Cheiro
Petricor.
É a palavra que define aquele cheiro maravilhoso, fresco e calmo que a terra seca exala quando a primeira chuva cai. É o perfume da renovação, do recomeço e da terra a respirar fundo depois de um dia quente.
sobre amar e ser livre.
A luz atravessa a janela sem pedir passagem.
O cheiro da chuva permanece no ar mesmo depois que o céu se abre. Uma música termina, mas, por algum motivo, continua acontecendo dentro de mim.
Talvez ela pertença a essa mesma categoria.
Não porque seja distante, mas porque existe nela alguma coisa que não pode ser alcançada pela matéria.
Eu posso conhecer seus hábitos, saber o que ela gosta, reconhecer sua voz em meio a outras, decorar suas pequenas manias. Posso conhecer os caminhos que ela percorre, os silêncios que prefere, as palavras que costuma escolher.
E, ainda assim, existe uma parte dela que permanece intocável.
Uma espécie de território sem mapa.
É justamente essa parte que mais me interessa.
Não aquilo que ela oferece ao mundo, mas aquilo que existe quando ninguém está olhando. A pessoa que permanece depois que todas as expectativas desaparecem. O pensamento que ela não diz. A versão dela que não precisa ser compreendida para continuar sendo verdadeira.
Talvez seja ali que ela realmente more.
Não em uma casa, nem em uma foto, nem nas lembranças que consigo organizar.
Mas naquele lugar estranho onde ela se tornou uma influência silenciosa sobre mim.
Ela não precisa estar perto para existir em mim.
E isso não tem nada de tristeza.
É quase o contrário.
Existe uma beleza imensa em descobrir que ela pode atravessar minha vida sem precisar ocupar todos os meus espaços. Como uma constelação, distante, impossível de tocar, mas capaz de mudar a maneira como atravesso a noite.
Talvez eu goste dela justamente porque nunca consigo terminar de entendê-la.
Existe alguma coisa muito bonita em não possuir a explicação completa de alguém.
O mistério não está naquilo que ela esconde.
Está naquilo que, mesmo quando revela, continua profundo.
E talvez seja esse o tipo de amor que eu aprendi a reconhecer nela, aquele que não tenta transformá-la em propriedade, certeza ou destino.
Um amor que olha para ela e pensa
eu não preciso ter todas as respostas para reconhecer o que isso significa.
Porque o que sinto por ela não pede conclusão.
Pede que, por alguns instantes, eu pare de tentar definir o que sinto e simplesmente permaneça diante daquilo.
Como quem observa o oceano sabendo que jamais poderá carregá-lo.
Ainda assim, entra na água.
Ainda assim, fica.
Talvez porque eu tenha entendido que o valor de certas coisas nunca esteve na possibilidade de possuí-las.
O céu não é menos bonito porque não posso guardá-lo.
A lua não me pertence porque a contemplo todas as noites.
E ela também não precisa ser minha para ser profundamente minha em algum lugar que a linguagem não alcança.
Existe uma parte dela que não é minha.
Nunca foi.
E talvez seja exatamente por isso que eu a ame tanto.
Porque não posso tocá-la.
Não posso prendê-la.
Não posso pedir que permaneça exatamente onde a encontrei.
Só posso reconhecê-la quando aparece.
Na maneira como ela existe.
Naquilo que ela desperta.
Na pequena alteração que acontece dentro de mim quando o mundo, por alguma coincidência, me devolve alguma coisa que lembra ela.
Talvez amar seja aprender essa delicadeza:
saber que ela é livre, e ainda assim escolhê-la.
Saber que ela pode ir, e ainda assim não transformar o amor em uma prisão.
Saber que não tenho o direito de possuir seus caminhos, seus pensamentos, seus silêncios ou qualquer parte dela que queira permanecer somente dela.
E talvez exista uma liberdade ainda maior em amar assim.
Não porque eu queira amá-la de longe.
Mas porque quero que, quando ela estiver perto, seja porque escolheu estar.
Quero sua presença sem precisar da sua obrigação.
Seu carinho sem precisar da sua promessa.
Sua permanência sem precisar segurá-la pelos braços.
Quero que ela possa continuar sendo inteira, mesmo quando estiver comigo.
Porque, no fim, talvez amar alguém seja justamente isso:
não tentar diminuir o tamanho do mundo dela para caber dentro do meu.
