Enquanto o Ritmo Muda Se a vida mudar de... Mannu Viana Rios

Enquanto o Ritmo Muda


Se a vida mudar de tom,
mude também a dança;
há melodias que terminam
para dar lugar à esperança.


Não nasci para ficar presa
a uma música que não me faz bem;
se o compasso já não me cabe,
que outro ritmo venha também.


Mude os passos, recomece,
deixe o coração conduzir;
às vezes, aquilo que parece fim
é só outra melodia a surgir.


— Então dance comigo?
— Eu danço, até a música fazer sentido.
Mas talvez eu ainda esteja no mesmo passo,
mesmo que a dança tenha mudado de sentido.


E talvez seja isso:
há coisas que não consegui deixar para trás,
há passos que o tempo repete
mesmo quando a alma pede mais.


Difícil é encontrar alguém
que acompanhe o meu compasso,
que não queira mudar meu ritmo,
mas compreenda cada passo.


Porque eu preciso de uma nova dança,
de um ritmo que eu ainda não conheço;
não de alguém que chegue sabendo,
mas de alguém que queira aprender comigo,
mesmo quando o ritmo mudar.


Pode ser difícil encontrar essa companhia,
alguém disposto a permanecer,
mas talvez não seja preciso procurar tanto…
talvez seja preciso apenas enxergar.


Enxergar além da música ouvida,
além do compasso e da canção;
pois há melodias que os ouvidos não percebem,
mas que encontram morada no coração.


Não é sobre já chegar sabendo dançar,
é sobre aprender enquanto o ritmo muda;
é tropeçar, recomeçar, mudar os passos
e ainda assim não soltar a mão da dança.


Talvez a vida insista no mesmo passo
até que a gente escolha outra direção.
Talvez uma nova dança comece
quando duas almas, sem conhecer a melodia,
decidem descobrir juntas o refrão.


E se a música estiver no mudo,
que o silêncio nos ensine a sentir:
há ritmos que não precisam ser ouvidos,
basta haver alguém disposto a seguir.


Porque, no fim,
não é sobre dançar perfeitamente igual.
É sobre encontrar quem permaneça
quando o compasso mudar —
e, mesmo sem conhecer a música,
ainda escolha dançar.