Coleção pessoal de Jorgeanesquivel
Sou dura comigo.
Antes que o mundo me toque,
eu já me feri.
Invento culpas,
dou nomes graves ao que é só cansaço,
e chamo de falha
o que talvez seja apenas existir.
Dentro de mim há um tribunal
que nunca encerra a sessão.
E eu, cansada,
continuo sendo ré
e juíza.
Há um julgamento acontecendo o tempo todo.
Não na praça, nem nos tribunais,
mas dentro.
Apontamos o dedo para o mundo
e, quando ninguém vê,
erguemos o martelo contra nós mesmos.
Condenamos erros, falhas, atrasos, silêncios,
como se fôssemos obrigados a acertar sempre.
Mas que sociedade se constrói
quando cada um aprende a ser
o próprio algoz?
Que mudança é possível
se a primeira relação consigo,
já nasce em guerra?
Talvez transformar o mundo
comece por um gesto quase invisível:
diminuir a dureza do julgamento interno,
reconhecer a humanidade no outro
porque ela foi, antes, reconhecida em si.
Mudar a si não é se absolver de tudo.
É aprender a julgar com consciência
e viver com mais responsabilidade
e menos crueldade.
Carta aberta
Filho, você ainda tem muito a aprender.
Pode até sentir que já viveu demais, que a vida já lhe mostrou tudo o que tinha para mostrar… mas, na verdade, você ainda não percorreu nem um terço do caminho que está diante de você. Hoje, talvez acredite que conhece a vida. Mas o que você tem, por enquanto, são aprendizados sendo recolhidos um a um, como quem junta sementes para o amanhã.
Eu, como sua mãe, carrego um dever que não se cansa: orientar, direcionar, proteger, orar e interceder pela sua vida, para que seus passos sigam sempre pelo caminho do bem. Existe, porém, algo que tento evitar com todas as forças do meu amor. A vida ensina de duas formas: pela observação e pela vivência. Ambas ensinam, mas a segunda costuma ensinar com dor. E nenhuma mãe deseja que o filho precise aprender sangrando.
Por isso, quando falo, não é por controle, nem por desconfiança. É cuidado. Não receba minhas palavras como chatices de mãe, mas como conselhos de quem caminha alguns passos à frente e já conhece certos buracos, certas pedras escondidas no chão, capazes de fazer alguém tropeçar e cair. Tudo o que tento é afastar você dessas quedas, para que siga inteiro.
Desejo que você se torne um homem digno, responsável, maduro… e, sobretudo, humilde. Nunca se esqueça: o ego inflamado não constrói, não sustenta, não salva. Ele apenas conduz à soberba, ao desprezo e, mais cedo ou mais tarde, à ruína. Aprenda a dominá-lo. Quem governa o próprio ego caminha com sabedoria.
Com amor, sua mãe.
Entre pausas e silêncios,
barulhos de uma mente calada e cansada.
Não é ausência — é excesso contido.
Pensamentos que ecoam baixo,
como quem pede descanso sem saber pedir.
Aqui estou.
Não para explicar,
nem para resistir.
Apenas para permanecer
até que o silêncio
deixe de ser abrigo.
Inteira no cansaço,
presente no intervalo,
aprendendo a existir
sem ruído.
Oração escritas
De um Coração Cansado que Escolhe Esperar em Deus
Senhor,
meu coração está cansado.
Cansado de sustentar o que não muda,
de lembrar do que ainda dói,
de fingir firmeza quando tudo em mim pede pausa.
Há dias em que eu queria asas.
Não para enfrentar,
mas para ir longe.
Longe o bastante para não lembrar,
para não tocar nas mesmas feridas,
para não carregar o mesmo peso todos os dias.
Mas eu não vou.
Não porque sou forte,
mas porque me falta coragem.
Fico.
Mesmo desejando partir,
permaneço onde estou,
com o coração cansado
e as mãos vazias.
