Cidade

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Luar Crescente que faz
o coração sorrir bonito,
Que ilumina com carinho
a nossa cidade de Rodeio
no Médio Vale do Itajaí,
que plena reina no peito.


Com lábios perfumados
de Framboesa-Negra,
É aqui por alguém
aguardo para ter até o Sol
como testemunha
que somos predestinados
a ser um casal apaixonado,
e que há de tratar o amor
com dedicação e cuidado.


O quê há de mais poético
não é de hoje que tenho
para ele preservado,
Ele é meu e eu sou dele,
e será uma festa por
este dia que é tão esperado.

A Lua Cheia bailarina da noite
que o Médio Vale do Itajaí corteja,
e da minha cidade a poesia acena.

Rodeio e o Pico do Montanhão: Raízes, Memória e Poesia


Na linda Rodeio, doce cidade,
onde há uma parte enraizada,
pois nela o meu avô foi frade.


Nunca estive de passagem,
embora tenha a herança da imigração,
que a resgato sempre com paixão.


Tenho morada e poesia fincada
com o coração sobre as linhas
do magnífico Pico do Montanhão.


Qualquer afirmação contrária
pertence somente a quem
desconhece de onde veio.


[Tenho certeza: não conhece
nenhum pouco a minha história direito.]

Luar Crescente de madrugada
na minha cidade de Rodeio
atravessando a serena mata
anuncia a queda de temperatura,
Uma companhia que enternura
o silêncio e a poesia profunda.


(O meu coração de procura).

Chave. Raízes.
Cidade eterna.


(Cicatrizes de guerra.)

MINHA CIDADE.
Eu quero a minha cidade de volta,
cidade roubada pelos políticos,
cidade furtada pelos malfeitores,
cidade agredida pela policia,
cidade abandonada pelos seus amantes,
cidade esquecida pelos políticos,
cidade punida pela justiça de Deus !
Eu quero a minha cidade que um dia foi maravilhosa,
cidade que hoje sucumbe a uma chuva copiosa,
eu quero a minha cidade de volta,
roubada por governadores e prefeitos,
eu quero a minha alegria de volta,
e ter de volta o orgulho de ser carioca.
eu quero a minha cidade maravilhosa,
cheia de encantos mil,
orgulho do meu Brasil.
Aqui não é Sodoma ou Gomorra,
aqui é o Rio de Janeiro,
alegria o ano inteiro,
e que não pode chorar tanto assim !
orgulho do meu Brasil !
.

Apesar de
chamarmos de
felicidade,
ela não é uma cidade,
mas uma estrada.

Quando a cidade adormecer, vou procurar seu nome outra vez.

