Coleção pessoal de LEandRO_ALissON

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'Admirar com restrições' é nonsense, é uma confusão de gêneros, típica do pensamento pueril. Tenho mil restrições à filosofia de John Duns Scot, mas isso não diminui em nada a admiração que tenho por ele. Não tenho grandes restrições ao pensamento do Ben Shapiro ou do Milo Yiannopoulos, mas nem por isso chego a admirá-los, só gosto deles. Admirar é, POR DEFINIÇÃO, colocar alguém acima da nossa estatura.

A imprecisão vocabular, num adulto, é prova de mente confusa. A falta do senso das proporções, prova de desonestidade inconsciente.
Você aprende português e matemática -- isto é, quando aprende -- para se vacinar contra esses dois vícios.

Do mesmo modo que não se aprende a lutar boxe estudando manuais sem nunca subir no ringue, não se aprende a discutir estudando "lógica" ou "retórica", mas acompanhando com atenção as grandes discussões filosóficas que se desenrolaram ao longo da História.

Primeiro, estudava-se na faculdade das artes o trívio (três vias, artes da linguagem: gramática, dialética e retórica) e o quadrívio (quatro vias, artes das coisas: aritmética, música, geometria, astronomia). Era uma espécie de colegial, que acontecia entre os 14 e os 20 anos. Em artes, estudavam-se os livros de lógica, matemática, física e metafísica dos filósofos gregos, árabes e dos próprios mestres que davam os cursos. Depois, acedia-se às faculdades de teologia, direito ou medicina, que duravam 6 anos para adquirir a licença e o doutorado. Mas o estudo da teologia durava de 8 a 15 anos, e o doutorado em teologia podia ser obtido com a idade mínima de 35 anos.

Se a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude, o cinismo é a afirmação ostensiva do vício como virtude.

Honrar exemplos ilustres não é o mesmo que subscrever suas idéias.

"Ouve a reprovação do tolo! É um elogio soberano!"

“Porque a vida é um verdadeiro caos onde ele está perdido. O homem suspeita disso; mas tem pavor de se encontrar cara a cara com essa realidade terrível, e procura ocultá-la com uma cortina fantasmagórica, onde tudo está muito claro. Não se importa que suas ‘ideias’ não sejam verdadeiras; usa-as como trincheiras para se defender da sua vida, como rompantes para afugentar a realidade.

O homem de cabeça clara é aquele que se liberta dessas ‘ideias’ fantasmagóricas e olha a vida de frente, e assume que tudo é problemático nelas, e se sente perdido. Como isso é a pura verdade – a saber, que viver é se sentir perdido --, aquele que o aceita já começou a se encontrar, já começou a descobrir sua autêntica realidade, já está em terra firme. Instintivamente, como o náufrago, buscará algo a que se agarrar, e essa busca trágica, peremptória, absolutamente veraz, porque se trata de salvar-se, o fará ordenar o caos de sua vida.

Essas são as únicas ideias verdadeiras: as ideias dos náufragos. O resto é retórica, postura, farsa íntima. Aquele que não se sente verdadeiramente perdido, perde-se inexoravelmente; quer dizer, jamais se encontra, nunca encara a própria realidade.”

“Observai os que vos rodeiam e vereis como avançam perdidos em sua vida; vão como sonâmbulos, dentro de sua boa ou má sorte, sem ter a mais leve suspeita do que lhes acontece.”

"A EVOLUÇÃO FALIU, pois não conseguiu explicar a complexidade irredutível e a informação arbitrária e a antevidência vistos na vida."

A lição número um dos estudos filosóficos permanece totalmente desconhecida no Brasil: uma filosofia tem de ser compreendida nos seus próprios termos antes de ser comparada a qualquer outra coisa.

Quando for tentado, não espere que a tentação se apodere de seu coração, rapidamente se livre dela pela oração ou com alguma ocupação lícita.

O imbecil-padrão acredita em todas as opiniões com que está acostumado e duvida de todas as que pareçam contrariá-las. Seu critério da verdade é o conforto ou desconforto da sua mente.

A suscetibilidade é um sintoma da ignorância. Os homens exageradamente suscetíveis, que tudo os ofende ou magoa, são sempre espíritos medíocres. A suscetibilidade é, assim, um dos recursos que a mediocridade usa para esconder ou desviar sua pequenez.

O castigo deve ter algo a ver com o delito. Cadeia para estuprador só funciona porque ali ele é estuprado.

O Universo é inexplicável, satisfatoriamente, sem Deus.

"O amor consiste essencial, embora não exclusivamente, num ato da vontade, firme e estável, que imprime uma fecunda tensão à pessoa inteira e que permite descobrir, escolher, procurar e realizar o bem do ser amado".

Livros são como amigos, devem ser poucos e
bem escolhidos.

Da minha própria definição da filosofia como 'unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa', decorre que a primeira obrigação do filósofo é abrir-se a todas as correntes de pensamento, a todos os valores que estejam em luta no seu tempo, deixar-se impregnar por eles sem nenhum julgamento prévio e, aos poucos, ir buscando alcançar uma atitude intelectual de conjunto que faça justiça aos vários pontos de vista, baseando nisso a construção da sua personalidade e o seu senso de orientação na vida e no conhecimento. Isso implica que ele só deve começar a expor publicamente os seus pontos de vista quando alcançar um certo nível de maturidade intelectual (foi por isso mesmo que só publiquei meu primeiro livro aos 48 anos de idade, uma das estréias mais tardias da literatura nacional). E é óbvio que qualquer investigação dos capítulos da sua vida anteriores a esse momento revelarão aspectos da sua formação que depois se integraram num quadro maior com novo significado, e que isoladamente NÃO SÃO provas de 'adesão' a esta ou àquela idéia. Só à luz da sua filosofia atual se pode compreender esses capítulos, mas o observador ignorante ou malicioso pode fazer aí uma confusão dos diabos, tomando etapas de um aprendizado como se fossem dogmas de uma crença. No Brasil, onde tantos, em compensação da insignificância das suas vidas, gostariam de posar de detentores de 'inside informations' escandalosas e demolidores de reputações, a tentação de fazer isso é quase irresistível.

Você pode ser um bom filósofo sem nunca ter estudado lógica ou qualquer 'técnica de argumentação', mas não pode sequer ser um filósofo de segunda categoria se não souber MEDITAR, isto é, rastrear as suas idéias até a sua raiz mais profunda -- às vezes totalmente oculta -- na experiência real. Um esforço análogo ao que é o exame de consciência na religião. TODO o platonismo é uma sondagem desse tipo, e o platonismo é o modelo imortal de toda filosofia. Não conheço nenhuma escola de filosofia, no mundo, que ensine a praticar isso. O estudante aprende a argumentar, mas não adquire a menor idéia do que é meditar. Considero um escândalo que um filósofo profissional como Sir Michael Dummett defina a filosofia como uma atividade 'para quem gosta de argumentos abstratos'. TODA argumentação é filosofia de segunda-mão. Só um cretino, lendo Sto. Tomás ou Duns Scott, imagina que eles passassem o tempo todo buscando argumentos. Eles eram homens de formação monástica, para os quais a prece era TUDO. Seu esforço era todo interior. Alcançada a necessária concentração espiritual, os argumentos vinham sozinhos, sem esforço.