Coleção pessoal de testeteste123
2562 📜 "Alguém Me Disse que Tu Andas Novamente..."
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Mais ou menos (se bem que diferente) de como está na letra da composição 'Alguém Me Disse', de Jair Amorim e Evaldo Gouveia.
O seu fardo já é maior, e carrega dos demais. Ensina os a carregar seus próprios fardos, o amanhã é um mistério.
recomeçario
Ele percebeu que tinha mudado no dia em que entrou no próprio quarto e sentiu que estava visitando alguém.
Os mesmos móveis, os mesmos objetos, os mesmos cantos onde tantas histórias tinham acontecido. Mas havia alguma coisa estranha naquele lugar. Como se tudo pertencesse a uma pessoa que ele conhecia, mas já não conseguia alcançar.
Ele ficou parado na porta por alguns segundos, tentando lembrar em qual momento havia deixado de ser aquele cara.
Talvez tivesse sido aos poucos.
Talvez ninguém perceba quando uma pessoa começa a desaparecer de si mesma.
Ele ainda fazia as mesmas coisas. Acordava, respondia mensagens, saía, conversava, ria quando era esperado. Aprendeu perfeitamente a imitar a própria presença. Era bom em parecer alguém que estava bem.
O problema era quando ficava sozinho.
Porque no silêncio sempre apareciam as versões antigas.
O garoto que acreditava que tudo teria uma explicação.
O homem que achou que finalmente tinha entendido a vida.
A pessoa que prometeu nunca repetir certos erros.
Todos eles apareciam sentados ao redor da mesma mesa, olhando para ele como se esperassem uma resposta.
“Quem você virou?”
Era uma pergunta simples.
Mas ele nunca sabia responder.
Ele passou anos tentando fugir de si mesmo, como se mudar de lugar fosse suficiente para deixar para trás aquilo que carregava. Trocou hábitos, ambientes, pensamentos, criou novas versões de si mesmo e chamou aquilo de evolução.
Mas toda noite, quando a casa ficava escura, ele encontrava os mesmos fantasmas usando roupas diferentes.
Ele percebeu uma coisa que nunca quis aceitar:
às vezes a gente não muda.
Às vezes a gente apenas aprende novas maneiras de repetir os mesmos padrões.
Ele lembrava de todas as vezes que jurou que seria diferente. Todas as promessas feitas em momentos de lucidez, quando a dor parecia grande o suficiente para ensinar alguma coisa.
Mas a dor passa.
E quando ela passa, a memória dela fica mais fraca.
Então ele voltava.
Voltava para os mesmos lugares, procurava as mesmas sensações, fazia escolhas que já conhecia o final.
Era como assistir ao mesmo filme várias vezes e continuar esperando que, em alguma exibição, o personagem principal tomasse uma decisão diferente.
Uma noite, ele abriu uma caixa antiga guardada no fundo do armário.
Dentro dela estavam fotos, bilhetes e pequenos pedaços de uma vida que parecia pertencer a outra pessoa.
Ele olhou para aquele rosto mais jovem e não sentiu vergonha.
Pela primeira vez, sentiu apenas cansaço.
Aquele cara também estava tentando.
Talvez esse fosse o problema de passar tanto tempo odiando quem você foi: você esquece que aquela pessoa também estava fazendo o melhor que conseguia com a consciência que tinha.
Ele fechou a caixa.
Não porque tinha encontrado uma resposta.
Mas porque percebeu que talvez nunca existisse uma versão final esperando por ele.
Talvez a vida fosse apenas essa sequência de encontros com pessoas que você já foi.
Algumas você abraça.
Algumas você perdoa.
Algumas você tenta esquecer.
Mas todas continuam vivendo em algum lugar dentro de você.
Naquela noite, ele deitou sem saber se tinha finalmente se encontrado ou se apenas tinha parado de fugir.
E, pela primeira vez em muito tempo, essa dúvida não parecia assustadora.
Porque talvez o maior erro dele tivesse sido acreditar que precisava se tornar alguém completamente novo.
Talvez ele só precisasse aprender a conviver com todos aqueles que já existiam dentro dele.
assassinato do auto ego
Existe um momento estranho em que o ego começa a perder a voz.
Não é uma morte completa, mas uma espécie de silêncio. Como se todas as certezas que eu carregava fossem uma casa construída com paredes de vidro, e bastasse uma queda forte o suficiente para perceber que, na verdade, eu nunca estive tão protegido quanto imaginava.
Talvez seja necessário chegar em algum tipo de fundo para enxergar.
