Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
Talvez não sejam
os versos
mais bonitos,
Porque são
os versos
mais difíceis
da minha vida
já reconhecidos,
Porque estou
habituada
a escrever sobre
romantismo,
e não sobre
autoritarismo;
Enquanto com as
crueldades não
pararem,
notícias tuas
não chegarem
e a ti não libertarem,
Todos conviverão
com estes versos
por todos os lugares.
Uma vergonha
Que na vida
Não passarei:
É a de prestar
Continência
À bandeira
Do Império
Porque nasci
Descalça,
Brasileira
E ao poder
Não me
Agarrarei,
Na minha
Áurea tenho
O hemisfério.
Não repito
Lema do
Passado,
Não aplaudo
Quem entoa
Tão pesado
Fardo exaurido:
'Brasil ame-o
ou deixei-o',
Na minha
Alma tenho
O indígeno
E o mistério.
No meu peito
Está escrito
Com o brilho
Das estrelas
Do céu da Pátria,
Com o verde
Das matas,
Com o amarelo
Das nossas
Riquezas,
E com o
Amazônico
Azul do mar
Que com toda
A mística
Consigno:
Brasil ame-o
ou ame-o.
Na verdade você não
pode nenhum pouco
de mim se queixar,
Só porque sou a tal
letra poética
e alma teimosa.
Eu me sinto
a comandante
do quartel
mesmo ciente
que nem isso sou.
Vamos fazer um
acordo de paz?
Me devolva a tropa
e os generais,
que eu te devolvo
poemas em dobro,
e juro que de ti
não reclamo mais,
porque você é
assunto do seu povo.
Quem deseja
o livramento,
Não discute,
não guerreia,
Canta doce
a melodia
pela libertação,
Sigo em poesia
e na oração,
Para livrar-te
da injusta prisão.
Os meus versos
são livres
Nas estrofes
atormentadas,
De ti e dos outros
as notícias estão
silenciadas.
E mesmo se eu
quisesse calar:
Não posso
me silenciar!
São 41 dias
e mil agonias
Ninguém
sabe o quê
de ti fizeram
E aonde
você foi parar.
Em todas
as estações
hei de te
amar por
cada canto,
E espalharei
o meu pranto:
Suramérica
minha terra
de sanções
e mil traições.
Destino incerto
para Milagro,
Jorge, Miguel
e tantos,
não contamos
mais Modesto,
Só de lembrar
me desespero,
De ver o mundo
de concreto,
Nada irá apagar.
Com lágrimas
por causa do
mar boliviano
que foi subtraído,
Nem para o mar
brasileiro não há
mais redenção,
Querem a tal
dessalinização,
Triste está o
meu coração.
Na minha Pátria
o desespero
mesmo vem
sob o efeito
cascata por
parte de quem
ignora o povo,
a crise fiscal
e atropela por
leviandade
acordos firmados.
O silêncio é
uma pena
capital
aos poetas,
Pergunte
aos xamãs
A quem
pertence
A magia
das letras.
Calar a quem
quer que seja,
Nos incomoda,
e muito!
Das correntezas
nós somos
O barulho,
Não vamos
parar de falar,
Até a liberdade
voltar a seu
Devido lugar.
O silêncio além
de tudo é
Uma provocação
que nos endoida
Tal qual
se tira o diabo
Para dançar:
Você não vai
mais comer,
E nem dormir
Até nos escutar!
Não há nada que obriga
estes quatro versos
a rimar nessa instância
que tem doído no peito.
O silêncio só faz crescer
a indignação monumental,
a vizinhança já conhece
a ignorância constitucional.
Por nada nesse mundo
jamais irei parar de falar,
o sol há de voltar a brilhar
e trazer a justiça para o lugar.
A dança dos astros
está em movimento pleno,
A Terra tem o seu eixo,
o destino fará o alinhamento.
Tema
de canção
assim és
a minha 'donzelinha
raptada',
minha
terra
amada.
Onde
não
se sabe
com
clareza
aonde
foi parar
o Coronel,
não compare
ao céu!
Terra
de Abya Yala
cheia
de sanções,
traições,
perseguições
e de mil conspirações.
Onde o General foi
preso sem motivo
não é um paraíso,
está adiado o juízo!
Tenho receio do
Brasil do futuro
que acha que usar
veneno é mais seguro.
Abertas estão as
Asas do condor
Sobre o continente,
Carta de pedido
De perdão da Mãe
Pela libertação
Do rebelde filho.
De pé pelo povo
Mesmo após
O susto ocorrido,
Ele não deixa
Quem quer que
Seja fazê-lo rendido,
Da Pachamama
Ele é o protegido.
Abya Yala, terra
Que não se abala,
O Império não nos
Curva e não cala;
Eis a poesia que
Não é a cura
Que você busca,
Cheia de si ela
É amor em via
De retribuição,
E total integração.
Treze Tílias
Ocupada pela
triste tempestade
do Contestado,
a bravura e a luta
são o teu legado.
