Carta a um Amigo Detento
Que tortura maior um homem pode sofrer, se não pela sua própria mente
que mente, displicentemente em sua cabeça.
martelando o prego que pende com firmeza, tristeza em sua mente.
com demasiada frequencia o faz pensar
fazendo assim o relógio parar
e o presente trocado de lugar, com a memória
a se mostrar.
sua mente começa a deteriorar
mas quem poderá me salvar ?
do meu proprío eu a me matar.
O espelho não mostra-me mais o meu reflexo apenas, mostra um turbilhão de emoções dentro de um só olhar. Não vejo-me como antes, meu EU não é mais meu... é TEU. Tua alma não é mais tua... é minha. Em que momento, em que olhar, em que reflexo não sei... em que tempo... nunca saberei... mas o destino escreveu: meu EU seria o reflexo da tua ALMA.
Flávia Abib
Um dos grande defeitos de nós seres humanos é se esconder atrás das coisas.
E pensamos que temos valor por imaginar possuí-las.
E experiênciamos o devaneio, o qual esquecemos, que morreremos todos sem darmos a real importância a que viemos a este mundo, que é aportar Amor, Valores e Sabedoria.
Quarto imaculado
Posso eu dormir no mesmo quarto em que um dia esteve?
Posso eu chorar de dores neste chão em que sentaste?
Me parece tão errado
Ou em meu quarto não deverias tu ter entrado
Ou deveria eu tê-lo mantido imaculado.
Sem descarados desejos e impulsos.
Que eu os releve…
Pois ainda quero-te aqui.
Desde a origem de nossa existência estamos conectados a um ser que nos nutre, protege, zela e trás animosidade, que é a nossa mãe.
Ali, dentro, no útero, somos Uno com ela, com a vida que nos trás vida e ali não há dúvidas que Somos.
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Porém, com o nascimento e o desprendimento de nossa conexão umbilical materna, nos separamos, nos dividimos em dois seres distinto, e sentimos aquela ausência, um vazio, uma urgência em buscar algo além de nós. Essa passagem se faz necessária para a entrada nesse plano terrestre e é o que dá início a nossa constante busca por coisas, pessoas e filosofias que preencham a conexão que foi perdida com o nascimento.
🌻
A maioria de nós tenta substituir essa ausência dentro de relacionamentos românticos, já que as projeções que idealizamos de um parceire ideal acabam suprindo temporariamente as necessidades emocionais e físicas. E essa pessoa, humana, comum, acaba se tornando um ser incrível, capaz de nos salvar de nosso vazio existencial.
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E, embebidos pelo amor, não mais vemos o outro como alguém passível a erros, um ser individualizado, que pensa, age e sente com base em sua própria vontade e liberdade. Não, ele deve corresponder às minhas exigências, a minha Alma Gêmea tem que me trazer felicidade. E com isso, geram-se as DR's, desencantos, mágoas e separações. E vamos mais uma vez na busca do ser amado, várias e várias vezes.
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Mas, essa conexão que tanto buscamos no outro só podemos encontrar quando direcionamos essa busca a Deus. Somente quando depositamos a nossa existência, a nossa devoção e gratidão a esse Ser Supremo, é que voltamos a nos sentir conectados com Ele e toda a vida.
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Muitas pessoas esquecem ou mesmo negam a existência de Deus. E essas passam a vida procurando essa conexão por meio de coisas materiais, como dinheiro, posses, postos ambiciosos, sexo, drogas, família, dentre outros vícios. E, inconscientemente, fazem dessa busca incessante a sua obsessão diária de desejo, apego e necessidade de "arrumar" algo/alguém. A busca se torna um ritual voltado saciar a vontade de conexão com esse deus-matéria, até o momento que não consegue o que se quer e cai em sofrimento.
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Existem outros que reconhecem que é necessário buscar essa espiritualidade que tanto se fala nas religiões, centros e comunidades holísticas. Mas, acabam esquecendo que não nos aproximamos mais de Deus só porque fazemos determinada coisa tida como espiritual, ou porque estamos em determinado ambiente e doutrina.