Porque enquanto estamos no alto, tudo parece absoluto. Nossas dores parecem eternas, nossos desejos parecem indispensáveis, nossas versões parecem definitivas. A gente acredita que aquilo que sente naquele instante é a verdade final sobre quem somos.
Mas quando tudo desmorona, quando o personagem perde a fantasia, começa uma visão diferente.
Você começa a enxergar as próprias versões que já morreram dentro de você.
A pessoa que você era antes de certas dores. A pessoa que você tentou ser para ser aceito. A pessoa que você fingiu ser para não demonstrar fraqueza. A pessoa que você criou na sua cabeça e passou anos tentando alcançar.
E então vem a parte mais estranha:
perceber que nenhuma delas era realmente você.
E talvez nenhuma delas fosse falsa também.
Eram apenas momentos.
Porque no fim, tudo parece ter essa natureza passageira que a gente tenta ignorar. O sentimento que ontem parecia impossível de superar, um dia vira uma lembrança distante. A certeza que parecia inabalável, um dia parece uma ideia de outra pessoa. As coisas que jurávamos que definiriam nossa vida acabam sendo apenas capítulos pequenos em uma história que continua mudando.
A gente passa tanto tempo tentando encontrar significado em tudo, como se existisse uma explicação escondida esperando ser descoberta.
Mas talvez o universo nunca tenha prometido sentido.
Talvez nós sejamos seres tentando organizar o caos, criando narrativas para suportar a passagem do tempo.
Chamamos de destino aquilo que aconteceu.
Chamamos de aprendizado aquilo que conseguimos aceitar.
Chamamos de personalidade aquilo que são apenas padrões repetidos até parecerem permanentes.
E quando o ego fica despido, quando não existe mais a necessidade de parecer certo, forte ou invencível, sobra uma percepção quase assustadora:
nós somos muito menos fixos do que imaginamos.
Somos feitos de fases, encontros, perdas, memórias e versões que vão surgindo e desaparecendo conforme atravessamos a vida.
Talvez o fundo do poço não seja apenas um lugar de destruição.
Talvez seja o único lugar onde a gente consegue olhar para cima sem mentir sobre a altura que caiu.
Porque lá embaixo não existe mais personagem.
Não existe imagem para sustentar.
Não existe plateia.
Existe apenas você, diante de tudo aquilo que tentou esconder, percebendo que talvez a maior ilusão nunca tenha sido o mundo lá fora.
Talvez tenha sido a ideia de que algum dia nós realmente fomos uma coisa só.
Tudo é uma crença, e eu estou sempre acreditando em algo — até quando penso que não acredito em nada, estou, na verdade, acreditando que não acredito. Não há como escapar das crenças, porque até na tentativa de fugir delas, estou acreditando que estou fugindo. Mesmo quando digo que não acredito em nada, estou, na verdade, acreditando que não acredito em nada.
A única coisa que eu posso fazer é mudar minhas crenças. E, no fundo, isso também é uma crença: a crença de que eu tenho o poder de transformar aquilo em que acredito. Cada crença que tenho, seja consciente ou inconsciente, muda a minha realidade. Ao alterar essas crenças, mudo não só o que penso, mas também o que sou e como vejo o mundo. E isso, por si só, é um ato de transformação.
Assim, percebo que a liberdade não está na ausência de crenças, mas no poder de escolher quais crenças adotar. O simples fato de acreditar que posso mudar minhas crenças já é uma crença poderosa, capaz de transformar minha perspectiva de vida.
Cada caso é único, mas estou falando de mim, da minha experiência.
Para mim, depressão nunca foi uma "doença". Foi, antes, um sinal, um alerta profundo para a necessidade de mudança.
Mudança de pensamentos, Mudança de crenças, Mudança de hábitos, Mudança de rotinas, Mudança de pessoas ao meu redor, Mudança de lugares, Mudança de mim mesmo, Mudança de vida.
Para mim, depressão nunca foi uma "doença". Foi, na verdade, uma negação de mim mesmo.
Quando finalmente aceitei quem eu sou, quando aceitei o que já foi, quando aceitei a realidade como ela é, tudo mudou. Aceitei as pessoas, o mundo, a vida... e, principalmente, aceitei a mim mesmo.
Para mim, depressão nunca foi uma "doença", mas uma ilusão criada pela minha resistência à mudança e ao autoconhecimento. O que o mundo chamava de "depressão" foi, na verdade, uma busca por algo que eu já possuía dentro de mim — a aceitação de quem eu sou. E foi quando aceitei essa verdade que me encontrei novamente.
