Coleção pessoal de LEandRO_ALissON
“Fracionar ou descentralizar o poder corresponde, forçosamente, a reduzir a soma absoluta de poder, e o sistema de concorrência é o único capaz de reduzir ao mínimo, pela descentralização, o poder exercido pelo homem sobre o homem.”
O coletivismo em proporções mundiais parece inconcebível, a não ser para atender aos interesses de uma pequena elite dirigente.”
“O objetivo social ou o propósito comum para o qual se pretende organizar a sociedade costuma ser vagamente definido como o bem comum, o bem-estar geral ou o interesse comum. Não é necessário muito esforço para se perceber que esses termos não estão suficientemente definidos para determinar uma linha específica de ação. O bem-estar e a felicidade de milhões não podem ser aferidos numa escala única de valores.”
O Estado, teoricamente, serve para prestar serviços e fazer valer as leis. No Brasil, majoritariamente, serve para servir seus próprios servidores, mesmo aqueles absolutamente desnecessários, sem relação com o zelo pelas leis ou com prestação de serviços.
POBREZA NÃO É VIRTUDE. É uma situação financeira, circunstancial, reversível e superável. Ser pobre não torna ninguém em santo ou irrepreensível. Não é porque o cidadão é/foi pobre que suas canalhices devam pesar menos. Pobreza pode não ser defeito -- assim como não é virtude --, mas canalhice certamente é denunciável sempre, independente da situação financeira do indivíduo. Ter incondicional pena de pobre é o gatilho da corrupção.
Quando uma pessoa perdeu o senso natural das formas e proporções, é inútil discutir com ela: argumentos não corrigem erros de percepção.
Mas o fato mesmo de alguém aí tentar argumentar já denota um começo de perda -- culturalmente institucionalizado --, de modo que a discussão se desenrola entre um gravemente incapacitado e um totalmente incapacitado.
"'Meritocracia' é um slogan publicitário e um mito. Não corresponde a nenhum fenômeno identificável na economia de mercado, sistema infinitamente complexo onde fatores incontroláveis como o acaso e as simpatias pessoais podem contar muito mais que o mérito objetivo. Meritocracia, a rigor, só pode existir em organizações hierárquicas fortemente regulamentadas onde até os chefes estão atados por um compromisso de obediência, como por exemplo um exército. Há mais meritocracia na KGB do que no capitalismo.
A superioridade prática do capitalismo é um fato inegável, mas dela os teóricos liberais e libertarians tiram, com freqüência, conclusões absurdas, que, é claro, seus discípulos tupiniquins repetem como mantras sagrados."
Não escrevo com facilidade. As frases não me vêm prontas. Vêm compactadas em fórmulas algébricas, algoritmos dos quais podem se desenvolver muitas frases diferentes, umas boas, outras ruins. Tenho de testar uma por uma.
Para escrever com naturalidade é preciso ter sentimentos naturais e um agudo senso do óbvio, sem jamais carregar as tintas no desejo de persuadir. É preciso abdicar de toda pose, o que pressupõe não ter nenhum complexo de inferioridade a compensar. É preciso falar ao público como você fala em casa. E é preciso agradecer diariamente a Deus por ter-lhe dado um eu autoconsciente.
A filosofia não é uma ciência, é uma técnica. [...]
Uma técnica, ao contrário, reúne várias correntes causais autônomas e heterogêneas, irredutíveis a princípios comuns e unificadas tão somente pelo resultado a obter. Nenhuma técnica, por mais simples que seja, se reduz à aplicação de um princípio científico único. Nenhuma técnica, a rigor, se deixa explicar totalmente pela ciência. A técnica tem sua racionalidade própria, interseccionada com a da ciência mas não redutível a ela. [...]
O resultado da obra técnica é um produto concreto (de con cresco, 'crescer junto') obtido pela articulação real, não ideal, de diferentes concreções parciais.
