Cartas de Morte
(A MORTE)
Vingativa como Hera,
Que acendam uma vela.
Monarca ou plebeu,
Ela visitará e não importa se você é saudável ou adoeceu.
Ela faz o que der na telha.
Para ninguém se ajoelha.
A uma deusa se assemelha.
Visita bandido e artista,
Milionário e modelo capa de revista.
Ela também vai te dar um oi,
Pois não importa quem você é ou quem você foi.
VISITA
A triste Morte, no final do dia,
veio tentar tirar-me deste mundo...
Pedi a ela só mais um segundo
para encerrar a última poesia.
Ela aceitou, com desprezo profundo,
e ficou lendo os versos que eu fazia,
notei, então, centelhas de alegria
a transformar seu rosto moribundo.
E ela entendeu: como levar-me embora,
se a minha essência estava eternizada
nas tantas rimas e versos que eu fiz?
Então, jurando voltar outra hora,
Pediu-me uns versos para ler na estrada,
deu-me um sorriso e lá se foi, feliz...
Vida frágil
Facho de luz
Instante, instável
Um dia você é forte
No outro,
flerta com a morte
De vc a dor toma conta
De saúde nem uma ponta
Apressa o passo pro fim das contas
Vida frágil
Barato plágio
De felicidade utópica
De mais intenso só amor
Rivalizando com a dor
E ambos nos calam
É o que dizem
É o que falam
Aproveite seus dias felizes
Pois o que te espreita na esquina
É o crescer do sofrimento
E o alívio que vem da morfina
No fim , todos sem dignidade
Não importa a idade
Todos a perdem
Se for só uma noite
Que bom, que já passou
Saímos vivos dessa
Pois essa não nos matou
Se acima Lobão dizia
Abaixo também me serve
Cazuza e a vida louca, vida
Vida breve
E meu observar
por aqui não para
Como o tempo a acelerar
Ao fim da estrada
Como é rápida
Como é repentina
Como nos surpreende
O viver essa vida
É tal qual, no palato
O contrastar do doce
Num instante, num ato
O azedo fosse
É como raiar do dia
Em um segundo passa-se
E não mais raiasse
Produzindo a noite em agonia
É como o verter das águas
Interrompesse o ciclo
Obstruído pelas mágoas
Do que outrora fora vivido
A vida passa
E o humor perde a graça
A tristeza se instala
E o fôlego , como fogo, se apaga
Tão óbvio,
Tão previsível
Estamos fadados
Como se fosse escrito
É como se o verão
Desce lugar ao inverno
E o abrasar do coração
Esfriasse por completo
E se assim disse Cartola
Por que não Adoniram
Afinal sem demora
Se parte o trem da vida vã
E o que se encerra
Se não o sofrer em pranto
E o descansar a espera
Do chamar do Santo
Auto mestria:
Não temer a morte não é o mesmo que desistir da vida. Significa que você não tem medo de Passar por ela, pois já aprendeu a desapegar-se dos bens da matéria. Desapegar-se dos bens materiais não é o mesmo que deixar de gostar de viver, você pode amar a vida e viver tendo proveito de tudo que lhe é dado, apenas não se apegue pois tudo é passageiro...ame e permita-se ser amado, ame seus filhos, seus familiares, amigos e quem estiver do seu lado para te fazer feliz...mas lembre -se cada vida é única e possui sua própria autonomia. Não busque sentimentos fúteis que te são por " apegos " o amor não é apego, o amor é livre o apego é " escravidão " e " doentio ". Sentimentos assim expurgue-os de dentro de ti...aprenda a viver com o " simples " com o " necessário ", sem o sentimento de querer mais...torne-se seu próprio mestre e verá que o portal da morte é tão preciso quanto o da vida. Quando não tiver nada a deixar pra trás é porque você já está pronto.
Um certo dia falávamos da morte,alguns planejando seus funerais eu ali só os ouvia.
Chegaram a mim e perguntaram, como seria o meu.
Respondi assim que liberado meu corpo da autopista, iria direto para Cremação, sem Velório sem choros.
Me perguntaram porquê, sem Velório sem Cerimônia ?
Porquê devemos ser lembrados todos os dias.
Devemos Amar um ao outro todos os dias.
Devemos abraçar mesmo que sem vontade.
Devemos sempre dar um bom dia boa noite.
