Cantiga de Escárnio
Pestana (Cantiga de Ninar)
-
Venha se juntar ao lado meu.
Quero conhecer o seu melhor.
Faça de conta que sou eu.
Aquele pedacinho de cipó.
Que te levará pra passear.
Na nossa floresta de algodão.
Perto do riacho de morango.
Com cobertura de limão.
Chame o passarinho lá do céu.
Convide o macaco pra dançar.
Vamos dividir os pirulitos.
Com nosso amigo tamanduá.
Só deixe as formigas pra depois.
Por que elas são muito gulosas.
Vão comer todo o chocolate.
Não sobrará nada pra minhoca.
Pegue o pedaçinho de cipó.
Está na hora de voltar pra casa.
O João Pestana já chegou.
Amanha é dia de escola.
Bento.
CANTEI EM NOITE DE LUA - João Nunes Ventura
Cantei cantiga de roda
Cantei a canção da moda
Cantei o frevo de rua,
Cantei na lira que chora
Cantei ao som da viola
Cantei em noite de lua.
VIOLA CAIPIRA (soneto)
Noite ressequida, ao longe, viola caipira
cantiga de sofrença era ouvida, batida
cantada dentro da tristura, pura embira
que contagia, é dor, amor de despedida
Quem longe está, aproxima, o som pira
na alma calam sensações desmedida
nas emoções, melodia de toda uma vida
chora viola! Chora na escuridade sofrida
Trova o chão do cerrado, pura beleza
razão no sonho sonhado e, "xonado"
retinindo fragilidades de leve leveza
Viola caipira, tem quimera no planger
convida o coração a estar apaixonado
e na paixão, vara até o amanhecer...
Luciano Spagnol
2016, novembro
Cerrado goiano
Entre secas.
Nordeste quem não te liga
desconhece a tua razão
nunca ouviu uma cantiga
entoada por um peão
o valor de uma espiga
e não sabe o que é a briga
entre a seca e o sertão
Abriu-se mente... Subiu!
Bateu clima de vibrar,
Vibrou, fez planar.
Vento feliz a contar
Cantiga boa, vida duo.
Trouxe atrativo meu
Senso por ela... Sapio!
Travesseiro aborrecido
Quando ela ausente...
Fechou-se mente.
Subiu... Amor!
"Diz a cantiga: 'Um elefante incomoda muita gente...' Uma crítica ácida incomoda muito mais." (Austri Junior)
CANTIGA DE GALO
Ê, vida, eu ainda gosto muito de ti.
Tanto e mais que de mim, que sou
Remendos sem necessidades
Porque com a mesma roupa
Que me destes eu vou.
Não minto a ti quando digo: amo
Mas não quero repetir eternizado
E passar o tempo pensando em ti.
Estes pensamentos em, só, em mim
Por que a qualquer direção
Eu me ocupo de ti, roçando
As tuas mãos, esclarecidas
Esquecido de ti nos afazeres.
Eu sou eu porque és vida.
Por ti caminho e corto desvios
Nas estradas de ainda
Das quais nada conheço
Que penso carregado
Como estará a vinda
Se algum passo parti
Ou se outros deixei plainados.
Vida, vida, me prendestes um dia
Por um cordão de em mim
Atado, tive dias assim
Conduzido, puxado por ti
E nos meus movimentos
Nos que penso verdadeiro
E nos que bobeei quando podia te alcançar.
Fostes tu vida, com tua didática
E ainda não queres ser
Uma chispa maravilhosa.
Não sei onde aprendi a cantar
Só sei que não consigo esquecer
Cantiga vem do céu
Vem do mar e vem do ar
Faz o meu coraçãozinho doer
Amiga...
É aquela que liga...
Se preocupa pela tua fadiga...
Na tristeza, traz uma cantiga...
Quanto mais antiga...
Não se importa com o tamanho da tua barriga...
Mas, pelos teus erros, jamais te castiga!!!
Pedro Marcos
A cantiga que eu canto à primavera, / sendo alegre demais por ser sincera, / exprime a ânsia infeliz de ser feliz”.
SAUDADES DELA-04/2020 - João Nunes Ventura-04/2020
É na cantiga do cantador violeiro
Que recordo o meu amor primeiro
Na sombra amiga dos coqueirais,
E é no compasso do meu coração
Que escuto os acordes da canção
Saudades dos meus dias de rapaz.
