Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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⁠Evidentemente
no mesmo
destino,
partilhando
da exata
agonia de mais
um dia,
por não saber
mais notícia,
escrevo para dizer
o quê sinto,
porque quem disse
o quê pensa
está preso,
não nasci para
me calar,
e nem para ser
escrava do medo.

⁠Quando um
líder de forma
gradativa te
acostuma com
a violência é
sinal que
argumentar
não faz parte
da estratégia,

Porque ele só
quer mesmo é
que você não
ouse, não crie,
não produza
e somente
o obedeça;
Quando você
se der conta
da retirada
de direitos
e aumentos,
de ti ele não
terá sequer
uma porção
de clemência.

A via da ironia
do discurso
mesmo por
intermédio dos
mais cínicos
demonstra isso
que estou
relatando,
porque a
agressividade
maquiada
de bondade
é demonstrada
como diz o
ditado: 'gato
escondido
com o rabo
de fora';

e a vida
sempre nos
dá uma
chance de evitar
e se afastar
de gente assim
mesmo que
seja na
última hora.
Mesmo pela
via do humor
a agressão
como saída:

Com certeza
é uma maneira
de demonstrar
que ele não
anseia trabalhar
pelo melhor na
sua vida,
E te induz
à violência
como alternativa
para que você
não encontre
a luz no final
do túnel para
que ganhe força
para conquistar a
sonhada autonomia.

⁠Não tenho
o menor
interesse
em desestabilizar
a tua Nação,
a minha luta
que não é luta
segue a via
do convencimento
para pedir
a libertação,
porque quem
em nome
da amizade
conclama
pela reconciliação,
também estará
ao teu lado
em dias
de inverno
ou em dias
de verão,
pois dessa história
o verdadeiro
prisioneiro é
aquele que não
entende o quê é
viver o amor
de amizade
e o valor do perdão.

⁠Para se tornar
um preso
de consciência
não é preciso
de muito,
e não é preciso
ter feito nada,
não é preciso
nem ter
ter vestido
ou não alguma
vez na vida farda,
Aliás, a roupa
não faz a menor
diferença;
Para se tornar
um preso
de consciência
só é preciso
de duas coisas:
decência
e dizer aquilo
que o mundo
precisa ou tudo
o quê você pensa.

⁠E sem licenciar
mesmo ciente
que a agonia
não tem
como soprar,
Porque não há
uma clara
direção,
Permito
perder-me
na mística
da rima,
Para não diluir
a delicadeza
neste
Dia de Paixão,
Se você nasceu
filho do silêncio,
Fique sabendo
que eu não!

⁠Enquanto não houver
nenhuma notícia
ou alguma direção,
Oferecerei o melhor
de mim que é são
e nos salva
de quem não tem
nenhum coração,
Não adianta mentir,
e tampouco inventar
os meus poemas falam
por quem vocês
souberam prender
e do mundo inteiro calar.

⁠Deixou por herança
a sua Ressurreição,
Doce lição
que ecoa
por todos
os séculos,
Eis a inefável
chance
para florir
desertos:
União ao redor
do perdão,
Entusiasmo
pela reconciliação
e dedicação pela Nação,
Por isso nada
te afaste
da fé e esperança
que te impeçam
de crer no amor
que sempre
por ti há de vencer.

⁠Passagem do Inverno
para a Primavera,
É o quê deveríamos
nos permitir sempre
que a vida nos exigir,
Ser a festa total
dos pastores
nômades
que se celebra,
Afastando sempre
que necessário
a escuridão,
Cumprindo sem cessar
a mensagem
da Ressurreição,
Abrindo a porta da prisão
para quem tem consciência
Ao eleito caminho voltar,
Não é segredo para ninguém
que o Cordeiro perfeito
Por mistério foi entregue,
para que os pequenos
ninguém mais os maltrate
ou os sobrecarregue.

⁠O voto secreto nasceu
para te poupar
dos repressores que
anseiam te capturar.

Se por acaso você
se sinta perseguido
por quem não suporta
a sua livre consciência,
não se esqueça de guardar
bem esse poema que
no futuro pode te ajudar.

Sempre haverá uma
luz no final do túnel
que pode ser em forma
de asilo ou de refúgio,
é só saber se explicar.

⁠Dizem que as urnas
não funcionaram
no primeiro turno,
uns até as filmaram,
eu não sei o quê irá
daqui para frente
conosco acontecer.
O povo mesmo que
não cedeu a sedução
passou por um
caminho apertado,
e os que caíram
na tentação do papo
estão arrependidos.
É triste ver que
tem gente que
não se permite
fazer o caminho
de volta porque
reduziu a sua
crença na vida
em viver da
aprovação alheia
só por achar que
pode fazer uma
plateia para
sempre satisfeita.
Você que gosta de
zombar com os
nervos alheios só
para aparentar
fazer parte de um
plano que nunca
te pertenceu,
é bom que saiba
que a vida cobra,
e que tens a total
a responsabilidade
de responder pela
democracia que
ajudou a esconder.
Quando o segundo
turno passar não
adianta querer
fingir que a mim
não provocou
e que a honra
de ninguém atingiu,
porque o quê
deveria ser falado
por causa da
sua baderna
foi impedido de
ser esclarecido,
e levará o país a
um destino maldito.

⁠Todos os dias venho
revisitando os meus
poemas como quem
recorre à inspiração
como o general com
o terço na mão em
oração e de joelhos
dobrados no chão,
assim sou eu firme
contra a repressão.
Posso não falar da
maneira adequada,
pois diante daquilo
que venho sabendo
não há como ficar
ausente e calada,
sobrou até para
o Thor e a Arpa.
Faço questão de
não agradar o rei,
vivo indomável
contra ao que
é devastador,
falo o que deve
ser sempre dito;
soube de notícias
que suicidaram
o vereador,
jamais farei loas
ao que é opressor.

