Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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⁠A consciência tem dado
Voltas em círculos,
Porque levantar
Não tem conseguido,
Há um povo coagido,
A Justiça em exílio,
Quem pensa tem sido
Preso ou perseguido.

A Ditadura ganhou
Um jogo por ela perdido
Feito de falsa promessa;
As flores do calabouço
Devem ter desaparecido,
Nem os generais mais
Antigos escaparam
Do brutal autoritarismo.

A firmeza das ruas vazias
Tem feito a sua cabeça
Com a melodia, eco e refrão,
O mundo vê a agonia
Da Estrella pedindo justiça
Em nome do amor no coração.

⁠Para entender
O porquê dos poemas
E o quê se passa
É bem mais fácil
Do que tu pensas!

Decidi não dar
Nome a tirania,
Porque o início
Do isolamento
Se dá pela poesia.
Sirvo para virar
A página da história,
Gritar com o povo
Dar louros à vitória
E ao hostil desgastar.

Honrando a tropa
De leais todos os dias,
Não deixarei perder
A força dos sonhos,
Dou eco ao coro
Dos santos anjos.

⁠Por causa da dificuldade
com a língua estrangeira
para me expressar
levo uma noite inteira.

O Império honrou
bem o seu papel
com o filho missionário,
achei mais do que justo
e super necessário.

Por algumas horas
me calei porque
se não for para falar
com a palavra que gruda
no peito e faz pensar,
sempre prefiro
ficar em silêncio.

A acusação do
tirano ao General leal,
o encobrimento da prisão
e o silêncio imperial
falam explicitamente
não só dele,
mas de todos como ele
que foram presos sob
a mesma alegação
e permanecem
presos INJUSTAMENTE.

⁠Não há mais como
ocultar a preocupação,
Pois há um mal acordo
a caminho da segunda
Pátria que atrairá o Deus
da Guerra para dançar
Sobre o continente.

O Arcanjo se encontra
amarrado e com ele
uma legião de Anjos,
O tirano não entende
que precisamos deles
Em liberdade para nos
proteger de todo o Mal,
E que a reconciliação
tem tudo de celestial.

Eis a letra torturada
que escorre das mãos
Do cirurgião que foram
cruelmente quebradas,
Eis a oração de joelhos
da esposa do missionário,
Assim segue o poemário.

⁠A estrada da espera
tem sido dura e longa,
E só tem aumentado
a repressão a tropa,
Não dá para saber
o final da história.
Só sei que não se
deve parar de falar,
Não deixar ninguém
nos intimidar erguendo
A cabeça para a bandeira
do amor juntos hastear.
A promessa não foi
ainda cumprida,
Não sei o quê está
acontecendo,
A fórceps a Justiça
foi retirada,
E está em exílio,
Para ver a liberdade
raiar, eu não desisto!

⁠Quando se abdica
Da própria vida
Em prol da Pátria,
As cobranças são
Bem mais duras
Do que o costume,
Me dou com toda
A mística a minha
Voz aos leais,
Porque soldados
Para os tiranos
Não são humanos,
E só servem
Para serviçais.

A voz da tropa
Elevada contra
A tirania sempre
É mais perseguida
Do que as demais,
Porque quem se
Dá ao povo de peito
Aberto sempre acaba
Sofrendo bem mais.

⁠Porque eu quero fazer
O caminho de volta,
A começar por aquilo
Que me inspiro, penso e falo,
Desejando transformar
Somente em todo o carinho.
Não há autoritarismo
Que siga para frente,
Sempre que a vontade
De vencer e a esperança
Forem sem demora reunidos,
A fé na vida faz o paraíso.
Quem ofende a liberdade
Sempre merece o meu riso,
E quando a mim resiste
Desestruturo com os meus
Versos até fazer passar
O conflito e a tempestade.

Pensar jamais será ofensa,
Sentir e se expressar
Constroem Nações inteiras,
Não paro de por ti exigir,
Porque se livre te farei,
Assim livre eu permanecerei.