É aqui, Senhor,
nesse lugar onde não consigo fugir
e ainda não sei recomeçar,
que deposito minha única esperança:
em Ti.
Não confio nas minhas forças,
nem nos meus planos,
nem na minha capacidade de suportar.
Confio apenas em Ti,
que vês o que ninguém vê
e permaneces quando tudo em mim quer desistir.
Se não posso ir,
fica comigo.
Se não consigo mudar o cenário,
muda meu interior.
Se não tenho asas para voar,
sê meu descanso.
Hoje eu não peço grandes respostas,
só um recomeço silencioso.
Um passo pequeno.
Um fôlego novo.
Uma fé que não grita,
mas permanece.
Cuida de mim, Senhor.
Mesmo cansada.
Mesmo confusa.
Mesmo ficando onde estou.
Que a minha esperança
não esteja em sair,
mas em saber
que Tu estás aqui.
Amém.
Eu não cheguei para ensinar o mundo a ver.
Cheguei para servir.
Empresto meus olhos
não porque vejam melhor,
mas porque aprenderam a parar.
A permanecer.
A respeitar o que é simples
e o que quase passa despercebido.
Há beleza onde ninguém olha.
Há histórias onde ninguém fica.
Há luz mesmo quando o dia parece opaco.
Eu empresto o meu olhar
para que outros possam enxergar
o que meus olhos aprenderam a vislumbrar:
o sagrado do cotidiano,
a dignidade do silêncio,
a esperança que insiste
em morar nos detalhes.
Meu trabalho não é sobre imagens.
É sobre presença.
É sobre revelar sem invadir,
mostrar sem ferir,
acolher sem explicar.
Sirvo quando fotografo.
Sirvo quando observo.
Sirvo quando escolho não passar rápido.
Se você aceitar,
te empresto meus olhos por um instante.
Não para fugir do mundo —
mas para reencontrá-lo
com mais cuidado,
mais verdade,
e um pouco mais de alma.
Antes de tudo,
olhe.
Mas olhe bem devagar.
Desacelere.
Respire.
Permita que o mundo se revele
no tempo certo —
porque quase tudo é passageiro
diante do olhar que não sabe parar.
Eu empresto meus olhos
não para mostrar o extraordinário,
mas para revelar o que insiste em existir
no simples,
no breve,
no que passa
e, ainda assim, toca.
Meu trabalho é serviço.
É presença.
É aprender a permanecer
onde quase ninguém permanece.
Feche os olhos.
Respire.
E se permita imortalizar
um instante
que, contigo,
resolvi compartilhar.
Não é sobre fotografia.
É sobre sentir antes de registrar.
É sobre observar sem pressa,
respeitar o silêncio
e acolher o momento
antes que ele parta.
Se quiser,
te empresto meu olhar por um instante.
Para que você veja
o que meus olhos aprenderam a ver
quando decidiram desacelerar
e servir.
Presenças que Não se Despedem
Aqueles que partem antes de nós não deixam apenas saudade.
Deixam um vazio que não se mede, um espaço que ninguém ocupa.
Mas deixam, também, a permanência da sua história —
uma presença silenciosa que continua ecoando no tempo.
Fica a ausência do calor de um abraço,
o gesto interrompido,
o sorriso guardado na memória.
Fica o olhar que ainda nos atravessa,
a voz que já não tem som,
mas insiste em nos chamar por dentro.
Eles partem do alcance das mãos,
mas não se ausentam do que fomos com eles.
Habitam as lembranças,
os lugares,
as palavras que repetimos sem perceber,
os silêncios que se tornam mais densos.
Há quem parta e leve consigo o mundo que conhecíamos.
E há quem fique —
não no corpo,
mas no que nos ensinou a sentir.
Na saudade que dói,
mas também sustenta.
Porque amar alguém é aceitar
que, mesmo na ausência,
algumas presenças jamais se despedem.
