Cidade
Eu sou a Babilônia.
Não a ruína esquecida na poeira dos séculos,
mas a cidade erguida dentro do peito humano.
Sou muralha e sou abismo,
sou torre que toca o céu
e fundamento cravado no barro.
Sou o equilíbrio constante
da sabedoria em agressiva evolução.
Cresço entre o caos e a ordem,
entre a chama que destrói
e a que ilumina.
Carrego em mim a contradição dos homens:
sou templo e mercado,
oração e grito,
promessa e queda.
Em minhas ruas ecoam os passos
de quem busca a verdade
e tropeça na própria sombra.
A hipocrisia nos limita
a sermos curtos e rasos em crenças,
mas eu — Babilônia —
sou profunda como o conflito que desperta.
Não há luz que se reconheça
sem ter beijado a escuridão.
Não há dor que ensine
sem atravessar o abandono.
Não há perdão que floresça
sem antes ter provado o desamor.
Eu sou o espelho do humano.
Em mim, reis se erguem e caem,
profetas clamam,
orgulhos se quebram como vasos de argila.
Sou a soberba que desafia os céus
e a humildade que aprende ao cair.
Sou feita de escolhas —
cada pedra uma decisão,
cada torre um desejo,
cada ruína uma lição.
Não me julgue apenas pela queda,
pois também sou reconstrução.
Não me veja apenas como pecado,
pois também sou consciência.
Sou a tensão que molda o caráter,
o fogo que purifica o ouro da alma.
Eu sou a Babilônia
quando você enfrenta sua própria sombra.
Sou a cidade interior
onde a guerra é travada em silêncio
e a paz nasce como aurora
depois da mais longa noite.
Eu sou a Babilônia —
não como condenação,
mas como revelação:
a prova de que a evolução é confronto,
de que a sabedoria é forjada no choque,
e de que, dentro de cada ruína,
existe a semente de um império mais justo.
Eu sou a Babilônia.
E em mim,
a luz aprende a existir.
Este trabalho nasce do meu desejo por Salvador. Não se detém na comemoração.
A cidade aqui é corpo: camadas, tempos sobrepostos, mãos que moldaram sua paisagem mesmo quando não foram chamadas a nomeá-la.
A pintura percorre o que sustenta a cidade para além do visível e do oficial, aquilo que permanece criando, apesar de.
Salvador aparece como matéria viva, onde a memória não se impõe; ela insiste.
No traço, monumentos reaparecem não como réplica, mas como escuta.
Releituras de gestos de Márcia Magno, Nádia Taguari, Eliana Kertész, Iêda Oliveira e Conceição Dias, inscritas não para ocupar o centro, mas para seguir habitando o tempo.
Ódio
Volte-o para si: você será a cidade queimada, o império em ruínas.
Dirija-o para fora: você se tornará o fogo que consome tudo o que toca e, inevitavelmente, a mão que o segura.
Ódio é o combustível definitivo.
E a escolha mais importante da sua vida pode ser se você o usará para se incendiar ou para incendiar o mundo ao seu redor.
Cidade pequena tem dono!
Quem não é dono, é parente...
Quem não é parente, é compadre...
E todos pescam no mesmo rio.
O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio.
Invicta
Invicta, é poesia inacabada: o mundo poético dentro de uma cidade.
O Douro escreve poesia líquida nas margens das rugas da ribeira.
O nevoeiro na invicta não é clima: é véu. E todo véu oculta um portal.
Há portas na cidade que só se abrem a quem carrega profundidade e revelação. Cada varanda é uma metáfora, cada rua um poema à espera. No Porto, a alma encontra abrigo porque sabe o que é amar em silêncio.
Por trás das janelas
Chove.
E a cidade parece a mesma para todos que passam apressados na rua, protegidos por guarda-chuvas e pensamentos que não se dizem em voz alta.
Mas basta olhar para cima.
Em cada janela acesa, há um mundo inteiro acontecendo.
Alguém corta legumes com cuidado.
Alguém se senta na cama, cansado demais para fazer qualquer coisa além de existir.
Alguém assiste televisão para não ouvir o próprio silêncio.
Alguém espera. Mesmo sem saber o quê.
Ninguém vê.
Ninguém imagina.
Compartilhamos o mesmo prédio, a mesma calçada molhada, o mesmo som da chuva —
mas não compartilhamos as mesmas dores, nem as mesmas alegrias.
A vida não é barulhenta como parece.
Ela acontece em gestos pequenos, repetidos, quase invisíveis.
E ainda assim, profundamente humanos.
Talvez seja isso que a chuva faça:
ela desacelera o mundo o suficiente para que a gente lembre
que todo mundo carrega uma história atrás de uma janela iluminada.
E que, no fim, estamos todos tentando a mesma coisa:
um pouco de abrigo.
Rosana Figueira
(...) Sozinha em uma cafeteria da cidade, onde frequentemente ia, estava lá, eu, sentada. Levei um livro para ler, e por um breve momento me deparei comigo mesma olhando através da janela. Estava observando as pessoas caminhando, umas caminhavam com muita pressa e era até engraçado de ver, outras caminhavam sem pressa alguma, e enquanto eu tomava um café, olhei para espelho, enxerguei nele, o meu reflexo, pensei no quanto senti a sua falta, em todos os momentos, aqueles momentos verdadeiramente importantes da minha vida, em que você não pode estar. E quando me dei conta de onde você estava, não achei que seria tão óbvio, me senti burra, porque como não me dei conta? Era você mesmo!! Eu estava assustada e cheia de lágrimas nos olhos. Você não lembra? você estava lá no meu reflexo estrela. Você estava no meu sorriso, no sorriso mais sincero e verdadeiro que eu dava, estava no meu olhar, aquele olhar de ternura, no olhar com lágrimas, você estava na minha risada, no meu choro, estava na minha voz, estava quando eu me calava, estava viva, mas era apenas na minha memória... E eu não sentia mais raiva e nem tristeza, porque principalmente estava presente no meu coração mãe.
