Cidade

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⁠Ruas vazias cidade deserta, gente peregrina a noite camuflado longe do olhar que tudo vê.

​"Escute bem, meu campeão. A cidade grande não é um obstáculo; é o seu playground de concreto armado! Enquanto a plebe reclama do engarrafamento, o verdadeiro titã do sucesso utiliza esse tempo para arquitetar o seu império. Não seja a ovelha que balança no metrô; seja o lobo que uiva no topo do arranha-céu! Transforme a fumaça da poluição no oxigênio da sua glória!"

ROMEU E JULIETA, SEM SHAKESPEARE




[à Crioula]



Vivemos na mesma cidade,

sob o arco da velha Roma.

Mas o espaço geográfico não comungou

Para que nossos caminhos se encontrassem.

Valha-me Deus, Santa Bárbara nossa!

Poema, conosco, o raio do amor não caiu no mesmo lugar.

E o desejo mora em nossos corpos, Crioula minha!

As ruas do querer, se alongaram.

Asfaltou o chão de terra que compunha o amar.

A paixão sempre ficou à espreita,

Nunca acaba!

Somos Romeu e Julieta

(o requeijão e o doce de goiaba)

No entanto, não nos degustamos!

A cada dia tomamos

uma dose do veneno “Se” (do Djavan)

O universo tenta nos afastar,

mas a cada passo dado, nos queremos mais como um ímã.

Minha fonte Luminosa, queria mergulhar meus lábios negros

nas águas que jorram do teu arco.

E ir confessar meus desejos carnais na tua catedral.

Meu soneto de 14 versos – de 4, 4 - 3 3.

Há quem diga que se nos rendermos ao desejo, seremos escravos dele.

Mas se somos prisioneiros do amor!?

... é de pessoas como a Crioula, que os poetas se debruçam a escrever poesia.

Abro um parênteses (talvez se consumíssemos esse tal desejo, poderíamos perder o gosto do querer)

Nossa Senhora das Dores, rogo-te que alivia as aflições desse caro Crioulo,

Que tua filha cuasarte!

Só em te pedir, me dói.

Crioula, aqui me despeço de ti, pois, não podemos ter tudo que queremos.

Em nós, cabe ainda a virtude da expectativa,

e com gosto de como ficou Pelé, do gol que não fez, como se o fizesse.

“Vive” – Desencana , nêgo, tudo nela gera tanta dor,

E não se sente!?

“Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu”

O amor platônico me mata!

Erromeu!!!

Apesar do implante de solidariedade
que a cidade às vezes emergencia,
isso é via de acesso pontual...
Um instante no todo que nada muda...
... Há um dane-se fixo em cada semblante.

⁠Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal, faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho:
Baldio é o meu terreno e meu alarde

Legião Urbana

Nota: Trecho da música Os barcos.

"Hoje, eu, andando pelas ruas vazias, na madrugada silenciosa da cidade, percebi que alguém iria sofrer de amor, só fui descobrir quem, quando eu cheguei em casa e me olhei no espelho.
Amor é paixão, paixão é desejo.
Meus olhos, refletem a imagem do sofrimento, e é só você que eu vejo.
Minha boca, ainda guarda cada beijo.
Minha pele, ainda grita seu nome, implora seu toque, o vento ainda tem seu cheiro.
Cada lembrança, cada memória, ainda me acelera o peito.
Ainda acordo assustado, lembrando nossos momentos, me recobrando do pesadelo.
Ainda amo o seu jeito.
Ainda sou aquele sujeito.
Que uma vida a seu lado planejou, tudo, nós, por inteiro.
Quisera eu, que meus planos, sonhos, se materializassem, mas, para o meu desalento, meu viver é sofrimento e devaneio.
Tento te encontrar em outra voz, outro olhar, outro seio.
Aqui um beijo; acolá, outro aconchego.
Mas é impossível, você é única, e, lembrado demais de ti, que meu Gólgota está feito.
Hoje resolvi sair, para tentar afastar você da minha mente, já que é impossível, do peito.
O frio da madrugada já anunciava, que alguém sofreria de amor, mas não sabia quem, um arrepio veio.
Só pude descobrir quem fora destroçado pelo venenoso sentimento, ao chegar em casa e me deparar com a deplorável e sofrível figura, refletida no espelho..." - EDSON, Wikney

Foi nesse contexto que eu nasci.


Dois dos meus irmãos passaram a rodar a cidade de Olinda, indo de casa em casa, durante toda a vida. Eu sempre soube da existência deles, mas nunca os conheci pessoalmente, porque a minha avó não permitia que eu tivesse contato. Eu era impedido de conviver com eles.