É olhar para ela sabendo que existe um universo inteiro acontecendo por trás dos seus olhos e, em vez de querer possuir esse universo, sentir admiração por poder conhecê-lo.
Algumas coisas foram feitas para permanecer conosco sem jamais permanecerem ao nosso alcance.
E, ainda assim, eu escolho olhar.
Escolho sentir.
Escolho ficar alguns segundos a mais diante dela, diante de tudo aquilo que não posso segurar.
Porque, no fim, talvez o que realmente permanece nunca seja aquilo que consigo possuir.
Seja aquilo que, mesmo depois de partir de todos os lugares possíveis, continua existindo em mim.
E talvez amar e ser livre seja exatamente isso
eu não preciso prender ela para querer que fique.
Não preciso chamá-la de minha para saber o quanto ela significa para mim.
Não preciso ter posse sobre nada que exista nela para reconhecer que, entre tantas coisas que a vida poderia ter colocado diante dos meus olhos, foi ela quem conseguiu permanecer dentro deles.
E talvez seja essa a forma mais bonita que encontrei de amá-la:
deixando a porta aberta,
não porque eu queira que ela vá,
mas porque quero que ela saiba que, se ficar,
será livre para ficar.
Fecho os olhos para tentar sentir o teu cheiro e sussurro baixinho: onde está o meu amor que faz falta em cada despertar?
O galo não é despertador, é poesia,
Cantando o início de mais um lindo dia.
E o cheiro... ah, o cheiro! Café em brasa,
Se misturando ao perfume que mora na casa.
O bolo de milho, de receita guardada,
Era a ponte doce da vida adoçada.
Mas nada, nada superava o calor
Do abraço da Vó, feito de puro amor.
No colo macio, o tempo parava,
Tudo de ruim ali se apagava.
Saudade que pulsa, lembrança que fica,
Daquele tempo onde a vida era rica.
O cheiro de enxofre que exala dessa guerra ideológica disfarçada de virtude está sufocando o que ainda nos resta de humanidade. Esquerda e direita transformaram o Brasil em um tabuleiro de ódio, onde o cidadão comum é tratado como peça descartável. O cenário mais grotesco dessa palhaçada repulsiva acontece quando a fé é arrastada para o meio da lama. Líderes religiosos, que deveriam pregar o acolhimento, a misericórdia e o amor incondicional, hoje sobem ao altar com o estômago cheio de preconceito e a boca transbordando arrogância partidária. Usam o nome do Sagrado para abençoar opressores, demonizar opositores e validar o egoísmo mais tacanho. Transformaram templos em comitês eleitorais e fiéis em soldados cegos de uma milícia digital que destila preconceito e falta de caráter a cada clique. Dá nojo ver a Palavra ser estuprada para justificar a falta de empatia crônica de uma sociedade doente.
Enquanto famílias se dilaceram e amigos de infância se tratam como inimigos mortais por causa de salvadores da pátria de gravata, os donos do poder dão risada. Quem defende esses políticos com unhas e dentes, esquecendo-se do próprio irmão, está sofrendo de uma cegueira espiritual profunda. Onde isso vai terminar? Vai terminar no isolamento, no vazio e em uma terra arrasada onde ninguém confia em ninguém. No final dessa disputa sangrenta de egos, quem perde não é o partido A ou B; quem perde é o povo. O político que você defende não vai financiar o tratamento do seu filho, não vai consertar o teto da sua casa na tempestade e muito menos vai segurar a sua mão em um leito de hospital. Eles se alimentam da sua indignação para garantir banquetes luxuosos nos bastidores, onde a esquerda e a direita brindam juntas, rindo da ingenuidade de quem se mata por eles nas redes sociais.
A grande lição de vida que precisamos aprender antes que seja tarde demais é que a nossa salvação não virá de Brasília, de nenhum palácio governamental e de nenhum púlpito corrompido pelo dinheiro. O verdadeiro teste de moralidade não é o seu voto na urna, mas como você trata o necessitado que bate à sua porta. Precisamos superar urgentemente essa necessidade infantil de idolatrar homens falhos. É preciso arrancar essa venda partidária dos olhos e perceber que o outro, mesmo pensando diferente, sangra a mesma dor que você. Enquanto houver mais orgulho em vencer uma discussão política do que em estender a mão para aliviar a fome de um vizinho, continuaremos sendo apenas cascas vazias, estéreis e frias.