Às vezes, o que percebemos como sofrimento é apenas um reflexo da nossa resistência a viver de forma verdadeira. Quando nos permitimos mudar, aceitar e ser quem realmente somos, a dor se transforma em evolução.
A nuvem negra não chegou de uma vez.
Ela não apareceu como uma tempestade anunciando que tudo iria mudar. Ela veio devagar, quase educada, como uma sombra que aprendia os caminhos da casa antes de tomar conta dela.
No começo eu ainda conseguia enxergar o céu.
Ainda existiam dias bons, momentos que pareciam provar que aquilo era só uma fase. Eu dizia para mim mesmo que amanhã seria diferente, que alguma coisa dentro de mim iria voltar ao lugar.
Mas o tempo passou.
E a nuvem ficou.
Ela não precisava mais esconder o sol, porque eu já não lembrava exatamente como era sentir o calor dele.
As coisas continuaram acontecendo ao meu redor, pessoas rindo, histórias sendo criadas, músicas tocando em algum lugar. O mundo nunca parou por minha causa. E talvez essa tenha sido uma das partes mais estranhas: perceber que tudo continuava em movimento enquanto dentro de mim alguma coisa permanecia parada.
Eu comecei a existir mais do que viver.
Os dias viraram uma sequência de obrigações, os momentos viraram apenas momentos. Eu estava presente em lugares onde minha mente nunca estava. Eu respondia, conversava, sorria quando precisava, mas parecia que uma parte minha tinha ficado para trás em algum lugar que eu não conseguia encontrar.
E por muito tempo eu procurei um culpado.
Procurei em cada escolha errada, em cada palavra que eu poderia ter dito diferente, em cada versão minha que eu queria apagar. Eu carregava meus próprios erros como uma mochila cheia de pedras, e mesmo quando ninguém mais falava sobre eles, eu continuava voltando para buscá-los.
Até que um dia eu percebi que talvez eu nunca tenha sido o monstro que eu criei na minha cabeça.
Talvez eu só fosse alguém cansado.
Alguém que tentou, errou, perdeu coisas, machucou e foi machucado. Alguém que passou tanto tempo tentando entender onde tinha falhado que esqueceu que também estava sofrendo.
Talvez eu tenha finalmente conseguido me perdoar.
Mas o estranho é que o perdão não trouxe aquela paz que eu imaginava.
Não abriu o céu.
Não fez a nuvem desaparecer.
Ela continuou lá.
Só que agora eu não estava mais brigando comigo mesmo dentro dela.
E talvez esse seja o lugar mais estranho para se estar: quando você para de se odiar, mas ainda não sabe como voltar a se encontrar.
Quando você finalmente solta as correntes que você mesmo colocou, mas percebe que ainda está perdido no mesmo lugar.
A nuvem negra continua acima de mim.
Às vezes mais distante, às vezes tão baixa que parece tocar meu rosto.
E eu continuo andando sem saber exatamente para onde.
Não porque acredito que vou encontrar alguma coisa.
Mas porque ficar parado também já não parece uma opção.
Talvez esse seja o máximo que eu consigo fazer agora:
carregar a mim mesmo por caminhos que eu ainda não reconheço, tentando descobrir se em algum lugar existe uma versão minha que eu perdi no caminho.
Ou se eu estou apenas procurando por alguém que nunca mais vai voltar.
“I think I, I think I finally found a way to forgive myself”.
Eu tenho medo da química que precisa ser fabricada.
Daquelas conexões que chegam com manual de instrução, onde cada palavra é escolhida, cada gesto é calculado, cada demonstração parece uma tentativa desesperada de convencer o coração de que existe algo ali.
Eu odeio esse amor que precisa ser empurrado ladeira acima, como se duas pessoas tivessem que carregar uma montanha nas costas para provar que vale a pena.
Porque o que é verdadeiro não pede tanto esforço para existir.
Não deveria parecer uma apresentação, uma entrevista, uma prova de merecimento. Não deveria ser preciso implorar para que alguém enxergue a beleza daquilo que você entrega.
Existe algo triste em tentar transformar faísca em incêndio usando apenas as próprias mãos. Em soprar uma chama que nunca quis nascer, acreditando que talvez, se você cuidar o bastante, ela finalmente escolha aquecer você.
Mas algumas coisas não são destinadas a queimar.
E talvez a maior crueldade seja perceber que você não estava errado por sentir. Você só estava tentando encontrar profundidade em um lugar onde talvez existisse apenas superfície.
Eu não quero mais a química construída no desespero, a proximidade criada pela insistência, o carinho que aparece porque alguém tem medo de perder e não porque realmente quer ficar.
