Cheiro

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A saudade tem cheiro, tem peso, tem pulso, ela me abraça quando menos espero, e me faz lembrar que sentir é humano, só não deixo que ela me afogue, eu respiro fundo e sigo carregando memórias.

Há um silêncio que tem cheiro de infância perdida. Ele se esconde nas gavetas e nos retalhos do falar. Quando me ponho a escrever, o silêncio ensina como ferir com calma. Sinto que as palavras são pontes frágeis entre mundos. E atravessá-las é ato de coragem e covardia.

Minha alma tem o cheiro de livros antigos, daqueles que ninguém mais abre porque têm medo do que as páginas amareladas podem revelar sobre o passado. Sou um acervo de histórias que ninguém quer ler, guardado em uma biblioteca que o tempo esqueceu de demolir.

​Às vezes, o olfato me trai e me devolve aquele cheiro ferroso, acre, de um tempo que eu gostaria de ter deixado para trás. Vejo-me novamente confinado naquelas caixas de concreto frio, em quartos de hospital onde o sol nunca ousava entrar com força. A memória é um curto-circuito, flashes de um ambiente sem relevo, uma monotonia de cinzas onde o único relevo era o barulho incessante das máquinas monitorando o que nos restava. É uma lembrança que não flui, ela fere em fragmentos frios e mecanizados.


- Tiago Scheimann

Habito um labirinto estreito e obscuro, uma mente feita de escombros. Há um cheiro persistente de esquecimento no ar e o gosto áspero de ferrugem na boca. Um lugar maldito, confuso, que consome quem entra. Mas é sob o peso dessa escuridão que minhas epifanias sangram. Eu pertenço a essa ruína.

De olhos fechados

Beijos, mas não era a boca dela!
Toque, mas não eram as mãos dela!
Cheiro, mas não era o perfume dela!
Aconchego, mas não era o corpo dela!
Sussurros, mas não era a voz dela!
Carinho, mas não era a pele dela...
Então, ele fechou os olhos.
De olhos fechados, a encontraria, a tocaria, a sentiria...
De olhos fechados, sairia dali, iria onde quisesse...
De olhos fechados, sentiria os seios fartos, a cintura fina, a voz dengosa, o corpo trêmulo, o sorriso fácil, lânguido...
De olhos fechados!
E assim teria que viver...
De olhos fechados!
Só assim teria a chance de sentir outra vez tudo o que havia perdido...

Deixei, a comida queimar.
Ficou, com cheiro de queimado.
Um cheiro horrível.
A vizinha, sentiu o cheiro.
Eu estava, com fome.

O meu quarto tem cheiro da morte.
A minha janela reflete a escuridão
A minha cama vazia me ensina o que é a solidão.

Às vezes sinto uma imensa vontade de encostar-se a teu corpo e sentir o teu cheiro perfumado, esperando que você olhe intensamente no mais profundo coração que por você se rendeu;
Sei que és a rainha do meu coração desatinando minha razão e se fazendo dona dos meus pensamentos;

⁠Passei a noite a te admirar
Cada linha, cada cor e cada cheiro...
Que me faz te querer mais e mais.
Apenas 1 cm era o que separava meus lábios dos teus.
Cada inspiração e respiração era sentida intensa como uma cena de filme de terror.
Parecia ser o momento certo, o momento
Exato para acabar com toda essa duvida,
Essa curiosidade de sentir o seu sabor.

"Leve-me para perto da sua sombra
deixe-me sentir o seu cheiro
só esperando a felicidade no amanhã que é passageiro
e lembrando um dia dos seus beijos."

⁠Sentimento dividido no tempo perdido
Buscando te ter
Sinto no ar que respiro seu cheiro prefiro
Não lembrar você
Ficou marca evidente que vive presente
No meu coração
Por caminho diferente o amor entre a gente
Não teve razão
Mas já chega assim não dá
Desculpe amor vou te deixar
Sei que vai me entender
Adeus, foi bom te conhecer
Vou dar paz pro coração
Nessa solidão ta difícil viver
Vou sumir da sua vida
A única Saída é ter que esquecer