Fui criado dentro de uma casa fechada. Não tinha acesso à rua, não tinha acesso à convivência. Era assim a cultura da época. Uma espécie de prisão. Muitas vezes eu ficava trancado dentro de um quarto escuro, principalmente por eu ser um menino muito elétrico.


Os castigos eram constantes. Começavam em casa e continuavam na escola. Muitos deles envolviam ficar de joelhos sobre caroços de feijão. Foram muitas violências físicas e emocionais, que hoje eu reconheço como torturas.


Eu só vim conhecer o que era infância perto dos meus 15 anos, quando fui para o Rio de Janeiro. Nesse período, minha própria avó já não me aguentava mais. Eu havia entrado em um processo de rebeldia que fugia completamente ao controle que ela tentava exercer sobre mim, inclusive por meio da religião.


O primeiro livro que eu li na vida, e do qual jamais vou esquecer, foi “A Verdade que Conduz à Vida Eterna”. A partir dali, comecei a me questionar profundamente. Que Deus é esse que permite que crianças sejam mantidas trancadas, sofrendo, enquanto adultos observam calados? Que Deus é esse que convive com hipocrisia e com abusos, inclusive abusos sexuais contra crianças, praticados por pessoas próximas, muitas vezes ligadas ao ambiente religioso, em quem minha avó confiava cegamente?


Nada disso se apaga. Não adianta tentar suavizar. Nada muda a dor que senti naquele momento e a dor que ainda sinto hoje. É por isso que, em muitos momentos da minha vida, eu só consegui dizer: mundo, afasta de mim esse cálice.


Dando continuidade, meu irmão Joel, o mais novo, que tinha apenas 40 dias de nascido quando ficou trancado naquela casa, foi criado pela minha avó paterna, mãe do meu pai. Eu fui criado pela minha avó materna, mãe da minha mãe. Cada um de nós seguiu um caminho separado.


Eu só fui entender, de fato, o que era família por volta dos 15 anos. Foi quando saí de Olinda e fui para o Rio de Janeiro. Lá encontrei uma estrutura familiar diferente, já formada. Foi ali que ganhei mais dois irmãos, do segundo e verdadeiro casamento da minha mãe.


Esse homem, companheiro da minha mãe até os últimos dias da vida dela, tem todo o meu respeito. Ele cuidou não apenas dos filhos dele, mas também de dois filhos que não eram biologicamente dele, mas eram filhos dela. Foi ali que eu vi, pela primeira vez, um cuidado real.


Minha mãe só voltou a ter contato com os filhos que moravam em São Paulo quando eu fui para lá, depois do período no Rio de Janeiro. Fui eu quem trouxe esses irmãos para ela reencontrar. De tão distante que tudo tinha ficado, ela já nem lembrava mais como esses meninos eram.


É desse lugar que eu falo quando falo de rejeição. Não é teoria. É história vivida.


Fernando Kabral


7 de janeiro de 2026
9:58


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Referindo-se a cidade de Piratininga no interior de SP - BR.


" Piratininga, a cidade dos residenciais"




Paulo Roberto Neto Coimbra

O que fica por dizer


A cidade acordou sem notar
qualquer mudança.


O rio manteve sua largura exata,
as pontes não rangiam mais que o costume,
e os sinos tocaram
no mesmo tom de sempre.


Havia, no entanto,
uma leve alteração no ar,
como se o mundo tivesse esquecido
uma palavra importante
e decidido continuar mesmo assim.


Nada faltava.
Nada sobrava.


O dia cumpriu suas horas,
a noite fez seu trabalho,
e o tempo seguiu
como se tudo estivesse exatamente no lugar,e ainda assim,
alguma coisa pairava
no silêncio.

O Espinho que Sustenta o Luxo
William Contraponto


O lixo na cidade se acumula,
O luxo segue o mesmo caminho.
A bandeira de poucos trêmula,
Enquanto a maioria pisa espinho.


O grito da fome é contido,
abafado por telas brilhantes.
Um povo cansado e esquecido,
som perdido em ruas distantes.


As praças se tornam vitrines,
com passos de pressa e descaso.
Erguem-se muros e confins,
derruba-se o humano no atraso.


O poder se veste de ouro,
mas seus pés tropeçam na lama.
Promete futuro sonoro,
entrega cinza e mais trama.


Enquanto se erguem palácios,
ergue-se também a miséria.
Nos becos, os corpos cansados
carregam a dor que não cessa.