Devemos ser sempre o oposto da Solidão ou do esquecimento.
Devemos chorar e blindar a vida.
Devemos sentir falta em vida.
Mais jamais chorar da morte.
Pois o dia de cada um de nós, está por vir !
Assim como o meu.
Vivamos o hoje o amanhã poderá ser tarde demais !
A morte de Ivan Ilitch, de Tolstói
A melhor coisa que comprei pra mim neste ano foi um Kindle e assinei o Kindle ilimitado.
Já li vários livros.
Ontem comecei a ler 'A Morte de Ivan Ilitch', novela de Tolstói. Quem me indicou foi minha neta. Quem indicou pra ela foi um professor... que, segundo ela, lê muuuuiiiito.
Ele disse pra ela que chorou quando terminou a leitura. Claro que foi o que me motivou a ler o livro... fiquei curiosa pra saber o que o fez chorar.
Já sei como termina, porque o autor faz o favor de contar quase no início... o fim.
Já li 75% do livro - tecnologia Kindle que diz quanto falta pra terminar um capítulo... quanto você já leu do livro todo... quando você liga está exatamente na página em que você parou de ler... enfim 😉
Aos 60% eu já havia entendido porque o professor da minha neta chorou. Não foi pelo que acontece com o personagem no fim, não... o que acontece com Ivan acontece com todo no mundo no fim... e o autor, como eu disse, já falou quase no começo o que acontece com Ivan... o título já diz 🙄 foram outras razões que trouxeram lágrimas aos olhos do professor... e eu não sou boba nem nada pra dar spoiler...
Claro que ainda há 15% do livro que podem me surpreender e ir por água abaixo o que tenho pensado que tenha feito o professor da Gi chorar... claro que posso chegar a um fim mais terrivelmente triste do que li até agora.. E não, não se engane.. a tristeza não está escrachada em fatos... a tristeza está entremeada em sentimentos e pensamentos de nosso personagem principal.
Talvez tenha algo mais no fim... mas eu só saberei mesmo no fim... por enquanto é isso.
.Criatura sombria
Olhos da morte,
frios como a tristeza,
injustos como a vida,
misteriosos como o tempo.
Foice antiga,
cega como a esperança,
rígida como a união,
sanguinária como a guerra.
Manto envelhecido,
leve como pena.
amedrontador como o destino,
atormentador como a eternidade.
Limbo esquecido,
triste como a solidão,
quieto como a morte,
eterno como o espaço.
Purgatório imaginário,
insano como a loucura,
incompreensível como a alma,
destrutível como a dor.
O que a Morte não pode tocar -
Grato estou por ter amado o que a morte pode tocar!
Grato à Vida, grato ao tempo e ao Destino
por me ter posto ao lado gente que por amar
tornou mais belo, mais inteiro o meu caminho.
Amo os mortos e os mortos dos meus mortos ...
Para sempre! Guardo-os na memória! Estão em mim ...
Eles foram tanto! Não apenas corpos
agora abandonados subjugados a um fim.
Eu amo a vida que ainda habita os mortos
a que está além da forma incapaz de ver
que aqueles que eu amei habitam noutros Portos.
Navegam noutros barcos no cimo de outro mar ...
Todos estão em mim e na certeza de me saber
grato por sentir que isto a morte não pode tocar.
.Lembrete final
Tanta morte em uma vida,
que coração suportará?
do esplendor a tristeza,
sua sanidade romperá.
Seu sangue esfriará,
se continuar a suprimir,
as emoções ocultas,
que não lhe agrada sentir.
Na beira do abismo,
você irá saber
que seu maior erro,
foi não saber como viver.
A morte
A morte te espreita em cada esquina.
A vida inteira te segue e maquina.
Aproveita, então, a vida e vive com alegria.
Usufrua de cada momento do dia.
A morte vem... te apunhalá-la.
Não há como dela fugir.
Toma o que tens de mais precioso
Leva com ela teu bem mais valioso.
A morte vem e leva consigo
Todos os teus sonhos e direitos...
A morte te marca de bala...
Definitivamente, a morte não está nem aí contigo.
Rio da Morte
Vento sombrio
Que sopra sobre
Este rio de tormentos
Do qual estou dentro,
Imerso em vil sentimento,
Passa pesaroso e friorento
Tal qual os versos arenosos
Deste aqui poeta sutil,
Gelando a água ribeira,
Trazendo uma mágoa inteira
Que me vai dissipando.