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E com isso, a busca pela conexão por Deus acaba sendo depositada nessas práticas espirituais, como se uma prática de Yoga o aproximasse mais d'Ele, ou o ato de rezar horas a fios por perdão, ou receber seus guias numa gira, ou consagrar Daime e rapé dentro de um ritual xamânico. E, sutilmente, a prática espiritual que deveria ser uma ferramenta que auxilia na caminhada do homem rumo ao seu divino, acaba se tornando a sua vaidade, o seu vício, o seu consumo e a sua obsessão. E quando chegar o dia em que o centro, a religião ou a prática não mais trazer os prazeres ao ego, é o momento de abandonar tudo, entrar em crise e desacreditar de tudo o que foi desenvolvido até ali.
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Há muitas armadilhas dentro desse mundo, pois a partir do momento em que nos desconectamos de nossas mães, procuramos essa conexão com tudo aquilo que traga um sentimento próximo ao original, mas que quase nunca é depositado no lugar certo, da forma correta.
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Primeiramente devemos entender que Deus é a existência que permeia a tudo e a todos. É a vida que pulsa em nossas veias, que cresce nas florestas e que hidrata a todos os seres que habitam a terra. É a grande consciência que arquiteta a realidade e permite que a modificamos. Para uns, esse ser divino e supremo é o Pai, a origem, o início do Big Bang. Para mim, prefiro pensar que se trata da energia de Amor. Mas não esse amor romântico, condicional e egoísta no qual reproduzimos e vemos nos filmes. É o amor que une as coisas, interconecta histórias, seres e faz com que todos tenham seu lugar dentro da Teia da Vida. Esse é o Amor, esse é Deus.
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E, por mais que estamos viciados a buscar essa conexão com esse Amor olhando para o exterior, devemos primeiro olhar pra dentro e perceber Ele em nossa consciência, o amor dele por nós a partir de nosso coração pulsando, a partir de nossa vida.
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Isso não impede ou se opõe à ideia de irmos em busca de relacionamentos, de dinheiro e posses que sustentam a nossa vida em sociedade, de cedermos vez ou outra a prazeres materiais, de construirmos uma família ou nos dedicarmos à práticas de religação com a espiritualidade. A diferença é que, conscientes que toda a vida só existe por que Deus é a vida, esse amor que vos descrevi, não depositaremos mais a nossa devoção em nada que não seja o próprio Deus, à própria vida e o próprio Amor.
🌻
Assim, mesmo quando algo não está sendo atendido como queríamos (ego), mesmo tendo um dia ruim, mesmo sofrendo com algum término, falecimento ou doença, passamos a agradecer. Pois, ainda que em nossa pequenina percepção da realidade terrena e humana, reconhecemos que ainda estamos aqui, vivos, num dia com infinitas possibilidades. E que isso tudo só é possível por causa dele.
🌻
E, nas palavras do Caboclo Treme Terra, encerro esse texto:
🌻
"O pouco com Deus é muito,
mas o muito sem Deus não é nada."
🌻
Por isso, apesar de tudo, agradeça e volte a se reconectar ao seu útero interior. Volte a sentir e perceber o Amor de Deus.
A maior hipocresía é enganar a si mesmo.
Criar uma mídia de si , um personagem nas redes sociais de auto aceitação quando na verdade vive em uma intensa guerra de insegurança , preconceito...
Aceitação não tem nada haver com exposição pra mostrar o que você é ou deixa de ser.
Quando você realmente se aceitar entenderá o conteúdo dessa frase 😉
A Chegada De Um Filho
Ouvi teu choro em um dos momentos mais felizes da minha vida
Não era um choro qualquer
Era o choro da tua chegada em meu mundo
Vieste feito um presente de Deus
Essência de minha essência
E de repente destes mais ritmo ao meu coração feito paixão à primeira vista
Não conseguia explicar a imensidão do sentimento que sentia
Destes cores a minha vida
És minha cria
Tão especial
Meu menino angelical!
Homenagem a meu filho que tanto amo. Meu menino❤️
Meu amor.
