Coleção pessoal de michelfm

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⁠Nem tudo precisa rimar, 
Nem tudo precisa fazer sentido, 
Mas tudo precisa ser escrito, 
Como se tudo fosse aquilo. 

Michel F.M.

⁠Surge migrando como uma gaivota, 
O Enraizado patriota, peregrino. 
Gigantesco, porte-médio, pequenino, 
Estrangeiro perto de ser recebido, 
Fatalmente banido, bandido. 

Michel F.M.

⁠Os Relacionamentos cristalinos, 
São Turvos como as profundezas, 
O Forasteiro é baleado sem motivos, 
Os Pretextos comprovam incertezas.

Michel F.M.

⁠Acima da linha do coador 

Nata, mais nata mesmo me fazia feliz. Era simplesco e ia simploriando os cômodos, incômodos por serem minúsculos; pequenos eram os nervosismos, nocivos se insistentes, incentivados na maioria absoluta por preocupações; precauções não sendo tomadas; tomadas desprotegidas chocando-se; as serpentes só vivem se chocadas, os escândalos só existem se chocarem.   

Fico de queijo caído se me derreto demais, sou facilmente impressionável quando a pressão é constante, na estante coleciono copos, cascas, taças, sementes, uvas-passas de parafina, soldadinhos de metal enferrujados; na clínica particular o terapeuta diria que é uma boa terapia colecionar, não tenho verba pra pagar terapeuta, sempre fui peralta, tratamento pra marotíce era cinta, jamais apanhei.   

Tamanho é documento, extrato não é pagamento, identidade não é só uma cédula com data de nascimento e expedição, é teu caráter, tua atitude, tua coragem, tua concepção do que aprendeu, aplicou, questionou, descartou, revisou, reciclou; como incentivador te convido a escrever e encher de sentido o que vem desmedido acima da linha do coador.            

Michel F.M.

⁠Tamanho é documento, extrato não é pagamento, identidade não é só uma cédula com data de nascimento e expedição, é teu caráter, tua atitude, tua coragem, tua concepção do que aprendeu, aplicou, questionou, descartou, revisou, reciclou; como incentivador te convido a escrever e encher de sentido o que vem desmedido acima da linha do coador.            

Michel F.M.

⁠Fico de queijo caído se me derreto demais, sou facilmente impressionável quando a pressão é constante, na estante coleciono copos, cascas, taças, sementes, uvas-passas de parafina, soldadinhos de metal enferrujados; na clínica particular o terapeuta diria que é uma boa terapia colecionar, não tenho verba pra pagar terapeuta, sempre fui peralta, tratamento pra marotíce era cinta, jamais apanhei.   

Michel F.M.

⁠Nata, mais nata mesmo me fazia feliz. Era simplesco e ia simploriando os cômodos, incômodos por serem minúsculos; pequenos eram os nervosismos, nocivos se insistentes, incentivados na maioria absoluta por preocupações; precauções não sendo tomadas; tomadas desprotegidas chocando-se; as serpentes só vivem se chocadas, os escândalos só existem se chocarem.   

Michel F.M.

⁠Outrora Sóbrio 

Triângulos num quadrilátero, 
Tateando o teto do domicilio, 
Aquele ente não tinha parente, 
Originaram da quinta dose dupla. 

Dente careado, banguela, cadente, 
Embaralhado pelo odor da aguardente, 

Palato nublado,   
Brumoso, enevoado,   
Nevoento,  
Nubiloso.   

Esterilizando com bafo o reboco,   
Um bocado poroso. 

Faria sentido,   
Se o sentido não ficasse ofendido, 
Com aquilo que tivesse ficado   
Fincado de insignificado. 

Se a cachaça não alterasse a perspectiva, 
Certamente garimparia a definitiva 
Identificação com a confissão 
De que este causador fora 
Outrora sóbrio. 

Michel F.M.

⁠Se a cachaça não alterasse a perspectiva, 
Certamente garimparia a definitiva 
Identificação com a confissão 
De que este causador fora 
Outrora sóbrio. 

Michel F.M.

⁠Faria sentido,   
Se o sentido não ficasse ofendido, 
Com aquilo que tivesse ficado   
Fincado de insignificado. 

Michel F.M.

⁠Palato nublado,   
Brumoso, enevoado,   
Nevoento,  
Nubiloso.   

Esterilizando com bafo o reboco,   
Um bocado poroso. 

Michel F.M.

⁠Dente careado, banguela, cadente, 
Embaralhado pelo odor da aguardente,

Michel F.M.

⁠Triângulos num quadrilátero, 
Tateando o teto do domicilio, 
Aquele ente não tinha parente, 
Originaram da quinta dose dupla. 

Michel F.M.

