Coleção pessoal de LEandRO_ALissON
O amor morre porque o condicionamos a mil exigências que ele não pode cumprir: conforto, utilidade, funcionalidade social, prosperidade, até mesmo a fidelidade -- tudo conspira para matá-lo.
A história conhecida de cada homem é a história do amor.
Do amor destroçado ou do amor finado apenas na morte física.
De uma ou outra se separa a morte desesperada ou serena.
Enganar-se a respeito do amor é a perda mais terrível; é um dano eterno, para o qual não há compensação nem no tempo nem na eternidade!
É verdadeiro dizer que os melhores homens já estão casados. Precisamente, são melhores porque estão casados e um casamento seriamente vivido lapida um bom caráter. Também entra nessa conta o esforço de uma esposa que paciente, sofrida, e amorosamente se empenhou no projeto de melhorar a si e ao homem que está consigo.
Tentar roubar o marido de alguém não é apenas safadeza, é um esforço de extrema burrice para rapidamente destruir dentro de um homem o que se leva anos para edificar.
O amor humano vem mesclado de tantos elementos fisiológicos, lúdicos, sociológicos etc., que não passa de um vestígio remoto, uma sombra ou mesmo uma caricatura do amor divino, mas nem por isso ele deixa de ser real na sua própria escala. O amor divino devolve os mortos à vida, ao passo que o amor humano às vezes mal chega a aliviar um pouco os sofrimentos da pessoa amada. Mais do que todos os males e pecados, o amor humano é a prova da nossa miséria. O santo que intercede por nós tem um coração mais ardente de amor do que todos os amantes de todos os séculos. Levei setenta anos para perceber isso.
Amai, rapazes! e, principalmente, amai moças lindas e graciosas; elas dão remédio ao mal, aroma ao infecto, trocam a morte pela vida... Amai, rapazes!
Não creio ser exigente, rigoroso ou moralista assanhado ao julgar as pessoas. Em noventa e nove vírgula nove por cento dos casos, nem ponho o cidadão em julgamento antes que ele tenha, por sua vez, me julgado e condenado.
O que chamamos 'método científico' -- mesmo supondo-se que seja aplicado com máxima probidade e correção, o que é rarissimamente o caso -- não ocupa senão uma parcela ínfima do território abrangido pela razão humana. Mais ainda: essa parcela não tem NENHUMA autonomia, mas depende de pressupostos lógicos, epistemológicos e metafísicos que estão infinitamente fora do alcance desse mesmo método. Dar à ciência moderna o estatuto de representante única ou máxima da razão é VIGARICE.
Um intelectual é o sujeito que sabe o que está acontecendo e sabe o que é preciso fazer. Um líder é o sujeito que sabe essas duas coisas e sabe uma terceira: sabe obrigar os outros a fazer.
A missão da filosofia política não é inventar uma sociedade melhor (ou mais provavelmente pior), mas criar os instrumentos intelectuais que permitam compreender as sociedades existentes, e assim ajudar as pessoas -- governantes e povo -- a avaliar as conseqüências das suas decisões e escolhas. A filosofia política não julga a sociedade existente pela comparação com um modelo ideai, mas pelos critérios gerais da conduta humana estabelecidos por uma sã filosofia moral sedimentada pela experiência e pela razão. Se não há uma filosofia moral superior aos condicionamentos socioculturais das épocas, então estes se tornam os juízes soberanos de si mesmos e se instaura o império do fato consumado, o governo dos mais cínicos e brutais.
Se todos somos de certo modo produtos da sociedade em que estamos, nossas opiniões, incluindo as negativas que [temos] sobre a própria sociedade, são criações dela mesma e fazem parte do mesmo mal que denunciam. A única possibilidade de haver uma crítica social legítima, que funcione, é a de que o indivíduo humano de algum modo se coloque acima da sociedade e consiga ver nela algo que ela mesma não vê. É necessário que a consciência dele esteja acima do nível de consciência que aparece nas próprias discussões públicas. Para criticar minha sociedade como um conjunto, preciso me colocar numa perspectiva que me permita vê-la como objeto, e daí já não sou mais um personagem ou um participante da coisa, mas um observador superior; consegui uma posição acima da confusão, de onde posso ver o que está acontecendo e julgar o sentido geral das coisas. (palestra, 2001)
A religião cristã foi DADA aos homens pela morte de Jesus Cristo na Cruz, para torná-los participantes da Vida de Deus. Mas hoje em dia os cristãos decidiram CONSTRUIR uma religião que os torne participantes da vida terrestre.
Quanto mais superficial alguém for, mais provável será que ele ceda ao mal. Uma indicação de tal superficialidade é o uso de clichês.
A incapacidade para as tarefas intelectuais mais elevadas coloca um sujeito a uma tal distância dos estudiosos sérios que ele só consegue vê-los através de uma rede de fantasias atemorizantes, que então ele tenta exorcizar mediante afetações de desprezo. No Brasil, ser inteligente espalha na vizinhança uns sofrimentos indescritíveis.
O mais velho e constante chavão anti-olaviano é: 'Os alunos dele obedecem-no servilmente.' Aquele que emite essa opinião oferece-se, automaticamente, como modelo de pensamento independente e busca desapaixonada da verdade, qualidades que ele comprova ao julgar com tal segurança um curso que jamais frequentou e cinco mil pessoas que jamais viu.
É óbvio que ninguém pode praticar semelhante atividade mental sem grave incompreensão das suas próprias palavras, num paroxismo de impropriedade vocabular em que o uso do idioma mal se distingue dos grunhidos pré-verbais. Por exemplo, que significa o verbo 'obedecer' quando aplicado a uma exposição teórica? ou que significa o termo 'servilismo' quando aplicado a uma situação pedagógica em que o professor não dá ordens a ninguém e, se as desse, não poderia, pela distância, averiguar jamais se foram obedecidas?
A coisa que mais me enoja num escrito é o autor que não escolhe as palavras pela precisão com que correspondem ao objeto descrito, mas pela impressão emocional que, em total prejuízo da exatidão descritiva, deseja despertar no leitor. Esse procedimento é ainda mais perverso e revelador quando se trata de termos técnicos que, por possuírem significados convencionais bem definidos, só se prestam a essa operação mediante distorções forçadas que denotam precário domínio do idioma. [...] O estilo é o homem, mesmo quando a criatura em questão tem, de homem, pouco mais que o rótulo taxonômico.
Esse tipo de eloquência, que é menos canina do que simiesca, nunca funciona, exceto ante plateias previamente dessensibilizadas para as propriedades do idioma.
Ante plateias normais e cultas, ao contrário, a precisão é a condição primeira e indispensável da força persuasiva.
A paralaxe cognitiva resulta inevitavelmente do abandono do realismo filosófico.
A paralaxe cognitiva é um engano fundamental, básico, que o filósofo comete na interpretação da SUA PRÓPRIA filosofia.
Educar, despertar inteligências, criar redes de intercâmbio cultural, tirando os jovens estudiosos de um isolamento que os oprime e debilita -- isso é TUDO o que me interessa, o objetivo e a justificação da minha vida. Quaisquer opções políticas estão subordinadas a isso. Infelizmente, não é possível realizar essa atividade sem que nela se intrometam pessoas que têm mil e um objetivos diferentes, mil e uma agendas escondidas. Umas querem subir na política, outras querem alistar gente em alguma seita, outras querem angariar adeptos para alguma campanha internacional, e assim por diante.
