Coleção pessoal de Jorgeanesquivel

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Se eu tivesse parado quando desisti, quem estaria aqui agora?

Quem faria o que hoje só eu faço? Quem cuidaria, quem levaria, quem buscaria, quem estaria presente?

Talvez eu ainda não saiba o que a vida guarda para mim. Talvez eu ainda não consiga enxergar um motivo que seja só meu.

Mas eu estou aqui.
Ainda estou. Por enquanto, estou.

E, por enquanto, talvez permanecer seja também uma forma de deixar a história continuar até que eu possa descobrir o que ainda existe depois deste capítulo.

Se Eu Me Aproximar

Há dias em que pareço inteira.
Sigo em frente, resolvo o que precisa ser resolvido,
sorrio como quem aprendeu
a não deixar transparecer as próprias ruínas.

Mas há uma parte de mim
que ninguém vê.

Uma parte cansada de ser forte,
que gostaria, por um instante,
de não precisar sustentar o mundo
sobre os próprios ombros.

Às vezes, tudo o que eu queria
era encontrar um lugar seguro
onde pudesse baixar a guarda,
silenciar os medos
e simplesmente descansar.

E talvez seja por isso
que, quando penso em você,
alguma coisa em mim queira se aproximar.

Não porque eu precise ser salva,
mas porque existem dores
que ficam menores quando encontram presença.

Eu queria saber
se, quando eu finalmente deixar cair
as paredes que construí para me proteger,
você ainda estará ali.

Se eu chegar sem a armadura,
sem respostas,
sem a força que finjo ter todos os dias,
você ficará?

Ou será que, ao conhecer
a mulher por trás daquilo que aparento,
você também escolherá partir?

É esse o meu medo.

Não é chegar até você.
É chegar
e não encontrar onde permanecer.

Porque eu também quero colo.
Também quero cuidado.
Também quero alguém que olhe para mim
e enxergue além daquilo que mostro.

Alguém que não se assuste
com a minha fragilidade.

Alguém que compreenda
que, às vezes, até quem parece forte
só está procurando um lugar
onde possa, finalmente,
não precisar ser.

A Favor da Vida

Hoje acordei com vontade de ficar do meu lado.

Não para travar batalhas ou cobrar mudanças imediatas, mas para me acompanhar com a mesma paciência que a natureza dedica às suas transformações. Há um tempo para a semente repousar na terra, um tempo para criar raízes e outro para romper o solo em direção à luz. Nada acontece antes da hora, e ainda assim tudo acontece.

Tenho pensado que talvez viver seja isso: aprender a cuidar do que cresce dentro de nós. Regar os sonhos sem afogá-los na ansiedade. Podar os excessos sem ferir a própria essência. Reconhecer que algumas folhas caem não porque a árvore está morrendo, mas porque está se preparando para uma nova estação.

Quero me permitir esse cuidado. Quero abrir espaço para os dias simples, para os pequenos recomeços, para as alegrias discretas que muitas vezes passam despercebidas. Quero habitar minha própria companhia sem pressa de chegar a outro lugar.

A vida já carrega movimento suficiente. Ela traz e leva ventos, muda paisagens, aproxima caminhos, apresenta pessoas, recolhe outras. Talvez a beleza esteja justamente em não tentar controlar tudo, mas em manter a porta do coração livre das ferrugens do medo.

O que for verdadeiro saberá chegar. O que for bom encontrará abrigo. E o que não for, seguirá seu caminho como as águas que passam sem permanecer.

Enquanto isso, sigo aqui, cuidando do meu jardim. Não porque espero alguma estação específica, mas porque florescer é uma forma de agradecer pela vida que continua nascendo em mim, todos os dias.

Há uma força que exerço todos os dias, e poucas pessoas a enxergam.

É a força de me colocar constantemente no lugar dos outros. De tentar compreender antes de ser compreendida. De acolher antes de pedir acolhimento. De medir cada palavra, revisar cada atitude, reconstruir a mim mesma inúmeras vezes para não ferir, não decepcionar, não sobrecarregar quem está à minha volta.