A filosofia é uma técnica porque o resultado a que ela visa não é um conjunto de afirmações abstratas sobre esta ou aquela parte da realidade, nem mesmo sobre a 'realidade como um todo': é a capacitação do sujeito cognoscente humano individual para a apreensão concreta dos nexos entre conhecimento e realidade, apreensão sem a qual nenhum conhecimento, cientifico ou não, pode estar seguro de que faz sentido, nem de que seu objeto corresponde a algo no mundo real.
Diante de qualquer conhecimento, a filosofia busca esclarecer:
· Sua inteligibilidade
· Sua significação
· Sua realidade
· Sua posição na ordem geral conhecida
· Seu valor para a autoconsciência individual, para a cultura e para a civilização
Os componentes essenciais da técnica filosófica são:
1. A anamnese pela qual o filósofo rastreia a origem das suas idéias e assume a responsabilidade por elas.
2. A meditação pela qual ele busca transcender o círculo das suas idéias e permitir que a própria realidade lhe fale numa experiência cognitiva originária.
3. O exame dialético pelo qual ele integra a sua experiência cognitiva na tradição filosófica, e esta naquela.
4. A pesquisa erudita pela qual ele se apossa da tradição.
5. A hermenêutica pela qual ele torna transparentes para o exame dialético as sentenças dos filósofos do passado e todos os demais elementos da herança cultural que sejam necessários para a sua atividade filosófica.
6. O exame de consciência pelo qual ele integra na sua personalidade total as aquisições da sua investigação filosófica.
7. A técnica expressiva pela qual ele torna a sua experiência cognitiva reprodutível por outras pessoas.
Todos os grandes filósofos do passado praticaram esse conjunto de técnicas e muitos se referiram a elas em suas obras, mas nenhum se ocupou em fazer delas uma exposição abrangente e sistemática. [...]
REALIDADE é aquilo que existe fora e independentemente de nós e que minuto a minuto nos impõe algo que não desejaríamos saber, algo que preferiríamos que não existisse. A filosofia busca a unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa, mas se aproxima dessa meta como numa assíntota, sem poder alcançá-la jamais, porque a noção mesma de 'conhecimento' pressupõe a de 'realidade', isto é, a de algo que continuamente transcende as suas fronteiras e as dissolve, alargando-as mas também desorganizando o que está dentro delas. Ninguém apreende a dimensão de REALIDADE sem abrir-se vezes sem conta a um mar de contradições e perplexidades. A facilidade, a desenvoltura pueril e auto-satisfeita com que no Brasil se fabricam opiniões sem a menor atenção àquilo que as contradiz – mesmo quando a contradição está gritando do alto dos telhados –, mostra que a dimensão de realidade foi perdida na nossa cultura há tempos. Sobrou só a dimensão do desejo e da frustração. Quando um 'formador de opinião' brasileiro nos diz que as coisas são assim ou assado ele não quer dizer que elas o são realmente, apenas que sua personalidade é mais bonita que a nossa, que ele é o gostosão e a encarnação do bem. Inversa e complementarmente, se você busca a realidade com todas as suas forças e tenta expressá-la, dificilmente conseguirá fazer alguém abrir os olhos para ela. Em geral a platéia entenderá apenas que você obteve sucesso em impor a sua personalidade.
As provas da existência de Deus demonstram a NECESSIDADE LÓGICA dessa existência, não a sua FACTUALIDADE. Ademais, toda prova lógica só pode demonstrar a existência de 'algum' deus, no sentido genérico, não a de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, mas, como este é o único Deus que existe, a prova genérica é necessariamente insatisfatória. A fé exige algo mais.
Dizer que existe alguma prova lógica da existência de Deus É O MESMO que dizer que a existência de Deus é logicamente necessária.
[...] Só disse que não se pode atribuir a Ele a 'existência' no sentido em que este termo se aplica às coisas criadas.
