Coleção pessoal de LEandRO_ALissON

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De todas as calamidades que se abateram sobre o Século XX, além das duas guerras mundiais, a expansão da educação universitária nos anos cinquenta e sessenta é a mais duradoura. É um mito a crença de que as universidades são o berço da razão. São o abrigo de todo tipo de extremismo, irracionalidade, intolerância e preconceito; um lugar onde o esnobismo intelectual e social é propositadamente instilado e onde professores passam para os estudantes os seus próprios pecados de orgulho. A nova forma de totalitarismo – a Mentalidade Politicamente Correta – é, inteiramente, uma invenção universitária .

"Estive a pensar sobre o casamento, eis o que me parecia então: tudo que é indissolúvel só deve ser contraído na plenitude de sua consciência, sub specie aeterni. Consequentemente, tudo que é passageiro, considerações de beleza, de orgulho, de vaidade, de riqueza, deve ser reconhecido e afastado como motivo dirigente. Cedo ou tarde, remorso viria. Um casamento que te fizesse esquecer a VOCAÇÃO e teus DEVERES, que te impedisse de olhar sempre para dentro de si, que não te melhorasse, em suma, é mau. De nada vale o casamento que te aparecer como uma cadeia, como uma escravidão, como uma opressão. Não te oferecia nenhuma felicidade ter um casamento temporal, um casamento que não é uma aspiração infinita e transcendente não vale e te deixaria um incurável mal-estar, um desgosto, uma censura, um sofrimento eterno. [...] O verdadeiro casamento deve ser um caminho para a verdadeira vida humana; o ponto de vista religioso é o único digno dele. Assim, enquanto não sentires o casamento como uma necessidade para cumprir tua vocação de HOMEM, abstém-te. Uma única coisa é necessária: ser o que se deve ser, fazer o que deve ser feito, desempenhar sua missão e realizar sua obra."

O problema com certas idéias que se disseminaram no meio universitário e na mídia como emblemas obrigatórios de 'mentalidade progressista' e 'espírito democrático' que só um fascista ousaria contrariar não é somente que sejam falsas. É que, uma vez aceitas, elas destroem para sempre, no seu portador, a capacidade de aprendizado. Quando um sujeito diz que a verdade é sempre relativa, ele está automaticamente abolindo a diferença entre o absoluto e o relativo, sem a qual a sua própria afirmativa não faz sentido nenhum. E, se ele se acostuma a pensar dessa maneira, ele nunca mais pode aprender nada, pois aprender algo é assimilá-lo COMO VERDADE e incorporá-lo para sempre no nosso modo de ser -- operação que se torna impossível a partir do momento em que o cidadão se convence de que toda afirmação vale tanto quanto a sua oposta.
Pior ainda, uma vez abolida a possibilidade da certeza intelectual, só resta, para substitui-la, o investimento emocional, a reiteração histérica de algo em que não se acredita seriamente. Com isso, automaticamente, todo conhecimento se reduz a simulação de conhecimento, e cada informação retida na memória traz consigo a sua própria negação, isto é, o seu esquecimento.
O dano intelectual que esse processo traz é vasto, profundo e, na maior parte dos casos, irreparável.

Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é negá-la.

Na história universal, observa-se que enquanto o problema geral era a escassez toda divergência política dizia respeito a como prover abundância.

A abundância finalmente chega em algumas partes nos séculos XVIII e XIX, e então pipocam as ideias socialistas, de como minar os mecanismos que levaram à abundância.

De modo que o socialismo não é uma revolta contra a escassez, mas contra a abundância. Tanto isso é verdade que os não socialistas de nosso tempo admiram exemplos de nações que promoveram a abundância, enquanto os socialistas preferem o regime que deixou os venezuelanos nove quilos mais magros em média nos últimos anos.

Atenção, políticos estreantes (e alguns veteranos): Nunca, nunca, nunca se ponham sob o julgamento de platéia, nunca tentem 'dar boa impressão'. Política não é concurso de simpatia, é duelo de vontades. Quem vence não é o mais bonitinho, é o mais forte, o mais seguro de si, o mais ativo intelectualmente, o mais rico em golpes inesperados.