Passei boa parte da vida acreditando que esse era o amor.

Então fui me desfazendo aos poucos.

Respeitei os limites de todos, menos os meus. Carreguei responsabilidades que nunca me pertenceram. Silenciei dores para preservar a paz alheia. Tomei para mim culpas que não eram minhas. Vivi em permanente autoavaliação, tentando corrigir defeitos, controlar reações, encontrar maneiras de ser mais fácil para o mundo.

Enquanto isso, o meu próprio mundo desmoronava em silêncio.

Talvez seja por isso que a ansiedade e a depressão não sejam, para mim, apenas nomes. Elas também carregam o peso de uma vida inteira tentando sustentar aquilo que nunca esteve sob o meu controle.

Hoje percebo o quanto é perigoso viver assim.

Existe uma diferença enorme entre amar e abandonar a si mesmo.

Entre servir e anular-se.

Entre cuidar e esquecer que também se precisa de cuidado.

E talvez seja justamente aí que muitos de nós nos percamos.

Passamos tanto tempo tentando corresponder às expectativas, apagar incêndios, carregar dores que não são nossas e manter a vida de todos em ordem, que nos esquecemos de voltar para casa: para dentro de nós.

Precisamos nos lembrar, constantemente, de que cada pessoa é responsável pelas próprias escolhas, pelos próprios caminhos e pela própria alma.

Podemos aconselhar, amar, acolher, estender a mão. Mas não podemos viver a vida de ninguém, nem assumir responsabilidades que Deus nunca nos entregou.

Porque haverá um dia em que estaremos diante d'Ele.

E, naquele dia, não será possível dizer:

"Senhor, eu escolhi esse caminho porque me senti obrigada."

"Eu não tive tempo de cuidar da minha alma porque estava ocupado demais cuidando da vida de todos."

"Eu vivi tentando agradar, obedecer às expectativas e corresponder ao que esperavam de mim."

Cada um responderá pela própria vida.

Que essa verdade não seja um peso, mas um despertar.

Que ela nos lembre de que não fomos chamados a viver sufocados pelas expectativas do mundo, nem aprisionados pelas necessidades das pessoas, a ponto de abandonarmos a única alma que Deus confiou aos nossos cuidados.

No fim, talvez a pergunta mais importante não seja quantas vidas tentamos salvar.

Mas o que fizemos com a nossa, enquanto tentávamos carregar o mundo inteiro sobre os ombros.

Expressar sentimentos através da arte requer repertório. É preciso ter vivido, sentido, observado e permitido que a vida nos atravesse. A arte nasce do encontro entre a sensibilidade e as experiências que carregamos.

Entre o excesso e o vazio

Gosto do equilíbrio:
nem tanto, nem tão pouco.

Há coisas que não podem perder a cor,
porque o colorido também é uma forma de alegria.

Outras não precisam de excessos.
O minimalismo tem sua própria calmaria,
e não precisa ser ausência de detalhes.

Porque simplicidade também pode ser rica:
em cor, em textura, em calor,
em tudo aquilo que, mesmo sem exagero,
faz os olhos permanecerem.

Eu ainda digo: você já viu a lua hoje?


Eu sou dessas
que ainda para no meio do caminho
porque a lua apareceu bonita demais.


Dessas que olham para o céu
e, por alguns segundos,
esquecem o que estavam pensando.


Não é sobre a lua.
É sobre não deixar a beleza passar despercebida.


É sobre esse olhar que procura,
que repara,
que encontra poesia onde quase ninguém mais olha.


Talvez eu tenha essa necessidade estranha
de admirar as coisas
antes que o mundo me convença
de que não há tempo para elas.


Por isso ainda digo:
“Você já viu a lua hoje?”


Como quem diz:
olha…
a vida ainda está acontecendo
em algum lugar bonito.


E eu quero saber.
Quero sentir.
Quero apreciar.


Porque talvez essa seja uma das coisas
que eu mais gosto em mim:


eu ainda me deixo encantar.




27 de Agosto de 2026

Orações escritas


Deus, não me desampare.


