Carta de Amor Distante

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Combinando comigo.

Assumo ou deixo ir?
Assumindo: evito a falência de um amor
Deixando ir: evito a falência de mim mesma.
Mas, o que é o falir de um amor, diante da minha insolvência?
O que é o falir de um amor se eu tenho um universo de possibilidades e recomeços e alinhamentos de propósitos?
- Menina, crescer é preciso...
- Mulher, aprender se faz necessário!
☆Haredita Angel

O amor é fluido; o caráter, não.

O amor muda de forma. Às vezes cresce, às vezes diminui, às vezes até chega ao fim. Ele acompanha os movimentos da vida, das escolhas e do tempo.

O caráter, porém, permanece. É ele que revela quem somos quando o amor já não basta, quando surgem os conflitos, as frustrações e as despedidas.

Porque deixar de amar pode acontecer. Mas humilhar, manipular, ferir ou desrespeitar alguém nunca é consequência do fim do amor é reflexo da ausência de caráter.

O amor é fluido. O caráter não.

Imensurável amar


O amor é muito mais
que conjecturas e
teorias adornadas
por pontos de
interrogação
ou exclamação...


Amor é o suspiro,
o soluço, o sorriso e
as lágrimas,
hoje e amanhã - é vida...


O amor é mistério,
e precisamente por isso,
basta senti-lo e honrá-lo,
nada mais, nada menos;
o preto no branco.


Jorge B Silva

"Onde não existe sabedoria
não existe
paz, onde não existe paz
não existe amor e onde não
existe amor
não existe justiça: aquilo que para você é
visto como evolução, aventura
ou novidade,
para mim é percebido como repetição
vazia, superficialidade ou falta
de propósito."


Álbum: O Mundo Jaz no Maligno


(Autor-desconhecido)⁠

"É preciso amar um Amor Ágape. Ele não é um somente sentimento. É um verbo em ação, você precisa respirar, usando todos teus sentidos até transpirar este amor. Você age este verbo em ação e estará exercendo o Amor perfeito incondicional pelo bem estar do outro sem se preocupar consigo. RESPIRANDO E EXALANDO o Primeiro amor."

—By Coelhinha

Amor Próprio - 06/24


vida é tão circunstancial,
Que o que era estranho hj pode ser normal
E distante quem lhe foi casal
E tudo bem, tudo certo, nada de mal


Manter os braços estendidos para a amizade
E tratar o amor com total liberdade
O amor próprio é o caminho para a plena felicidade


Sobre não possuir e sim compartilhar
Momentos e vivências.... primeiro se amar
Tudo que é de dentro, nosso, nada e ninguém pode lhe tirar
O tempo é pena e é remédio, se olhe, sorria e nem me vem com essa de tédio
Livre amar e se amar.... bora lá ....Será?

DEPOIS QUE TUDO VAI EMBORA


Será que o amor realmente existe depois que tudo de 'bom’ acaba? Pois bem, sabemos que esse sentimento está presente de diversas maneiras na vida do ser humano e está lá até antes mesmo de nascermos. Mas como saber se todo amor que damos, sentimos ou recebemos é de fato algo real, profundo e verdadeiro? E até que ponto ele é capaz de chegar? Eis algumas das questões mais alarmantes da humanidade.


Para ilustrar tudo isso melhor, tomarei nota de um livro que li recentemente, A Metamorfose de Franz Kafka. A partir do momento em que Gregor se transforma em um inseto de certa forma asqueroso, ninguém mais é capaz de amá-lô, exceto pela mãe dele que até certo ponto não permitiu que ô matassem, mas não foi suficiente. Essa é uma das metáforas mais verdadeiras que existem, quando alguém perde a serventia o amor raso não resiste. Não é preciso ir muito longe para ilustrar isso na vida real. Quando um ente querido de nossa família adoece, por exemplo uma mãe ou algo do tipo, perde-se a felicidade em estar com ela. O indivíduo torna-se um fardo para todos da família. Mas as pessoas, na maior parte do tempo, não levam em consideração como foram amadas por aquela pessoa, como ela serviu toda a família por incalculáveis anos, e agora descartam-na, como se nunca tivesse tido importância. Desse modo, onde está o verdadeiro amor nesses casos? Se realmente fosse real, a união não se perderia por simples acasos.

