O Primeiro Amor Cresci escutando que o... Mannu Viana Rios
O Primeiro Amor
Cresci escutando que o primeiro amor da vida de uma menina é o pai. Nunca ouvi tanta mentira caber em tão poucas palavras.
Porque o primeiro amor de um filho não deveria ser definido pelo gênero, mas pelo vínculo, pelo cuidado, pelo lugar onde o coração encontra o primeiro abrigo. E, para mim, esse primeiro amor sempre foi a mãe.
É nela que encontramos conforto, é no colo dela que descobrimos aconchego, é na voz dela que encontramos calma quando ainda nem sabemos explicar o que sentimos. É através dela que a vida começa, é dentro dela que, antes mesmo de conhecermos o mundo, já somos existência, já somos parte de alguém.
Antes de aprender a amar qualquer outra pessoa, aprendemos o amor através dela. Antes de conhecer qualquer paixão, conhecemos o calor de um colo. Antes de entender o significado de pertencimento, já pertencemos a alguém.
Talvez o primeiro amor não seja aquele que nos ensina a amar romanticamente. Talvez seja aquele que nos ensina, pela primeira vez, o que significa ser amado.
E é por isso que nunca consegui enxergar verdade nessa frase que colocaram tantas vezes como regra. Porque amor não é uma fórmula, não é uma sentença pronta e muito menos uma definição baseada em gênero.
O primeiro amor é aquele que nos acolhe quando ainda somos pequenos demais para compreender o mundo. É aquele que nos reconhece antes mesmo de sabermos quem somos. É aquele que nos oferece abrigo quando tudo ao redor ainda é desconhecido.
E, para mim, esse amor tem nome: mãe.
Porque antes de qualquer romance, antes de qualquer paixão, antes de qualquer pessoa que um dia possa chegar e ocupar espaço no coração, existe aquela que nos ensinou, mesmo sem palavras, que amar também é cuidar, proteger, acolher e permanecer.
O primeiro amor não é necessariamente quem um dia fará o coração bater mais forte.
É quem, um dia, ensinou esse coração a bater.