Eu quero o tipo de encontro que parece uma lembrança antes mesmo de acontecer.
Aquela paz estranha de não precisar convencer ninguém.
De não precisar mostrar mil versões suas para provar que existe algo bonito aí dentro.
Porque o amor que precisa ser forçado pode até parecer intenso, mas no fundo carrega uma pergunta silenciosa:
“Se eu parar de tentar, ainda existe alguma coisa aqui?”
E eu cansei de procurar respostas em lugares onde eu sempre precisei gritar para ser ouvido.
Os trabalhadores tem o poder mais imenso nas palmas de suas próprias mãos, e se eles uma vez se tornassem completamente conscientes disso e o usassem, Nada poderia resistir a eles; eles só precisarem parar de trabalhar, considerassem o produto do trabalho como seu e o apreciarem. Este é o sentido das perturbações laborais que se mostram aqui e ali.
O Estado se baseia e descansasse na escravidão do trabalho. Se o trabalho se torna livre, o Estado estará perdido.
A Coragem de Confiar
Não foi a traição que mudou meu coração.
Foi o silêncio que veio depois dela.
Descobri que existem dores que não nos fazem chorar.
Elas nos fazem desconfiar de todo gesto gentil, de toda mão estendida, de todo olhar sincero.
Porque, quando a confiança morre, ela leva consigo a inocência de acreditar.
Passei a pensar que a solidão era mais segura.
Que viver atrás de muralhas doía menos do que reconstruir uma casa que alguém pudesse incendiar outra vez.
Até compreender que o medo não queria me proteger.
Queria me convencer de que ninguém mais merecia entrar.
Então percebi que confiar não é esquecer as cicatrizes.
É olhar para elas e, ainda assim,
escolher abrir a porta.
Porque o oposto da traição não é a certeza.
É a coragem.
- M.S. Fieri
O verdadeiro poder não está em mudar o mundo, mas em não deixar que o mundo mude aquilo que há de mais puro em você.
"Aqueles Que Permanecem"
Há uma dor que nunca pede para ir embora.
Ela aprende o caminho da alma, faz morada no silêncio e passa a chamar nossas cicatrizes pelo nome.
No início, lutamos contra ela.
Depois, aprendemos que algumas batalhas não existem para serem vencidas, mas para nos ensinar quem continuamos sendo quando tudo o que amávamos nos foi arrancado.
Descobri que a maior solidão não é caminhar sem ninguém ao lado.
É olhar para o próprio coração e não reconhecer quem está refletido nele.
Ainda assim...
Existe algo curioso sobre as pessoas que tocam o fundo.
Elas deixam de procurar a luz porque entendem que a luz nunca esteve acima delas.
Ela sempre existiu, escondida, esperando o instante em que aceitassem atravessar a própria escuridão.
Talvez seja por isso que algumas almas não nasceram para ter uma vida fácil.
Elas nasceram para lembrar ao mundo que a bondade não é a ausência da dor, mas a decisão de não permitir que a dor seja a última palavra.
E quando tudo termina...
Não importa quantas vezes fomos traídos, quantas promessas morreram ou quantas lágrimas ficaram pelo caminho.
Importa apenas que, apesar de tudo, continuamos capazes de estender a mão a alguém perdido.
Porque o verdadeiro milagre nunca foi sobreviver ao sofrimento.
O verdadeiro milagre é que, mesmo depois de conhecer o pior da humanidade, algumas pessoas ainda escolhem amar.
- M.S. Fieri
Não confie cegamente nem em nada nem em ninguém, muito menos nas infinitas e contraditórias frases desse site
Diga-me, destino...
Por que me escolheste, se desde o primeiro passo já havias decidido que eu caminharia sozinho?
Arrancaste-me do meu mundo com promessas de glória. Chamaste-me de herói antes mesmo de conhecer meu nome.
Mas bastou uma mentira...
Uma única mentira.
E tudo aquilo que juravam admirar transformou-se em desprezo.
Roubaram minha honra antes que eu pudesse defendê-la. Condenaram minha voz antes que eu pudesse falar. Julgaram meu caráter sem jamais olharem em meus olhos.
Diziam que eu era o escudo.
Mas, quando precisei de proteção, não havia ninguém.
Enquanto outros recebiam espadas, lanças e arcos, eu carregava apenas o peso da desconfiança.
Chamavam-me de criminoso. De traidor. De indigno.
E, ainda assim, esperavam que eu salvasse aqueles que me apedrejavam.
Que ironia...
Queriam meu sangue, minha força, meu sacrifício.
Queriam que eu derramasse lágrimas por um reino que nunca derramou uma única por mim.