'AMOR PROFUNDO'
Meu amor ti, é mais largo e profundo que o oceano no mundo,
Havia entre nós, uma cumplicidade, banhada de sinceridade, uma aliança que me faz flutuante, mesmo sendo aos olhos de muitos um guerreiro errante .
Minha alma voa pelo espaço, chorando de saudades sua.
Então eu confesso imploro e peço perdão.
A ti sempre foi fiel, Esse hoje triste e ferido coração.
um dia serei transportada aos braços seus e enfim, terei a graça tão esperada e sonhada.
Sou um passarinho que te ama, mesmo com as doloridas e velhas penas, que do lugar mal consegue sair.
Então de joelhos eu clamo numa fervorosa prece,
Pedindo a DEUS que envie você nos braços de um anjo de volta pra mim .
E digo te mais:
Amarei te até quando minha hora chegar e o Senhor me levar ao paraíso sem fim !
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a lei - 9.610/98
'PÁSSARO SOLITÁRIO'
Sou um pássaro livre para voar,
Mas a solidão ingrata aprisionou me em meu ninho
Vivendo sozinho amando sem ser amada.
Sou um pequeno passarinho que com poucas e velhas penas já não consegue alçar vôos altos...
e na sacada da janela o solitário passarinho, canta sozinho observando as flores que com o vento bailam suavemente e
Tem na mente a esperança de um dia quem sabe, de novo alçar um vôo dançante,
e na sua limitação emocional
Voar só pra cantar sozinho na copa do abacateiro no fundo do quintal !
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a lei - 9.610/98
''DIGITAIS DE MEU S LÁBIOS'
Embaixo desse céu estrelado que nos cobre como um véu
Meu desejo é te amar e que a noite nunca termine...
Que nosso amor germine crescendo até alcançar o céu.
Nessa noite estrelada vou
Beijar teus lábios doces como mel, depositando neles a marca dos lábios meus.
Acariciar te deixando em ti as digitais dos lábios meus
Como se fosse uma tatuagem as digitais dos meus lábios nós teus .
Quero sentir seu corpo no meu e que nossos braços faça o eterno laço.
Te amo !
Te quero ao meu lado !
Te quero para sempre junto a mim .
Você está em cada verso que componho
Te vejo em cada flor de meu jardim .
Maria Francisca Leite
Direitos autorais reservados sob a lei - 9.610/98
Dentro de você tem um coração
que não envelhece e,
por mais que tenha sofrido,
ele está apenas adormecido,
pronto para ser desperto
e amar novamente,
com a mesma intensidade
da tua juventude.
Os seus desejos
não desapareceram,
apenas se retraíram
quando reprimidos,
e criaram, dentro de você,
um vulcão inativo,
pronto para entrar em erupção.
Um pouco de história
As lutas, crises econômicas e políticas sociais parecem uma disputa para ver quem pode mais.
O Capitalismo atinge a todos os irmãos, tendo bom ou mau coração, pois nesse antagonismo imposto, o que importa mesmo é a produção.
É um sistema que muitos querem explicar, como é, foi e ou se dá! Marx, Durkheim e Foucault, todos querem dilucidar, eles por estudos, outros a conjecturar.
Gerado pelo ser humano, sempre cresce na produção, mas é pobre quando todos têm, fomenta o obsoleto, alimenta o vai e não vem.
Foi na década de trinta, alcançou a superprodução, o povo passando fome e o poder dizendo não.
O povo sem dinheiro, barato não podia comprar, e ninguém imaginava o que fazer pra isso mudar.
O governo Vargas, eleito em nome de Deus, agiu como filho do cão, comprou o excesso produzido e pagou tudo ao patrão.
Toneladas de café mandou queimar, e a conta disso tudo, mandou pro povo pagar.
Quando a crise chega, sobram homens e máquinas. A fome ganha espaço, vira tudo uma tristeza. É esse o justo momento que aumenta a tal pobreza.
Calma e sai de baixo
Lá vem a recessão, a inflação, o monopólio, o oligopólio, aumentou a especulação. É o rico se protegendo, o governo tudo vendo, mas é o povo que está morrendo com a tal desnutrição.