Estive amando -
Razão pela qual estou
Sofrendo e chorando.
Uma paixão sem sentido
Dum coração atrevido
Que ama o impossível,
Sonhando ser visível.
Na cama quente
Com a fronte ardente
Me assoma uma fonte
Incandescente de desejo,
Que se soma aos latentes
Arquejos de minha mente.
Mas meu pejo me desengana,
Dizendo que ninguém mais
Me ama, que é inútil insistir
Nessas fantasias de sentir
Sem toque físico, apenas
Um choque psíquico.
Uma lição de Filosofia.
Uma questão de Psiquiatria.
Por isso estou aqui,
Tremendo de frio,
Morrendo neste rio
Chamado realidade,
Me afogando em
Minhas próprias verdades,
Ao acaso de ópias ilusões.
Tudo aqui é raso,
Cheio de distorções
Tal qual as veleidades
Que tanto me torturaram.
Receio já estar perdendo
Os sentidos, deixando
Para trás este mundo,
Me indo ao infindo
E profundo Estelar...
Deixar-me ir, partir
Para uma nova jornada
De auto-conhecimento,
Um breve momento
Entre viver e existir.
E saber que nada
Na vida é em vão -
Um porvir, uma partida
Para alguma lição
Que nos faça evoluir.
Grande e exuberante atormentador é o estado pecaminoso, ele pulsa como um coração gerido pela morte e lamenta como um rio em declínio com a chegada da mais severa seca, cada indivíduo então lentamente parece resmoer o mesmo ciclo um mal constituído e defendido por esse mesmo estadual modo errôneo de viver, longe das diretrizes do Criador do Universo, afastados do seu amor ímpar e inegociável, uma armadilha real e concreta, um passo aliado ao declive, existe portanto um fim eminente e aplicável para as lágrimas da culpa essa que tão amargamente chicoteia seu ser, escraviza sua alma, terrível sensação do dissabor, pesadelo fluente oriundo de um viver sem Deus, sem os pilares da graça, eu vi sorrisos apagando-se a mando da presença malevolente do pecado, mais das cinzas um Jó renasce por meio da graça motriz do Altíssimo, No grafar do mais inspirado salmista temi o revelar de um charco de lodo, em sussurros um âmago desorientado, quem pode ser liberto? Então como o sol sem reavisos nascerá em mim um dia de esperança presente no olhar de Cristo e o fardo leve foi a procura sabia do meu proceder, como posso observar o meu notório momento de euforia e até divulga-lo mais nas obscuridades sei o quanto seres humanos como nós em vezes temos pedras em mãos ao invés de denários e hospedarias bem como o notável remédio sarador de feridas, pecadores quem somos senão pecadores, mais assim como o poder gracioso do calvário nos tocou e nas horas dolorosas, optamos pelo toque na santa orla do mestre Jesus, vamos anunciar aos fracos uma força salvivica e perdoadora, e em seus pesares, um bálsamo proveniente de um arrepender reformador, e de um aceitar eloquente, a razão por tanto ouvir ler e saber desse pregador as lindíssimas e preciosas palavras do Senhor é a mesma que me torna feliz todos os insistentes, saber que o pecado trouxe
abundantemente medos e incertezas mais a graça de meu Senhor Jesus Cristo me apresentou superabundatemente a alegria incansável da felicidade e o Amor Perfeito do próprio criador, ainda existe chance! Salve-se! Salve-se em Jesus leia a bíblia creia na bíblia, viva com Deus.
" Por que não aceitamos a morte?
Simples, porque não queremos aceitar a perda,
Ficamos em um estado de total negação,
O medo e o desespero de nunca mais vê a pessoa amada é enorme.
Mas isso é egoísmo nosso,
Ou talvez tenhamos inveja de como a pessoa estará melhor sem nós,
Sem dor,
E não terá sofrimento algum.
As únicas pessoas que de fato sofrem,
São seus familiares...
A saudade?
Ela é eterna
E o que fica?
São as boas e velhas recordações.
Morte às crianças! Dizem os glutões. Morte aos racionais, dizem os padres, que depois de anos de estudo não sabem o mínimo do segredo do amor. Morte aos camelos! Diz os protestantes, que apenas são sanguessugas de vida, não ensinam e apenas repetem o que Jesus Cristo havia feito.