A cada porta fechada, aprendi que a confiança é um luxo para os ingênuos.
A cada olhar de nojo, aprendi que a solidão é mais honesta do que a falsa bondade dos homens.
Então, responde-me, destino...
Quando foi que deixei de ser um herói e me tornei apenas o recipiente do ódio alheio?
Ou talvez...
Eu nunca tenha sido visto como um homem.
Apenas como uma ferramenta.
Algo para ser usado, culpado, descartado e convocado outra vez quando o mundo estivesse prestes a ruir.
Dizem que a raiva me consumiu.
Mas ninguém pergunta quem acendeu esse fogo.
Ninguém pergunta quantas vezes precisei juntar os pedaços de mim que eles mesmos quebraram.
Ainda assim...
Continuo caminhando.
Não porque acredito neste reino. Não porque confio nas pessoas. Nem porque desejo ser chamado de herói.
Continuo porque me recusaram o direito de desistir.
Se o mundo insiste em enxergar um monstro, que veja.
Se o destino deseja me dobrar, que tente.
Pois aquele jovem que acreditava na justiça morreu no dia em que foi traído.
O homem que permanece...
Já não luta por reconhecimento.
Luta apenas para provar que nem o ódio de um reino inteiro foi capaz de arrancar a única coisa que ainda lhe pertence:
Sua própria vontade.
“O Que é o Amor Verdadeiro?”
Às vezes me pego me questionando: o que é o amor verdadeiro? É o ato de estar? De cuidar? De permanecer?
Acho que o amor verdadeiro é diferente para cada pessoa. Para alguns, ele está no carinho, nos presentes ou nos momentos compartilhados. Para outros, pode estar em gestos silenciosos, em palavras de afirmação ou simplesmente na presença.
Ao meu ver, o amor verdadeiro é uma incógnita. O que alguém precisa fazer para que você se sinta verdadeiramente amado? Existe uma resposta certa? Ou tudo depende da forma como cada pessoa aprendeu a amar e a ser amada?
Por muito tempo, eu acreditei que o amor precisava ser provado o tempo todo. Que ele se media pela intensidade, pela saudade, pela dependência ou pelo medo de perder alguém.
Hoje começo a me perguntar se o amor verdadeiro talvez seja algo muito mais simples do que eu imaginava, ou talvez até mais complexo. Para uma pessoa adoecida emocionalmente ou que convive com alguns transtornos, compreender e aceitar o amor pode parecer uma tarefa quase impossível. O amor deixa de ser apenas um sentimento e passa a ser um medo, algo que a mente questiona o tempo todo se é real.
Por muito tempo, lutei contra mim mesma tentando entender o que era o amor e, principalmente, se eu era verdadeiramente amada. Mesmo diante de gestos de carinho, havia sempre uma dúvida silenciosa, como se nada fosse suficiente para me convencer de que aquele amor era real.
E isso acabou se tornando um desgaste para as pessoas que eu amava e, consequentemente, fez com que eu as perdesse. Hoje eu entendo que o amor não precisa de definição exata. Ele não é algo concreto e certeiro.
O amor é relativo. Cada pessoa sente, demonstra e interpreta de uma maneira diferente. E, às vezes, a única coisa que realmente importa é sentir esse amor e se permitir ser amado.
Talvez amar também seja aprender. Aprender a linguagem do outro, compreender a forma como ele demonstra carinho, e, ao mesmo tempo, ensinar a sua própria maneira de amar. Ninguém nasce sabendo exatamente como fazer isso. O amor também se constrói na comunicação, na paciência e na disposição de entender aquilo que o outro nunca aprendeu a dizer.
Hoje, acredito que o amor não se resume a ficar ou ir embora, a lutar ou desistir. Essas são apenas escolhas que, às vezes, o amor exige. O amor, por si só, é uma via de mão dupla: ele precisa ser oferecido, mas também recebido. Precisa ser compreendido dos dois lados para que exista equilíbrio.
Talvez o amor verdadeiro nunca tenha sido sobre encontrar alguém que ame exatamente como nós, mas sobre encontrar alguém disposto a aprender a nossa forma de amar, enquanto também aprendemos a dele. E, quando isso acontece, o amor deixa de ser um enigma e passa a ser um lugar de paz.
Na proximidade exata do encontro, fomos o labirinto que o próprio destino não soube decifrar. Afinal, medimos a distância pelos passos, esquecendo que o invisível do instante guarda abismos intransponíveis.
Reno Fioraso
"A maneira mais rápida de atrair o que você merece é se tornar completamente indisponível para o que você não merece "
