Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
Cortina
de fumaça
feita para
se inocentar,
o vil interesse
do Império
que deseja
o petróleo
se apropriar.
Dezenas
de mortos,
centenas
de presos,
dezenas
de infantes
prisioneiros
políticos,
povo ferido.
O bom General
e a tropa
seguem nos
calabouços,
e não tenho
ouvido sequer
sobre eles
nenhum pio;
e só de pensar
na sobredose
de Cotiza
me causa
suor e arrepio.
Não estou
de acordo
com o confisco
dos ativos
do petróleo,
não é assim
que se joga
o jogo matando
mais ainda
o povo sofrido.
Que se é para
matar que seja
a sede e a fome,
e não o povo
que até o girar
dos ponteiros
o consome;
porque esse
Deus da Guerra
não pertence
à Venezuela.
Sou poeta,
coração em
pleno agito,
quero que
me deem
conta do
General
e de cada
preso político.
Que se é para
libertar que
seja aqueles
que não
têm sangue
nas mãos,
que não
foram julgados,
e aqueles que
se encontram
há muito tempo
nos calabouços
da vida encerrados.
Ao dar conta
do General
e de cada
preso político,
haverá de se
entender que
manter ele
e alguns já é
desproporcional.
Não faz
sentido nessas
prisões insistir
porque não
levará cada
um a lugar
nenhum,
e quando se
tem consciência
disso é melhor
não prosseguir.
Cada um com
o seu fardo,
porque quem
não tem sangue
nas mãos merece
ser poupado,
da mesma forma
quem não foi
sequer julgado;
e até que se
encontra há
muito tempo
aprisionado
merece ser
libertado,
pois com
boa vontade
dá para fazer
isso sem
nenhum embaralho.
Poema primogênito,
eco gutural ao vento,
da guitarra o lamento
de todo o mês feito
de memória e de mar.
Da memória nunca
vai apagar porque
não faz pacto
de rendição:
a vida ensinou
do que é justo não
se deve abrir mão.
A Bolívia e o Chile
continuam sem
o mar e com a tal
lei longueira que
não permite o povo
na vida se emancipar,
a história ainda não
voltou ao seu lugar.
Quando se
comportam
como um
esquadrão
intimidando
a opinião de
uma Nação
se corre o
risco de
censura
e de se
abandonar
um povo
inteiro a
sorte do
mercado,
e nos braços
do destino.
Falo o quê
deve ser
falado,
por mais
que seja
doloroso,
o quê dói
sempre deve
ser dito.
O mercado
dá o preço
dele e não
o seu preço,
e tudo pode
sair muito
mais caro
do que
se pensa.
O mercado
emprega
o povo,
mas o povo
deve preceder
o mercado,
porque sem
povo não
há mercado.
A vida deveria ser em primeiro lugar...
Distante
dos llanos
escuto
a harpa
tocando
e a voz
da cantora
popular,
Testemunho
o orgulho
de homens
fazendo
os naufragar.
Dos olhos
exaustos
do General
que nunca
se rendeu
e tudo
suportou,
Sou o real
lamento
ante a
ineptitude
de quem
não entendeu
o verdadeiro
espírito
do movimento
quatro
de fevereiro.
Não dá
para negar
que sem
povo
socorrido
e sem tropa
libertada,
O dia
de hoje
não existe;
Não dá
para negar
que irão
a última
gota
do ouro
negro
esgotar,
No fundo
nós sabemos
que se assim
continuar não
haverá nem
mais o quê
para sonhar.
Desabafo para tentar
acreditar que o mundo
terá alguma salvação,
muito além do perdão
que nos dá libertação,
é preciso ser redenção.
Porque está muito
difícil de se esperançar
diante de tudo o quê
ando testemunhando,
não gosto de viver
sempre me queixando.
Talvez estamos ainda
vivos para nos resgatar
da ironia e da indiferença
que está nos afastando,
e nos matando todos
os dias por dentro.
Corro contra o tempo
para tentar encontrar
a humanidade além
de mim porque quero
crer que a vida tem
a perfeita solução.
No momento sou
o eco da voz
da venezuelana,
mesmo sendo
verso e memória,
não tão distante
quanto aparento,
mas próxima
o suficiente
para implorar
que corrijam
essa História.
Por mais que tentem
ocultar a imagem,
calar a voz
e lançar no limbo
do esquecimento,
ele está no coração
do povo e nem
o tempo tem
a condição
de apagar
que o General
pertence
ao Movimento.