Cantiga de caminho
Sou filho de mãe mineira
meu pai é de Minas Gerais
sei rezar latim pro nobis
sou primo do preto Brás
Sou filho de pai mineiro
mamãe é de Minas Gerais
vou vivendo como vivo
faço o que ninguém mais faz
Desde menino eu misturo
o antes, o agora e o depois
sei somar zero com zero
e ainda divido por dois
Desde menino eu misturo
o antes, o agora e o depois
sempre que posso eu passo
o carro à frente dos bois
Sou filho de pai mineiro
mamãe é de Minas Gerais
sou rosa e pedra no caminho
sou capaz de guerra e paz
Sou filho de mãe mineira
meu pai é de Minas Gerais
dou volta e meia no mundo
e o mundo não acaba mais
Nascer...!
Vir ao mundo...!
Um enigma cantante.
Do berço ao tumulo, a cantiga é uma só.
Viver...!
Viver intensamente a hora que não volta , o rio que não retorna, o beijo que não se repete.
Viver enfim. !
O ardente encanto da nossa vinda ao mundo. !
CANTIGA PARA MINHA ALMA GÊMEA
"Quando você me amar
Serei tua casa
E você a minha.
Dividiremos a vida
E o amor,
Seremos dois corações
E um ninho
Sem espaço
Para outros beijos,
Fiéis e constantes
Mesmo que sozinhos.
E enquanto te espero
Alma gêmea minha,
Sigo sozinha, sem pressa
Sendo por enquanto
De ninguém.
Apenas minha."
Lori Damm
[UMA CANTIGA E SUA PEREGRINAÇÃO POR UM MUNDO DE NOVAS ESCUTAS]
A poesia - diante da possibilidade de ser utilizada como fonte histórica reveladora de discursos, informações concretas e expectativas humanas de todos os tipos - deve ser vista como um veículo de expressão e comunicação que, independentemente das intenções de seu autor, pode conter uma pluralidade de sentidos. Para que um novo sentido se desprenda de um poema ou de uma cantiga,é por vezes bastante que a desloquemos no tempo ou no espaço, que mudemos o seu público ou o trovador ou poeta que a enuncia, que a voltemos contra um novo alvo.
Em sua peregrinação por um mundo em permanente transformação, um verso se transfigura a cada instante, a cada leitura e a cada audição. Para compreender isto, é preciso perceber a leitura e a audição como práticas criadoras.O mundo transfigura o poema porque se transfiguram os olhares e os ouvidos que para ele se voltam, e também porque este poema é inserido em novas práticas, é recriado mesmo a partir destas novas práticas.
O encantador paradoxo da poesia está em que esta transmutação se
opera sem que a forma sequer se altere. Enquanto uma narrativa que é trans
mitida por via oral sofre múltiplas interferências, interpolações, reorganizações do discurso– dada a própria natureza do discurso narrativo –, a poesia, mais ainda a cantiga, está aprisionada dentro de uma grade versificatória, de um ritmo, de um jogo combinatório de sonoridades. Não é possível alterar uma palavra, na sua dimensão material, sem que a estrutura poética desmorone. É isto o que assegura, aliás, a passagem de uma poesia através do tempo em toda a sua integridade material.
No entanto, este poema aprisionado em uma grade versificatória, esta cantiga encerrada em uma estrutura melódica, exercem espetacularmente
toda a sua liberdade. Sem mudar uma única palavra, trazem à tona mil novos
sentidos a cada novo contexto de enunciação. A grade de versos e ritmos não é para eles um túmulo, nem a estrutura melódica é para eles um cárcere. É antes um meio de libertação, que os permite incólumes atravessar todos os
tempos. Já se disse que “um livro muda pelo fato de não mudar enquanto o
mundo muda”. Ainda com mais propriedade podemos considerar isto para o poema, este gênero de discurso que, mesmo quando transmitido basicamente pela oralidade – meio transfigurador por natureza – conserva-se a si mesmo sendo já um “outro”. A estrutura singular do discurso poético lhe dá uma imunidade material, ao mesmo tempo em que de fato não o aprisiona, sobretudo em virtude da natureza fluida da linguagem poética
[trecho do artigo 'A Poesia como Arma de Combate - um estudo sobre as múltiplas reapropriações de uma cantiga medieval-ibérica", Revista Letras (UFPR), vol.90, p.41-42, 2014].
Cantiga de ninar
Lindos momentos mágicos
Trago guardados na memória
Uma cantiga de ninar
A cada dia te embalar.
Aninhada em meu colo
A cada dia um novo sentimento, me ensinar.
