Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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⁠O jogo de palavras
só pertence
aos menesteréis
das letras
porque cabe à eles
distrair os corações
para encantar;
Aqueles que têm
por missão
as notícias espalhar
não devem
com a liberdade
de quem precisa
em hipótese
alguma brincar.

O peso das palavras
só cabe aos poetas
carregar o fardo,
Porque sabemos
a fórmula para fazer
a quem nos interessa
se sentir incomodado.

Se não nasceste
com tal habilidade,
Só caminhe nesse
território com um
bom argumento
para ser empregado,
É dever de cada um
nós libertar todo
o leal soldado.

⁠Podemos ter
mil diferenças,
Não devemos
alimentar
a incoerência,
Devemos dar
mil oportunidades
a resiliência,
Jamais fortalecer
os monstros da
indiferença,
E superar todos
os dias as nossas
resistências,
Porque a lei
da vida
é bem clara
quando diz
que é preciso
dialogar,
se reconciliar
e perdoar para
não deixar o trem
da história passar
e na estação do
tempo nos abandonar.

⁠Quando há justiça
E razão demais,
Há coração de menos
E desânimo pela paz.

Entre a justiça
E a razão,
Opto pelo coração.

Não por obediência,
Porque nesse mundo
Repleto de justiça
Não tem mais se
Permitido a clemência.

Assim denuncio,
Me indigno e suplico
Talvez ao vazio.

Neste mundo onde
Todos estão cheios
De razão e nenhum
Esforço em prol
Da solução o melhor
É optar pelo coração.

Em busca po(ética),
Clamor nômade
Em letras de libertação.

⁠Não se perdoa
A conta-gota,
Não se libera
Pela metade,
Jogue fora
A sua vaidade.

A vida prega
Peças por si só,
É melhor optar
Pelo desapego,
Para viver a vida
Com a simplicidade
De que não tem medo.

Porque Pátria
É mais do que
Um pedaço de chão,
Ela é feita de gente
Que se leva no coração,
Vamos de mãos dadas
Pedir a total libertação.

⁠Sem ver a luz solar
por nove meses,
Sem saber quando tudo
isso irá terminar
E não há jeito de saber
aonde está o Baduel,
E da mesma forma
quando sairá o Miguel,
mesmo não tendo a grandeza
do livro vinho tinto,
Eis poemas soltos
que como livros
São registros de mil
histórias para contar,
Po(ética) feita para
O ostracismo se incomodar.

⁠Lá do alto do poste,
eis o eletricista
que vê o destino
da América Latina,
e a hora do Brasil,
e a imprensa finge
que não me viu.

Não nasci para
ficar calada,
não gosto de ver
a população acuada,
todos os dias rezo
pela Nicarágua.

Como quem acende
velas pelas 143 almas
totalmente indignada,
grito ao mundo pela
juventude imolada.

Da Venezuela sabe-se
que a vida está adiada,
há gente perseguida,
vozes silenciadas,
e segue a tropa
trancafiada.

⁠Não são meus filhos,
todo mundo sabe disso,
mas sinto como fossem;
esses tantos filhos
que partiram para
o plano astral,
filhos adoentados,
filhos em diáspora,
filhos que se encontram
presos injustamente
e incomunicáveis,
filhos que são pais,
e filhos distantes dos pais.
A minha especial
preocupação são
com as estrelas,
não aquelas que
se colocam nos ombros,
mas as que nasceram
para viver grudadas
para sempre no coração,
Por saber da vileza
do mundo: por elas não
canso de pedir o diálogo,
a paz e a reconciliação
em nome da merecida
e justa libertação.
Chegou o tempo de olhos
voltados para o céu,
joelhos dobrados,
mãos coladas
em gesto de oração,
corações curados
e plena superação.

⁠Olhando para o céu
Não cessa a inquietação,
Não sei a quantas anda
A sua libertação,
Vejo que do autoritarismo
Não está escapando nem
Os animais de estimação,
A mim me dói em tudo,
Dói o meu acidente
E me dói não poder
Estender a mão,
Não vou parar de escrever
Para ensinar a essa gente
Que é possível fazer
O caminho de volta em nome
Do perdão que faz bem alma,
E sobretudo ao coração.

⁠Acendo o discurso
No meio da madrugada,
Para lembrar que o perdão
Verdadeiro é sempre
Aquele que busca
Corrigir o mal feito
A uma pessoa
Que foi injustiçada.

Não pode se dizer
Que é poeta
Aquele que não luta
Em prol da liberdade,
Quem diz ser
Poeta e não faz
O seu papel,
É tudo e ao mesmo
Tempo um nada.

Aceno o consciente
No meio da cosmo(agonia),
Para fazer valer cada dia
Inteiro ser poesia;
Insolência poética
De quem não irá
Jamais sossegar
Até a consciência
Regressar ao seu lugar.

⁠Na urgência de falar
152 vezes o quê sinto,
Eu me autorizo sem
documentário clamar
Por aqueles que presos
não deveriam estar.

Sou aquela que
quando o verso
Se encerra não
paro de reclamar.

Aos poetas cabem
a coragem de falar
Em qualquer tempo
lugar e aonde for
Ordenado calar.

No raiar e declinar
de cada dia é de direito
Nosso ter passaporte
Para qualquer lugar,
só porque somos poetas,
E o Universo é o nosso lar.

⁠No efeito cão correndo
Atrás do rabo já
Se passaram 100 dias,
E até nada que console
A maldita agonia
De quem espera obter
A liberdade por justiça.