As pessoas neste mundo levam muito em consideração a aparência uma das outras. De certa forma não acho que esteja totalmente errado, mas tudo nessa vida tem limites, por mais asqueroso que Gregor tenha se tornado após a metamorfose, ele continuava sendo o mesmo. Seus princípios e sentimentos internos estavam ali, mesmo que parecesse imperceptível, um livro de capa duvidosa, mas de páginas que nunca perderam seu valor. Independente de sua indumentária, ele continuava sendo filho, irmão, amigo, era parte de uma família, de uma sociedade, e não poderia ser apagado de forma impiedosa somente por que não podia mais dar sustento à sua família.


Infelizmente, nós, seres humanos somos substituíveis, isso de acordo com o pensamento da grande maioria, que mesmo achando não pensar dessa forma no fundo agiria do mesmo modo. Obviamente eu não concordo com essa afirmação, o amor verdadeiro está aí para quebrar isso, se existe esse sentimento os laços são eternos, independente dos ocorridos da vida. Quem ama de verdade não dá tanto valor ao externo, quem ama de verdade leva muito mais em consideração os sentimentos que têm ao estar ao lado daquela pessoa querida. Contudo, se queres transformar-se insubstituível, valorize e lapide seu interno, mas tome cuidado, pois somente pessoas de consciência semelhante, são capazes de valorizar a índole do ser em primeiríssimo lugar. Caso contrário seu destino corre o risco de ser parecido com o de Gregor, se não houver uma mudança. Talvez aí esteja a solução, ter deveras atenção em quem ama, porque um rostinho bonito acha-se em qualquer lugar, mas histórias ricas são raras, então se for de amar alguém, que seja por um todo e não somente por aquilo que é supérfluo, e claro sempre em alerta. Isso, meus caros amigos, serve para toda relação interpessoal humana.

O amor que não se conta

Há amores que não se anunciam.
Não porque sejam pequenos, mas porque são grandes demais para o barulho do mundo.
Vivem no silêncio confortável do peito, onde ninguém entra sem permissão.

É um amor que se reconhece no instante do encontro.
Quando os olhos veem a amada, o dia muda de tom.
O tempo desacelera.
O coração que fingia normalidade entrega-se sorrindo.

Esse amor é feliz em detalhes.
No jeito como ela caminha,
na curva distraída do riso,
na voz que chega antes da presença.
E quando a noite vem, eu sonho.
Um sonho tão profundo que acordo com o cheiro dela no ar, como se o sonho tivesse atravessado a realidade.

Ninguém sabe.
E talvez seja por isso que eu seja tão inteiro.

Quando estou longe, a saudade não pede licença.
Ela se instala no peito como uma casa antiga,
abre as janelas da memória
e deixa o vento passar por tudo o que foi sentido.

É uma saudade grande, quase física.
Daquelas que apertam o coração sem machucar,
porque doem de amor, não de ausência.

Esse amor não precisa de testemunhas.
Ele existe porque vive.
Porque pulsa.
Porque transforma dias comuns em eternidade breve.

É um amor que não se conta a ninguém.
Mas que conta tudo para quem sente.

“Amor por Dois”

Se um só coração pode amar apenas um destino,
então talvez eu esteja traindo.

Porque amo você...
e amo a mim,
por ainda ser capaz
de sentir um amor tão profundo.

É difícil amar por dois.
Que coração suporta
o peso de duas almas
sem se romper pelo caminho?

Talvez seja por isso
que o meu vive em pedaços.

Eu perdoei.
Não porque a dor foi embora,
mas porque o amor
se recusou a morrer.

Só pedi que me reconquistasse.
Nunca coloquei um prazo.
Acreditei que quem ama
entende que a confiança
não renasce de um pedido de desculpas,
mas de atitudes.

O tempo passou.

E, aos poucos,
o seu sorriso foi ficando distante,
o carinho virou silêncio,
as palavras se tornaram espinhos,
e eu passei a me sentir sozinho,
mesmo segurando sua mão.

Enquanto isso,
minha mente me atormenta.

Ela me faz reviver
o dia em que tudo mudou.
Ela me faz acreditar
que ainda existem verdades escondidas,
porque quem já quebrou minha confiança
transformou qualquer silêncio
em motivo para eu temer.

Não dói amar.

Dói amar alguém
e não saber
se ainda existe um lugar
para esse amor.

Dói olhar para você
e me perguntar
se algum dia fui amado
com a mesma intensidade
que sempre te amei.

Se isso é o amor incondicional,
como eu poderia simplesmente ir embora?