A gente nunca sabe quando pode ser a última vez. Todo e qualquer instante pode ser o último. O que você tem feito pela última vez?
Essa pergunta não pede resposta — pede presença.
Talvez a “última vez” não esteja nos grandes gestos,
mas no abraço que foi apressado,
na palavra que ficou guardada,
no silêncio que escolhemos por cansaço.
O que temos feito pela última vez, muitas vezes, é adiar.
Adiar o perdão.
Adiar o encontro.
Adiar o dizer “eu amo”, “me perdoa”, “fica mais um pouco”.
Viver é caminhar sem aviso prévio.
Por isso, talvez a pergunta mais honesta seja:
se hoje fosse a última vez, eu estaria inteira no agora?
Porque o tempo não avisa quando fecha a porta.
E só o presente tem certeza de existir.
6 de Janeiro de 2026
Orações escritas
Deus,
hoje eu não tenho força para explicar o que dói.
Meu coração está pesado, meus pensamentos cansados,
e minhas palavras quase não saem.
Estima-me em Ti, Senhor.
Quando eu não conseguir me amar,
quando eu não conseguir me sustentar,
sustenta-me Tu.
Lembra-me que ainda sou vista,
mesmo quando me sinto pequena, esquecida ou frágil.
Ajuda-me.
Ajuda-me a atravessar este dia.
Não peço grandes respostas,
apenas o alívio de não caminhar sozinha.
Segura-me quando eu vacilar,
acolhe-me quando eu chorar em silêncio.
Se for possível, descansa minha alma em Ti.
E se não houver descanso agora,
fica comigo na tristeza.
Isso já basta.
7de janeiro de 2026
Preservar memórias é um gesto de amor com o tempo.
É recusar que os dias importantes se dissolvam no esquecimento apressado da rotina.
A fotografia revelada carrega um peso diferente. Ela atravessa o toque, o olhar demorado, o silêncio que se cria diante de uma imagem que permanece. Não depende de bateria, de senha, de um arquivo perdido entre tantos outros. Ela existe. Está ali. Respira junto com a casa.
Os passeios registrados não são apenas lugares visitados — são estados de espírito vividos. O riso que escapou sem aviso, o vento no rosto, a mão que segurou outra com força. Quando essas imagens ganham moldura, deixam de ser apenas lembranças pessoais e passam a fazer parte do ambiente, da história cotidiana, da identidade de quem habita aquele espaço.
Uma fotografia emoldurada não é decoração.
É presença.
É memória que se recusa a ser esquecida no fundo de um celular.
É o passado caminhando suavemente ao lado do presente.
Há algo profundamente humano em passar por uma parede e ser atravessado por uma lembrança. Em parar por alguns segundos diante de uma imagem e sentir o coração reconhecer aquele instante. Como se a vida dissesse: isso foi real, isso foi seu, isso valeu a pena.
Emoldurar fotografias é escolher o que merece permanecer visível.
É dar honra aos dias que nos moldaram.
É permitir que as memórias nos acompanhem, não como nostalgia, mas como raiz.
Porque algumas lembranças não nasceram para ficar guardadas.
Elas nasceram para serem vistas, sentidas e revisitadas — todos os dias.
Por Jorgeane borges 8 de Janeiro 2026
Somente por amor a gente se arrisca.
É por amor que caminhamos em direção ao que não sabemos explicar, como quem segue uma miragem no meio do deserto. Sabendo, no fundo, que pode não ser real — e ainda assim indo. Porque o amor não pede garantias, pede entrega.
O amor nos ensina a decifrar silêncios, a escutar o que não foi dito, a tocar mistérios com mãos trêmulas. Ele nos faz acreditar em promessas que ainda não existem, em destinos que só se revelam para quem ousa permanecer. É uma música que começa baixa, quase imperceptível, mas que cresce dentro da gente até não caber mais no peito.