⁠Como as rodas
de um caminhão,
Gira o sonetário
pelo mundo todo,
Pelo seu povo
ele pede socorro;
Ele caminhoneiro,
petroleiro
E leal guerreiro,
também é Mãe
da Nicarágua
Que reclama
pelo bom filho.
Mãe oceano de amor,
de coragem e poesia,
Fazendo frente contra
aquilo que não serve:
Rejeita o autoritarismo.
Vai além e enfrenta,
materializando bem
Mais que a ousadia
celebrada pelos poemas
Que enervam os tiranos
Só para provar
Que o amor é eterno,
e que os poetas estão vivos.

As letras nos pertencem, nós poetas conseguimos com talento relatar
a conjunturade mais
de um país num único poema.

⁠O despertar de ontem
estava entusiasmado,
bem crente que a tua
vez tinha chegado.
Disseram ao mundo
que a liberdade chegaria,
testemunhamos ela
vindo de asa partida.
A verdade é que está
faltando você e a outros
que se encontram presos
pelo fio da tirania.
Em todos nós permanece
aquela sensação de quando
éramos crianças olhando
para a vitrine de doces
do balcão da padaria.
Ainda não te soltaram,
e mesmo que nos custe
noites mal dormidas,
não há nada que nos cale
Diante da tamanha covardia.

⁠Como a flor aguarda ser
Regada pelo dono da casa,
Vesti-me de esperança;
Para me abastecer
De notícias de liberdade
Como tem que ser.
Era para ser
a sua vez
E a dos demais,
De novo roubaram
A minha santa paz.
Após as oitenta e uma
Voltas complexas,
Não há como calar
Que existem cativos
Da pior loucura,
Pois há uma Ditadura.

⁠O pensamento acena
Para o nosso caminho,
As palavras se tornam
O concreto destino.

A escolha nossa deve ser
Pela poesia do encontro
Em nome da reconciliação,
Ao prisioneiro mais antigo
A esperada libertação.

O sonho de liberdade
Não pode ser pela metade,
Da mesma forma que não
Se divide o bem amado,
No verso mirandino gritado
Pelo herói é a esperança
De um futuro resgatado.

Porque escrevo não para brigar,
mas para abrir os olhos...

⁠Que me custe
asua simpatia,
E mesmo que
eu fale muito,
Ainda não será
o suficiente,
Pois falo não
para agradar,
Mas para colocar
os fatos no
Seu devido lugar.
Abro o paraquedas,
salvo o verbo para
Que salvem as letras,
em missão de dar um
Fim na tirania e dar
asas à liberdade
Do lado dos profetas.
Que me custe
aantipatia alheia,
Não me importo,
sou ouro e crisol,
Sei lidar com
aalucinação insana
Que não reconhece
que a política
Também faz os seus
militares presos,
E supõe quea
libertação deles
Não nos adianta,
e que não resolverá
O problema do país,
a arrogância jamais
Irá me impressionar,
pode virar a cara
E levantar o nariz!
Abro o suficiente
a verdade,
E sei que adianta,
porque nada se faz
Quando não se tem
Mais a liberdade.

⁠Não há beleza hipócrita que
caiba em falsos perdões,
Da mesma forma que não
Se aceita ver a alma
amada nos braços de outro,
É bem dessa forma que
se encontra a liberdade
Nas mãos de quem nada vale,
não calo, não deixo calar
E não sossego nenhum pouco.

Seguem presos pelo menos
dois cirurgiões e nessa altura
Pode haver até bem mais
até sob tortura e eu nem sei,
Só sei que não vou parar
de falar enquanto não
Restabelecerem a paz,
que só a liberdade pode trazer.

Nesse instante atravesso
sem notícia e isso é
Como ficar sem saber
o quê fazer e sem a luz solar;
Estou presa inocente,
sem provas e sem julgamentos,
Porque não vejo a hora
Dessa história acabar.

⁠Eu estou aos gritos,
E dando mais de mil
Voltas em círculos,
Porque é impossível
Aceitar uma prisão
Que começou do nada,
E não houve comunicação.

Não há como aceitar
Prisão sem provas
E sem julgamento,
Porque não deixa de ser
Uma tortura em silêncio.
Assim em alta tensão
Soube da notícia
Que recebeste a visita
Da sua família
Como o céu azul recebe
O calor do sol,
E isso é de direito,
E não uma concessão.
Dizem que você está
Sendo bem tratado,
Mas ainda não
É justo e jamais
Será o suficiente,
Porque todos sabem
Que és inocente.