E o tempo que passa impassível
não limpa a ferida exposta.
A cidade, em ciclo terrível,
repete a mesma resposta.

Hoje a cidade amanheceu sorrindo...
Os passaros cantam...
As flores perfumam...
Os raios iluminam...
e Deus te deu de presente
um novo dia, novinho em folha..
Então? O que esta esperando para
dsembrulhar a jornada que te espera?
A cada manha ganhamos um novo dia, o
ontem nao pode ser igual a hoje, porque
cada dia é unico e impar!
Feliz Terça-feira!

Às vezes, para ter sucesso na vida, é preciso sair da cidade natal — um lugar onde ninguém conhece de verdade tudo o que você já passou. Para alguns, sair facilita o recomeço, mas o verdadeiro sucesso começa dentro da própria pessoa.

Parabéns, São Paulo altaneira,
Cidade-mãe de todos os povos,
Onde o mundo inteiro se encontra
E constrói seus próprios novos.


Paulista, artéria do tempo,
Beleza que pulsa e ensina;
Entre concreto e esperança,
Ali o futuro caminha.


Ibirapuera, verde abraço,
Respiro vivo da metrópole;
Exuberante, livre e eterno,
Santuário da alma paulistana.


Augusta, rua da diversidade,
Expressão plena da liberdade;
Bela em seus contrastes humanos,
Espelho fiel da pluralidade.


Ipiranga e São João, memórias,
Avenidas de história e paixão;
Ecos de um Brasil que cresce
No ritmo do próprio coração.


São Silvestre, passos centenários,
Corrida de fé e emoção;
Onde o mundo corre contigo
Pelas veias da mesma canção.


São Paulo, grandeza que inspira,
Orgulho eterno do Brasil;
Explode em amor esta cidade
Que nunca dorme — apenas sorri.

Na esquina que a cidade não vê
Onde o negrume da noite reside,
Acende o letreiro: "É por você!"
Mas o brilho do ouro é quem decide.
​O pastor, de terno e voz aveludada,
No púlpito, a Bíblia aberta e o olhar sereno,
Condena a luxúria, a carne profanada,
Com o carro importado, o luxo obsceno.
​E o fiel, pobre e de alma tão sedenta,
Deposita a sobra, a última moeda,
Ouve que a benção só é opulenta
Se a fé for medida por nota na gaveta.
​A moral na boca é de pedra fria,
Julgando o vizinho que erra no passo,
Apontando o cisco com tamanha ousadia,
Enquanto esconde a trave sob o braço.
​Falam de Cristo, humilde e despojado,
Que andava na poeira, sem teto nem coroa,
Mas fazem do templo um trono dourado,
Onde a caridade é só uma loa.
​Alegam o amor que tudo perdoa,
Mas fecham a porta para o diferente,
Só aceitam quem reza, quem se ajoelha e entoa
A canção padronizada e conveniente.
​A hipocrisia veste a roupa santa,
É o dízimo da boca, mas não do coração.
A verdade é que a fé, por vezes, se levanta
Não em Deus, mas em pura ostentação

Nascimento do poema.
Deixo a cidade e seu tumulto lá fora,
E o silêncio sussurra os versos,


As palavras dançam ao vento,
E o mundo some , se afasta,agora compondo parindo!!!
Só restam as emoções,
E o poema nasce, lentamente sem pressa. Leila Boás 13/12/2025

Aprendendo regular dopamina




Menina nascida na cidade do barulho, já com a vida cercada de muros.
Recebida não com colo, mas com sentença.
Chamaram-na excesso antes de ser presença.
Aprendeu cedo que amor, em certas casas, é moeda rara e grito frequente.


Cresceu calibrando o próprio pulso pelo humor de quem deveria cuidar e dar o exemplo,
lendo o clima como quem estuda tempestades para sobreviver.
Hiperalerta.
Hiperativa.
Hiperconsciente.


O sistema nervoso virou quartel.
O coração, radar.


Enquanto era chamada de vários nomes que podem ferir,
ela decifrava o mundo pela tela azul da madrugada,
internet discada como portal secreto,
ICQ piscando como farol de outro continente,
músicas baixadas em silêncio,
fitas gravadas como quem arquiva provas de que existe beleza.


Trancada, mas não pequena.
Sozinha, mas não vazia.


Ela estudava pessoas como quem estuda maré.
Observava. Comparava. Não engolia narrativas prontas.
Sua mente nunca coube em moldura doméstica.


Quando o portão abria,
virava oceano.
Skate no asfalto,
corrida na areia,
prancha rasgando a água,
dopamina como milagre bioquímico,
liberdade como direito ancestral.