Há algo de miragem no amor: ele cintila à distância, nos chama, nos ilude e nos salva ao mesmo tempo. Às vezes é engano, às vezes é esperança. E mesmo quando descobrimos que não era água, seguimos adiante, porque a travessia também nos transforma.
Amar é arriscar-se ao impossível. É atravessar desertos internos guiados apenas por uma melodia que insiste em tocar. É escolher sentir, mesmo sabendo do cansaço, da sede, da queda. Porque só o amor nos convence de que vale a pena ir além do que é seguro, além do que é lógico, além do que é visível.
E no fim, mesmo que a miragem se desfaça, algo permanece: o som da música que nos moveu. A coragem de quem ousou. A certeza de que só por amor a gente vai tão longe.
Por Jorgeane Borges
Há uma pressa que não leva a lugar nenhum.
Na corrida pela vida, esquecemos de viver.
O esforço constante para sobreviver ocupa tanto espaço que a própria vida passa despercebida — silenciosa, enquanto estamos ocupados demais tentando dar conta de tudo.
E quando percebemos, não foi o tempo que faltou.
Faltou presença.
Devocional
Hoje, uma palavra na minha devocional me atravessou. Não como conforto imediato, mas como espelho. Ela trouxe à memória cenas de injustiças — aquelas que vemos acontecer entre pessoas, aquelas que nos atingem diretamente e até aquelas que apenas assistimos à distância. Cobranças excessivas, falácias disfarçadas de verdades, julgamentos lançados com facilidade. E quase sempre reagimos com indignação. Achamos absurdo. Injusto. Condenamos quem condena.
Mas, nesse movimento, algo me foi revelado: eu esqueço de olhar para a pessoa que mais me julga.
Sou eu.
Sou eu quem mais me cobra. Quem mais aponta meus erros. Quem revisita falhas antigas como se fossem sentenças eternas. Sou eu quem, em vez de reconhecer qualidades, insiste em enumerar defeitos. Quantas vezes fui carrasca de mim mesma? Quantas vezes fui juíza severa, algoz silenciosa, aplicando penas sem direito a defesa?
Eu não me deixo descansar. Não me concedo pausa. Não me permito respirar antes mesmo que qualquer ataque externo exista. Muitas vezes, o tribunal já está armado dentro de mim, e a sentença já foi proclamada antes que alguém diga qualquer coisa.
Carrego um dilema interno diário: julgo como erro aquilo que talvez seja apenas humanidade. Trato processos como fracassos. Transformo aprendizado em culpa. E vivo me antecipando à dor, como se isso me protegesse — quando, na verdade, só me cansa.
Essa reflexão não nasce para me absolver sem consciência, mas para me lembrar que justiça também começa no modo como me trato. Que misericórdia não é permissividade, é entendimento. E que talvez o maior ato de fé seja aprender a silenciar essa voz acusadora e permitir que a graça — inclusive sobre mim — tenha espaço para existir.
Hoje, mais do que apontar injustiças no mundo, eu escolho observar como tenho sido comigo. Porque, muitas vezes, a batalha mais dura não é contra os outros — é contra a forma como aprendi a olhar para mim mesma.
13 de Janeiro 2026
Entre Sonho e Maré — Peixes
És rio que corre para todos os mares,
Alma aberta a cada horizonte.
Teu coração é bússola de sentimentos,
E tua empatia, remédio que cura feridas invisíveis.
Sabes ver beleza no que outros ignoram,
Transformar dor em poesia,
E abraçar até o que não é teu,
Porque teu amor não conhece fronteiras.
Mas… oh, Peixes, no mesmo oceano que te eleva,
Também te perdes nas profundezas.
Tua sensibilidade, que ilumina,
Pode virar neblina que te cega.
A fuga te chama com doces cantos,
E às vezes, tu corres antes da onda bater.
Teu idealismo é farol e ilusão,
E tua entrega, salvação ou naufrágio.
És água que molda e se molda,
Sonho que dança na superfície e no fundo.