O FENÔMENO DA DOR, DA MORTALHA E DA BELEZA.
Na antiga cidade de Valedourado, cercada por montanhas cobertas de névoa e bosques silenciosos, vivia uma jovem chamada Helena. Sua beleza era comentada em todas as ruas, admirada em todas as praças e celebrada em todos os salões. Seus olhos pareciam refletir o azul do céu após a tempestade, e seus cabelos escuros lembravam a profundidade das noites sem lua.
Desde a infância, Helena acostumara-se a ouvir elogios. Onde passava, recebia sorrisos; onde chegava, atraía atenções. Pouco a pouco, sem perceber, passou a acreditar que sua aparência era seu maior patrimônio e que a admiração dos outros constituía a medida de seu valor.
Os anos transcorriam suaves, como um rio tranquilo, até que o destino, esse velho mestre que ensina por caminhos inesperados, resolveu visitá-la.
Numa tarde de inverno, uma enfermidade grave atingiu a cidade. Muitos adoeceram. Helena também foi alcançada pelo sofrimento. Durante semanas permaneceu recolhida, entre febres e dores que pareciam consumir-lhe as forças.
Pela primeira vez em sua existência, descobriu que a beleza não era capaz de afastar a aflição.
O espelho, antes seu aliado inseparável, passou a revelar um rosto abatido, marcado pelo cansaço. A juventude ainda estava ali, mas a fragilidade humana tornara-se visível.
A dor fez aquilo que os elogios jamais haviam conseguido: obrigou-a a olhar para dentro.
Durante longas noites de insônia, observava pela janela as estrelas e perguntava a si mesma quem realmente era.
Se sua beleza desaparecesse, o que restaria?
Se os aplausos cessassem, quem permaneceria ao seu lado?
Se o corpo envelhecesse, onde encontraria sua identidade?
As respostas não vieram imediatamente.
A dor raramente fala alto.
Ela prefere sussurrar.
Quando finalmente recuperou a saúde, Helena saiu para caminhar pelas ruas da cidade. Notou algo que jamais havia percebido. Havia rostos marcados pelo trabalho, pela idade e pelas dificuldades da vida, mas que irradiavam uma serenidade que nenhum cosmético poderia produzir.
Conheceu então uma velha costureira chamada Margarida.
A mulher confeccionava mortalhas para os falecidos da região.
Helena estranhou aquele ofício.
— Não é triste trabalhar apenas com a morte? — perguntou.
Margarida sorriu.
— Eu não trabalho com a morte. Trabalho com a igualdade.
A jovem não compreendeu.
A idosa então explicou:
— Quando chegam até mim, ricos e pobres usam o mesmo silêncio. Vaidosos e humildes vestem a mesma mortalha. Os títulos desaparecem. As posses ficam para trás. A beleza física retorna à terra. Mas aquilo que a alma construiu permanece.
Aquelas palavras ficaram gravadas na memória de Helena.
Meses depois, a costureira permitiu que ela observasse seu trabalho.
Ali, diante das mortalhas cuidadosamente dobradas, a jovem compreendeu algo profundo.
A mortalha não era apenas um tecido.
Era um símbolo.
Representava o momento em que todas as ilusões humanas caem.
Nenhuma joia acompanha o espírito.
Nenhuma aparência atravessa os séculos.
Nenhum elogio resiste ao túmulo.
Apenas as virtudes seguem viagem.
A partir daquele dia, Helena começou a mudar.
Continuou apreciando a beleza, mas deixou de adorá-la.
Passou a visitar enfermos, auxiliar necessitados e ouvir aqueles que carregavam sofrimentos invisíveis.
Descobriu que existe uma beleza maior do que a simetria dos traços.
A beleza da compaixão.
A beleza da bondade.
A beleza do perdão.
Os anos passaram.
Seu rosto envelheceu como envelhecem todas as coisas da Terra.
As linhas do tempo desenharam-se em sua pele.
Os cabelos tornaram-se prateados.
Contudo, algo extraordinário aconteceu.
Quanto mais a aparência física diminuía, mais sua presença iluminava os ambientes.
As pessoas já não a admiravam por sua formosura.
Admiravam-na por sua alma.
Quando chegou sua hora de partir, muitos reuniram-se para prestar-lhe homenagem.
Entre lágrimas e preces, recordavam não sua antiga beleza exterior, mas os gestos de amor que distribuíra ao longo da existência.
E quando seu corpo foi envolvido pela última mortalha, parecia que a própria vida sussurrava uma lição aos presentes:
A dor revela.
A mortalha iguala.
A beleza verdadeira permanece.
Fundo moral
A dor é uma professora severa, mas sincera. Ela remove máscaras e nos obriga a encontrar aquilo que realmente somos. A mortalha recorda a transitoriedade de todas as conquistas materiais e da aparência física. Já a verdadeira beleza não pertence ao corpo, mas ao caráter, à inteligência moral e à capacidade de amar.
Consequências morais
Quem vive apenas para a aparência torna-se dependente do olhar dos outros e sofre quando o tempo lhe cobra o tributo inevitável da mudança. Quem cultiva valores interiores constrói um patrimônio imperecível, que resiste à enfermidade, ao envelhecimento e à própria morte.
Porque a dor pode transformar.
A mortalha pode ensinar.
Mas somente a virtude tem o poder de sobreviver ao tempo.

SOBRE O LIVRO: CIDADE NO ALÉM - ANDRÉ LUÍZ/ FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.
E A CONTINUIDADE DA VIDA ESPIRITUAL. PARTE I.
Cidade no Além: apresentado como introdução à obra mediúnica atribuída ao Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier em 17 de junho de 1983, constitui uma reflexão doutrinária de grande densidade filosófica dentro do corpo literário do espiritismo cristão. Trata se de uma exposição que busca interpretar, sob a ótica da continuidade da vida, o significado das comunidades espirituais descritas em Nosso Lar.
O autor espiritual inicia suas anotações reconhecendo o esforço de um colaborador espiritual denominado Lucius para transmitir aos encarnados alguns aspectos da colônia espiritual conhecida como Nosso Lar. Essa cidade espiritual é apresentada como um núcleo de trabalho, reeducação e organização social destinado aos espíritos que se libertaram do corpo físico, mas que ainda necessitam de reajuste moral e intelectual. A mediunidade de Heigorina Cunha, residente em Sacramento no estado de Minas Gerais, é mencionada como instrumento dessa comunicação espiritual, demonstrando o papel da mediunidade como ponte entre os dois planos da existência.

