Cidade

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O PREÇO QUE A CIDADE DE CHIMOIO COBRA

Já estive naquela cidade. Chimoio é uma cidade bonita. Tem uma beleza própria, calma e limpa. As pessoas conversam, riem e seguem com as suas vidas normalmente. Mas, por detrás daquela tranquilidade, existe também muita dor e muita tristeza escondida.

Viver naquela cidade parece ter um preço. E não preciso falar por metáforas para dizer isso. Todos os dias morrem pessoas em Chimoio. A criminalidade aumenta cada vez mais. Quem não morre por causa do crime, pode morrer por outras razões absurdas: por ser diferente, por vestir-se de maneira diferente, por opiniões políticas, por inveja, por discussões pequenas ou até simplesmente por azar.

E os acidentes também já fazem parte da rotina da cidade. Quase todas as semanas há notícias de acidentes nas estradas. Talvez tenha chegado o momento de olhar seriamente para os problemas da cidade: melhorar as ruas, organizar melhor o trânsito, corrigir erros na construção e no planeamento urbano.
Porque muitas destas mortes podiam ser evitadas. Há sofrimentos que uma cidade não devia causar ao seu próprio povo. Mas, infelizmente, continua a acontecer! É o preço.

“Que a poesia continue a ser um meio de libertação.”

Na cidade onde o povo não cobra, o político se acomoda e nada avança.

Frente ao trono da liberdade, gaivotas sobrevoam a cidade e asas pairam no ar do horizonte em suas cores laranjadas do pôr do sol. As árvores se alegram com o vento e florescem nos raios de luar. A liberdade se faz em sussurros de pássaros que mais se aconchegam a um ribeirão a matar a sede, em tempos de paz e libertação. A liberdade ocupa todos os lugares, e as flores desabrocham sem medo e se diz que tudo vive na terra e as grades opressoras se rasgam no espírito da noite. A natureza tranquila tem suas leis e tudo acontece no tempo certo de se transparecer, em dedos razantes que habitam o instante das palavras insinuadas que ensinam o mar a se fazer acalmar. Eis que são muitas as distâncias e longe se vai o espírito da floresta, que em toda terra vive. Se a humanidade se nega, nega todas as criações e há oceanos a perder de vista. Eu sou um fragmento do absurdo que muito mais se faz instrumento de conversão entre o poema e o mundo. Eis que tenho pensamentos profundos e as palavras não se bastam, se nomeio as borboletas da tarde. O azul arde ternamente nos olhos, levando a mente a comer a beirada da estrada que se alonga nas praias de nossas convicções. Pois eis que o agora traz muitos elementos e se juntam todas as conjunções da imagem. O amor partiu em uma tarde e os olhos que ficam não choram, pois que a vida impele a uma aceitação calma dos limites do agora. O amor tardou, pois que já não somos mais os mesmos e as bocas não encontram caminhos. E se perde nas espectativas o amor que chamamos de vida. Um corpo que mudou, uma taça que se quebrou. Ama-se o que já se passou e a face bela ganha traços inesperados e o amor se faz desesperado se o corpo mudou e envelheceram os sonhos. O amor parte muitas vezes, procura trem, navio, qualquer caminho que fuja da desilusão. E cava a cova do amor que sobra. Apenas um ama sozinho na estação, sentado recolhido sem perspectiva de abrigo. Amar sozinho é como se fartar em um rio seco. A água que não mata a sede, mas é inútil olhar para baixo e para trás, haja visto que trem que leva trás, bagagem, pessoas, novos amores. A vida se faz sol em plena madrugada e os olhos serenos não esperam nada. A vivência se renova e despedidas antigas fazem menos eco na escuridão desfeita, a terra antes rarefeita, se faz em novas colheitas. Dispersam todos os sonhos da primavera e não há alma que note, pois que se olha para o norte e encontra boa sorte.

