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Talvez eu me ache delicada demais apenas porque nĂŁo cometi os meus crimes. SĂł porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu nĂŁo possa olhar o rato enquanto nĂŁo olhar sem lividez esta minha alma que Ă© apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se nĂŁo posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" Ă© bom sĂł porque eu sou ruim, nĂŁo estarei amando a nada: serĂĄ apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, jĂĄ escolhi amar o meu contrĂĄrio, e ao meu contrĂĄrio quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo nĂŁo me escandalizasse. Porque eu, que de mim sĂł consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tĂŁo mais inexorĂĄvel do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus sĂł porque nĂŁo me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior nĂŁo se farĂĄ.
Seu desespero vinha de que não sabia sequer por onde e pelo que começar. Só sabia que jå começara uma coisa nova e nunca mais poderia voltar à sua dimensão antiga.
E sabia também que devia começar modestamente, para não se desencorajar. E sabia que devia abandonar para sempre a estrada principal. E entrar pelo seu verdadeiro caminho que eram os atalhos estreitos.
Eu nĂŁo caibo no estreito, eu sĂł vivo nos extremos.
SĂł quem estĂĄ disposto a perder tem o direito de ganhar. SĂł o maduro Ă© capaz da renĂșncia. E sĂł quem renuncia aceita provar o gosto da verdade, seja ela qual for. A forma de amadurecer Ă© viver. Viver Ă© seguir impulsos atĂ© perceber, sentir, saber ou intuir a tendĂȘncia de equilĂbrio que estĂĄ na raiz deles (impulsos). Viver Ă© renunciar porque viver Ă© optar e optar Ă© renunciar.
... porque vocĂȘ sĂł fez o impossĂvel: Ganhou minha confiança! Eu sou um foguete espacial e seu coração Ă© a lua... e eu estou apontando direto para vocĂȘ. Eu nĂŁo estava olhando quando eu me esbarrei em vocĂȘ... deve ter sido o destino.
SĂł porque, de sĂșbito exigentes e duros, quiseram ter o que jĂĄ tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Nota: Trecho da crĂŽnica Por nĂŁo estarem distraĂdos.
...MaisSempre fui muito bocuda. Sem maldade, achava que o mundo estava ao meu lado e que as pessoas sĂł tinham bons sentimentos no peito. Amarga ilusĂŁo. Por isso, hoje, guardo para mim. Quem vĂȘ atĂ© pensa que "espalho" a vida, mas as minhas prioridades ficam guardadas a sete chaves. Nem meus melhores amigos sabem. Melhor assim. Aprendi com a minha mĂŁe que certas coisas devem ficar (bem) guardadas dentro da gente.
Continuo teimosa. NĂŁo adianta, entra ano e sai ano certas coisas nĂŁo mudam jamais. NĂŁo consigo ver injustiça, entĂŁo compro brigas que nem sĂŁo minhas. NĂŁo gosto de gente sem opiniĂŁo. Preciso admirar as qualidades e ideias de uma pessoa para ser amiga dela. Tenho um pouco de agonia de quem nĂŁo pensa, de quem vai de acordo com a marĂ©, de quem nĂŁo tem pulso, de quem nĂŁo gosta de se indispor com ninguĂ©m e por isso fica em cima do muro. Sempre tive uma opiniĂŁo forte. E prefiro ser assim do que ser uma mosca morta que ri para todo mundo sĂł pra nĂŁo perder a amizade de ninguĂ©m. NĂŁo sou de fazer tipo, se eu gosto eu gosto. Essa coisa de tipo nĂŁo combina comigo, porque eu nĂŁo sei ser fingida. NĂŁo consigo rir para vocĂȘ se nĂŁo gosto de vocĂȘ. Se eu nĂŁo te suporto, Ă© bem provĂĄvel que seja apenas educada, mas nunca vou ser sua amiga. Continuo impaciente. NĂŁo sei esperar, detesto filas, nĂŁo tenho paciĂȘncia com quem fala devagar, anda devagar, vive devagar. Penso que se consigo fazer quatro coisas ao mesmo tempo vocĂȘ tambĂ©m consegue. Mas estou enganada, eu sei. As pessoas sĂŁo totalmente diferentes e isso eu tento aprender todo dia.
Não gosto de quem não sabe rir. E também prefiro ficar longe de pessoas negativas, que só sabem criticar, julgar ou apontar onde o outro estå errado. Acho que cada um é dono do seu próprio nariz e, sinceramente, tenho mais o que fazer da minha vida. Tem gente que desperdiça um tempo danado cuidando da vida do vizinho ao invés de olhar para si mesmo. Procuro olhar para mim todo dia, mas de vez em quando sei que fecho os olhos. à que é mais fåcil a gente tapar o sol com a peneira.
Tenho muito o que mudar, muito para evoluir, muito para alcançar.
Para algumas pessoas nĂŁo interessa que elas estejam certas,
sĂł interessa que vocĂȘ concorde com elas.
NĂŁo, eu nĂŁo uso de galanteios com minhas princesinhas.
Estou longe de ser algum galĂŁ,
e galĂŁs sĂł querem conquistar mocinhas para seu bel-prazer.
O que eu digo Ă s minhas princesinhas sĂŁo gracejos,
que são manifestaçÔes de carinho e elogios sinceros,
com o simples intuito de aquecer os coraçÔes
e fazer sorrir...
Senti o chĂŁo de madeira sob meus joelhos, depois sob as palmas das mĂŁos e em seguida, comprimindo sob a pele do meu rosto. Eu esperava estar desmaiando, mas para minha decepção, nĂŁo perdi a consciĂȘncia. As ondas de dor que me haviam assaltado pouco tempo antes, se erguiam agora com força e inundaram a minha cabeça, me puxando para baixo. NĂŁo voltei Ă superfĂcie.
Se eu chorar, nĂŁo me faça muitas perguntas, nĂŁo precisa nem secar minhas lĂĄgrimas. SĂł me diz que vocĂȘ continuarĂĄ comigo pra tudo, que tenho teu colo e teu carinho. E ainda que te doa me ver assim, me envolva nos teus braços e diga que eu posso chorar, mas que vocĂȘ nĂŁo sairĂĄ dali enquanto eu nĂŁo sorrir. Porque Ă© isso que nos importa, nĂŁo Ă©?
E foi tĂŁo bom constatar que nĂŁo me atinge mais. NĂŁo me entristece, nĂŁo me aborrece, nĂŁo me tira o sono. Passa por mim, mas, nĂŁo me atravessa.
Eu não quero alguém que morra de amor por mim, só preciso de alguém que queira estar junto de mim, me abraçando. Não exijo que esse alguém me ame como eu amo, quero apenas que me ame como eu amo não me importo com que intensidade. Quero poder fechar os olhos e imaginar alguém e poder ter a certeza de que esse alguém também pensa em mim quando não estou por perto.
Nota: Trecho de um poema muitas vezes atribuĂdo, de forma errĂŽnea, a Mario Quintana.
SĂł agora eu percebia que antes vivera dentro de um cubo.