Suicídios, homicídios, doenças físicas e mentais, enquanto a informalidade aumenta mais e mais.
Os governos pra o patrão agradar, começam obras públicas: ruas, escolas, redes de esgotos e outros, mas era contrato de emergência, aquilo não podia durar, pois em setores lucrativos os governos não podem atuar.
Na terra do tio Sam, também na mesma época, dizia que o desemprego era vício, era preguiça, dos que gostavam de vagabundear, mas o moço Roosevelt procurou o discurso mudar. Inventou o seguro desemprego, um plano de aposentadoria, para os mais velhos sustentar. O que na verdade não podia era o povo nas praças a reclamar.
Enquanto isso nas terras Brasilis...
A igreja católica sempre pelo trabalhador, proposta aqui e ali, levantes também, sim senhor, apenas registrava o tamanho daquela dor.
Tudo no capitalismo beira o obsoletismo, o petróleo que era salvação contribuiu com o abismo.
Os preços subiram, a dívida externa aumentou, se alguém estava rindo, nesse momento chorou.
O sonho agora é exportar tudo que produzir, achatar o salário já baixo, só pro rico voltar a sorrir.
O governo da época dizia querer o trabalhador organizado, mas antes daquele aumento, já estava desempregado, e o governo como sempre, na mão do empresariado.
O trabalhador já tinha CAPs, Iaps, INPS, mas cada vez menos dinheiro entrava, foi aí que se descobriu de onde o governo o dinheiro tirava.
Na recessão, o empregador se protege, volta o olhar pra exportação e aumenta a repressão, diminui gastos com saúde, emprego, previdência e também com educação. Isso em 77 e 82 e também agora, décadas depois.
Como ontem, hoje, existem os neoliberais, estão sempre debatendo contra as medidas sociais.
Pensam em devolver aposentados aos seus setores, mas substituem o trabalho humano pelos sábios computadores.
Mais uma coisa que nunca muda, meu interesse nunca é o seu. A briga não é do rico contra rico, mas do plebeu contra plebeu. Pois, podemos notar pobre capacho de rico e inimigo dos seus.
Quem pode mudar tudo isso, só Deus, só!!
TUDO COMO ANTES!
Eu afogaria as minhas mágoas por um beijo teu.
Eu queimaria as minhas crenças por um lugar perto de ti.
Eu olharia para ti feito cego louco que quer provar o sabor das cores.
Eu quero ser eu, contigo, dentro de ti, e que possa me sentir fora de mim.
Eu quero passear esses cabelos com a minha mão, do jeito enamorado, penetrando a tua alma, tentando os teus pecados.
Quero ter-te, e quero ser-te.
Sertão
Meu sertão é lugar de um povo valente
De chuva escassa
e de uma terra muito quente
Oxente, saí do sertão
Em busca de uma razão e solução
Só quem mora no sertão
Sabe o que eu digo
É a terra do rei do baião
Da arte, da cultura e do Cordel
E das festas de São João
e também do forró e da poesia
Sou caboclo que saiu do sertão
fugindo da miséria em busca de uma solução
Parece que o meu sertão
na visão de muitos
É uma terra que não tem salvação
Ledo engano
No meu sertão
tem cheiro de terra molhada
Nas chuvas de verão
tem verde na plantação
e tem comida na mesa.
Também tem riqueza e natureza
O problema do nosso sertão é a corrupção
de uma Elite mesquinha e sem noção
O mundo é um mar de problemas, onde as pessoas não se importam mais umas com as outras.
Porém quando menos esperamos a faísca de algo verdadeiro ilumina a escuridão do nosso dia dia, fazendo algo pequeno parecer a esperança de um novo ciclo.
Vivemos o eterno dilema onde nos perguntamos se devendo transformar a faísca em uma fogueira ou se manter seguros e ignorar tal faísca.
O que é o amor?
O Amor é um sentimento infinito e imortal. Infinito porque nunca acaba e, imortal porque permanece mesmo após a morte.
Amor não se mede, não se pesa, não se poda, não se compra, apenas se sente.
Amor não sufoca, não é posse, não é escravidão.