⁠Aspirante a Vilão 

Berto se revoltou completamente ontem, um surto capaz de mudar toda a sua trajetória até então, mas ele não mudou. Era imutável, era fechado, era Berto. Pediu demissão de mais um emprego entre inúmeros no último ano, eremita insaciável, insatisfeito, inconsolado. Mandou seu superior pro inferno, engolia ofensas há meses, Berto não nasceu para se submeter, era insubmetível. Jogou uma caixa de arquivos na cara do canalha, que lhe ordenava ordens insensatas, um cretino munido de idiotices hierárquicas.   

Berto virou um demônio e pediu a Deus que lhe desse discernimento, para não cometer ali uma atrocidade. Aquela saleta fedia uma loção barata e desodorante vencido, misturado com cheiro de banheiro e desinfetante caseiro. Divisórias mofas exerciam sua tarefa mal sucedida de serem repartições, isolando os ambientes, descumprindo a missão de ocultarem as conversas em voz alta e os berros exaltados de chefes e subordinados neuróticos e estressados.   

Aquele bairro tinha se tornado uma grande privada satélite, anexada ao centro velho e abandonado da cidade, um território esquecido por seres civilizados, antro supremo das mais relevantes categorias do tráfico, drogas, armas, contrabandos e piratarias de todos os gêneros imagináveis, prostituição. O lar do crime rigorosamente organizado, refúgio de marginais, imigrantes, putas, travecos, ligeiras, minorias, desempregados, miseráveis e mais miseráreis, mas nenhum culpado. 

Dizer que não é fácil ser honesto no paraíso dos corruptos seria inocência demais, honestidade e dignidade não existem, são basicamente impossíveis de serem praticadas, num lugar como este. O próprio ar em si é corrompível, as ruas não alimentam o crime, o crime alimenta as ruas, sem ele não há forma de vida aqui; e ninguém é culpado.   

Michel F.M.

⁠Dizer que não é fácil ser honesto no paraíso dos corruptos seria inocência demais, honestidade e dignidade não existem, são basicamente impossíveis de serem praticadas, num lugar como este. O próprio ar em si é corrompível, as ruas não alimentam o crime, o crime alimenta as ruas, sem ele não há forma de vida aqui; e ninguém é culpado.   

Michel F.M.

⁠Aquele bairro tinha se tornado uma grande privada satélite, anexada ao centro velho e abandonado da cidade, um território esquecido por seres civilizados, antro supremo das mais relevantes categorias do tráfico, drogas, armas, contrabandos e piratarias de todos os gêneros imagináveis, prostituição. O lar do crime rigorosamente organizado, refúgio de marginais, imigrantes, putas, travecos, ligeiras, minorias, desempregados, miseráveis e mais miseráreis, mas nenhum culpado. 

Michel F.M.

⁠Berto virou um demônio e pediu a Deus que lhe desse discernimento, para não cometer ali uma atrocidade. Aquela saleta fedia uma loção barata e desodorante vencido, misturado com cheiro de banheiro e desinfetante caseiro. Divisórias mofas exerciam sua tarefa mal sucedida de serem repartições, isolando os ambientes, descumprindo a missão de ocultarem as conversas em voz alta e os berros exaltados de chefes e subordinados neuróticos e estressados.   

Michel F.M.

⁠Berto se revoltou completamente ontem, um surto capaz de mudar toda a sua trajetória até então, mas ele não mudou. Era imutável, era fechado, era Berto. Pediu demissão de mais um emprego entre inúmeros no último ano, eremita insaciável, insatisfeito, inconsolado. Mandou seu superior pro inferno, engolia ofensas há meses, Berto não nasceu para se submeter, era insubmetível. Jogou uma caixa de arquivos na cara do canalha, que lhe ordenava ordens insensatas, um cretino munido de idiotices hierárquicas.   

Michel F.M.

⁠Tempestade em Mercúrio 

Transbordo de misantropia, 
Na devastada vizinhança, 
Está batida a freguesia, 
Remanescentes da bonança. 

Onde está a cura ? 
Pro abatimento e pro murmúrio. 
Influencia ou perdura ? 
Uma Tempestade em Mercúrio. 

Existe o que sempre existiu, 
Um parto trágico e impreciso, 
Temporadas no calabouço febril, 
Equilibrando na ala do improviso. 

Onde está a cura ? 
Pro abatimento e pro murmúrio. 
Influencia ou perdura ? 
Uma Tempestade em Mercúrio. 

Saquei meu guarda-raios, 
Prevenindo o perjúrio, 
Na truculência desmaio, 
Despertando em Mercúrio. 

Michel F.M.

⁠Saquei meu guarda-raios, 
Prevenindo o perjúrio, 
Na truculência desmaio, 
Despertando em Mercúrio. 

Michel F.M.