Como abandonar alguém
que ainda mora no meu coração,
quando o meu próprio coração
se recusa a desistir?

Talvez eu ame mais do que deveria.

Talvez eu espere
que um dia você escolha
me reconquistar
com a mesma força
com que eu escolhi ficar.

Porque existem amores
que sobrevivem à traição,
mas morrem, aos poucos,
quando apenas um coração
continua lutando por dois.

Bom, eu achei que o amor era flores, mas na verdade é como um espinho que fura toda vez que você mexe nele. E isso faz dizer que não devemos amar, porque amamos demais e nos machucamos demais e isso é decepcionante. Às vezes penso que o amor não existe, então, toda vez que tento amar, me machuco antes de me relacionar. Por isso não dá certo, porque, por causa de pessoas fúteis, não consigo mais. E pra mim chega, de verdade, já ocupei tempo demais esperando a pessoa certa.
Mas na verdade eu já amo alguem e, mesmo que achem que é loucura, vou continuar amando, mesmo que seja impossível ficarmos juntos.

⁠No jardim dos sentimentos floresceu,
Um amor nasceu, tão puro e verdadeiro,
Entre risos e olhares, o coração se aqueceu,
Numa dança de ternura, num doce roteiro.

Teus olhos, duas estrelas a brilhar,
Guiam-me pelos caminhos do encanto,
Teu sorriso, um sol a me iluminar,
Em teus braços, encontro meu porto, meu manto.

Como um rio que corre sereno ao mar,
Nosso amor flui, sem pressa, sem fim,
És a melodia que em minha alma faz ecoar,
A canção mais doce, o mais belo jardim.

Em teus abraços encontro meu lar,
Nossos corações em harmonia a pulsar,
Neste eterno presente, neste doce lugar,
Nosso amor floresce, sem jamais cessar.

Raphael Denizart * 08/04/2024 * ReJ

Quando a família se une pelo amor, Deus se faz presente. É nesse alicerce que o poder da fé se manifesta, tornando os laços inquebráveis e transformando a vida em uma grande e constante bênção. Com a fé, superamos as tempestades, pois o amor de Deus é nossa luz. Nossos corações se enchem de gratidão, e cada desafio se torna uma prova do Seu cuidado. Nessa união de fé e família, a vida floresce em milagres diários.


Raphael Denizart

CARTA DE AMOR-DESPEDIDA POR UM TEMPO ⁠


OI MEU PRINCESO


Queria te dizer que eu te amo e vai doer muito muito ficar longe não ter seu abraço seu beijo suas manias agente brigando todas as vezes que se vemos por coisas bestas e toda vez e eu ne meu garoto so que eu te amo tanto que nem sei a proporção disso mais quero que saiba que mesmo longe meu coração e totalmente seu meu menino somente seu e outra coisa voce sera pai dos meus filhos temos tantos planos e planos mais meu amor quando voce nao tiver ninguem estarei aqui e igual voce esteve pra mim pra enxugar minhs lagrimas pra me abraçar pra eu te ver sorrindo por estar comigo por ta do meu lado então quero que saiba que sera eu e voce sempre

Ela não queria um amor de vitrine.
Queria um amor de dentro –
daqueles que não se prova, se habita.


“Como foi seu dia? O que doeu? O que te fez sorrir?”
E esperar a resposta como quem espera a chuva no sertão. Sabendo que ela não enche o rio sozinha, mas molha a terra.


Palavras são como abraços: se soltas no ar, viram vento; se encostadas na pele, viram casa.


Ela queria um amor que lesse o silêncio dela não como ausência, mas como calma. Um amor que não apertasse a campainha só para ouvir o próprio dedo.


Um amor que entrasse, sentasse, perguntasse: E esse cansaço? E esse poema que você guardou no peito? Mostra?


Mas ele, coitado, aprendeu a encantar antes de aprender a ficar. Ela não o julga. Ela só se lembra de que tempo é a única coisa que não se recompra.


Então ela disse, com a delicadeza de quem já cansou de berrar na tempestade:


“Se for pra ser raso, que seja limpo, sem espuma de sabão.


Se for pra ser fundo, que seja devagar, com perguntas de verdade.


Eu topo os dois. Mas não topo mais dançar sozinha no meio da sala escura enquanto você aplaude da porta.”


E guardou o vestido.


Porque, como bem sabia...


“Há flores que desabrocham mesmo sem aplauso.


E há mulheres que viram jardim sozinhas – não por falta de jardineiro, mas por excesso de vida.”


