Coleção pessoal de RosangelaCalza
Solidão não quer dizer unicamente estar sozinho em sua casa... você pode sentir a maior solidão rodeadíssimo de gente.
Rosangela Calza
Da motivação
Motivação – “Motivação é um impulso que faz com que as pessoas ajam para atingir seus objetivos [...] Motivação é o que faz com que os indivíduos deem o melhor de si, façam o possível para conquistar o que almejam” .
Em tempos de pandemia (Covid – 2020), a falta de motivação em um grande número de pessoas tem aumentado consideravelmente.
É difícil falar de motivação em tempos assim... como falar desse tema se parece que o mundo está se esvaindo dia a dia? Tudo está tão indefinido... como, então, ter objetivos se o que temos é nebulosidade total? Como planejar para sair em busca de algo se não sabemos nem quando poderemos sair de casa sem o medo do vírus?
Entende-se perfeitamente que as pessoas estejam tristes, assustadas, desmotivadas...
Mas, vamos lá! A vida continua... e pode ser que na próxima curva venha a solução para o que nos assola neste momento... e como temos de seguir procuremos seguir da melhor maneira possível os dias que se apresentam.
Um dia de cada vez – eis uma forma de seguir em paz e com serenidade.
Viva com atenção o seu presente... organize seu dia... planeje o seu dia (nada além de um único dia)... tenha uma agenda de atividades diárias e cumpra-as, valorizando o momento e o que está sendo feito... você sabia que o passado e o futuro são ilusões, não sabia?
Pois é... Tinha razão Dalai Lama ao dizer “Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver”.
Vamos viver o hoje, ou melhor, o AGORA!
Rosangela Calza
Da solidão
Da solidão... porque todos temos dias assim...
Solidão não quer dizer unicamente estar sozinho em sua casa... você pode sentir a maior solidão rodeadíssimo de gente.
Manter o sentimento de solidão pode causar doenças... e ninguém quer isso.
Então é interessante que tomemos algumas atitudes quando percebermos que a solidão encheu toda a mochila que carregamos nas costas. O primeiro passo é aceitar que o sentimento está aí... vivê-lo em toda a sua intensidade... mas isso não significa que iremos segurá-lo pra sempre... ou ‘carregá-lo’ em nossa pesada mochila pelo resto de nossa caminhada.
Aceitou!? Viveu!?
Agora vamos começar a sair desse ‘espaço’ da solidão, vamos aliviar o que nos pesa nas costas... vamos pensar nas coisas boas que têm o poder de fazer esse momento passar. Cada um de nós têm as SUAS coisas boas, sim!
Ah! E nesse momento de aceitação da solidão e (con)vivência com ela é interessante buscar o que a causou... e cortar esse mal pela raiz... resolver a situação. Lembre-se de que é a sua saúde mental está em jogo; e nos queremos saudáveis, não é?
Ocupar-se com atividades diferentes também ajuda bastante. Mas sem muita cobrança... descubra formas de combater o tédio, encontre maneiras de ocupar seu tempo com atividades que lhe causem prazer... e faça tudo com muita tranquilidade... nada de atropelos e autocobrança exagerada.
E sempre é bom lembrar que fazer nada já é fazer alguma coisa. Você tem o direito de tirar um tempinho todo dia pra fazer nada, tem sim!
e... lindo e profundo este texto da nossa amada Clarice Lispector:
“Que minha solidão me sirva de companhia Que eu tenha a coragem de me enfrentar
Que eu saiba ficar com o nada E mesmo assim me sentir
Como se estivesse plena de tudo”.
Que sua solidão seja exatamente assim!
Rosangela Calza
Do não que já se tem
A maioria das pessoas não está preparada para receber um 'não'. Mas, se elas se dessem conta de que o não elas já têm... perderiam o medo. Se já o têm, não há como ganhá-lo.
Então, se não fizerem nadinha de nada, o máximo que pode acontecer é permanecer no não. Que já é terreno conhecido, é zona de conforto.
Com você é assim também? Não consegue administrar os 'nãos'?
Então, acostume-se, sua vida estará repleta de 'nãos' – é tudo o que você já tem.