SOBRE O LIVRO: CIDADE NO ALÉM.
PELO ESPÍRITO: ANDRÉ LUÍZ/ FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.
PARTE II
O texto ressalta que, após a morte, o espírito leva consigo todos os elementos de sua vida interior. Ideais elevados, virtudes cultivadas, paixões desordenadas, ressentimentos, esperanças e conhecimentos acompanham a individualidade espiritual. A morte não transforma instantaneamente o caráter do ser humano. Ela apenas remove o invólucro físico, revelando com maior clareza a realidade moral da criatura.
Por essa razão, a desencarnação funciona como um processo de revelação interior. O espírito manifesta, no mundo espiritual, exatamente aquilo que é. Seu grau evolutivo, suas conquistas morais e suas limitações tornam se evidentes através da atmosfera espiritual que irradia. Essa atmosfera determina o ambiente em que o espírito se sentirá naturalmente integrado, pois a afinidade constitui a base da organização social no plano espiritual.

SOBRE O LIVRO: CIDADE NO ALÉM.
DO ESPÍRITO: ANDRÉ LUÍZ/ FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER .
PARTE III
Outro aspecto relevante abordado pelo texto refere se à pedagogia espiritual. A instrução dos espíritos desencarnados utiliza múltiplos recursos didáticos. A palavra falada ou escrita ainda desempenha papel fundamental na transmissão de conhecimentos. Entretanto, a telepatia e outras formas mais elevadas de comunicação espiritual tornam se progressivamente acessíveis à medida que o espírito desenvolve suas capacidades mentais.
Dentro dessa estrutura social, a afinidade moral aparece como a força organizadora fundamental. Espíritos com valores semelhantes naturalmente se aproximam e formam comunidades. Aqueles que já despertaram para a necessidade de aperfeiçoamento interior demonstram profundo respeito a Deus e ao próximo. O trabalho no bem torna se então o elemento central de suas existências.
A religião, nesse contexto, não se apoia em dogmatismos rígidos. A filosofia valoriza o pensamento elevado onde quer que se manifeste. A ciência assume um caráter humanitário, orientando se pelo ideal do progresso moral da humanidade. Em todas essas áreas, o objetivo final é sempre o mesmo. O desenvolvimento integral do espírito.
O texto conclui reafirmando um princípio moral presente no ensinamento evangélico atribuído a Jesus Cristo.

O Último Eco do Romantismo


Ainda que as luzes da cidade apaguem o luar, e o tempo corra sem pressa de sentir, eu continuaria a sentar-me à mesa e a criar, versos de um amor que muitos deixaram de ouvir.


Que me chamem de o último romântico da Terra, o guardião de uma chama que teimam em apagar.


Se o mundo lá fora se perder em sua guerra, eu venço os dias no simples ato de amar.


Mesmo que minhas palavras encontrem o vento, e flutue sem destino feito folhas no chão, sei que o silêncio do espaço acolhe o sentimento,
e o próprio universo compreende a canção.


Pois nada que é puro se perde do nada, nenhum sopro genuíno se desfaz em vão.


A vida,
em sua volta sensata e sagrada, devolve o afeto que sai do coração.


E assim escrevo,
sem medo do vazio, falando ao infinito o que a alma traduz em letras.


Se sou o último a cantar à beira do rio, que minhas palavras guardem o restinho de luz!

⁠Na cidade, sou abençoada,
No campo, a Tua graça é derramada.
Em cada canto onde eu estiver,
Teu favor, Senhor, irá me acolher.

⁠"Com o déficit habitacional na cidade, até casa na árvore virou mansão, e te deixam sem as calças com o aluguel."

Noite fria, chuva martelando o telhado, vento que uiva nas copas. As ruas estão vazias, a cidade ilumina apenas o que é frio, que não tem vida, não vejo ninguém, como se a cidade tivesse recuado para dentro de si. Caminhar nessa chuva é rasgar-se por dentro, poucos têm estômago para esse abandono.

A sua voz é a música que me faz esquecer que a cidade é feita de muros, cada palavra sua derruba a muralha da minha solidão.

Há noites em que a cidade me parece um sopro cansado. Luzes que piscam como olhos que fingem não ver. Caminho entre rostos apressados e penso no que perdi. Perder também é aprender a medir o valor do que resta. E quando volto, minha casa me recebe com ternura de objeto amado.

A cidade tem lembranças afiadas como cacos de vidro. Passo descalço por algumas ruas e sinto as marcas. Cada cicatriz urbana me conta quem já soube amar. Há um consolo no reconhecimento das próprias falhas. E, por isso, volto ao lugar que me fez aprender.

O silêncio é uma cidade onde aprendo a falar devagar. Lá as frases caminham com sapatos macios. Não há pressa de entender, só desejo de existir. E nesse lugar, até o pensamento encontra abrigo. Volto diferente de cada visita.