Estas três metamorfoses estão na calmaria total, mas as verdadeiras de uma criança, ou pelo menos os próprios sacrilégios, mas a real situação é a quarta metamorfose.
Digo-vos aqui e agora a quarta metamorfose é a do Aviano, não está escrito em nenhum livro, são crianças que criaram asas e voaram, para apenas buscar o sentido. Que homens são esses, que matam, destroem, diz Panemorfi em seu túmulo. Panemorfi e Mávros estão além do bem e do mal.
O AMOR E A MORTE
Se amar é morrer,
Sinto lhe dizer
Mas meu corpo já está a
Apodrecer
Não quero apenas te
Conhecer, quero te entender
Mesmo que para isso, eu
Tenha que morrer
Vou te amar,
Mesmo sabendo que um
Dia você vai o quebrar
Enfeitiçado, em tamanha
Feição que atingiu meu
Coração
O que os olhos não vêem, o
Coração não sente, mas...
Meu coração te agarrou, e
Meus olhos se enterraram
Na eternidade do amor
Irei vender a morte ao desejo.
Vou vender beijos aos marinheiros, acorrentar as ondas aos pés da minha amada, semear anarquias no vento para que tudo se vá.
Abraçarei uma estrela à noite, ouvirei os segredos de um búzio, sobre a vida que ela leva em alto mar, onde quer que eu pernoite.
Trarei nas mãos castelos de areia, e dentro deles sonhos, cometas, sereias e roletas.
Andarei vagueando e despido no cais, puxarei conversa com os gatos vadios, enquanto vou polindo a vida de um ouriço.
Esperarei pela maré baixa, para que as ondas me tragam as correntes.
“Asas de cera, a certeza da morte e o sonho de Ícaro"
Ô vida arriscada, nossa quanta besteira, viver sonhando com a morte, sonhando em tocar a Estrela.
Estrela, linda Estrela, Estrela da minha cidade, arriscaria perder as ceras das minhas asas em busca de reciprocidade.
Estrela, bela rainha, se as ceras que colam as asas dos meus sonhos, suportassem só por segundos o imenso poder dos seus raios, arriscaria sonhar mais alto e nessa peça protagonizar.
Estrela, voar em direção aos raios, que chamo de braços, mesmo significando a morte, seria um prazer eterno, mas vivido em apenas segundos.
Chama-me Estrela, mais vale ser pulverizado pelo calor de suas entranhas do que viver no labirinto, onde as pedras dizem me amar.
Deixe-me queimar a cera das minhas asas e morrer feliz.
Estrela, há prazer em olhar para ti só de relance, ou através da parede de desilusões, pois o humano pode viver sonhando com o céu, é direito, mas não pode experimentá-lo ainda vivo.
Oh Estrela de beleza única e existência infinita, me perdoe em sonhar tocá-la, logo eu que tenho os dias possíveis de serem contados com as mãos,
Chama-me, quero ser dissolvido pela poeira do tempo, só por pensar em uma aproximação, mas, alegre em saber que se fosse possível tal acontecido, seria aceito.
Chama-me Estrela, os dias estão passando!
Se me chamar Estrela, ou quando o fizeres, e as ceras das minhas asas derreterem, isso, antes de atingi-la,
permita que o odor das minhas penas, queimadas por seu calor, se aproximem de ti, a ponto de confundir a quem pensar sobre o assunto,
não permitindo entender se foi meu cheiro que chegou a ti, ou seu raio que me tocou.
De qualquer jeito morrerei.
Sorte minha, Estrela, no labirinto mundano onde as pedras interagem, resta-me o risco de queimar as ceras das minhas asas na pretensão de a encontrar. Olha pra mim Estrela, pois a morte é certa.
Estrela, brilho da minha vida, não fuja, fique onde estás, pois quando as nuvens se interpuserem entre mim e ti, quero apenas a certeza que a conheci, e que você não está longe, está ali.
Sonhar é como ter asas de cera, se o destino não for bem traçado, não nos leva muito longe, ainda mais se o objetivo for o sol com apelido de Estrela. Mas porque não sonhar se a morte é certa?
Estrela seu mundo é frio, mas cheio de eventos diferentes, chama-me para aquecê-la, espero que minhas asas aguentem. Mesmo assim, ainda morrerei.