O medo surgiu, e minha fragilidade já não cabe dentro do peito. Está exposta, diante de tudo e de todos. E tudo à minha volta parece ter sido afetado, atravessando-me, ferindo-me justamente onde eu já estava mais sensível.


Senhor, como, onde e quando eu vou conseguir mudar essa situação?


Eu não tenho todas as respostas.
Não sei por onde começar.
Só sei que preciso de Ti.


Cuida do meu filho, Senhor.
Faz por ele aquilo que, muitas vezes, eu não consigo fazer. Protege seus passos, guarda seu coração, livra-o daquilo que eu não posso enxergar e alcança-o onde meus braços não conseguem chegar.


Cuida da minha mãe.
Dá a ela tudo aquilo que, por minhas próprias forças, eu já não sou capaz de oferecer. Sê presença onde me falta presença, força onde me falta força, cuidado onde minhas mãos já não alcançam.


E cuida deste lar, Senhor.


Entra onde existe dor.
Toca o que está ferido.
Acalma o que está inquieto.
Restaura o que foi quebrado.
E traz a cura para tudo aquilo que nós não conseguimos curar sozinhos.


Eu entrego a Ti o que não consigo carregar.


Em nome de Jesus,
traz a cura para este lar,
a paz para este coração
e a força para continuar.
Amém.




Cartas aos Céus 19 de Agosto de 2026

Orações escritas




Deus, não me desampare.


O mundo se abre aos meus pés,
e eu ainda não sei
se é caminho ou abismo.


Há portas que se abrem
sem que eu tenha pedido,
estradas que surgem
onde antes havia apenas silêncio.


Se for preciso caminhar,
dá-me coragem.
Se for preciso esperar,
dá-me serenidade.
E se eu estiver diante
de algo que não compreendo,
não permita que o medo
seja maior que a minha fé.


Porque, se o mundo se abre aos meus pés,
eu só peço uma coisa:


que a Tua mão continue sobre a minha.




Cartas aos Céus 19 de Agosto de 2026

Mística


Há coisas que não chegam... acontecem. Como a lua quando toca o mar sem jamais perguntar se pode. Há encontros que parecem acaso, mas carregam no silêncio a assinatura de algum mistério antigo. E há olhos que não apenas olham: reconhecem.


Talvez a alma saiba antes do corpo. Talvez o corpo apenas reconheça aquilo que a alma já sabia, antes mesmo que o coração compreendesse o sussurrar do destino.


Eu não temo o que não consigo explicar, mas paraliso o olhar diante do que não sei nomear. Há beleza demais no invisível para exigir do mistério uma certidão de existência, uma prova, todas as garantias.


Prefiro acreditar que algumas portas se abrem sozinhas, que certas presenças chegam na hora exata, como um soprar dos ventos, sem aviso, sem promessa, apenas porque era tempo de chegar. E que algumas histórias já foram escritas em algum lugar onde o tempo não alcança.


Maktub. Estava escrito. Ou talvez apenas esperando o instante certo para ser lido.


Porque há coisas que não se entendem. Sentem-se. Reconhecem-se.


E quando a alma sente, até o silêncio se torna oração e canção.


E talvez seja essa a mais bonita forma de mistério: não saber de onde veio, não saber para onde vai, mas sentir, no mais profundo de si, que aquilo que chegou já nos pertencia antes mesmo de chegar.

Amores que Ficam


O amor, quando não tem futuro, quando não se transforma em dois caminhando como um só, quando não leva dois na mesma direção, acaba sendo apenas uma forma bonita de partir o coração.


E eu me recuso a partir o meu com amores de verão, de momentos, de ocasiões.


Não quero o que chega para aquecer a pele e depois desaparece com a estação.
Não quero presenças que só existem quando é conveniente, nem sentimentos que cabem apenas no intervalo entre uma vontade e outra.


Se for para amar, que seja inteiro.
Que tenha caminho, escolha, coragem e destino.


Porque o meu coração não procura um amor que aconteça.


Procura um amor que permaneça.

