Sem Precisar Ser Menos Às vezes, a... Mannu Viana Rios

Sem Precisar Ser Menos


Às vezes, a maior cura vem de alguém
que simplesmente não exige que você seja menos.


Menos intensa, menos sonhadora,
menos você.


Alguém que não tenta mudar aquilo que você é,
que não julga a sua maneira de ser feliz,
que não critica a criança que ainda mora em você,
mas aprende a brincar com ela também.


Alguém que te faz sentir protegida,
mesmo quando é você quem sempre quis proteger.
Que olha para as suas partes mais frágeis
e, em vez de querer consertá-las,
escolhe ficar.


Que queira conhecer tudo sobre você:
seus medos, suas manias, seus silêncios,
as pequenas coisas que fazem seus olhos brilharem
e até aquelas que você quase nunca conta.


Alguém que te olhe e pense, em silêncio:
“Caramba… que sorte a minha
ter essa pessoa na minha vida.”


Que queira estar perto,
mas nunca perto demais.
Que saiba permanecer
sem sufocar,
cuidar sem prender,
amar sem exigir.


Porque talvez a maior forma de cura
seja encontrar alguém
diante de quem você não precise diminuir a própria luz
para que ela se sinta confortável.


Alguém que simplesmente diga, com a presença:


“Eu gosto de você assim.
Inteira.
Intensa.
Livre.
E não quero que você seja menos
só para caber na minha vida.”


E que, nos dias em que você não souber ser forte,
não te cobre coragem.
Que saiba sentar ao seu lado no silêncio,
sem pressa de encontrar respostas.
Que não tente transformar suas lágrimas em fraqueza,
nem seus medos em defeitos.
Alguém que entenda que cuidar
também é permanecer quando não há nada para consertar.
Que não precise de uma versão perfeita de você,
apenas da sua versão verdadeira.
Porque talvez seja isso que torna alguém especial:
não a capacidade de salvar você,
mas a delicadeza de fazer você perceber
que nunca precisou ser salva de quem é.


Porque algumas pessoas não chegam para mudar nossa vida; chegam para nos lembrar que não precisamos mudar quem somos para sermos amados.