Estrela, seu amor é a cicuta que aspiro tomar, tudo pelo prazer de saber que, se ingeri-lo, morrerei, mas, se afastarem de mim esse cálice não sobreviverei.
No dia do meu adeus.
Dizem que com a morte, sofrem aqueles que ficam, pois para aqueles que partem tudo acabou.
No dia do meu adeus, não quero que ninguém sofra ou se entristeça, apenas com o tempo um fio de saudades e com boas lembranças recordem com carinho a minha passagem pela vida.
Pois ao contrário do que dizem, que para quem parte tudo acabou, para mim é aonde tudo começa, o descortinar do grande mistério.
Da morte nenhum medo tenho, mas de não ter vivido verdadeiramente e ter cumprido meu propósito nesta existência, isso sim me faz tremer e sentir calafrios.
Não há nada mais triste e lamentável do que uma vida desperdiçada com as distrações temporais que apenas servem para alimentar os Egos.
Mas com a plena certeza de combater o bom combate, vivi e vivo dia a dia orientado pela GRAÇA imerecida e guiado pelo discernimento recebido do grande Altíssimo Arquiteto Universal.
Ao longo de minha caminhada, vivi muitas vidas, muitas fases, dificuldade e superações que me serviram como lições e grandes aprendizados, que pouco a pouco foram me podando e me moldando.
Muitos foram os que por minha vida passaram, alguns indiferentes que se perderam no tempo e outros amados que levarei para eternidade em minhas lembranças.
Esta caminhada é um sonho e só quem está sonhando a considera real.
Então chega a hora de dizermos adeus e como em um despertar acordamos rindo das paixões, sofrimentos e tramas da vida que acreditava mos em um longínquo dia serem de verdade.
Não lembro quando foi a primeira vez que desejei a minha morte, mas sei que penso desde criança.
Desde criança anseio por esse dia, um dia qualquer.
Todos aqueles que amei morreram ou foram embora. O motivo de ainda estar vivo é que prometi a mim mesmo que não morreria até encontrar algo que fizesse sentido nesse mundo. Estudei, amei, larguei tudo o que me prendia, tudo agora não tinha valor. Esperança? Deixara de existir quando meu pai me expulsou por ajudar minha mãe que também me deixou em troca de um homem qualquer. Morri anos atrás chorando em um banheiro, acho que tinha 17 anos nessa época, tinha percebido que minha mãe me largara novamente por outro homem o que se repetiu nos meus 21 anos.
Minha adolescência foi sufocante, vivi sozinho e aprendi o que sei hoje sozinho. Queria eu ter o amor de alguém novamente.
Não entendo, sempre estudei e mesmo que não estudasse tirava notas boas, ajudei todos no interclasse e minha sala ganhou (guardo a medalha até hoje). Leio livros, poemas, escuto Djavan e Chico Buarque.
Mas então o que falta? Me sinto vazio, quando vejo alguém na rua abaixo a cabeça por respeito a tudo que ela deve ter passado. Devo ser o primo que não faz nada, o que chamam de "vagabundo", sou o filho que não serve, o irmão renegado por ter sido de outra mãe. Choro enquanto escrevo e me pergunto, Quem sou eu?
Tenho a impressão
que a gente vive esperando
nossa própria morte.
- Você não?
Temo que a resposta seja definitivamente
semelhante.
É o que nós fazemos,
conscientes ou não disto,
é o que nós fazemos!
Sempre
sempre
sempre
Estamos sentados na vida
esperando a própria morte
e o próprio desatino do momento.
Nenhum momento será como
aquele momento, este momento
e, por mais que não possamos supor o tal momento,
nós sempre o sentimos muito perto,
ao lado, acima, abaixo…
Às vezes arranha a superfície,
às vezes engata a ré,
às vezes cerca como num círculo,
às vezes entende os escombros.
- Somos nada!
Eu penso e peno,
mesmo diante das magnânimas construções,
dos suntuosos escritos,
das reverberações mil.
- Somos nada!
Contudo temos a deliciosa presunção
de sermos tudo,
tudo o que há de mais importante sobre a Terra,
tudo o que existe entre o bem e o mal,
tudo o que ocorreu de melhor no Universo.
Somos parte. Somos gente. Somos
o que estamos nos tornando
constantemente...