O cheiro de enxofre que exala dessa guerra ideológica disfarçada de virtude está sufocando o que ainda nos resta de humanidade. Esquerda e direita transformaram o Brasil em um tabuleiro de ódio, onde o cidadão comum é tratado como peça descartável. O cenário mais grotesco dessa palhaçada repulsiva acontece quando a fé é arrastada para o meio da lama. Líderes religiosos, que deveriam pregar o acolhimento, a misericórdia e o amor incondicional, hoje sobem ao altar com o estômago cheio de preconceito e a boca transbordando arrogância partidária. Usam o nome do Sagrado para abençoar opressores, demonizar opositores e validar o egoísmo mais tacanho. Transformaram templos em comitês eleitorais e fiéis em soldados cegos de uma milícia digital que destila preconceito e falta de caráter a cada clique. Dá nojo ver a Palavra ser estuprada para justificar a falta de empatia crônica de uma sociedade doente.
Enquanto famílias se dilaceram e amigos de infância se tratam como inimigos mortais por causa de salvadores da pátria de gravata, os donos do poder dão risada. Quem defende esses políticos com unhas e dentes, esquecendo-se do próprio irmão, está sofrendo de uma cegueira espiritual profunda. Onde isso vai terminar? Vai terminar no isolamento, no vazio e em uma terra arrasada onde ninguém confia em ninguém. No final dessa disputa sangrenta de egos, quem perde não é o partido A ou B; quem perde é o povo. O político que você defende não vai financiar o tratamento do seu filho, não vai consertar o teto da sua casa na tempestade e muito menos vai segurar a sua mão em um leito de hospital. Eles se alimentam da sua indignação para garantir banquetes luxuosos nos bastidores, onde a esquerda e a direita brindam juntas, rindo da ingenuidade de quem se mata por eles nas redes sociais.
A grande lição de vida que precisamos aprender antes que seja tarde demais é que a nossa salvação não virá de Brasília, de nenhum palácio governamental e de nenhum púlpito corrompido pelo dinheiro. O verdadeiro teste de moralidade não é o seu voto na urna, mas como você trata o necessitado que bate à sua porta. Precisamos superar urgentemente essa necessidade infantil de idolatrar homens falhos. É preciso arrancar essa venda partidária dos olhos e perceber que o outro, mesmo pensando diferente, sangra a mesma dor que você. Enquanto houver mais orgulho em vencer uma discussão política do que em estender a mão para aliviar a fome de um vizinho, continuaremos sendo apenas cascas vazias, estéreis e frias.
Acorde desse transe coletivo antes que o tempo apague a sua capacidade de sentir. O terno alinhado do governante não cobre a nudez da sua alma se você escolheu odiar o seu semelhante. Mude a rota do seu coração. Deixe de ser escudo para quem usa o poder para se esbaldar e passe a ser o abraço que acolhe quem a vida derrubou. A terra gira rápido demais, a vida é um sopro curto e, no último dia, não restará partido, nem ideologia, nem mito; restará apenas o amor que você espalhou ou o rastro de destruição que o seu orgulho político deixou pelo caminho

O galo não é despertador, é poesia,
Cantando o início de mais um lindo dia.
E o cheiro... ah, o cheiro! Café em brasa,
Se misturando ao perfume que mora na casa.
​O bolo de milho, de receita guardada,
Era a ponte doce da vida adoçada.
Mas nada, nada superava o calor
Do abraço da Vó, feito de puro amor.
​No colo macio, o tempo parava,
Tudo de ruim ali se apagava.
Saudade que pulsa, lembrança que fica,
Daquele tempo onde a vida era rica.

Fecho os olhos para tentar sentir o teu cheiro e sussurro baixinho: onde está o meu amor que faz falta em cada despertar?

Tu pega um papel de bala e o teu peito desaba porque lembra do dia exato, do cheiro do perfume dela e da temperatura do vento naquela tarde.

"Sonhei com passos demoniacos ao redor da minha cama que tinha um cheiro de ovo podre muito forte e ao lado da minha cama, estava meu irmão, como se fosse uma planta com muitas raízes, meu marido tentava fazer ele levantar, mas como tinha raízes em cima da sua cabeça e embaixo nos pés, ele não conseguia, fiquei assustada e acordei ..."




Agosto de 2024

Me conheça de novo.


Agora eu carrego outro cheiro,
outros olhos,
uma nova voz.


Não procure em mim
a pessoa que você deixou partir,
porque aquela versão de mim
ficou perdida entre antigas estações.


Eu voltei com novas tempestades nos cabelos,
com outros silêncios no peito,
com histórias que minhas próprias mãos
ainda tentam decifrar.


Meu olhar mudou.
Ele já viu abismos,
já atravessou noites compridas,
já aprendeu a enxergar beleza
onde antes só existia ruína.


Minha voz também mudou.
Ela não pede mais licença para existir.
Ela traz o peso dos dias vencidos
e a leveza de quem descobriu
que renascer também é uma forma de vingança.


Então me conheça de novo.


Não tente encontrar quem eu era.
Escute quem eu sou.


Eu ainda tenho a mesma alma,
mas agora ela veste outra pele,
respira outros sonhos
e caminha por um caminho
que só eu conheço.

⁠Não sou flor que se cheire,
mas cheiro muitas flores.

"Vestígios"


Ah, o cheiro do ar
depois da chuva.


Imagens sem vestígios
- eis o que fomos.


As noites se sucedem
e os estilhaços...


Me aborrecem, entristecem
que ao passar,
me foge o quê fazer.


Queria me desaguar
como açúcar, posto ao café.


Me desdobrar, ao levantar da cama
e respirar mesmo ao me faltar,
um pouco de ar.


Se eu fosse eu
conseguiria fazer de tudo,
mas acabei me perdendo de mim
assim que encontrei você


E adivinha, você nem se conhece ainda.