Coleção pessoal de ranish
Você diz algures
e a pessoa acaba por entender
alhures.
E a vida ensina
que é preciso um pouco de zen
para saber usar o arco...
Sopraram purpurina
no céu da cidade.
Meu coração neon
desatou num pisca-e-bate.
Uma noite-boite
de vaga-lumes flamejantes.
Festa junina, julhina quase agustina
lá vou eu,
já vou eu..
Sem pito,
nem chapéu de palha,
nem botina de goma.
Sol frita.
O capeta se mudou pro asfalto.
Vontade minha de morar
debaixo da cachoeira.
Ou de lamber
uma princesa polar..
Às vezes dá uma fundeza.
Como se a vida tivesse passado
enquanto eu dormia.
Coisas e coisas ficadas pra trás.
Tristezas crônicas,
tardias..
Comer, beber, sorrir.
A ternura dos vizinhos.
O olhar varado das moçoiras
saídas da escola.
As rezes berrando,
longe.
O zumbizar da cigarra.
Nada posso fazer.
Apenas girar os cubos de gelo
com o indicador.
Ele não indica caminhos de alegrias.
Reinventarei você.
Tudo arde.
Queima o estômago,
queima o esôfago,
queima a tarde.
Precisava mesmo era do bálsamo líquido dos seus beijos.
Fluidos seus
que curam corpo
e alma meus.
Calorama
Estou praticando windsurf
na frente do ventilador
mas meu desejo mesmo era estar
esquiando no ar condicionado.
Você pode se divertir comigo.
Eu, com certeza me divertirei contigo.
Mas ambos sabemos
que um nunca será dono do outro.
Voltando de Barretos. Sem esporas nem poláinas. Na estrada apenas buracos e o tédio verde dos canaviais infinitos..