Caminhava lúgubre pelas vielas de ruas inaudíveis da cidade a comer pormenoridades e sua face se voltava para o oeste em busca de raio de luz que esvanecia lentamente. O crepúsculo sideral se espraiava em plangentes notas de flauta que um camponês tocava cândido e se fazia em vaticínio a melancolia auroral discrepante do tempo. E se fartavam alimentos na mesa de colinas e ramagens abissais. Eram idílicas todas as cantigas como um lenitivo remédio de dores ocultas que na face eram duras a sorrir tristemente o seu ser descrente que no entanto era intermitente. O fulgor da lua se fazia contigente e iluminava matas escuras onde vagalumes piscavam seu brilho verde na nostalgia inocente dos olhos da infância. A voragem do vento consumia as folhas entregues ao chão e um redemoinho levava lembranças na mente distraída de farta bonança. O veludo silente se descortina no espetáculo estridente de gaitam desafinadas e o tudo era nada se a plateia alheia se achava embriagada de farta colheita que eu peguei emprestada na açucena flor da madrugada em lírio branco inebriada. O venta agora apascentado fazia acalanto nas mãos suaves e as linhas digitais se faziam todas iguais. A apoteose de meu humor grandiloquente alcançava picos de montanha e conquistar o mundo era o mínimo na megalomania de minha engenhosa sina que se fazia em cinsas quando a ludidez voltava à melodia e pequena se fazia muito mais a juntar retalhos na colcha fria que fazia. Eram estados mentais que a ciência desafia a colher a estabilidade do dia em desmesurada alegria. Conter as torrentes da euforia exigia um olhar humilde para si mesmo a despentear os cabelos da lógica. E era famosa em cada estação e imprevisíveis eram sua relação com a primavera. Era necessário um esvair de si para alcansar a poesia de dias impulsivos e incongruentes, mas belos em sua resistência ao alternar estados de humor como duas íris no mesmo rosto. Eis o que está posto. Se sou eu e não o outro. E não há lamento se a mente segue altiva e lança os olhos cativa a espraiar mares de contemplação no ser que não sente mais solidão. E tem um vasto e frondoso coração.

cidade sem memória é uma cidade vazia sem história" destaca a importância de conservar o patrimônio histórico e cultural de um lugar. Quando as memórias de uma cidade são esquecidas, a identidade coletiva e o sentimento de pertencimento de seus habitantes podem se perder

Foda-se a Mídia
Foda-se o que o governo diz
Foda-se a cidade inteira
Eu só vou fazer o que me faz feliz

Carta para o senhor Bento.


Caro senhor Bento, estou em uma viagem até a minha antiga cidade, meu pai faleceu e minha mãe disse que deveria pegar o ônibus o mais rápido possível, eu e ela não temos contato um com o outro a uns 12 anos, parece grosseiro da minha parte nunca ter ligado uma única vez para saber como anda a tia Júlia ou se nosso cachorro, o senhor Raivoso teve uma boa vida, já que seu passatempo era rosnar para todos ou até mesmo ligar para saber como ela estava ou claro, como o papai estava. Acredito que nós dois somos orgulhosos demais para isso, mesmo que ela tenha insistido muito em dizer que eu puxei minha personalidade forte do meu pai, algo que eu descarto até mesmo como hipótese. Não é que eu não tenha pensado nisso, é que acho que nenhum de nós estava preparado para dizer aquelas dolorosas e verdadeiras palavras, e quais são elas? Bem, às vezes eu não tenho certeza quais das milhares das possíveis palavras que se encaixam no contexto, no fim das contas, eu continuo pensando que ela nunca pedirá desculpas pela forma que me fazia sentir tudo, eu ainda consigo ouvir os murmúrios dela, falando em como tudo seria tão mais fácil se eles tivessem feito escolhas melhores, minha mãe sempre falava sobre como a vida dela era boa antes de todo o resto, ela ainda teria um belo corpo, teria liberdade e não estaria trancada a algo que ela no fundo nunca quis, lembro que quando ela foi embora e deixou a mim e meu pai, ela me disse que nunca daríamos certos juntos, de alguma forma, ela estava certa sabe, eu sinto que eu nunca fui um bom filho, acho que eu devia ter me dedicado mais, se eu tivesse largado tudo pelo que eu lutei e tivesse apenas aceitado ficar, acho que seríamos bem mais próximos, mas não sei se deveria sentir culpa por isso…