Amor não se prova, se sente.
Amor é um sentimento incondicional.
Reflexo de vidro.
Diante da janela ela para e olha lá fora, um nevoeiro comanda toda região o dia está frio e cinza e sem aperceber seus pensamentos estão perdido no nada, olha e olha como se busca-se algo mas, o seu olhar direpente é bloqueado entre ela e o vidro da janela, lá fora agora está muito distante, como pode, pensou ela, e ao ver o reflexo da imagem se paralisa, quem será, nunca a vi. A imagem está desmarcada e aos poucos vai tomando forma, ainda fosca, revela um ser, talvez uma mulher, com um semblante triste, às marcas no rosto mostram sofrimento e uma idade já avançada a expressão e de desalento e solidão, seus olhos estão sombrios e vazios como se fossem um poço infinito, seus lábios estão serrados e mal cuidado, sua face esbranquiçada mostra palidez e fraqueza e já não há vivacidade...
Um pássaro lá fora canta tão alto que soa para ela como um despertador e a imagem muda agora há uma linda mulher jovem alegre e cheia de luz...
UMA PROSA SOBRE FERNANDO PESSOA
Fernando Pessoa foi um lunático, visionário, sem dúvida um esquizofrênico consciente, inofensivo e adorável. Homem subterrâneo, viveu isolado, entre aquilo que ele era e aquilo que desejava ser. Tinha, como eu, todos os sonhos do mundo. Não se achava especial, apenas superior a todos os seus contemporâneos.
Para suportar o peso do mundo inventou outros mundos, outro universo, onde ele podia facilmente se livrar do mundo real, ou pelo menos daquele opressivo em que todos vivem, onde se acham normais, pessoas comuns que se casam, têm filhos, bebem e fornicam, sem muita preocupação com arte ou metafisica.
Fernando não teve um grande amor, pelo menos não foi correspondido, por isso achava que o amor era uma perda de tempo, uma ilusão que causa muito sofrimento e dor.
Eu sou visionário, como ele, mas tenho um amor correspondido, tive filhos, publiquei mais que ele em vida. Tenho bons e maus hábitos, similares aos dele. Gosto de vinho, de café e de solidão para pensar e escrever. Sou músico, ele não foi. Vivo em uma época fascinante com muitas facilidades e distrações que poderiam muito bem me desviar do meu objetivo cósmico-divino, e com isso me diminuir, no que diz respeito ao talento do qual fui dotado. Tenho a obrigação, assim como ele de contribuir com a evolução da humanidade, no que tange ao desenvolvido cultural e espiritual do homem.
Portanto, não isento-me dessa responsabilidade, cada artista deve entender qual é sua missão, seu papel no mundo.
Não se faz necessário ser erudito, estudar em grandes faculdade, coisa que Fernando não fez, ora por não desejar isso, ora por não corresponder aos critérios exigidos na sua época. Ele poderia ter se formado em letras, mas percebeu que sabia muito mais do que seus instrutores, foi isso que lhe permitiu produzir tanto, pois sua formação intelectual era algo incomum pata qualquer mortal, ele já tinha ajuntado todo cabedal de conhecimento suficiente para compor sua obra. Este conhecimento oriundo dos livros, os quais ele lia com uma velocidade espantosa. Chegou ao ponto de dizer que não havia mais nada de interessante para ler, foi quando percebeu que era hora de observar mais a natureza e as atitudes dos homens, para completar sua magistral obra.
Eu penso assim como ele, que já li tudo que valia a pena, rejeitei, como ele a instrução formal de uma faculdade de jornalismo, onde aprendi algo muito significativo, o que é estudar. É saber ler, saber escolher o que ler... Abandonei, como ele a faculdade para me dedicar ao meu oficio, escrever, produzir conhecimento.
Fernando teve muita preocupação com o mito; leia-se Deus, religião, espiritualidade, às vezes ia muito fundo nesta busca, outra hora retrocedia e negava tudo, mesmo que por intermédio de outros, com seus heterônimos. A verdade é que ele mesmo não cria em nada além da vida, e muitas vezes duvidou de que a vida de fato fosse real, se perdia em delírios de que a vida devia ser uma grande ilusão.
