia.
Não via solução pras dores de seu coração.
Já tentara de tudo:
Gritara... ficara mudo.
Sorrira... chorara...
Nada adiantava.
No meio de tudo isso,
deu-se conta de que ninguém se importava...
Começou a duvidar de que a vida não era nada do que sonhara...
Quimeras...
Quem sabe a realidade de todos eram puros devaneios?
Tentavam todos se equilibrar na corda bamba...
Lutar contra a corrente...
Escapar da areia movediça que aos poucos os engolia.
Talvez fosse pura utopia a existência de um lugar onde reinasse dia e noite a alegria.
Aceitou então seu trágico destino: viver entre faces confusas, jogar os dados, consolar-se com perguntas sem respostas... um trevo de quatro folhas de ouro no pescoço... torcer para ganhar as apostas...
Um laço invisível, astúcias astuciosas sempre em ação...
A bater no ritmo da roleta, então, acostumou-se, seu coração.

Vida


Estranha vida, mistério que me veste...
Sou sombra e luz, calma e tempestade,
uma parcela dispersa no universo,
retalho invisível de uma imensidade.
Um tudo vasto, ou talvez um nada...
Sopro leve que faz a alma despertar,
um pouco de brisa rara que acaricia a tarde,
outras vezes vento que vem para tudo tirar deo lugar.
Sou chama que arde no peito inquieto,
chuva que lava os sonhos esquecidos, os telhados pela poeira enegrecidos...
Mar revolto, mar sereno, silêncio e grito,
entre dores profundas e sorrisos perdidos.
Estranha vida, entrelaço entre o caos e a paz...
mistura de tudo, um nada que num frágil sopro se desfaz...
Sou fio tênue que tece meu enredo,
Verso roubado ao tempo, mistério sem medo.
Vida, qual é de bem viver o segredo?

Tédio


Tédio...
pra vida não há remédio,
drama dos dias divididos,
mal vividos,
desiludidos.
silêncio que ecoa no vazio,
sombras de um tempo perdido.
Trama da vida,
mil começos,
nenhuma saída...
vida demasiadamente longa,
demasiadamente breve,
(des)afortunadamente,
quem a escreve sabe o que escreve

Amor da minha vida


Amor da minha vida,
por que me deixou partir?
Agora aqui sozinha
não consigo mais sorrir.
a insônia insiste em surgir.
No silêncio da noite fria,
minha alma quer se esconder,
mas o vazio que você deixou
não me deixa mais esquecer.
Amor da minha vida,
minha mais triste despedida,
chega a noite
toda noite
insônia me convence que a força do amor nem sempre vence.

Pés machucados


Saí pra caminhar,
nas ruas desertas desta cidade,
sem olhar o sinal,
sem sentir o tempo passar,
sem querer voltar...
Saí pra caminhar,
nas ruas desertas desta cidade,
onde o silêncio embala meus pensamentos,
e a insônia a me rondar em passos lentos.
Cada estrela é um sussurro no escuro,
velando meus sonhos adormecidos,
na esperança de um novo amanhecer.
Andei sem rumo,
milhas e milhas,
dias e dias...
não sei mais quanto tempo faz...
O caminho de volta
encontrar não sou mais capaz...
Andei sem rumo,
milhas e milhas,
dias e dias...
A noite se estende,
silenciosa, fria,
onde o sono se esconde,
tecendo sonhos fugidios,
na dança lenta da insônia.
Andei... ando sempre andando,
sigo caminhando,
sem rumo, sem direção
vou continuar
até a dor dos meus pés
ser maior que a do meu coração.

Preto e branco?


A vida não é só preto e branco,
há espaços em cores,
há nuances, há apostas,
sem respostas.
Há bem mais...
que apenas duas posições,
radicalmente opostas...
há mistérios insondáveis,
impenetráveis...
Há o conhecido sim,
e o desconhecido também,
o que poderia ter sido...
há o sentido, o avesso,
sem sentido...
sexto sentido,
o encontrado, o perdido.
O tropeço...
o oculto,
o revelado...
A vida não é só um lado,
e outro lado...
não é só presente e passado.

Condição sine qua non


Noite fria,
vida vazia,
trajetória... sua história...
Condição pra ser meu amor:
viva forever... vida forever.
Não há amor incondicional,
menos que isso não quero,
a eternidade não será a eternidade
sem quem eu quero, do jeito que quero.