Virtude e defeito, tão líquidos e inseparáveis,
No eterno fluxo de ser Peixes.
Em forma de concha, deixo um pedaço de mim,
pérola guardada por mãos que sustentam.
Vocês são descanso quando eu preciso parar,
são anjos enquanto caminho.
Que aqui repouse o que é precioso,
como eu repouso em vocês.🦪
Hoje fui tomada por uma dor — mas não, não, não.
Não é qualquer dor explicável.
É daquelas que não encontram nome no corpo,
mas pesam como se tivessem ossos.
Reviro-me pelo avesso tentando decifrá-la,
na esperança de arrancar ao menos um fragmento
e deixá-lo pelo caminho.
Mas sigo paralisada.
Exposta.
Vulnerável.
Não forte — apenas tentando me reconhecer
no meio do caos que se instalou.
Não consigo medir o que vem adiante.
O futuro agora é uma névoa densa,
e cada passo parece exigir uma coragem
que eu ainda não sei de onde tirar.
Mesmo assim, estarei ao teu lado.
Mesmo incompleta.
Mesmo trêmula.
Mesmo sem respostas.
Se fosse possível, eu trocaria tudo que sou
para te dar a chance de viver a vida
sem medo, sem dor, sem interrupções.
Porque amar, às vezes, é isso:
seguir de pé quando por dentro tudo desaba.
O diagnóstico não paralisou apenas os dias —
paralisou o meu ser.
Deixou-me impotente diante do inevitável,
pequena diante do que não posso controlar.
Mas, ainda assim, fico.
Porque quando não posso curar,
posso permanecer.
Quando não posso salvar,
posso amar.
E se hoje só consigo isso —
que seja o suficiente para atravessar a noite.
23 de Dezembro 2025
Traz a mim tudo aquilo que renova minha esperança.
Traz de volta o brilho e a vida no olhar.
Em ti, somente em ti, posso renascer.
Alegra meu sorriso e faz de mim brisa leve.
Que eu seja abrigo e não tempestade.
Que eu floresça onde antes era silêncio.
Que, ao me encontrar em ti, eu nunca mais me perca de mim.
É preciso ler os sinais, perceber as entrelinhas, ouvir o pedido de ajuda que quase nunca vem em forma de palavra. É um silêncio carregado, um cansaço que transborda no olhar, uma ausência disfarçada de presença. Em cada palavra dita, até nas conversas aparentemente chatas, há um pedido velado de escuta, um desejo de ser notado sem precisar implorar. Porque quem sofre nem sempre sabe explicar a dor — apenas tenta existir, esperando que alguém perceba.
Agora todo mundo me ama.
Todos choram e dizem o quanto eu fui incrivelmente incrível…
Engraçado, né?
Porque enquanto eu estava aqui, inteira nos meus pedaços, ninguém percebeu o quanto eu estava desmoronando.
No meu dia normal, ninguém viu o silêncio que gritava, o sorriso que tremia, a exaustão que escorria pelos cantos dos meus olhos.
Agora — agora, quando imaginam minha falta — dizem que eu era luz.
Que eu era forte.
Que eu era especial.
Que fiz falta.
Mas quando eu estava aqui, precisando de um abraço,
de um ouvido,
de um “eu tô aqui”,
as pessoas se confundiram, se calaram, se distanciaram…
ou simplesmente não souberam olhar pra mim.
E é isso que dói:
só valorizam quando acham que perderam.
Só enxergam quando acreditam que acabou.
Só sentem quando a gente já não tem força pra sentir nada.
Eu sigo viva, mesmo sem saber como.
Sigo tentando existir num corpo cansado, numa mente pesada, numa alma que luta todos os dias contra o invisível.
Sigo aqui, mesmo sem saber se alguém realmente vê.
Porque a verdade é essa:
não é que eu queira morrer.
É que, às vezes, dói demais viver invisível.