Ela virou.


Toda vez que ele não perguntava, ela plantava mais uma rosa nela mesma.


... coisas sobre Ela e Ele

Ele acreditava que o amor era o corpo. E eu acreditava que o corpo era o começo.


Mas o meu amor, meu amor era a fresta. Aquela coisa que não se vê, que não se toca, que só se sente quando o silêncio se senta entre a gente e olha para nós. E ele, coitado, não entendia o silêncio. Ele o preenchia com a mão, com a boca, com o peso da presença.


Mas a presença dele, quando não tem a alma dentro, é um buraco. E eu caía. Toda vez. Ele me segurava, mas eu continuava caindo. Porque ele segurava a minha mão, e a mão segura o corpo, mas a queda... a queda ela segura a alma.


E ele não sabia segurar almas.


Eu queria lhe dizer: "Você está aqui, mas o seu isso não está aqui." E quando eu falava, ele me olhava como quem olha para o mar: achando bonito, mas sem entrar. E eu queria que ele entrasse, que afogasse um pouco, que sentisse o gosto do sal nos lábios.


Em vez disso, ele me tirava da água. E dizia: "Você está segura."


Mas eu não queria segurança. Eu queria o risco. Queria que ele se perdesse em mim para que eu pudesse, enfim, me achar.


Ele faz café, ele faz amor, ele faz planos. Mas fazer não é ser. E eu sou a coisa que não se faz. Eu sou a coisa que simplesmente é. E o que é, não cabe em xícara, nem em abraço, nem em projeto. O que é, só cabe no olho nu e na palavra atravessada.


E ele não atravessa palavras. Ele as resolve.


Como se o amor fosse uma conta a pagar.




... coisas sobre Ela e Ele

Não era amor. Era o desejo de ser amor.


Eram duas solidões que se abraçavam na esperança de que o abraço se transformasse em luz. Mas a luz é dura. A luz mostra as rugas, os dentes amarelados, a poeira debaixo do tapete.


Eles não queriam a luz. Eles queriam o aconchego da mentira. Mas a vida é uma coisa que não pergunta. A vida pressiona.


E pressionada, a relação gritou.


Ela gritou com palavras bonitas e profundas. Ele gritou com ações práticas e silêncios. E o grito um do outro não era ouvido. Só a minha alma ouvia – a alma da escrita, que é a alma dos que veem o que os corpos escondem.


E o que eu vi foi isto: ele a ama com a força de quem constrói. Ela o ama com a força de quem desaba. Um constrói muros para protegê-la. Ela quer que os muros caiam para que o vento entre.


Ele não sabe que ela precisa do vento. Ela não sabe que ele precisa dos muros.


E assim, eles se amam como o dia e a noite se amam: nunca ao mesmo tempo, sempre na fronteira, sempre no instante em que um morre para que o outro nasça.


O amor deles é um parto eterno. E parto dói. Mas dói porque a vida está nascendo. E a vida? a vida é isso: a dor de vir ao mundo.


Eles ainda estão no começo da dor.


E o começo da dor, para os que não desistem, ainda pode ser o começo do mundo.


... coisas sobre Ela e Ele

Um cafezinho depois de fazer amor…
o silêncio ainda quente entre nós,
lençóis bagunçados contando segredos
que a boca já não precisa repetir.
Teu cheiro ainda mora na minha pele,
teu toque insiste nos meus caminhos,
e enquanto o café esquenta no fogão,
meu corpo relembra o teu com calma.
Helaine machado

Amor, poder e razão
três caminhos na mesma pulsação,
tão distantes entre si
que parecem não caber
no mesmo peito —
mas cabem.
Habita em silêncio
esse território escondido
onde o querer abraça,
o dominar insiste,
e o pensar tenta organizar o caos.
O amor pede entrega,
o poder exige controle,
a razão sussurra cautela —
e nenhum deles aceita calar.
Quando florescem,
não vêm em ordem,
não pedem licença,
não combinam entre si.
Helaine machado

Orgulho e preconceito,
dois caminhos que o amor não consegue habitar.
Um afasta pelo silêncio,
o outro condena antes mesmo de conhecer.
O orgulho ergue muros
onde o coração queria construir pontes.
O preconceito fecha os olhos
para aquilo que poderia florescer.
E no meio dessa guerra invisível,
muitos amores se perdem
não por falta de sentimento,
mas pela incapacidade de ceder.
Porque amar exige coragem:
de ouvir, compreender, mudar.
E onde existe arrogância ou julgamento,
o amor sufoca antes mesmo de nascer.
Helaine machado

18 de março de 2026

Oi, meu amor...