Não há ninguém ao qual foi dado de conhecer tudo, nem ninguém, por outro lado, ao qual não aconteceu de ter recebido da natureza algo especial. O estudante prudente, portanto, ouve todos com prazer, lê tudo, não despreza escrito algum, pessoa alguma, doutrina alguma. Pede indiferentemente de todos aquilo que vê estar-lhe faltando, nem leva em conta quanto sabe, mas quanto ignora. Daqui se origina o dito platônico: 'Prefiro aprender modestamente as coisas dos outros a ostentar descaradamente as minhas'.

A classe dominante, no Brasil, constitui-se exclusivamente de políticos, burocratas, juízes, narcotraficantes, mídia e 'movimentos sociais'. Empresários e banqueiros são apenas serviços terceirizados.

Existe apenas um único problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida significa responder à questão fundamental da filosofia.

A função da oração não é influenciar Deus, mas especialmente mudar a natureza daquele que ora.

Não há nada mais machista do que a natureza. Com exceção das hienas, o império do macho é universal entre os mamíferos. Com certeza é uma construção cultural imposta aos bichos pelo Estado burguês.

A histeria define-se pelo total desligamento entre percepção e linguagem.

"Emocionalismo tosco é a raiz de todos os males. O amor não segue as emoções, mas as dirige racionalmente para gerar alegria, confiança e esperança no coração da pessoa amada."

O sentimento segue aquilo que amamos. Se amamos o que é verdadeiro, bom e belo, ele nos conduzirá para lá. O problema, portanto, não é sentir, mas amar as coisas certas. Do mesmo modo, o pensamento não é guia de si próprio, mas se deixa levar pelos amores que temos. Sentir ou conhecer, nenhum dos dois é um guia confiável. Antes de poder seguir qualquer um dos dois, é preciso aprender a escolher os objetos de amor – e o critério dessa escolha é:
Quais são as coisas que, se dependessem de mim, deveriam durar para sempre?
Há coisas que são boas por alguns instantes, outras por algum tempo. Só algumas são para sempre.

"A coisa mais bonita do mundo é o amor que não pede nem espera retribuição. Se eu te amo, o problema não é teu, é meu."

Outro chavão sem sentido é o tal 'respeitar as opiniões discordantes'. Pode-se respeitar a pessoa de um discordante, pode-se respeitar o seu direito de discordar, mas respeitar a opinião discordante em si mesma seria nada dizer contra ela, e aí não haveria discordância alguma.

Os chamados 'mestres da suspeita' (Nietzsche, Marx, Freud) habituaram seus discípulos a só enxergar o bem como inversão do mal, a saúde como inversão da doença, o amor como inversão do ódio, como se o negativo fosse a realidade positiva e o positivo nada mais que a sua sombra. Como figura de linguagem, funciona às vezes, mas, transposto à realidade do mundo tridimensional, resulta em eliminar o positivo e celebrar o negativo.

O consenso universal dos estudiosos ensina que nada se pode entender das opiniões de um filósofo sem ter uma idéia correta da estrutura geral do seu pensamento, e que não se pode adquirir essa idéia sem ter lido os seus textos principais ou um estudo de conjunto feito por um erudito habilitado. No Brasil não posso dizer isso sem provocar chiliques de indignação.

As opiniões comuns e correntes delineiam-se sobre um fundo de crenças gerais socialmente admitido. Uma filosofia JAMAIS pode ser compreendida com base nesse fundo porque ela não se move dentro dos limites dele, mas tenta, desde fora, reformá-lo e ampliá-lo.

No Brasil, o que se chama de 'filosofia', e que se pratica nas universidades, consiste, na melhor das hipóteses, em duas coisas que não são filosofia: (a) explicações de textos filosóficos, ou filologia; (b) estudos técnicos de lógica matemática.