Caingangue foste
e sempre tu será,
a tua memória
para sempre viverá.
Visionária feita
do poema épico
escrito pela pluma
inspirada do poeta
e cheia de belezas.
Terra de imigrantes
no Oeste Catarinense,
repleta de detalhes
da luta da tua gente.
Estou contando
os dias e a hora
sem parar para
no Tirolerfest
a gente se encontrar.
Bombinhas Soberana
Soberana de praias
tão magníficas,
Coberta de raro
manto restinga,
Suave mística
a me aconchegar,
Vou por onde
em ti o vento levar.
Amo a tua gente
corajosa do mar,
na ginga das ondas
encontro o rimar,
Caí como peixe
você quando me
capturou na tua rede.
Bombinhas preciosa,
Tu és mais linda
do que imagina,
Bombinhas amorosa
é poesia e o amor
para toda a minha vida.
Os meus poemas perturbam
de maneira original:
as cenas passam,
os poemas ficam,
por terem entrada direta,
e sem pedir licença
à mente e ao coração
de quem quer que seja.
A manifestação é o verbo
da exaustão pertencente
a população que não
deixa de ter a sua poesia,
os poemas registram
no tempo o mau líder,
e toda a sua covardia.
O poema como indignação
sempre será consultado,
por ser ação imperecível,
há mais de um que se
encontra na prisão recolhido,
sem contato com o mundo,
sem direito a defesa,
e talvez sendo torturado.
Assim, sigo escrevendo
mesmo sem ser presença
física, mas assumindo
ser permanente
para deixar o absurdo
a cada dia mais espalhado.
Eu quero saber se você
está inteiro e vivo!
Pensar diferente é um Direito Humano. Condenar ou constranger quem pensa diferente é um prelúdio para a escalada de violações de Direitos Humanos.
Isso é
péssimo,
um verdadeiro
tormento,
prisão
sem notícias
ou qualquer tipo
de satisfação
a meu ver não
passa de sequestro,
um real e sinistro
desaparecimento.
Mudar ou manter as suas ideias são direitos teus. A reconciliação é a única fórmula de reconhecimento. Ela é a retomada, o acerto do passo no caminho certo e a busca por aquilo que dizem que não, mas o coração diz que terá sucesso. Pois quem diz o contrário é porque tem compromisso com o passado.
E sem esforço começo
A saber que mudar
De opinião é um total
E íntegro direito teu,
Entender é dever meu.
A reconciliação é
A única fórmula
De reconhecimento,
Ela é a retomada,
O acerto do passo
No caminho certo
E a busca por aquilo
que dizem que não é.
Em silêncio o coração
Diz que terá sucesso,
Pois quem diz o
Contrário é porque
Tem compromisso
Com o passado.
Bom Retiro Poético
É no caminho aberto
pelo aguerrido Alferes
é ali que te quero
como tu me queres.
Nos campos do Bom
Retiro que foram
descobertos nasceu
uma cidade infinita,
Que amo apaixonada
esta tua gente bonita.
No Campo dos Padres
o teu brilho vejo ali
do alto e bem aqui
você está presente.
No Morro da Boa Vista
você é amado por mim
do início ao fim,
ali tu vieste querubim.
Nas belas cachoeiras
e cascatas pude
prever que tu vens
de um jeito matreiro,
Você sabe bem
que te amo inteiro.
No Morro da Cruz
onde o Sol, a Lua
e a tua fascinante luz
brindam a vida,
te amo infinitamente.
No Morro do Trombudo
meu amor profundo,
és raro tesouro poético
desta Serra Catarinense,
que por cada instante
e rincão só tu me rende
Quem sabe
o caminho
das pedras,
não cede
ao peso
das intrigas.
Não se cala,
sai em busca
Não entrega
a alma muda.
Quem sabe
a hora e o
quê falar,
é que deve
bem nessa
roda entrar.
Não dá jamais
motivo algum
ao diver(gente)
manter-se fervente.
Ainda mais se
ele tiver nas mãos
as vidas de pessoas
como a gente.
Porque precisamos
palavras de maciez
e de esperança,
para no futuro
não perdermosa confiança.
Tem a poesia própria
A exaustão do povo
Buscando uma solução.
Sem resposta insisto,
Continuo escrevendo
Para saber de você.
Tem a poesia própria
O mau líder que os alucina,
Estabelecida a tal covardia.
Sem notícias persisto,
Continuo escrevendo
Para saber aonde está você.
Tem a poesia retrógrada,
A eleição imposta,
Para mandar o sonho embora.
Quero saber
Se você está inteiro e vivo,
Pois já é passada a hora...
O meu coração
está triste faz
algum tempo,
A repressão
já ultrapassou
além do limite,
Porque em si
já era para ser
taxada de crime,
De tão engenhosa
que é: estamos
viciados nela.
Não sei
dos generais,
Da tropa não
falam mais,
Há flores
no calabouço.
O beltrano
e seu calote
premeditado
em Pindorama,
Da paz escutei
que houve
fracasso.
Ao mundo ele
não mais engana.