Cidade em Suspenso


A cidade acende e me apaga
No reflexo frio dos semáforos
Cada janela parece uma pergunta
Cada esquina, um rascunho do que sou
Eu caminho entre ruínas discretas
De promessas, vitrines e sinais
O concreto me ensina a dúvida
E a dúvida me ensina a ir além
Quem desenha o mapa da pressa?
Quem decide o valor do silêncio?
Se o futuro mora no relógio
Por que eu sempre vivo no intervalo?
Tem uma fome antiga no asfalto
E um eco que não sabe se responde
Eu carrego a noite no bolso
Como quem guarda o que não se esconde
O que é chegar, afinal,
Se toda chegada já vira partida?
O que é ser inteiro na cidade
Que nos pede versões resumidas?
Se eu me perco, é por lucidez
Se eu me calo, é pra ouvir melhor
No meio da fumaça e do ruído
Ainda existe um nome para o sol
E eu sigo, porque seguir também é verbo
Porque parar parece uma forma de cair
Porque talvez a verdade more
No movimento de não se definir


Daniel Vinicius de Moraes

A cidade segue funcionando, as pessoas riem nos lugares errados, o tempo insiste em andar para frente.
Eu não acompanho.
Eu administro a falta. Em silêncio. Em turnos.
Não chamo de saudade porque saudade é doméstica demais para o que ficou.
Isso aqui é permanência forçada.
É carregar alguém mesmo quando a outra pessoa largou o peso.

TDAH ... É viver
com a mente parecendo cidade grande em horário de pico.


78 abas abertas.
Uma música aleatória tocando no fundo.
Memórias entrando sem bater.
Pensamentos tropeçando uns nos outros
feito gente desesperada correndo atrás de si mesma.


E no meio desse caos
você ainda tenta amar, ajudar, sobreviver, lembrar.


Mas sempre aparece alguém
transformando esquecimento em defeito de caráter,
como se tua mente cansada fosse ofensa pessoal.


Não entendem que existe diferença
entre não lembrar
e não se importar.


Aí vêm os gritos,
o esculacho,
a humilhação embrulhada em “sinceridade”.


Curioso como tanta gente exige compreensão
enquanto distribui crueldade com naturalidade.


Nossa espécie realmente acorda cedo
pra competir por medalha
de desgaste emocional.


E ainda assim,
mesmo perdida entre ruídos,
você continua tentando ser abrigo
pra quem nunca aprendeu
a não virar tempestade.

Na noite suave de ventos amenos o clamor estonteante da cidade faz uma pausa para a escuridão descer e descansar o sol. E eu absorta em pensamentos analiso símbolos da natureza e me imagino sentando graciosamente na relva verde a pensar amenidades como folhas caem suavemente das árvores e no outono cintilam o dourado de suas sombras. E penso outros assuntos mais concretos como o trono da sabedoria no qual se assentam aqueles que fizeram da humanidade um lugar melhor para a realização da vida e observo suas verdades e também a coragem de enfrentar o tempo e serem mensageiros da beleza. Eis que os homens temem muitas coisas, inclusive a si mesmos. E haverá também quem tema a beleza, se ela é o silencio daquilo que atrai a alma. Começa em si mesma e termina muito além da imaginação humana. A beleza é a música secreta do ser. Uma canção cujo eco dura até a madrugada desaparecer. E na manhã eu bebe o amanhecer em taças plenas de amor divino. Sento-me ao entardecer em meio ao reluzente langor e percebo que a beleza é doce e gentil. Ela caminha entre nós como afagos na alma. A beleza é feita de sussuros suaves. Ela fala em nosso espírito a recitar poemas antigos. A beleza não é em si uma necessidade, e sim um êxtase. Mas o êxtase é também nosso infinito. Beleza é quando a vida revela seu rosto sagrado. A beleza é a eternidade que se contempla no espelho, que reflete a face. Nós somos a eternidade que o espelho admira encantado.

Priori


Hoje te entendi , não é insegurança ou preguiça mas atravessar a cidade por 31 km e talvez talvez se decepcionar,não tenho idade pra isso estou em desvantagem, o que poder esperar? Me apaixonei pelos seus :Hi bela! Seu jeito estoico de transcrever a vida mas ter que entender que a frustração de um relacionamento de anos nos torna incapaz muitas vezes com todo medo de prosseguir ,ter que entender ,mas de esquecer o quão bom era por um pouco de tempo com vc não conectados mas sem saber quem és,te perdi sem ao menos te encontrar foi erro meu , mexi em feridas sem saber ,tirei o eu do foco fiquei exposta trouxe a tona seus maiores medos, hoje te entendo,Priori.
Se não for pra deixar me como prioridade não me deixes como uma de suas opções.