Soltei as amarras


Amore,
soltei as amarras,
limpei o coração...
Novo começo?
Recomeço?
Ou continuação?
Uma única certeza: nós,
apenas nós...
somos nós...
Abraços, laços,
entrelaço... entre laços,
não apertam como nós.
Porque amor é isto: não aperta, liberta.

Insanos


Ideia mais insana
até profana...
ouvi hoje alguém dizer:
- Deus? Um enorme espelho que se quebrou,
em mil pedacinhos pelo Universo se espalhou,
Deus... em bilhões e bilhões de pedaços se transformou.
Um dos cacos peguei,
e o que vi é reflexo no espelho refletido
daquilo que tenho sido.
Isso é que pra mim faz o maior sentido.
Ideia perigosa essa...
você já pensou
que o espelho a sua mão pode cortar
e você não vai parar de sangrar,
e até sua vida todinha acabar...
não haverá um Deus pra lhe ajudar?
Diga-me, a quem vai você clamar?
Solução: destrone seu eu,
dê a Deus Seu devido lugar,
somente Ele pode de sua vida
cuidar...
consertar... e vida nova lhe dar.

Não sei


Tão cedo, tão tarde,
por onde andei?
Quantos passos dei?
Por quantos caminhos não caminhei?
Quantas vezes me reinventei?
Não sei...
Tão cedo, tão tarde,
tanto tampo faz,
de lembrar já não sou capaz...
quando comecei,
nem que caminhos tracei,
nem quantas vezes recomecei.,
nem o que me tornei...
Não sei...
O anoitecer,
No alvorecer...
começar no ponto final,
os primeiros raios do amanhecer,
os últimos do pôr do sol...
Quem sou eu afinal?

Em Paris


"Meu Deus! Quanta beleza..."
exclama o poeta Castro Alves...
Meu Deus! Quanta tristeza...
horror, indignação
achar que a solução está...
nas próprias mãos...
Ou... pior... achar que É a solução.

Do medo


Medo...
Esconde tudo em tudo o que é lugar onde não possa encontrar...
anda devagar, com medo de chegar,
não joga... assim, não corre o risco de não ganhar...
não dorme, com medo do que vai encontrar quando acordar...
não vive, com medo de ver a hora de a morte se aproximar...
Não se olha no espelho...
com medo do que seus olhos possam lhe revelar.
E a vida a passar...
e o medo tudo a paralisar.

Vida que segue


Deita e dorme...
primeiros raios do sol, já levanta,
engole o café,
paga conta.
Corre que corre... não para
vai e volta...
come... não come
chora e chora
e a dor não some...
Intoxica... desintoxica...
vai ou fica?
anda apressado
timer sempre ligado...
sonhos... esperanças...
viver... e viver... às vezes... cansa.
Olha pra frente,
olha pra trás...
vida afrouxa... vida aperta
no mundo perdido
o futuro lhe tira a paz.
Roda... roda... roda...
sorri sorridente
vida não é permanente...
chora que chora
a vida não volta atrás...
Embrulhado!
E está tudo acabado.

Quero descer


Para tudo...
quero descer.
Para tudo
antes de eu morrer.
Para tudo...
estou cansada de tanto sofrer
Para tudo
assim não há razão pra viver.
Para tudo...
quero esquecer.
Para tudo
não quero mais saber.
Para tudo...
chega de tanto anoitecer.
Para tudo
só quero amanhecer.
Para tudo...
quero voltar
dar voltas e voltas
sem parar...
Para tudo...
quero acordar,
abrir os olhos bem devagar,
e ver que tudo mudou de lugar.
Para tudo sempre há a possibilidade de mudar...
mas não pode parar ;)

Diferente de antes


Quadradinho...
Tudo bem certinho.
Ontem, hoje, amanhã,
Vive tudo igualzinho.
Previsível, calculado
Sequer olha pro outro lado.
E eu!? Bem, eu
“prefiro ser esta metamorfose ambulante”.
Agora... já estou beeemmm diferente
... de antes 

Lego


Eu pego...
uma peça... duas peças...
três peças de Lego
e pra nós dois
construo uma vida bem colorida...
Se um dia chegarmos a um beco sem saída
Deixo tudo de lado... começo tudo de novo,
Faço tudo novo... e de novo... e de novo...
Viu!? Viver é fácil assim...
Basta comprar um monte de Lego...
a tudo remontar não me nego.