[...] a lógica, por si, não pode provar a existência de nada, apenas a necessidade lógica dessa existência, mas, como não existe existência genérica e o próprio Deus não é uma generalidade e sim uma PESSOA real e concreta, a prova lógica deixa escapar o principal, a não ser que seja complementada pelo conhecimento intuitivo direto da AÇÃO divina no mundo, Aí a certeza não é só a da existência de 'algum' Deus, e sim a do NOSSO Deus.
Para encerrar esta coisa: Se a lógica pudesse provar algo mais que a necessidade lógica da existência de um Deus genérico, se ela pudesse, partindo da existência das coisas criadas, provar a existência do NOSSO Deus, a revelação seria inteiramente desnecessária e a Encarnação seria apenas uma redundância. Fim de conversa.
Dou por pressuposta a teoria de Sto. Tomás e tento raciocinar A PARTIR DELA em vez de simplesmente repeti-la. Tal é a obrigação do filósofo. Por essa via, pergunto: Se provamos apenas a necessidade lógica, maximamente cogente, da existência de 'um' Deus criador, provamos apenas a existência de um Ser genérico, não a do NOSSO Deus, Esse Ser genérico existe independentemente e acima das Três Pessoas da Trindade? Se respondemos 'sim', somos muçulmanos; esse Ser é exatamente o que se entende por 'Allah'. Mas se sabemos, pela Revelação, que o Único Deus que existe é o das Três Pessoas, é claro que não podemos nos contentar com a prova lógica e temos de levar a investigação adiante.
Sto. Tomás, na 'Suma Contra os Gentios', deixa claro que a prova da existência de Deus pela dos seres contingentes é válida igualmente para os cristãos, os judeus e os muçulmanos. É portanto evidente que essa prova trata de 'um' Deus genérico e não do NOSSO Deus em particular.
Se você quer 'provar que Deus existe' — ou que não existe –, tem de admitir a existência de um domínio chamado 'existência', que O transcende e no qual Ele está ou não está. Isso é coisa de maluco.
O raciocínio lógico tem em si as razões da sua 'validade', mas não da sua cognoscibilidade. O raciocínio lógico seria impossível sem a percepção intuitiva da igualdade de duas proposições. Não há 'conhecimento racional', só conhecimento intuitivo.
Como percebo a unidade de duas proposições num silogismo? É por outro silogismo, e mais outro e mais outro ainda, ou é por uma intuição imediata da forma?
Intuição é: percepção imediata de uma presença.
Por baixo ou para além da intuição, só existe o 'conhecimento por presença' que a torna possível.
Em vez de se esforçar para 'provar' alguma coisa, o filósofo se dedica a perceber e expressar depois de aprender a abrir-se à presença.
Todas as nossas intuições são instantâneas. Só o conhecimento por presença me informa da continuidade do mundo. A razão pode reforçar as razões de crer nela, mas não pode 'prová-la', já que toda possibilidade de prova se assenta nessa mesma continuidade.
'Provar' é coisa de contabilistas e policiais. O filósofo pode estimular a intuição para que seus ouvintes percebam o que ele percebeu, mas não provar algo a quem não percebeu nada - e quem percebeu não precisa de prova.
Provas só servem para dar validade social a uma crença esquemática, que simboliza de maneira distante e vaga alguma intuição originária.
Um filósofo de verdade não faz a mínima questão de que suas conclusões adquiram validade social - apenas de que sejam confirmadas por quem percebeu o que ele percebeu.
Minha própria continuidade não pode ser percebida como objeto de meus pensamentos, mas se impõe a mim de maneira avassaladora como condição 'sine qua non' da minha possibilidade de pensar. Que não dizer, então, da continuidade do Ser como um todo?
Tudo o que eu quis na vida foi ampliar o horizonte de consciência de alguns milhares de pessoas de modo a que isso pudesse ter efeitos benéficos na sociedade brasileira, mas sem nenhuma presunção de controlar ou dirigir esses efeitos.
Foi isso o que eu quis fazer, e foi exatamente o que fiz. Já deu certo, e agora ninguém mais déte.