E como dialogar ainda
Se encontra inacessível,
A última notícia é que
Cedo, tarde ou nunca
Virá a anistia,
Mas faço votos que
Ela venha o quanto antes
Em nome do diálogo
Que dizem que existe
Do que onde há coroa,
A honra não deve ser
Equilibrada numa canoa.

Na vida quem assume
A condução do destino
De um povo não deve
Se permitir ficar alienado,
E se incomodar à toa
Só porque há quem seja
E pense diferente,
Ele deve se abrir e escrever
No livro da vida da melhor
Forma que pode para ser
Honrado para sempre.

⁠Na incerteza do destino
ofertada pela travessia:
as letras são as pernas
que me levam mais rápido
para aonde eu achar
tremendo e necessário,
porque com elas alcançarei
o seu pensamento,
e o seu coração há
de se encarregar
do que há virar
sentimento sublime.

Em missão poética
o quê me cabe
neste momento
é estar reunida
em diáspora
e ao mesmo
tempo presa
com cada
um de vocês,
enquanto eu não
devolver cada filho
para a sua casa,
e cada amado
para a sua amada.

⁠Não me lembro quem
falou que o pior castigo
para o preso político
não é a prisão,
mas o esquecimento.
Por isso a minha poesia
se colocou em missão
para não esquecer disso
a todo o momento.
Não vejo a hora de ver
o fim desse tormento,
pois não há como aceitar
nenhum falso justiçamento.

⁠Desfila a falta
De compromisso
Com a razão bem
Na cara do povo,
Não sei se tenho
Dó, medo ou receio.

De quem assumiu
A Revolução como
Vingança e não
Como evolução,
Temo pela vida
De todos os que
Foram injustamente
Levados à prisão.

Desejo em prosa,
Verso e oração,
Todo o dia
Que ali paire e fique
O diálogo e a compaixão.

Na tribuna
toda a poesia
que nesse mundo
há gostaria
ter seguido
com as esposas
e as famílias,
e sobretudo
ter recebido
a palavra,
mas como é
feita de letras
ela é como
a chuva caindo
no guarda-chuva
respingando
para se espalhar,
ela não para
jamais por aí,
e não há mais
como segurar.

⁠Na tentativa de abrir
o caminho do coração
para que se cumpra
a liberdade em noite
sem canção de encorajar,
não perco a inspiração
porque acredito
no raiar justo do dia.

É com equilíbrio
de trapezista,
doçura nos lábios,
e na busca teimosa
pela justa saída,
peço que persista.
É de ação poética
que se faz música,
que se dá
sabor à vida.

Quintilis deu o seu
sinal inaugural,
abrindo as cortinas
para o próximo
capítulo e as luzes
pouco a pouco
estão sendo acesas,
não negue a justiça a lei,
se és mesmo de fina grei.

Não me negue jamais
a verdade à história,
para os poetas o quê
vale não tem a ver
com poder ou dinheiro;
e sim com a verdade
o fim da agonia,
a glória e liberdade,
a poesia sempre será
infinitamente maior
do que a crueldade.

Tudo consta que eu errei,
mas ainda prefiro pecar
pelo excesso de humanidade,
assim vou exigindo
que contem tudo sobre
a verdade, porque não
sou e nunca fui
de fácil convencimento.

Ariana liberada,
em condicional está
a liberdade,
e deixo bem aqui
a perplexidade:
a história da Capitã
está mal contada,
dizem que o filho
não foi preso,
Nina não
foi extraviada,
e ela tampouco
foi torturada.

Dizem que o único
prejudicado foi
o pobre cirurgião,
aonde está a nobreza
dessa gente que diz
que é cheia de coração?

Sigo no meio
das Mães e esposas
perseguidas
pela opressão,
quero a base
da poesia abrir
as portas da prisão.

Tudo mostra que
o desvio tem
sido certo,
falam de tudo,
menos do centauro
preso injustamente,
atitude de gente
que não me convence,
atitude de quem quer
apagar a injustiça
contra um homem correto.

Como não havia
encontrado
a palavra certa
para explicar
muito além
da liberdade,
Fui versando
sobre as nuvens
eletrizantes
da tempestade.

Chegou a hora
de contar o porquê
de tanta poesia:
a vida é capaz
com o pincel
da ironia pintar
as paralelas,
essa é a realidade
da História do Brasil
e da Venezuela,
não há como ser
indiferente e se calar.

Como uma praga
que devasta
uma lavoura,
O assunto é
mais grave
do que se imagina,
não sei o quê
será do destino
do continente,
ninguém tem
compaixão
do destino
da nossa gente,
que a verdade
seja dita:
não nos ensinaram
a nos amar,
e a nos fazermos admirar,
pedir pela libertação
da tropa já virou rotina.

Caibi

⁠O teu nome de Santo
foi trocado e a bênção
d'Ele permanece,
O teu povo de fé trabalha
e vive em prece;
No Santuário os nossos
pedidos serão sempre
por todos atendidos.

O Rio Uruguai te banha,
o teu verde abraça
e nas folhas verdes
a poesia reverencia
esta gentil cidade
e o acorde italianidade
da gaita imigrante.

Nas tuas águas ricas,
repousam as rimas
e remo no tempo
com coragem,
do Vale das Águas
és doce paragem.

Caibi, meu amor
tupi-guarani,
herdeira tropeira
e além mar,
por tua beleza
deixei-me capturar.