Caboclo
Caboclo índio.
Eu,
Eu sou aquele menino índio,
Um indio sonhador,
Tomo água de coco,
Sou caboclo sinsinhor,
Nasci em uma ilha,
No arquipelago do amor,
Na minha palhoça,
Moro eu,
E comigo mora também Deus,
Tenho um cachorro vira lata,
Que de mim nunca se apartou,
Sou eu que colho os frutos,
E degusto com sabor,
Não sou assassino,
Não mato os animais,
Sou roceiro e muito trabalhador,
Sou de uma visão muito aguçada,
E carrego comigo meus trapulhos,
Sou como uma ave,
Que voa alto como condor,
Corto cipó e pulo de galho em galho,
Aqui é meu parque de diversões,
Não uso lamparina,
As estrelas cadentes me conduzem,
E o luar é meu lampião,
Tenho uma baladeira,
Para as onças espantar,
Não sou de cantar sozinho,
Pois já choro com os passarinhos,.
A floresta é meu lazer,
Quando eu vou dormir cansado,
Me estendo no relento,
Cultivo lavouras,
E a natureza me da o que preciso
Enquanto eu for um indio,
Minh'alma,
Estará sempre evoluindo....
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa
Sou caboclo do sertão
Me criei nesse pedaço de chão
Me enfio nas veredas
Em cima do meu alazão,
Saio a procura de alguém
Que roubou meu coração.
Vida de caboclo (Amazonas)
Caboclo é gente de bem, gente de Paz, vivi no interior do Amazonas, mas nas periferias, também,
Com seu jeito simples de ser, é um povo que cuida da nossa mata, sempre com a cultura de preservá,
Se alimenta do que o grande rio dá, mas também não deixa de pôr perto o aipim plantá,
Povo com um jeitinho único de falá,
para nós, que da Amazônia não somos, parece que estão sempre a cantá,
Gente honesta, trabalhadeira, tem paz na consciência na hora de deitá,
Levanta cedinho, as vez, até antes do sol raiá,
Com as ferramenta simples que tem, logo logo, se põe a trabaiá,
Planta, milho, feijão, e umas verdura, pra modi se sustentá,
Caboclo da Amazônia, de todos nós tem o respeito, pois, gente boa como eles é difícil de encontrá!
A. Cardoso
Eu sou um pobre caboclo
Ganho a vida na enxada
O que eu colho é dividido
Com quem não prantô nada
O ABC do Sertao
Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender um outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê
Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, O ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê"
A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê.
Caboclo d'água sempre
assusta quem não
usa no rio a cabeça,
Ele assusta o pescador
que não pesca com coerência.
Caló
Tava presa em uma gaiola
Imitando um passarinho
Com um belo canto,
E uma penugem luzindo
Quando avistei de longe
Um caboclo Moreninho
Moreno da cor de café,
Tinha a lua em baixo do pé,
Com os olhos doces como mé,
Me atraia com sua fé
Ao se sentir perdido e sem rumo, bata cabeça em seu conga
e com muita fé pede o auxilio do seu caboclo e deixe que ele
te conduza ao melhor caminho.
A atual arte contemporânea brasileira, resinifica e resgata a importância e a criatividade das obras e artesanatos dos artistas negros, caboclos, indígenas e populares ingênuos. Um reajuste antropofágico necessário, cem anos depois da Semana de 1922, para a identidade do Brasil no século XXI.