Agora, arrisque-se... o mínimo que pode acontecer é você permanecer no não.
O mínimo...
Rosangela Calza
Da paz
E eu sigo em paz...
quer dizer, então, que não vejo a guerra? Não sou ingênua.
Tenho visto o caos e pressinto o que está por vir.
O porvir... bem, o que posso fazer?
É não atacar ninguém... é não generalizar... é não disseminar ódio pelas redes sociais... já sei que tem gente demais fazendo isso.
Estão esses tão infelizes assim? É a única conclusão a que chego.
Uma pessoa que está em paz e feliz consigo mesma não quer guerra com ninguém.
E você? É da paz ou da guerra?
Estamos precisando demais de pessoas que sentem do lado em que se vê o bom da vida... se continuar nesse ritmo a condução que nos leva vai virar... e é óbvio que todos irão se quebrar.
Eu disse TODOS!
Das escolhas
Sua vida é como é por sua própria escolha, né, não?
Neste exato momento você está lendo este texto. Óbvio, né?
Você realmente queria lê-lo. Não tenho dúvidas... se não quisesse, teria passado adiante depois de ler o título, não é?
Sabe aquelas pessoas que ficam o tempo todo falando que gostariam de estar em outro emprego, morando numa Ilha paradisíaca – by the way, eu moro... – que não aguentam mais estar naquele relacionamento que suga todas as suas energias, que queriam estar fazendo isso ou aquilo... mas estão presas em uma camisa de força que é a sua própria vida?
Pois é. Essas pessoas se esqueceram de que foram elas – e somente elas – que se colocaram em tal situação.
Aaaaaa mas as circunstâncias!!!!! sim, há as circunstâncias, mas no fim de tudo foi a própria pessoa que escolheu estar onde está.
As circunstâncias talvez cobrassem um preço muito alto para a não escolha de uma vida diferente... e, às vezes, isso ocorre bem inconscientemente, a pessoa vai optar por uma vida vítima das circunstâncias... inconscientemente.
E o resultado? Bom, no mínimo, o trem da própria vida estará sempre na estação errada... o timão da sua vida estará sempre na mão de outra pessoa.
Sim, Rosangela... mas
Nem 'mas'... nem 'meio mas'... você está onde está por sua livre e espontânea vontade... e pode voar pra bem longe... por sua livre e espontânea vontade.
Claro... haverá consequências.
Porque toda ação tem uma reação. E, sendo assim, suas reações podem ser quaisquer que você queira...
E, quanto às consequências da ação escolhida?
Bem....
Isso você resolve depois 😘
Do silêncio
Somos responsáveis pelo nosso silêncio...
Se eu der minha opinião, se eu alertar alguém, se eu persuadir alguém, se eu gritar aos quatro-ventos...
Se... tudo isso aí e unas cositas mais, serei responsável de alguma maneira.
Claro, terei me implicado na situação de forma bem clara. Serei responsável pelo que falei, pelo que fiz. Minhas palavras podem voar ao vento, mas... antes de voarem, passaram pelos ouvidos de alguém, pelos olhos de alguém.
Então, penso eu, em certas situações, o melhor a fazer é manter-me passivamente passiva. Farei do silêncio minha arma de comunicação. Assim, não poderei ser responsabilizada por me manter calada. Se alguém fizer alguma bobagem... disser alguma mentira... ah! a melhor opção, pra mim, é o silêncio mortal.
Não sou eu quem vai expor esse alguém. Não, não mesmo. Não sou conivente, sei que o que esse alguém fez não está certo. Mas... não quero ter prejuízos afetivos... ops... então, não é o outro, sou eu a minha real preocupação... é só por isso que, muitas, muitas vezes, o silêncio se instala em mim.
Claro, claro... não vou sair por aí atirando com uma metralhadora honestidade o tempo todo e em todo lugar. Há vezes em que meu silêncio se faz necessário por pura cortesia. Então, sim, me esconderei atrás da cortina da boa convivência, da gentileza. Agirei virtuosamente como se estivesse a passear pelos corredores da corte... silenciosamente.
Da mudança
Mudar dói... mas mais do que permanecer no mesmo lugar desértico, frio e desesperançável?