Hoje a gente completa 15 anos de casados. Quinze. Eu repito esse número como quem prova uma palavra nova na boca, devagar, quase com medo de não caber dentro dele tudo o que vivemos. E não cabe mesmo. Porque 15 anos não são apenas dias empilhados em um calendário, não são apenas datas comemorativas que chegam e passam. São camadas. São versões nossas que existiram, se desfizeram, reaprenderam a existir. São pedaços de nós dois que, de alguma forma misteriosa, decidiram ficar.

Não é pouca coisa. Nunca foi.

Se alguém me perguntasse, lá no começo, se eu acreditava que chegaríamos até aqui, talvez eu sorrisse meio sem jeito, talvez eu desconversasse, talvez eu nem soubesse responder. Porque o início foi feito de incertezas. Foi em 2011 que tudo começou a acontecer, e eu lembro como se fosse uma fotografia meio desfocada, daquelas que a gente guarda mais pelo sentimento do que pela nitidez. Você tentando se encaixar no meu mundo, eu tentando caber no seu, e nenhum de nós realmente sabendo como fazer isso sem se perder no processo.

Era uma dança desajeitada. Um passo seu, dois meus, um tropeço nosso.

E, ainda assim, algo nos mantinha ali.

Foi tão difícil aquela época. Eu carregava sentimentos que me atravessavam como uma espada de dois gumes. De um lado, a vontade de te amar de verdade, sem reservas, sem medo, com tudo o que eu tinha. Do outro, um receio quase silencioso, mas constante, de me entregar de novo na mesma intensidade e acabar me despedaçando outra vez. Eu não sabia se era coragem ou teimosia. Talvez fosse um pouco dos dois.

Você sabia disso. Sempre soube.

Você conhecia meus medos, meus silêncios, minhas pausas no meio de frases que eu nunca terminava. Sabia que eu ainda estava aprendendo a amar, como quem aprende uma língua nova depois de anos tentando esquecer a antiga. Eu estava em construção. E construir, às vezes, dói mais do que destruir.

Demorou muito para eu entender isso.

Eu ainda vivia à sombra dos seus erros comigo no namoro, e isso me puxava para trás. Era como tentar caminhar com o passado segurando minha mão com força demais. Eu tinha medo. Medo de confiar, medo de sentir, medo de me abrir completamente e descobrir que, no final, eu estava sozinha de novo dentro de algo que deveria ser dois.

E o amor, dizem, acontece apenas uma vez na vida.

Eu já tinha acreditado nisso. Já tinha vivido algo que pensei ser único, definitivo, irrepetível. E então você apareceu, e eu me vi diante de uma pergunta que ninguém me ensinou a responder: e se o amor acontecer de novo?

Eu não sabia se queria descobrir. Mas descobri.

Porque, mesmo cansada, mesmo cheia de dúvidas, mesmo com o coração remendado de tantas histórias mal resolvidas, eu escolhi ficar. Cansada dos meus próprios anseios, dos meus sentimentos confusos, das dores que eu carregava como quem carrega uma mala pesada sem saber mais o que tem dentro. Eu sentia dor por tudo aquilo que ficou fora do meu alcance, por tudo que eu não consegui ser, por tudo que não deu certo.

E, no meio disso tudo, só restava você.

Você, ali, tentando do seu jeito. Talvez sem entender completamente o que eu sentia, mas tentando. E eu, tentando também, cada um à sua maneira, cada um com suas falhas, seus tempos, seus silêncios. Era como se estivéssemos construindo algo sem planta, sem projeto, apenas com a vontade de que desse certo.

Eu queria uma segunda chance. Você queria a primeira.

E, de alguma forma, isso nos encontrou no meio do caminho.

Teve um dia, e eu lembro disso com uma clareza que me emociona até hoje, em que algo dentro de mim mudou. Não foi um acontecimento grandioso, não teve música de fundo nem luz especial. Foi silencioso. Foi interno. Foi como se eu finalmente tivesse coragem de descer naquele porão escuro onde eu guardava tudo o que me prendia ao passado.

E eu abri as portas.

Coloquei para fora o que doía, o que sufocava, o que me impedia de viver o presente com você. Não foi bonito. Não foi fácil. Foi um tipo de explosão quieta, daquelas que ninguém vê, mas que muda completamente a paisagem por dentro.