O mar não gritava com ela.
O mar respondia.


Ali descobriu irmandade feminina,
descobriu biologia como idioma do planeta,
descobriu que justiça não é conceito e sim
instinto.


Desde criança defendia quem nem gostava,
porque desigualdade lhe doía na carne.
Onça quando preciso.
Silêncio quando estratégico.
Memória absoluta quando traída.


Ela não guarda ódio.
Ela arquiva.


Inteligente o bastante para liderar,
sensível o bastante para sentir antes de acontecer.
Sonhos lúcidos, pressentimentos,
um tipo de percepção que não cabe em manual clínico
nem em catecismo.


Chamaram-na intensa.
Era apenas desperta.


Confiou demais,
porque quem ama com verdade não imagina cálculo alheio.
Teve ideias roubadas,
amizades rasgadas,
lealdades quebradas.


E mesmo assim continuou oferecendo água num mundo que vende sede.


Há nela uma dualidade quase mitológica:
a menina que sobreviveu à casa em guerra
e a mulher que escolheu proteger águas e florestas.
Trauma e missão dividindo o mesmo corpo.


Ela se trata.
Regula a dopamina.
Aprende a dialogar com o próprio sistema nervoso como quem domestica um cavalo ferido sem quebrar sua força.


Não precisa mais viver em modo incêndio.
Pode viver em modo construção.


Às vezes o passado aciona alarmes invisíveis
e a tristeza senta ao lado.
Mas agora ela sabe nomear o que sente
e nomear é poder.


Há quem diga que ela carrega memórias de outras eras,
que já andou por sombras antigas
e retorna vida após vida tentando equilibrar a balança.
Talvez mito.
Talvez metáfora.
Talvez apenas a forma poética de explicar
por que alguém tão jovem carrega tanta responsabilidade.


Ela é virgem na análise,
áries no impulso,
escorpião na emoção,
tigre na defesa,
oceano na profundidade.


É abrigo para segredos.
É ombro firme.
É aquela que chega quando todos vão embora.


E, paradoxalmente,
ainda se pergunta por que foi rejeitada no início.


A resposta não está nela.
Nunca esteve.


Ela nasceu inteira demais
para caber em lugares rasos e pequenos.


Agora caminha com o aperto no peito de quem enxerga o mundo ruir, a
geopolítica em combustão,
a natureza saqueada,
os heróis sociais e ambientais tombando pela missão,
e mesmo assim escolhe plantar.


Porque há pessoas que vieram para consumir.
E há as que vieram para criar e cuidar.


Ela não é ingênua.
Ela é deliberadamente boa.


E isso exige mais coragem
do que qualquer guerra.

O Dono da Estufa

Na cidade de vidro havia uma estufa
onde cresciam homens em fileiras retas —
raízes presas a crachás,
folhas presas ao relógio.

O jardineiro vestia linho claro
e falava sobre produtividade
como quem fala do clima:
sem jamais olhar o céu.

Regava apenas a própria varanda.
Nos corredores, o ar era contado
em parcelas invisíveis —
cada respiração descontada do salário.

As plantas amarelavam
não por falta de água,
mas pelo excesso de sede alheia.

Ele bebia a empresa em taças largas,
degustando relatórios como vinhos raros,
e confundia lucro com eternidade.

Um dia mandou vir um sino —
um leiloeiro de voz firme,
treinado para anunciar destinos
e dar preço ao silêncio das coisas.

O homem do martelo
aprendeu o eco das paredes,
mediu o peso do tempo,
deu valor até ao pó suspenso.

Mas o jardineiro, entediado,
trocou o sino por outro qualquer,
não por falha,
não por custo,
não por razão —

apenas pelo prazer
de provar que até a palavra
lhe pertencia.

E assim ficou a estufa:

homens podados antes de florescer,
cadeiras polidas como lápides,
e um dono sentado ao sol artificial
num trono feito de folhas arrancadas.

No livro-caixa
não constava o vento.
No balanço
não cabia o cansaço.

Mas à noite,
quando as lâmpadas cessavam de mentir,
as raízes conversavam sob o chão
e sabiam —

nenhuma planta sobrevive
ao jardineiro
que se alimenta do jardim.

⁠Na política, ratos não roem queijo, mas sim o futuro de uma cidade.

Às vezes o silêncio da cidade diz mais do que qualquer testemunha.

⁠"Hoje é sábado, o sol brilha sem nuvens, nascendo em nossa cidade, trazendo a luta por um novo dia."