- Esthea Luzo
Meus amigos, desta vez escolhi passar o final do ano 2025 na cidade mais quente de Moçambique. Tete, a conhecida Cidade das Quininas, terra de calor intenso. Boas festas e que tenham um bom ano. Perdoem-se, sempre. Protejam-se.
“Que a poesia continue a ser um meio de libertação”
Metrópoles
Cidade formigante,
Céu alimentado por fumaça,
Arranha-céu rasgando a natureza,
Mentes sufocadas pelo caos,
Tempo encolhido,
Desejos espremidos,
Sonhos engolidos,
Os gritos da cidade assustam os pombos,
A cegueira da correria na cidade esconde os que mais precisam,
Os dias são férteis para uns, enquanto as noites são frenéticas para outros,
Entre sirenes e ônibus, elevadores e geradores, bares, baladas e shoppings, escolas e pátios de empresas a dança tem várias notas mas o ritmo é um só,
Ao olhar para a cúpula da igreja, lágrimas de desespero, um pedido de socorro e muitos apelos.
Na caminhada
O rio e o sol se pondo de um lado,
do outro lado a cidade e a lua cheia com todo sua beleza,
no meio a estrada, os caminhos a seguir, um horizonte a desbravar.
Vamos?
É noite,do teu castelo em meio aos arranha- céus da cidade, lá no alto vejo a luz acesa da janela e a sua sombra está lá,
O frio tá batendo na veia, mas a vontade de ir embora com você me aquece,
Uma mensagem chegou:
_ Minha bagagem está pronta, tô descendo, vamos fugir do mundo e nos encontrar para sempre?
O crepúsculo deu
a sua despedida,
as luzes da cidade
foram acesas,
a Lua coroada
está de estrelas
iluminando o Rio.
Ao mundo inteiro
oferto a veia
da paixão que não
oculto no peito
feita de vibração
e teu amor perfeito.
O desejo de viver
para cantar o amor
seja como for
é só o começo:
nos teus lábios
a sede de me amar.
No ritmo do Universo
a canção eterna
aos olhos lindos
voltados para quem ama,
esta temperatura
que amorosa chama
ao ardente total amplexo.
Há tantos lugares que nessa cidade que me lembram você. Alguns me trazem boas memórias do tempo que passamos juntos. Outros, infelizmente, fazem com que seja a sua partida seja ainda mais dolorosa. O tempo que passamos juntos nesse plano foi curto, mas o suficiente para eu continuar pensando em você depois de todos esses anos. Eu sei que se você estivesse aqui, gostaria que eu seguisse em frente. É que alguns dias ainda são muito difíceis. A saudade fala mais alto e eu não consigo explicar o que sinto. Esteja em paz, meu bem. Venha me visitar novamente em um sonho, por favor.
Depois de todos esses anos, decidi, finalmente, retornar à minha cidade natal e fazer uma visita. Eu era muito jovem quando decidi ir embora e explorar novos caminhos. Não me arrependo jamais dessa decisão. Só que naquela época, jamais poderia imaginar o quão desafiador seria estar aqui novamente.
A sua partida doeu por muito tempo, e esta cidade é repleta de lembranças suas — lembranças lindas, mas dolorosas para alguém que sente tanto a sua falta. Ainda assim, eu sabia que estava na hora de voltar.
Após duas noites seguidas sonhando com você, senti como se fosse um sinal para voltar e revisitar esse lugar que marcou tão profundamente minha infância e juventude. Então, deixei a tristeza de lado e fui. Eu sei que você entenderia as razões pelas quais eu demorei tanto para voltar para cá.
É doloroso lidar com histórias do passado que nunca foram resolvidas, e a sua partida foi uma delas. Eu sabia que, em algum momento, precisaria confrontar todas essas emoções. Definitivamente, não foi fácil. Porém, quando cheguei aqui, senti uma paz imensa. Senti a sua presença — era como se você estivesse orgulhosa por eu estar aqui.
Visitei novamente vários lugares que marcaram minha vida. Essas ruas, parques e casas nos trouxeram tantos momentos bons, não é mesmo? Enquanto eu viver, vou lembrar de você. E eu juro que, desta vez, não vou demorar tanto para voltar.
Lá fora está um dia frio e nublado, enquanto dentro de mim, permanece um sol forte, daqueles que ilumina a alma.
Não posso dizer que fiz as pazes com o passado, mas, de certa forma, estou lidando melhor com essas emoções. Você era força, resiliência e otimismo. Guardo cada memória no meu coração. Saudade é para sempre.
Quantas memórias...
essa cidade faz parte da minha história!
Eu deixei esse lugar quando eu era ainda muito jovem e demorei muito para voltar. Não porque eu não queria, mas porque a minha cidade natal, na qual passei minha infância e juventude, me traz muitas lembranças de pessoas que já se foram. Então, retornar significa encara todas essas emoções e sentimentos não resolvidos.
Mas, finalmente, estou aprendendo a lidar com isso. Voltar não me traz muita dor, pelo contrário, me traz um certo alívio e conforto. Agora, ao passar por essas ruas, consigo me lembrar com menos aflição de pessoas e momentos que fizeram parte da minha história.
Em breve vou embora novamente, porém, valorizando minhas raízes. Jamais vou esquecer de onde eu vim.
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