E, dias depois, algo começou a se encaixar.

Pela primeira vez em muito tempo, eu senti paz. Uma paz que eu não sentia desde a adolescência, como se eu finalmente tivesse encontrado um lugar dentro de mim onde eu pudesse descansar. E, curiosamente, esse lugar tinha você.

Mas a vida não para para a gente aproveitar a calmaria.

Os desafios vieram. E não foram poucos. Foram intensos, foram difíceis, foram, às vezes, quase injustos. Situações que poderiam ter nos quebrado, nos afastado, nos feito desistir. E, ainda assim, aconteceu o contrário.

A dedicação cresceu.

O cuidado cresceu.

O nosso jeito de olhar um para o outro mudou.

O seu olhar sereno e gentil começou a me tocar de uma forma diferente. Eu comecei a te ver além dos erros, além das falhas, além das histórias que eu insistia em revisitar. Eu comecei a te ver como você é.

E isso mudou tudo.

Claro que ainda doía. Algumas coisas daquele tempo de incerteza nunca desaparecem completamente. Existem marcas que não somem, apenas deixam de doer todos os dias. E está tudo bem. Eu aprendi que o amor não é a ausência de dor, mas a escolha de não deixar que ela defina tudo.

Foi aí que a compreensão começou a falar mais alto.

E, junto com ela, veio algo que talvez seja ainda mais forte do que o amor: a admiração.

Eu comecei a te admirar. Pelo homem que você se tornou. Pela forma como você permaneceu. Pela maneira como você escolheu ficar, mesmo quando seria mais fácil ir embora.

E eu também mudei.

Eu amadureci. Eu cresci. Eu me encontrei.

Eu não sou mais aquela adolescente insegura, perdida entre o medo de amar e a vontade de ser amada. Hoje eu sei quem eu sou. Sei o que eu quero. E, principalmente, sei o que eu escolho.

E eu escolho você.

Não por falta de opção, não por costume, não por medo da solidão. Eu escolho você porque, depois de tudo, de absolutamente tudo, é ao seu lado que eu quero estar. É com você que eu quero continuar escrevendo essa história, com todas as suas imperfeições, com todas as suas pausas, com todos os seus recomeços.

Eu não quero pensar no fim. Não agora.

O que eu quero é imaginar o resto da minha vida ao seu lado. Imaginar nossos dias simples, nossos momentos bobos, nossas conversas sem sentido que, no fundo, fazem todo o sentido do mundo. Quero imaginar a gente viajando, descobrindo lugares novos, mas sempre encontrando um jeito de se sentir em casa um no outro.

Quero imaginar a gente cozinhando juntos, rindo de receitas que dão errado, inventando pratos que ninguém mais entenderia. Quero imaginar nossas risadas por coisas pequenas, piadas internas que só a gente conhece, aqueles momentos em que o mundo parece pesado demais, mas a gente consegue, de algum jeito, torná-lo mais leve.

Quero continuar construindo com você.

Dia após dia.

Sem pressa, mas sem desistir.

Você é a minha paz nos dias caóticos. E não é uma paz silenciosa, distante, fria. É uma paz viva, que respira, que acolhe, que às vezes até discute, mas que, no final, sempre encontra um caminho de volta.

Você é o meu chão. Não no sentido de me prender, mas no sentido de me sustentar quando tudo parece instável demais.

Você é tudo o que eu preciso nessa vida.

E, por muito tempo, eu tive medo de dizer isso em voz alta, como se admitir fosse arriscado demais. Hoje não. Hoje eu digo com a tranquilidade de quem sabe exatamente o que está sentindo.

Eu só tenho você. E, pela primeira vez, isso não me assusta. Isso me acalma.

Ao longo desses anos, eu aprendi a te observar. Aprendi a perceber detalhes que antes passavam despercebidos. Aprendi a enxergar o homem incrível que você é, não apenas nos grandes gestos, mas, principalmente, nas pequenas atitudes do dia a dia.

E é ali que mora o amor de verdade.

Nos detalhes.

Nos silêncios confortáveis.

Nas presenças que não precisam ser anunciadas.

É... no fim das contas, depois de tantas voltas, de tantos medos, de tantas reconstruções, a verdade é simples.

Eu só quero você.

Por toda a minha vida.

Feliz 15 anos para nós.

Te amo incondicionalmente.

Sempre é sempre.