Olhares cheios de emoção
Faziam cócegas no coração.
Momentos únicos, inesquecíveis
De uma ligação maternal
Que os anjos vieram proteger, e
Deus abençoou nosso viver.
E pela janela entreaberta
A brisa balançando o voil
Pareciam querer dançar
Ao som daquelas cantigas de ninar.
Cantiga para Sandra
Hoje a minha amiga Sandra nos deixou subitamente, ceifada pelo mal que aterroriza o planeta.
Voou com a altivez, a maestria e a elegância que lhe eram peculiares, a um plano que até então desconhecemos. E está em paz. E está sem dor alguma. Livre das mazelas e das coisas tristes desse mundo ainda tão incerto.
Sandra, de onde estiver agora, continuará atenta e zelosa ao seu grande e único real companheiro de vida, meu amigo-irmão Claudemir, sempre cuidadosa em absolutamente tudo, e com quem edificou uma história linda, numa casa linda, abençoada por companheirismo e crescimento mútuo. Sandra era aguerrida, destemida, corajosa ao máximo dos níveis.
Sandra vai zelar, com olhos de leoa, por cada mínimo detalhe de sua princesa Helena, seu amor maior e incondicional, agora e para sempre. Sandra vai acompanhar as atividades da escola; a adolescência de Helena que já se inicia; as conquistas, as paixões futuras; a carreira profissional que está fadada ao brilhantismo certo; as frustrações eventuais do dia-a-dia e as superações vitoriosas de sua filhota. Porque Sandra a ensinou a curiosidade, a busca do mais nobre conhecimento, a resiliência, a temperança e a coragem. E porque a Sandra continua aqui conosco - só que Sandra agora é invisível.
Sei que a prova - incontestável, aliás - de que a Sandra vive para sempre não está na bioquímica somente. Sandra é um legado indelével. Uma bela e inesquecível história de momentos desfrutados pelos tantos que tiveram a honra de estar em sua companhia; uma história resumida em sorrisos francos, generosos, típicos dos corações mais nobres.
Sentiremos sua falta em todos os dias de nossas existências.
Foi-se uma grande dama.
(em 27/03/2021)
Cantiga para Viviane
O que dizer daquela que destrona impérios e desacata o tirano mais perverso? Que enfrenta desafios com a altivez e a irretocável elegância da verdadeira dama? Que não perde a perspicácia, emudecendo hipócritas sofistas?
Viviane hoje faz aniversário. Mais um ano enfrentado com coragem e com a audácia da mulher que vive intensamente cada mínimo segundo, permitindo que a natureza seja mais bonita, e que a cidade tenha mais felicidade, e que a esperança não nos abandone nunca.
Segue em seu caminho como a mãe mais amorosa, a executiva mais comprometida e a mulher mais fantástica - e mais deliciosa - que um homem algum dia possa já ter tido em sua vida de pequenas trivialidades, desfrutando de incomparável companhia, de odor inebriante e de um sorriso único, rascante, devastador. E homem nenhum no mundo sobrevive a tão peculiar encantamento...
Essa moça delendou Cartago; essa moça derrubou muros de Tróia. Viviane não se queima com o sol, porque ela própria inventou o sol dos dias e a poesia das noites. Viviane não corre da chuva, porque sabe que a chuva brinda e abençoa o seu espírito que é pura devoção e alegria.
E assim o tempo passa, e todos os dias lhe pertencem. Viviane é una. Viviane é a mulher mais incrível e a mais amada desse mundo - e dos outros mundos todos. A amiga para a eternidade. O consolo de nossas alminhas que têm tanto a aprender com ela.
Viviane é a vida em estado puro.
(Andre R. Costa Oliveira, em 04/2021)
( 012 )
CANTIGA PARA LIANA
Jenário de Fátima
Um riso infinitamente puro,
Na mais perfeita obra de Deus fez.
Como o sol que cortando o escuro
Vem clareando a terra em alva tez
Você é qual a estrela sobre o muro
Que mesmo em tão distante pequenez.
Tem um pulsar constante mas seguro
Igual o amor que vence a insensatez.
Ó pequetita e doce LIANA
Que vida que lhe chega venha plana
E sempre seja tépido o seu ninho
E que lhe cubra de força e coragem
Pra superar agruras da viagem
Que está no marco zero do caminho.
Jenário de Fátima
- Relacionados
- Poemas Famosos de Tristeza
- Poemas Cantiga de Amor