Acorde desse transe coletivo antes que o tempo apague a sua capacidade de sentir. O terno alinhado do governante não cobre a nudez da sua alma se você escolheu odiar o seu semelhante. Mude a rota do seu coração. Deixe de ser escudo para quem usa o poder para se esbaldar e passe a ser o abraço que acolhe quem a vida derrubou. A terra gira rápido demais, a vida é um sopro curto e, no último dia, não restará partido, nem ideologia, nem mito; restará apenas o amor que você espalhou ou o rastro de destruição que o seu orgulho político deixou pelo caminho
Quem fica perto da banca de peixe por muito tempo, o cheiro te acompanha; quem entra em loja de perfume, a essência o eleva. O ambiente ao redor molda a nossa mente, pois o meio em que vivemos acaba fazendo parte de nossa vida.
Bom dia, meu amor. Sentir o cheiro da chuva, sentir a brisa do mar, dormir nos teus braços macios, sem pressa pra acordar, com beijos doces, e de mansinho chegaria pra te acordar. Quisera ser eu agora, dono do teu sonhar, pra me sentir um pouquinho feliz ao acordar.
Linda e irresistível mulher,
quero te satisfazer,
sentir o teu cheiro
com meus dedosdeslizando
pelo o teu corpo,
olhando nos teus olhos,
ir até a tua boca,
ter-te em meus braços
trazer-te pra perto,
disposto, sem pressa,
entretanto,sem tempo a perder,
num momento só nosso
de um intenso prazer.
"Leve-me para perto da sua sombra
deixe-me sentir o seu cheiro
só esperando a felicidade no amanhã que é passageiro
e lembrando um dia dos seus beijos."
"Ela sempre traz consigo aquele sorriso de chegada,
aquele cheiro de flor e aquela alegria de passarinho
cantando na floresta."
Haredita Angel
17.07.23
"Ah se eu pudesse voltar aquele tempo, sentir de novo aquele abraço, aquele cheiro de café, aquele olhar festivo, aquele sorriso tão presente e ouvir novamente aquela doce palavra... FILHA!"
Haredita Angel
16.11.25
"Pensamentos cinzentos.
Falas azuis.
Gestos rosas.
- Emoções brancas com cheiro de grama recém cortada."
Haredita Angel
28.01.26
O meu primeiro amor foi uma rosa, bem rosa, linda, e tinha o cheiro da minha mãe.
Mas ela murchou!
O meu segundo amor foi uma borboleta, linda, dourada feito ouro, tentei guardá-la numa caixa.
Mas ela fugiu!
O meu terceiro amor foi uma estrela, linda,
mais brilhante que um diamante, pensei que seria minha para sempre.
Mas, ela caiu no mar!
- Então eu aprendi que o amor é desapegar-se sem jamais esquecer a luz que nos tocou um dia .
Haredita Angel
07.03.26
- Porque Dezembro tem cheiro de sonhos,
e cor de céu as vestes de Jesus menino.
Haredita Angel
28.12.25
Bom dia a @todos!
Ode a Setembro
Setembro,
tu chegas descalço,
com cheiro de terra molhada
e promessa de flores.
Não gritas como Janeiro,
não choras como Junho ,
tu sussurras cores e olores.
Trazes a primavera nas carícias do vento
e distribui pelos canteiros
o versejar do meu olhar.
Setembro,
és recomeço sem alarde.
É a coragem de florescer depois do inverno,
é a menina que se fez mulher
e não esqueceu de brincar nos jardins da poesia
são os pés escrevendo versos
na areia da praia
e é o perfume do jasmim na alma.
Que sejas leve, Setembro!
Que venhas bordado de verde esperança,
perfumado de amarelo vigor
e desenhado de laranja alegria.
Fica o quanto quiseres...
as páginas da varanda do meu olhar
já estavam te esperando de linhas abertas.
✍@MiriamDaCosta
Eu amo a chuva. Seu barulho e seu cheiro me acalmam. Olhar para ela e para a vida que traz ao solo depois dela, me deixam feliz, e toda vez que olho para o céu, penso na teoria que as crianças usam para explica-la: "As nuvens estão chorando." Ou "Papai do céu está triste." E me sinto consolada, sinto que a tempestade que estava dentro de mim escapou, como se o céu mostrasse ao mundo como me sinto, mas sem dizer que sou eu. Que essa tempestade que veem quando olham para o céu é minha.