Há um rio dentro de mim
que não aprende a ter margem,
carrega luas sem fim
e se alimenta de coragem.
Quando a noite me atravessa,
não sei se é dor ou passagem.


Guardo estrelas no silêncio,
como quem guarda oração,
há mistérios que florescem
sem pedir explicação.
E há verdades que só chegam
quando escutam o coração.


Já fui casa de tempestade,
já fui janela e clarão,
já fui barco sem destino,
procurando direção.
Mas descobri que até o caos
pode ensinar navegação.


Há quem procure respostas
como quem procura um chão;
eu aprendi que certas coisas
não cabem na explicação.
Às vezes, Deus escreve torto
para endireitar a visão.


Tenho cicatrizes antigas
que não pedem compaixão;
são mapas de outros tempos,
são vestígios de travessão.
Quem olha apenas a ferida
não conhece a reconstrução.


E quando penso que termino,
alguma coisa principia:
uma esperança pequenina
acendendo a noite fria.
Como a flor que rompe a pedra
sem anunciar que nascia.


Talvez eu seja esse enigma
que o tempo tenta entender:
um pouco de maré e terra,
um pouco de perder e ter.
E quanto mais me descubro,
mais aprendo a não me prender.


Se a vida é uma parábola,
não quero a moral no fim.
Prefiro seguir a estrada
que ainda não falou de mim.
Pois há caminhos que só existem
quando a gente diz: “enfim.”

Há portas em mim que se abrem sem jamais revelar a casa inteira.

Há silêncios meus que dizem muito, mas ainda assim não me explicam.
Olhares que permanecem um instante além do necessário, mas não me veem completamente.

Quanto mais alguém se aproxima, talvez mais perceba que ainda há alguma coisa por descobrir.
Por descobrir-me.

Nem tudo que me toca me faz entregar.
Nem tudo que desejo me faz correr em direção ao desejo.
Aprendi a deixar algumas coisas amadurecerem no silêncio, onde a vontade não se perde — apenas ganha profundidade.

Há partes minhas que não se oferecem à pressa.
Precisam de presença, de atenção, de um olhar capaz de permanecer quando já não há certezas.

E talvez seja aí que eu permaneça mais inteira:
nesse lugar entre o que deixo ver
e tudo aquilo que ainda não encontrei razão para revelar.

Porque posso deixar alguém chegar muito perto
sem jamais deixar de ser um território que ainda precisa ser descoberto.

Talvez você conheça o caminho até mim.

Mas não confunda caminho conhecido com destino desvendado.

Talvez a minha maior forma de resistência tenha sido continuar enxergando beleza, mesmo depois de ter conhecido de perto tudo aquilo que poderia me fazer perder o olhar.

A Linha do Extremo


Há uma espécie de agonia em viver entre o sagrado e o profano.


De um lado, tudo aquilo que escolhi preservar.
Do outro, aquilo que, em silêncio, me chama para além dos meus próprios limites.


Eu não quero me jogar ao extremo.
Aprendi a desconfiar dos excessos, a respeitar as fronteiras que construí dentro de mim.


Mas também descobri que viver eternamente recuada pode ser outra forma de ausência.


Porque há momentos em que a gente precisa negociar com o próprio limite.
Não para abandoná-lo, mas para descobrir até onde ele pode ceder sem deixar de ser nosso.


E talvez seja essa a parte mais inquietante:


saber que existe desejo,
saber que existe vontade,
saber que existe um abismo logo depois da margem...


e ainda assim permanecer ali, na beira, sentindo o corpo pedir passagem enquanto a alma pergunta se é seguro atravessar.


Não quero alguém que me arraste para o extremo.


Quero alguém diante de quem eu mesma tenha vontade de chegar até ele.


Devagar.
Consciente.
Sem perder quem sou no caminho.


Porque talvez a verdadeira entrega não esteja em ultrapassar todos os limites.


Talvez esteja em encontrar alguém com quem até o limite se sinta seguro para negociar.

Onde o toque acontece

Há quem confunda pele com presença.
Beijo com encontro.
Desejo com conexão.

