Coleção pessoal de ranish
Eu gritei felicidades quando te vi passando pela rua. Mas você estava consertando os fones de ouvido em meio à cabeleira!!!
Precisaremos recriar novos tempos tão bons quanto aqueles em que os sorrisos não deixavam nossos lábios...
A vida sempre é poesia.
A minha, a sua...
Às vezes melancolia, outras sorrisos..
Se você contar com fidelidade
tudo fica com contornos de beleza.
Assim eu acho,
assim deve ser..
No coração apenas o destino manda.
E é preciso lutar pelo que se ama.
Rótulos nada importam.
Futuros e passados também não.
Apenas o presente
detém sopros de felicidade!!!
O SOL SE LEVANTOU SOB MEUS PÉS.
SEUS RAIOS SE MISTURARAM À VERMELHIDÃO DA TERRA
E AO PERFUME AMARELADO DOS IPÊS.
AMANHECEU O PIANCÓ COMIGO NO MEIO DA VACARIA.
Soprou raivoso o minuano.
Atroaram roucos estampidos
anunciando a ira de Zeus,
o amontoador de nuvens.
E veio, enfim, a generosa chuva
para a exultação dos meus olhos.
Libações haverão de ser levantadas
e tenras prendas imoladas
aos deuses sempiternos.
E que ela molhe a terra
com seus penetrantes dedos.
Até que dela brotem infindáveis lágrimas
em forma de olhos d'água...
.
Agora tusso
como um basset asmático.
Mas é assim mesmo.
Logo passará
e eu voltarei ainda outra vez
aos mesmos venenos.
A vida é um círculo de vícios necessários.
Samsara.
Prazeres e, depois,
lágrimas pseudo-arrependidas.
Nos enganamos o tempo todo.
No fundo pensamos que nós somos os outros
a quem podemos iludir.
Tem gente que até consegue.
Vislumbres do irremediável.
E quem quer a verdade?
Melhor sonhar,
melhor o êxtase!
.
.
Já, já vou indo...
Por aqui:
Coisas e marasmos.
Marasmos mineiros,
ondas bovinas,
poeira verde
nas ventas.
Saudades daí,
sinto.
Da pressa dos carros
e dos passantes.
Dos sorrisos esquálidos,
dos projetos risíveis,
indizíveis.
Vontades minhas,
gastronômicas,
da padaria da esquina.
Da Liberdade.
De andar por ruas
e pelas vinhetas sonoras, daí...
Bobagens que recolherei,
logo,
logo,
abraçando vocês.
Antes de agosto findar.
A gosto meu estarei
por aí.
Só falta um pouco de vento.
.
.
Cidades pequenas,
vidas pequenas
- Se você dança com o diabo,
o diabo não muda:
Ele muda você! - De súbito olhamos no
espelho
e nos damos conta
que muito tempo passou enquanto
comentávamos o futebol,
a novela,
os problemas da vizinhança...
E o que realmente importava ficou
esquecido, adormecido.
Mas a vida é assim mesmo:
acabamos por viver no limite
do que nos é possível.
Acredito mesmo que devamos
ser assim para que
possamos conseguir alguma cousa de real
e de concreto nesses
tempos de isopor.
.
.
Conheci Romã em baires.
Todos nós
vivíamos de bons ares,
naquele tempo:
Mamadeiras, café em pó, candidatos.
Pesquisas e periferias...
Eu a vi passar por vários infernos.
Depois fui embora.
Notícias
só as bidimensionais.
Mas sempre amei dela
aquele abraço de torniquete.
Dava pra sentir o coração
batendo...
Parecia uma fusão de desesperos.
Uma década, ou mais,
eu não a vejo mas é como se fosse
ontem.
Acho que somos eternos e lindos:
amigos.
Agora ela está de volta.
Baires...
O tempo nos escorre
e temos coisas
e coisas para dizer...
Espero vê-la logo.
.
.
Eu continuo aqui. Cabelo branco da tinta
que escorre do teto.
Nunca fui um bom pintor.
Nem mesmo de paredes,
como agora.
Tento cobrir o amarelo do passado...
Duas, três demãos e ele insiste, recalcitrante,
no fundo...
Tenho até o feriado.
Depois da bagunça e dos retoques
eu irei embora.
Minhas mocinhas ruminam
à minha espera.
Elas engordam sob meus olhos.
Pena não viverem nas metrópoles,
como na Índia.
Pena...
Saudades de brincar
com crianças
que não nasceram,
saudades inatingíveis...
Agora é içar velas
e singrar o tempo
no meio dos vapores proibidos.
Sorrisos de fotografia
e esperanças
de prazeres ternos..
«
O vento da tarde me penteava os cabelos
Eu seguia pelas veredas sinuosas da vargem do Piancó.
Monjolos, juás e malícias me afastavam
do pensar no gado.
Pragas invencíveis, sobreviventes às enxadas e venenos..
O suor escorria inundando todos os meus olhos.
O sol de fogo cozinhando meus miolos.
Divagava pelos anos passados sob meus pés:
Vacas e novilhas nascidas, vendidas;
Bezerrada desmamada, marcada, descornada...
Eu olhava minhas botinas velhas e seguia adiante.
Mais um pouco pra antiga sede.
Uma pinguela de aroeira caída sobre
O córrego, umas braças mais de quintal.
Virei menino nesse sendeiro.
Fui buscar uma foice emprestada..
Emprestei também pedaços de
Passado. E nuvens de lembranças das
Curvas da vida.
«
Saudades do Minuano.
Vontade minha era me mudar
pra dentro da geladeira.
Construir meu Iglu
ao lado do sorvete napolitano..
Meu basset barítono balbucia colcheias dispersas
perseguindo borboletas.
Arde a tarde enquanto tuíto
debaixo da sibipiruna.
Baleado. Fogos de artifício me tiraram do sono dizendo que é chegada a hora dos jogos dominicais. Meus olhos perscrutam o teto. Tem um imã na cama que impede meu esqueleto de deixá-la. Elucubro. As ressacas se agigantam com os anos.. Repasso lembranças de balcão com meu coração retumbando melancolias. Dores de cabeça e um gosto acre de cabo de guarda-chuva na minha boca. Preciso urdir coisas, mas mesmo meus pensamentos são doloridos, entristecidos, cinzas.. Outro domingo aprisionado na gaiola dos sonhos macabros, outro olhar de soslaio na cortina grená que impede a luz do sol de entrar no meu dia..
Rezar, rezar... Palavras perdidas no meio das costelas.
Do pequeno templo entre montanhas escorrem os seus olhares.
Obediente, sigo o caminho.
Nas pontas dos meus olhos reina sua estepe enegrecida.
Rubor aparente no meio da escuridão mouca.
Sinfonias de aromas me penetram as narinas.
A viscosidade não tarda.
Também não tardam os uivos descontrolados da loucura.
E a noite navega o mundo enquanto eu soçobro na laca vulcânica do seu prazer.
E meu riso meneia fundido às lágrimas salgadas da sua pele.
E meus lábios dançam naufragados na imensidão vermelha. ..