Minha zona de conforto se amplia a cada dia. Estou feliz nela? Acho que não. Não... definitivamente não. Mas... Já a conheço tão bem... tudo nela é tão previsível... não há canto escuro ou obscuro pelo qual eu já não tenha passado, olhado, acariciado e colocado bem no fundo do baú. Mas dentro do meu campo de visão... bem à minha mão.
Oras, não sou boba nem nada... o conhecível me faz bem, me dá segurança... tudo bem que tenho de engolir todos os sapos que pululam ao meu redor, mas sei o chá que devo tomar pra não sofrer intoxicação mortal. E há sapos que não são tão venenosos... dá pra engolir de boa mesmo.
Então, não mudo, não sofro. Resignadamente me resigno a tudo e a todos, todos os dias. Mas na segurança do caminho conhecido, of course. Vou eu enfrentar preocupações com mudanças? Sei onde estou. Sei o que tenho. Punto e basta.
Mesmo?
Não sou boba nem nada. Conheço a frase 'melhor um pássaro na mão do que dois voando'... mas sei que isso me diz: 'fique com o menor, assegure-se, mantenha firme o pouco que você tem... deixa ir o maior... dispense o grande'.
Por que, então, conhecedora de que pode haver o melhor, o maior, o mais confortável, o sucesso, a alegria, a paz... e mil e umas outras coisinhas maravilhosas com uma mudançazinha aqui e acolá, eu fico amarrada no mesmo lugar?
Por que fico pagando um preço (talvez alto demais) por uma pseudosegurança?
Se eu agir é sempre fitty-fiffty. E mesmo que seja, como resultado, o fifty
-50%, só o fato de eu ter disposição para correr risco já me faz ganhar... e vai que o resultado seja mesmo o +50%?
Entonces... mudar dói (exige um certo esforço)... mas... se não se mudar nunca se poderá saber o resultado do passo em direção à mudança... e essa adrenalina é boa... ah!!!! se é.
Essa solidão é um eco que ressoa no vazio dentro de mim. O medo, uma sombra a dançar nas paredes da minha mente demente. A tristeza, uma chuva fina a molhar minha alma sem aviso. O desânimo, um peso a amarrar meus pés ao chão. Juntos, tudo forma uma tempestade silenciosa... cada gota carrega o sabor amargo da ausência de tudo. Mas e que bom que sempre há um 'mas'...
mesmo na noite mais escura, estrelas teimam em brilhar. Respiro fundo e lembrar que toda nuvem é passageira, mais ou menos ligeira...
e a luz, por mais tênue, nunca desaparece de verdade. Mantenho sempre um pouco de sanidade.
A tua foto no meu computador.
Olho bem dentro dos teus negros olhos...
Há um vazio profundo...
Um amor remoto... tão distante...
Só durou como um click... um segundo.
Na foto perdura o teu olhar.
Estava eu tão segura que pra sempre irias me amar.
Hoje sei que amanhã ao acordar aqui não vais estar...
Não há rastros... só restolhos... nada mais pra encontrar.
Como não percebi que era passageiro?
Não largavas a mala e o mapa das mãos...
Sempre pronto pra partir...
Sem se importar se ia apagar o meu sorrir.
Sem se importar se no mapa não vias nenhuma direção.
A foto no computador...
Vê ela essa minha loucura...
Estou sempre à procura...
Um rastro de amor queria nela encontrar...
Juro! Ainda vou achar.
Dia de chuva...
Estrada molhada...
Vento frio...
Sigo as curvas do rio.
Descalço meus pés
Sigo com fé
As pedras do caminho...
Não me ferirão os espinhos.
O vento me desequilibra
Meu corpo nem liga
A chuva um açoite
Termina o dia... começa a noite.
Não há estrelas no céu
O que me cobre é só um negro véu
Não posso parar
Continuo... lágrimas pelo meu rosto a rolar.
Chuva sagrada
A lavar mais uma alma desgraçada
Tremo de medo... ou é de frio?
Não importa...
A vida é torta...
Continuo até do fim encontrar a porta.
E fim... deste frio em mim...
Ou será o começo de um frio escuro eterno que jamais terá fim?
Silente mundo
Se há coisa que não dá pra a sério levar é o mundo.