Porque eu sou
aquela que na
lembrança dança
com o Comandante,
e o calendário só
reconhece o dia
quatro de fevereiro.
Versejar feito
de lama,
água, fogo
e luto,
tentando
entender
porque
nessa vida
ninguém
se previne.
Centenas
de almas
sacrificadas,
para lágrimas
ainda não
inventaram
barragens
de contenção.
Só sei que
dez estrelas
escapuliram
de várias
mãos;
dobraram
os sinos,
caiu a noite
e já não sei
mais o quê
escrever,
só sei que
o meu peito
não para de doer.
Não há como
não lembrar,
daqui a pouco
faz um ano,
e não vejo
a glória
da justiça
fazer a tua
liberdade raiar.
Não há como
não lamentar,
a tua inocência
é conhecida
sem receber
alguma mão
estendida,
para fazer
a sua história
esclarecida.
Não há como,
não negar,
que no alto
deste onze
meses
de prisão
injusta
que há
mais uma
fenda
continental
na moral
de quem
da verdade
se autoexila.
Para a indignação
de insistirem
na tua prisão
meu caro General,
não há métrica
e nem rima.
Verei teu sorriso doce
como caldo de cana,
Os ventos do Oeste
me levarão para este
coração que me ama.
Serei a tua prenda
amada rodopiando
no Passo dos Tropeiros,
Bom Jesus, meu querido,
adoro o teu povo amigo!
Irei em dia de feijoada
encontrar contigo
e com os nossos amigos,
Temos orgulho da História
feita da glória do campo
que ergueu a cidade que amo.
Bom Jesus, minha cidade fiel,
foste rota de muitos fiéis
que rezavam e sonhavam
o melhor para o Brasil,
Hoje continua a luta na vida
e faz festa ao Padroeiro gentil.
Herdeiros do Contestado
não negamos o passado,
Por isso somos unidos
num só coração apaixonado,
E sob a bênção mística
do Monge João Maria.
Bom Jesus da minha alegria,
por você sempre cruzarei
mares, céus e estradas
em busca desta cidade
generosa cheia de energia.
Não se
prende um
inocente
e leal
soldado
da Pátria,
não se
maltrata
o físico
de quem
em missão
a vida toda
ao povo
entregou,
e à ele nunca
se recusou.
É a epopéia
e indignação
de quem
sabe de
quem se
trata,
e tem
aleveza
que pela
liberdade
de quem
merece
não cruzou
os braços,
e a boca
jamais calou.
Não é
a primeira,
e nem será
a última
vez que
declaro
que da
trincheira
sou o último
soldado
mesmo que
ninguém
em mim
acredite,
sou a tal
poesia que
ultrapassa
a fronteira
mesmo
que se
encontre
fechada
para tocar
o coração
e pedir por
Humanidade.
Os meus versos
joguei ao vento
para ao menos
tentar se ganham
alguma direção.
Eles podem vir
a ser alimento
do seu coração,
da sua alma
e canção
de libertação.
Além de toda
a poesia da dor
de cada um,
quero vir a ser
a tão esperada
anunciação.
Ao rever o rumo
que me dói só
de constatar que
transformaram
os olhos brilhantes
do General
em exaustão,
e ao sentir
pela tropa,
Não nego que
me encontro
em constante
inconformação.
A verdade triunfará
mesmo que dependa
que não olhemos
mais para trás;
ela é indomável
por mais que a
tornem represada.
O sangue do povo
originário derramado
não há como apagar,
A exaustão da tropa
e a desconsideração
com a fragilidade civil
não há como ignorar.
Ciente disso não
necessito lançar
nenhuma maldição,
Pois o destino não
nega à ninguém
a compensação,
por isso prefiro
a reconciliação.
O cansaço dos olhos
do General injustiçado
já faz parte dos meus,
e não há como apagar,
mas ainda há tempo
de colocar a verdade
no lugar e o libertar.
Para entender
estes poéticos
relatos sobre
contemporâneos
e tristes fatos,
não basta ler
só nos jornais
é preciso saber
interpretá-los.
Há uma Nação
em desgaste,
e Forças que
não se entendem,
é necessário
uma reconciliação
mais do que urgente.
Na pessoa de um
inocente General
vou contando
a epopeia da Nação
da fronteira vizinha,
essa prisão contra
ele tem tudo o quê
a moral definha.
Quem sabe o quê
ocorre dentro
da vida militar
tem a ciência
que basta uma
vez discordar
para levar
a faixa de traidor,
foi o quê levou
à prisão este
General de nobre
coração e fiel andor.