⁠Testemunha daquilo
que eu não vi
ao mundo tenho que
fazer esse relato:
ecoou o som do
berimbau quebrado,
no chão o Moa
foi estirado por
causa das doze
facadas de um
sujeito autoritário.
Avança a violência
política programada,
só não vê a verdade
aquele que não quer:
avança o plano da
instalação de um
regime de exceção,
engulo a seco o meu
receio por ser mulher.
Implacável é a dor
pátria que sinto no
meu peito que ecoa
a indignação contra
os repressores dos
dois lados que com
ambas as retóricas
tornaram o diálogo
quase impossível
impedindo que o
povo unido encontre
o melhor caminho.

Onde falta
a tolerância
é por onde
a poesia
deve caminhar,
Para despertar
a esperança
quando o teu
o coração
se cansar;
Que preces
por ti
não faltem,
Para que
contigo intacta
permaneça
a sabedoria,
Os meus versos
são canetas
bicos de pena
que escrevem
mil pedidos
de justiça
porque de ti
todos nós
queremos notícia.

⁠Existe
tipificação
para prisão
sem qualquer
satisfação,
Para o quê
é certo há rima
que não se deixa
capturar,
Quem está
calado,
saiba que
não vou
parar de falar;
Porque são
quatro semanas,
muitos versos
e muitas horas
sem sentido
fazendo fronteira
e mexendo comigo,
E por causa disso
não me permito
neste assunto
não mais tocar.

⁠São bem mais que
quatro semanas,
Neste dia que
antecede o Santo
Milagre do Sol,
Falta pouco
para relembrar
o dia e as horas
da injusta prisão
do General,
Não são sete horas,
farão sete meses;
O coração não
está sereno,
o meu Universo
em Abya Yala
a injustiça não cala
por ser de caridade
e herança ancestral.

Colocar a história
no seu devido lugar,
e não abandonar
a memória de quem
jurou a vida pelo povo
para sempre entregar,
é essa a herança
continental na veia
que faz grande
o orgulho que carrego.

A Defesa incansável
vem invocando
o respeito ao Estado
que é de Direito,
a memória sobre leis
especiais e tratados
internacionais,
e a saúde do General
vem se deteriorando
a cada dia mais,
pois o Governo finge
que não escuta mais.

⁠Quando se é da
terra nesse mundo
o julgamento sempre
acaba sendo mais
pesado para deixar
a cada dia mais o
povo amendrontado,
e nunca o direito
receber crédito
e ser reclamado.

Sempre quis saber
de Milagro por
ser ciente de que
quando ocorre
perseguição política
o mal humano não
elege nenhum lado;
nunca me esqueci
que até assinei um
abaixo-assinado.

Passaram mais de
mil dias e até agora
nenhuma convincente
resposta de liberdade
chegando no caminho,
todo preso político
tem o meu amor
materno como se
fosse meu filho;
porque a vontade
de mudar o mundo
corre direto nas
nossas veias
como cachoeiras
nos meus poemas.

⁠Desde o dia
13 de março
sem nenhum
contato,
Correram
três semanas
e amanhecerá
mais um dia
sem nenhuma
notícia,
Não vou buscar
conformação
porque enquanto
houver
necessidade
serei poesia
até por
precipitação;
Porque se você
nasceu
para ficar
calado,
Tenha a total
certeza,
que não é para
permanecer
ao meu lado.

⁠Brunópolis


Nomeada em honra
ao teu orientador espiritual
Padre Bruno Paris,
nasceste com forte
condão norte e celestial.

Fortuna poética do Planalto
Sul de Santa Catarina,
A tua História foi escrita
com ternura, bravura
e entusiasmo da tua gente.

Marombas, Palmares,
picada aberta e lavoura
com muito amor erguida
no profundo do Estado
erguido pela imigração.

Nos teus sabores postos
na mesa que percebe-se
a sutileza do teu coração,
a tua terra é pura paixão
e tem inigualável sedução.

Na Cachoeira do Marombas
das horas sempre perco
as contas e ganho sossego,
e tenho a nossa História
escrita com romance e apego.

Na Cachoeira do Butiazinho
sem encontro o meu
doce e dileto refugiozinho
nesta cidade que acolhe
a todos com muito carinho.

Braço do Trombudo

⁠Trilhas abertas por pioneiros,
refúgio das antas e mistérios
das matas que deste jeito
começou a florescer cidade.

Minha Braço do Trombudo,
o teu nome faz menção
à elas e ao leito do rio,
tu és alegre e meu destino.

Onde na Capela rezo
e no Morro Santo Antônio
revivi cada passo dado,
tu és o endereço deste coração
por ti eternamente apaixonado.

Na Cachoeira do Saraca
me vejo para sempre
poesia de amor eternizada.

Na Cachoeira das águas sulfurosas
me vejo eternamente escrevendo
as tuas histórias maravilhosas,
e nela me vejo de enleios vivendo.

Na Cachoeira do Ribeirão Vitória
me vejo canção e história
desta tua essência é gloriosa.

Louvo esta gente virtuosa
que nunca deixou de por ti lutar,
e sem olhar pro calendário
é por ti com toda a alma,
coração e dedicação sem par.

⁠NÃO
se trata
de uma
ausência
de sete
de segundos,
sete minutos,
sete horas,
sete dias,
de três
ou quatro
semanas,
e SIM
de uma
PRISÃO
POLÍTICA
que completa
SETE MESES
sem saúde,
sem provas,
e sem nenhuma
COERÊNCIA,
repletamente
COVARDE,
coisa de gente
sem nenhuma
HUMANIDADE.