Mas há um abismo entre encostar em alguém e realmente tocar alguém.

Porque o toque que importa não começa nas mãos.
Começa na atenção.
No olhar que permanece.
Na escuta que não tem pressa.
Na vontade de conhecer o outro antes de atravessá-lo.

Eu acredito no toque que encontra ritmo.
Que não invade, não exige, não toma.
Que percebe.
Que espera.
Que responde.

Porque quando existe verdade, dois corpos não apenas se tocam: eles se reconhecem.

E talvez seja isso que tanta gente não perceba.

Há pessoas que passam uma vida inteira roçando em outras sem jamais alcançá-las.
Beijam bocas, mas não encontram almas.
Abraçam corpos, mas permanecem distantes.
Trocam calor, mas não presença.

Eu não quero um toque que apenas percorra minha pele.

Quero aquele que saiba chegar até onde ninguém chega.
Que encontre em mim o que não se entrega a qualquer mão.
Que compreenda que meu corpo é território de confiança, e que só se abre verdadeiramente quando existe algo maior do que desejo: conexão.

Porque, para mim, tocar alguém é uma forma de dizer:

eu estou aqui.
eu vejo você.
eu sinto você.
e, por um instante, não existe distância entre nós.

Talvez seja por isso que eu ainda espere pelo toque certo.

Não porque tenha medo de ser tocada,
mas porque sei a diferença entre ser tocada
e ser alcançada.

Entre a menina e a mulher

Tenho andado sozinha.

Não porque não queira companhia, mas porque há caminhos que ninguém pode percorrer por nós. Há silêncios que precisamos atravessar sozinhas, perguntas que somente o tempo sabe responder e versões de nós mesmas que precisam partir para que outras possam nascer.

Tenho andado assim: aprendiz, menina, mulher.

Às vezes, ainda sou aquela menina que se assusta diante do mundo, que procura abrigo, que acredita, que espera, que guarda sonhos como quem protege uma pequena chama do vento. Em outras, sou a mulher que a vida foi esculpindo à força de perdas, recomeços, esperas e algumas dores que ninguém viu.

E talvez crescer seja justamente isso: não abandonar a menina que fomos, mas aprender a acolhê-la com os braços da mulher que nos tornamos. Quando me perco, já não procuro alguém para me encontrar. Volto para dentro, procuro os pedaços que deixei pelo caminho, recolho meus sonhos, escuto meus silêncios e sigo.

Porque descobri que, muitas vezes, quando penso que estou perdida, estou apenas deixando de ser quem já não cabe em mim. Tenho andado sozinha, sim, mas já não caminho vazia. Levo comigo a menina que ainda sonha, a mulher que aprendeu a resistir e todas as versões de mim que tiveram coragem de continuar.

E talvez seja esse o meu verdadeiro encontro: quando me perco da menina, encontro a mulher. E quando encontro a mulher, finalmente compreendo que a menina nunca esteve perdida. Ela apenas estava me esperando crescer o suficiente para voltar para casa.

Leva-me para perto

Quando minhas forças se desfazem,
não me deixes cair no vazio.

Levanta-me com a delicadeza
de quem conhece cada parte quebrada de mim.

Segura minha mão
até que o medo desaprenda o caminho de volta.

Acolhe-me junto ao teu peito,
onde o mundo perde o ruído
e a alma finalmente descansa.

Leva-me para perto da tua luz.
Há tanta noite em mim
pedindo um único amanhecer.

Cuida de mim
como quem protege uma chama
que insiste em permanecer acesa,
mesmo quando o vento parece mais forte.

Reveste-me do teu amor,
da tua paz,
da segurança dos teus braços.

Porque é em Ti
que encontro abrigo,
é em Ti
que volto a respirar.

E, se eu me perder de mim,
leva-me de volta
ao único lugar
onde sempre estive verdadeiramente a salvo:
o teu coração.

A atenção é uma das formas mais silenciosas de demonstrar interesse.

A atenção é o lugar onde o interesse deixa de ser discurso e se torna presença.