O General
tem sido alvo
de rechaço
por parte de
gente que
por conivência
com o imoral
finge não
enxergar um
palmo diante
do nariz,
não faço parte
dessa história,
mas estou
cansada só
de ler essa
gente infeliz.
Não há como
frear os fatos:
o destino tem
como prêmio
a consequência
em proporção
a cada boa
ou má ação,
tudo depende
da sua vontade
de fazer um
caminho pleno
de construção.
Uns dizem
que o General
foi olvidado,
mas estes não
deixam de ter
razão porque
a única que
o esqueceu
foi a Justiça
insistindo nessa
prisão indevida,
e eu sigo em
prosa e poesia
tentando mostrar
que ninguém
está livre de ser
jogado nessa
igual desgraça.
O exagero poético
me licencia em
dizer que eu
sou os olhos,
a fisionomia
e o físico
exaustos
do General
que já deveria
ter sido pela
justiça libertado.
Não consigo cair
na conformação
daqueles que
dizem que poucos
são capazes de
sair dessa prisão.
Não pertenço
aos vis que
espalham fel,
tecem ardis
e desejam
transferir uma
responsabilidade
estatal para
a individual,
em detrimento
de um um passado
relativamente
distante que
insistem
os caluniadores
em dizer que
assim aconteceu,
o mais curioso
é que eles
nem rostos têm.
Porque bom senso
e espírito de justiça
não me faltam,
e não deixo faltar,
num mundo onde
as pessoas só pensam
em lucrar e se vingar.
Em letras claras
não posso deixar
de ao mundo falar
que o General não
está sendo punido
por atos do ofício
do passado,
mas porque não
deteve o ímpeto
de discordar
com o justo, humano
e necessário que
muitos por covardia
vivem a se calar
e outros vantagens
infaustas a buscar.
Por falta de
conhecimento
dizem que é
preciso colocar
o nome
do General
em lista,
e outros falam
que ele precisa
é de anistia.
Só precisa
entrar em
lista como
preso político
aquele que
não é tão
conhecido,
e se você não
entende isso,
não tenho nem
o quê falar
a não ser pedir
que coloque
a cabeça no seu
devido lugar.
Só precisa
de anistia
aquele que
algum crime
praticou,
e só não
entende isso
quem por
algum motivo
estranho não
quer ou finge
que aos fatos
atenção
não prestou.
O General
precisa é de
gente que
coloque a mão
na consciência
para defender
a verdade
para colocar
ele de volta
na senda
da liberdade,
pois ele é
inocente,
e o mundo
inteiro sabe.
Relembro com
o peso dos anos
e o abatimento
físico do General
preso injustamente:
no final da noite
do dia primeiro,
recebi a visitação
própria desse dia
que não me permite
não parar de falar
que o mar ainda não
foi devolvido ao seu
povo de direito,
e ele por mim
não foi nenhum
pouco olvidado.
A poética diurna
não fluiu porque
chegou a notícia
de uma grave
enfermidade
que ceifou a vida
do infante com
nome de rei,
e a agressividade
alheia me roubou
com competência
por algumas horas
a minha poesia.
Por falta de moral
por parte de uns
que suscitam
o abandono
da sobriedade
corremos o risco
de viver uma
noite de agonia
prolongada mesmo
em dias de sol,
esta é a iminência
que nos encontramos,
e se quisermos que
daqui para frente
tudo de fato
seja diferente:
mudamos ou
nos entregamos
ao obscuro do ocaso.
De longe vejo
verdades que
me obrigo a falar:
cada um tem
a sua forma
de pensar e agir,
Quando grita
aos olhos não há
como não represar,
Que cada um tem
o direito de uma
causa abraçar
ou dela desistir,
E que ninguém
tem direito de usar
disso ou do nome
alheio para agredir
ou o caminho
do outro prejudicar.
Ninguém te dá
o direito de usar
politicamente
a prisão do General
para prejudicá-lo:
Ele que está com
o físico fragilizado
atrás das grades
há quase um ano,
E assim sem
provas encerrado
segue vitimado
em dobro por
gente como
você que brinca
com o nome
dele achando
convictamente
que a verdade
ninguém a vê,
A ausência
de justiça que
tu desdenha
amanhã pode
chegar até você.
Os teus recalques
e as tuas risíveis 'baixas paixões',
Você não sabe
e nem se esforça
para digerir,
Ao menos pense
na sua Pátria que
tanto necessita
parar de sofrer,
e voltar a sorrir;
porque poema
que se espalhou
pelo mundo não
há como conter.