Quero amar desesperadamente como um louco solto numa cidade cheia de poeira após um cataclisma. Posso ser louco pra amar quando a distancia se torna lei numa cidade vazia de romance. O amor pega gosto quando há vontade em meio corações desapegados. Há vontade de beber muita água quando o deserto é seco e árido. Há vontade de abraçar muito quando o entorno só se tem paisagens Há muita vontade na falta e a falta pode trazer o valor, o peso e a forma do que é o amor de verdade pra se amar.

ROKC DA CICUTA


Quando o céu pesa feito chumbo
e a cidade mastiga meus passos sem piedade,
há vozes nas sombras chamando ao deserto,
prometendo silêncio e descanso no pó.
Em dias ruins,
quem me salvará?
Apenas um rock.
Conheço o truque da noite ferida,
a mentira elegante que veste a dor.
Ela fala em repouso,
em fuga infinita,
e cobra da alma um preço maior.
Uma guitarra rasgando a escuridão,
um grito selvagem cortando o nevoeiro,
um trovão elétrico atravessando a noite
e explodindo dentro do coração.
Ou uma overdose de cicuta,
serena como um lago sem verão,
a velha taça esquecida sobre a mesa,
aguardando o fim de toda revolução.
As ruas estão cheias de reis derrotados,
de poetas vencidos pelo aluguel,
de homens que escondem seus naufrágios
sob gravatas, sorrisos e papel.
A madrugada conhece seus nomes,
conhece o peso de cada ilusão.
Sabe quantos castelos desabaram
antes do último acorde da canção.
Entre a fúria dos amplificadores
e o silêncio mortal da rendição,
a vida dança sobre o fio da navalha,
sem promessas, sem explicação.
E eu sigo escutando os dois chamados,
como quem ouve anjos e vulcões:
de um lado a tempestade das guitarras,
do outro, o descanso das extinções.

A felicidade não é a cidade ao fim do mapa, é o próprio vento pela janela, o ritmo das rodas nos trilhos, o horizonte que se desdobra enquanto se vai.

Pois lembre: o pássaro não entoa seu canto por ter a alegria; é no ato de cantar — no ar que vibra na garganta, na nota que se desprende e preenche o arvoredo — que a alegria, plena, nasce e se aconchega em suas penas.

A felicidade não é um porto à espera. É a própria maré dentro de você, o movimento que faz o navio navegar.

O que antes era inexistente passou a fazer parte da memória da cidade. E talvez esse tenha sido seu maior pecado aos olhos de alguns: provar que era possível.

A maioria das pessoas passa tanto tempo se locomovendo de uma cidade para outra para trabalhar, apenas para ganhar o que se paga no mercado, e não para se esbaldar. Enquanto isso, políticos ganham rios de dinheiro sem fazer nada e curtem a vida. Quanto mais os anos passam, pior fica: os pobres estão cada vez mais pobres, e os ricos, milionários. A ganância humana faz com que queiram sempre ter vantagem em tudo. O que a maioria espera, que é uma velhice tranquila para viver, pode se tornar impossível. Os nossos idosos estarão trabalhando para uma juventude que quer tudo fácil. No futuro, esses jovens sofrerão no fim da vida, sem nenhuma estabilidade. Ass Roseli Ribeiro

Livros e cafés


Entre o som da cidade e o silêncio das páginas,
me encontro.
Cada capítulo é uma viagem, cada gole de café, um abraço quente na alma.
Aqui, vestida de histórias, habito um universo onde o tempo se dobra e a realidade se dissolve nas entrelinhas.

Rosa de São Paulo

No jardim da cidade,
ela ergue a testa e brilha:
não perde a suavidade,
mesmo onde o vento assobia.

Perfuma a calçada inteira,
dá cor ao muro cinzento;
é alegria verdadeira
que chega com o momento.

Pétala por pétala,
desenha um mundo mais belo —
a rosa é flor que fala
sem precisar de apelo.

Loirinha linda eu te encontrei por acaso,
Foi bem distante de mim em outra cidade,
Mas o destino fez com que eu te encontrasse,
E trouxesse para mim felicidade...
Sérgio o Cancioneiro.