De qualquer forma ele foi único a definir o mito, de forma poética e filosófica resumiu o mito e toda metafisica em uma frase: “O Mito é um nada que é tudo.”
Fernando Pessoa, mesmo não crendo em metafísica, nem em vida em outro lugar, continua vivo, e escrevendo com a mente e as mãos de muitos autores em todo o mundo.
Quem mais escreveu com a sapiência e astúcia de Fernando Pessoas, foi José Saramago. Saramago deu sequência à obra dele, boa parte do que produziu teve influência direta da mente criativa de Fernando Pessoa. Se você não sabe do que estou falando, leia este livro do Saramago. O Ano da morte de Ricardo Reis, contudo só vai inferir completamente o que eu afirmo se for capaz de se aprofundar nas obras dos dois autores portugueses geniais.
Evan do Carmo
Pós-Morte
Um dia impetrei a Deus
Alguns momentos após morte,
Momentos de dor,
Em que eu precisava ser forte.
Queria que fosse um sonho
Ou pior, um pesadelo
Esse vazio que havia na minha alma
Já não era mais o mesmo.
Todos à beira do meu caixão, contando suas lembranças
Ao mesmo tempo que estavam perdendo as esperanças
De ser apenas uma mentira, uma piada ou brincadeira de mau gosto
Dava para ver a tristeza estampada em seus rostos.
Chegando em casa, minha família não conseguia acreditar
Eu era muito quieta, meus sentimentos não fui capaz de expressar
E por uma ajuda psicológica nem se quer quis passar.
Eu queria estar de volta
Poder dar um abraço em meus pais
Com as pessoas conversar demais, aproveitar tudo que podia antes
Mas agora não posso mais.
Digo a você que tudo irá passar
Às vezes parece sem escape, sem solução
Parece que não tem ninguém para estender a mão,
Até coisas que escuta pioram a situação.
Você pede ajuda em meio aos sorrisos,
Sei que é difícil passar por tudo isso
Mas te peço para amar a vida
Mesmo que conheça a parte ruim dela ainda.
Ame-a com desvelo,
Esse é meu simples e último apelo.
RIVALIDADE EM MIRÍADE
Agora vou contar pra vocês, a história de um quarteto de três:
João nascido em Guaianases e Abel, filho do japonês.
Conheceram-se na adolescência, João com 37 anos e o nissei, cuja idade não sei.
Um tocava gaita, o outro dirigia ambulância.
O mais alto tomava cerveja, o mais novo gostava de melancia (que por causa do acento, não deu rima com ambulância).
Ensaiavam de madrugada, logo após o almoço.
O que chegava mais tarde ia embora mais cedo; e o mais velho da dupla (que ninguém sabe quem é), saía após o café.
Abel ganhou o nome do tio, e João levou o “til” no nome - ambos com quatro letras, mas João levava vantagem por ter duas vogais e um diacrítico, que indicava a nasalização. Ele costumava repetir isso, mas ninguém entendia a explicação.
Já, na numerologia, Abel era o mais importante, uma vez que o “B” significa 1 e o “L” representa o 8, e assim se forma o dezoito, que no jogo do bicho dá porco.
Suíno simboliza o Palmeiras, que empatou com o Ituano em 1998, o ano em que o Titanic ganhou 11 Oscar; daí a vantagem de Abel, que tem um primo chamado Oscar, que foi candidato a vereador em Itaquaquecetuba e teve 11 votos nas urnas.
Ainda com todas essas evidências, cientificamente comprovadas, João não se dá por vencido, e julga ser ele o mais importante, uma vez que casou-se na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, no estado de Mato Grosso.
Cidade com 28 letras, se multiplicado por 3, dá 84, e 1984 foi imortalizado por George Orwell com um clássico da literatura mundial.
E ainda tem o fato de que João tem um primo chamado George, que trabalha como assessor parlamentar em Brasília (mas isso não conta, porque ele não deu conta de passar em concurso e foi nomeado em cargo comissionado).
Adriano Peralta – Escritor Latino-americano.
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