Ele muda todo dia de tempo e lugar....
Mudo... não deixa de mandar... não deixa de se mudar.
Um pra lá... outro pra cá.
Quem nele vive é o compasso que tem de bailar.
E de nada adianta reclamar.
Fincar os pés no chão... se rebelar.
O mundo suas voltas vai continuar a dar...
O mundo está deveras imundo.
Ar poluído.
Rios conspurcados.
Caminhos profanados.
E a culpa? Quem dela é?
Do homem que tudo destrói.
E, da destruição, sempre algo constrói.
Polui, polui e polui...
E no mundo inteirinho é que mais dói.
O mundo tranquilamente a girar...
Se está todo mundo tonto...
O mundo não está nem aí...
Por que haveria de se importar?
É o mundo que manda.
O resto obedece.
Nasce... cresce... e um dia desaparece.
E o mundo continua a rodar.
Consciente de que o homem é que no fim as contas vai pagar.
Do destino que eu queria
Recordo-me de quando meus olhos te viram pela primeira vez.
Lembro-me do frio na espinha que senti...
Lembro muito bem que tremi...
Era frio?
Um temor enorme se apossou de mim.
Um alarme soou dentro de mim.
Era o começo do que eu já antevia o fim.
Era o primeiro passo de um caminho que eu já antecipava o fim.
Hoje, ao lembrar, eu rio...
Pobre de mim... tststs
O que está escrito... está escrito!
O que cada um tem de passar... tem de passar.
Ninguém vai ocupar o lugar de ninguém.
Cada qual seu próprio andar vai passo a passo ter de dar.
Eu sabia disso... sabia.
Sabia que o que viria pela frente iria me machucar.
Chamem de premonição... de sexto sentido... de impressão...
Não importa como se denomina... o que senti tem todo sentido.
Mas...
Porém...
Entretanto...
Todavia...
Não se preocupe, sempre soube que o que é meu vai achar um jeito de até mim chegar...
O que não é pra ser... não virá...
Pode até aos meus olhos se apresentar...
Rondar o caminho que estou a rodar.
Meu coração roubar...
Trazer dor e aflição ao meu coração...
Mas logo outro caminho vai pegar.
Mas...
Porém...
Entretanto...
Todavia...
Eu juro:
Só queria que alguém me ensinasse a convencer o destino de acertar.
Só queria que o destino se compadecesse de mim...
Só queria um pouco de complacência...
Queria o destino se coadunasse com meu querer redondinho como se tudo fosse só e somente só ciência.
Mas...
No que concerne a mim... vive o destino a se enganar... a mil voltas dar... tudo meio sem noção... divertindo-se com meu coração.
Sem amor... por um tempo
Não desejo mais amor.
Todo aquele que até mim chegou...
Um dia de aqui ficar desistiu...
Partiu... foi-se embora... tudo aqui abandonou...
Sem se importar o caos que me causou.
Dor, desesperança, sofrimento aqui deixou.
Brincou com meu coração.
Jogou com meu coração.
Não se importou com os traumas que em mim causou.
Juras de amor esquecidas...
Promessas vazias interrompidas...
Máscaras pelo tempo desmascaradas...
Deixou desgosto e desilusão.
Quem não?
Eu... não mais...
Espinhos?
Caminho sozinho...
Nas asas do vento...
Sigo!
Em busca de carinho...
Rosas perfumadas e coloridas pelo caminho.
Caminhos repletos de alento.
Neste mundo bem redondinho...
Quem nunca?
Eu... eu sim.
Vi voltar o que um dia deixei no meu caminhar.
A alegria de que um novo dia pode me dar.
Minha sina... meu destino
Sôfrega de esperança.
Impaciente, inquieta...
enfrento o mundo.
Anoitece. Enoita...
Ajoelho-me
Faço minha prece.
Às vezes tenho a impressão de que, de quando em quando, Deus de mim se esquece.
Olvida-se de que cá estou...
Sem chão... sem Norte... sem direção.
E que de se esquecer se acostumou.
O frio gela meus ossos.
O sangue flui vagarosamente... tentando romper barreiras...
Furando obstáculos... por entre minhas veias se esgueira.