⁠Diante da estupidez
Apresentada o quê são
Certos fatos da vida
Sabendo que a liberdade
Está nas mãos de quem
Obviamente não vale nada?

Perto de ver a amada
Nos braços de outro,
Da mesma forma
O amado passando bem
Na nossa cara com outra,
É a liberdade tutelada
Que não tem comparação
Nas mãos de gente
Obcecada que de graça
Mente acusando quem
Não merece ser acusado
De ter traído a Pátria.

Sem constrangimento
E sem dificuldades
Sempre assumi:
Não pertenço a cena,
A história e ao país,
Mas a liberdade a poesia
E o clamar por quem
De liberdade precisa
Com certeza me pertencem.

Camboriú Originária


⁠De volta ao passado
quando teus carijós
não tinham sido
escravizados mergulhei
na camba do Rio Camboriú

(e me deixei levar
pelas correntezas
até desembocar no mar
emBalneário Camboriú);

No teu Rio Peroba
a inspiração de sobra
é distribuída sem conta
e sem hora marcada.

A Mata Atlântica
leva a alma romântica
a aspirar à viver tudo
o quê não vivemos
e a ver o nosso mundo.

(No teu Rio Pequeno
saúdo as heranças
do nosso tempo
e as nossas esperanças).

Camboriú Originária,
minha terra adorada,
para sempre e sempre,
por mim eternamente
será adorada e louvada

No Rio do Braço lembro
do beijo que foi roubado,
e deixou o coração
ainda mais apaixonado.

O calendário ao teu
lado sempre fez
a minha vida ficar
diferente e querer
não olhar para fora.

No Rio dos Macacos
escrevo por destino
o quê irá nos levar
ao auge desta vida:
só ali para inspirar.

No Rio Canoas bem
na camba nunca
me esqueci que foi
por ti que cheguei aqui.

No Rio do Meio, filho
do Rio Itajaí-Açú,
por toda generosidade
honro os nossos ancestrais
que lutaram por liberdade.

⁠Rodeio Caminhante

Em Rodeio caminhante
a pé, de mochila nas costas
ou mesmo de bicicleta,
Mesmo sem escrever
você acabará virando poeta.

A Região do Vale das Águas
de repente de ti fará parte,
Neste um dos caminhos
do Vale Europeu há muitas
histórias para contar,
Que você irá se encantar.

No Picol Paradis você
surpreenderá a si mesmo
bem, feliz e refeito,
E no Caminho dos Anjos
se apaixonará de vez por Rodeio.

Calmon Profunda

⁠Do broto a queda
da Araucária
dos nossos destinos,
Foste parte protagonista
da Guerra do Contestado
e da Saga da Ferrovia.

Na foz do Rio do Peixe
tu levas o curso
da vida ao Meio Oeste,
Calmon profunda,
a bênção do teu
padroeiro permanece.

Na Cachoeira da Esmeralda
tu me levas pela mão
para tocar o Sol,
a Lua e as estrelas
com os meu poemas.

Calmon profunda,
eu te devoto todo
o meu amor à tua
feita de amor para toda a vida.

⁠Quebraram a minha coluna
A câmera e o microfone,
Você não faz idéia,
Me jogaram no chão,
Arrancaram o gravador
E a minha filmadora,
Só para dar voz a censura.
Assim como poesia que se
Propôs, surgiu e virá,
Virei tanta gente que nem
Faço idéia de quem são
E quantos são e em qual
Prisão política eles estão.
Porque eu poderia seguir
Sendo o quê sempre fui,
Para o amor que virá,
Porém, optei redigir
Por amor a liberdade.

Segue a tropa prisioneira,
Eis alguns recortes
Da grave situação:
O tenente acamado,
O General desaparecido,
E mais de um militar
Falsamente de crime imputado.

Não preciso nem dizer quem
Deu beijo na bandeira,
Depois disso tudo,
Entendi que foi ofensa.

⁠A roda viva não para
De somar vítimas,
Ela vai condenando
De fome e os doentes,
Se alguém gritar
Ela segue girando,
Porque a preferência
Evidente é sempre
Capturar os inocentes.
Não há mais como
esconder o caráter
dos incoerentes.

Não há mais como
apagar a injustiça
dos impertinentes.

Não há mais
como retroceder,
Depois de tudo
o quê fizeram,
Só nos obrigam
seguir em frente.