O desespero e a desesperança parecem tomar conta de tudo em mim.
Sono picado...
Acordo tão cansada.
Desesperação: tenho de continuar.
Abro vagarosamente a cortina.
Vejo o sol pela janela sorrateiramente se esgueirar.
Ávida de esperança, me armo.
Sôfrega de expectativa
Continuar a continuar... eis minha sina.
Caminhar e caminhar... sei que a vida ensina.
Um mundo machucado...
Um mundo de ponta cabeças! A palavra espalha-se por todos os lugares. A palavra que machuca... agride... fere... faz sangrar.
Palavras que carregam o peso de quem não consegue lidar com a própria sombra... sombras ressentidas pesam mais; carregar o peso do ressentimento, do se sentir diminuído, do se sentir menos pesa. Então esses ressentidos usam o teclado pra tirar de dentro de si mesmos amargor... e amargar o outro... o outro que faz sucesso, o outro que pensa diferente... o outro que não se encaixa em moldes forjados pelo ressentido.
Se o outro conquistou um espaço o ressentido não consegue aplaudir... só ataca... desmerece o trabalho do outro... vomita palavras do abismo que carrega dentro de si.
O ressentido se esquece de que palavras que profere/digita falam mais sobre o emissor do que do próprio receptor...
Enfim: o que quero dizer é que se o outro voou... e o ressentido rasteja no chão... não significa que o ressentido não possa voar também... basta tirar os olhos presos em única e exclusivamente julgamentos, e fixá-los em si mesmo, segurar firmemente o fio da própria vida, tomar impulso e voar também.
Há espaço pra todos... Nosso planeta tem uma área de mais de 500 milhões de quilômetros quadrados 😉
Um mundo machucado... que pode ser curado!
Ro
Me disseram que o poeta é paz...
Não se engane, no poeta a guerra também se faz...
Me disseram que o poeta não chora...
Não se engane, o poeta também deixa as lágrimas escorrerem pelo rosto...
lavarem a alma... devolverem-lhe a
calma.
Me disseram que o poeta é só amor...
Não se engane, há momentos em que o poeta é só dor.
Me disseram que obstáculos não são pedras no caminho do poeta...
São... nem tudo na vida do poeta rosas perfumadas são
O poeta é um ser como todos os outros...
Talvez o que o diferencie é saber ser um fingidor...
Finge amor, quando há dor.
Finge paz, quando há guerra.
Finge calma, quando por dentro tudo queima sua alma.
O poeta baila na vida... olha a linha do horizonte...
E pra tudo encontra ou finge uma saída encontrar.
Estrada desconhecida
Ah! Estrada que à minha frente vai.
Pra onde vai?
Tão florida... tão perfumada...
Não deixo de em ti seguir por nada.
A abóbada celeste a te cobrir.
Manto azul contigo a seguir....
Frondosas árvores há por aqui.
Pássaros cantando... tudo alegrando... felizes por contigo ir.
Tudo cintila ao raiar do sol.
Tudo fulgura no teu traçar...
É o amor pondo tudo no lugar.
Nada há de mais belo do que aqui estar.
Dias sem cor
Nossa estrada tão florida
foi vagarosamente submergindo em escuridão...
abrumadas nuvens a cobriram...
as flores que por todo lado estavam lentamente se descoloriram.
Pedras estéreis sem cor e sem brilho...
Endurecem meu caminhar.
As aves que cantavam...
Hoje delas ouço apenas um leve e triste pipiar.
Sob esse céu negro e denso...
Olhares tristes voltam-se pra mim.
Árvores deixam pela terra seca suas folhas ressecadas...
Todo o verde e o colorido pausadamente chegando ao fim.
A dor do outro
Sei, sou parte disso tudo.
Mas quantas vezes não me encaixo...
Procuro-me, procuro-me e não me acho.
Sou parte disso tudo.
Tenho de estar sempre em alguma parte.
É estranho essa capacidade de desamor que vejo por aí.
O outro caiu e se machucou.
‘Bem feito!”... foi o que ouvi.
Acho que amo demasiado.
Acho que amo além da conta.
Por isso me espanta essa gente demente... que com a dor do outro fica contente.
