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Por isso, com muito custo, chacoalhei minhas mangas! E só eu sei o quanto doeu ver a melhor coisa do mundo indo embora! Doeu um, dois dias⊠No terceiro, a melhor coisa do mundo virou a melhorzinha⊠Que virou a décima melhor⊠Que não virou nada.
â Pois olhe â declarou de repente uma velha fechando o jornal com decisĂŁo â pois olhe, eu sĂł lhe digo uma coisa: Deus sabe o que faz.
Compreenda, eu sĂł preciso falar com vocĂȘ. NĂŁo importam as palavras, os gestos, nĂŁo importa mesmo se vocĂȘ continua a fugir e se empareda assim, se olha para longe e nĂŁo me ouve nem vĂȘ ou sente. Eu sĂł quero falar com vocĂȘ, escute.
"Ele Ă© sĂł um cara. E nĂŁo a sua vida. E nĂŁo todos os dias da sua histĂłria. E nĂŁo todas as suas lĂĄgrimas juntas em um Ășnico sĂĄbado solitĂĄrio. Ele nĂŁo Ă© o destino. Ă um cara. Existem muitos destinos. E quer mesmo saber? Ă um cara como todos os outros caras. Esse que te perguntou as horas no meio da rua podia ter sido ele e vocĂȘ nem ligou. O mendigo, o ginecologista e atĂ© o padre. Ele estava ali o tempo todo. E ele nĂŁo estava. Ele Ă© sĂł um deles. VĂĄrios. Uma legiĂŁo. E ninguĂ©m. Ele Ă© sĂł um cara que mal sabe escolher os prĂłprios perfumes. NĂŁo sabe que nome daria a um filho. Ele Ă© sĂł um cara perdido como muitos outros caras que vocĂȘ encontrou. E perdeu. Ele Ă© sĂł um cara e vocĂȘ jĂĄ esqueceu outros caras antes."
Cada um de nĂłs Ă© um indivĂduo Ășnico, que sĂł vive esta Ășnica vez, PorĂ©m sempre tinhamos tentado interpretar o mundo, em vez de tentar modificĂĄ-lo. Mas na natureza nada existe por acaso..
âSĂ DE SACANAGEMâ
Meu coração estå aos pulos!
Quantas vezes minha esperança serå posta à prova?
Por quantas provas terĂĄ ela que passar? Tudo isso que estĂĄ aĂ no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nĂłs, para cuidar gratuitamente da saĂșde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu nĂŁo posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
Ă certo que tempos difĂceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas nĂŁo Ă© certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração estå no escuro, à luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarås", "Devolva o låpis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
AtĂ© habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lĂłgica ainda insiste: esse Ă© o tipo de benefĂcio que sĂł ao culpado interessarĂĄ. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fĂ© do meu povo sofrido, entĂŁo agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
SĂł de sacanagem! DirĂŁo: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "NĂŁo importa, serĂĄ esse o meu carnaval; vou confiar, mais e outra vezâ!
Eu; meu irmĂŁo, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve, e receber limpo do nosso freguĂȘs.
Com o tempo; a gente consegue ser livre, ético, e o escambau"!
DirĂŁo: "Ă inĂștil, todo o mundo aqui Ă© corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: NĂŁo admito, minha esperança Ă© imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que nĂŁo dĂĄ para mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar para mudar o final!
Tudo acontece quando vocĂȘ cria as condiçÔes certas. A vida estĂĄ pronta para acontecer. Ă sĂł vocĂȘ permitir.
Disse que nĂŁo deveria deixar nada e nem ninguĂ©m controlĂĄ-la, sĂł ela mesma. Comentou que por nada neste mundo ela poderia vender a sua liberdade, e a fez aprender uma importantĂssima lição: deveria ter um caso de amor consigo mesma, antes de ter um grande amor fora dela.
SĂł quero que seja natural, simples, fĂĄcil e bom. Eu nĂŁo quero poucos.
Eu nĂŁo quero muitos. Eu quero um. Um amor. SĂł um.
Ele nĂŁo Ă© sĂł um cara, esse sim, esse esquenta as suas mĂŁos e escuta os seus impropĂ©rios e gracinhas com o mesmo apego. Faz perguntas, faz suas unhas, faz comida, te leva o mundo numa bandeja quando vocĂȘ acorda. Ele nĂŁo te deixou apodrecendo ali onde vocĂȘ nĂŁo pudesse incomodar, nĂŁo nĂŁo: ele chegou meia hora antes e trouxe flores cor de laranja. Depois ainda te levou para algum lugar cheio de estrelas e pernilongos. E te avisou que quando seus olhos borraram do rĂmel. Ele Ă© diferente de tudo o que Ă© errado em seu mundo e em outros mundos. NĂŁo te poupou, porque sabe que vocĂȘ Ă© esperta. VocĂȘ diria que ele salvou sua vida se nĂŁo soasse tĂŁo dramĂĄtico. E se isso nĂŁo fosse mentira â a sua vida velha nĂŁo merecia ser salva e ele te trouxe uma vida nova que inventou sĂł pra vocĂȘ. Ele te faz sofrer muito, porque sofrer Ă© importante. Ele nĂŁo faz planos ou promessas, sĂł surpresas. Te ensinou a gostar de surpresas, a esperar, ele te deixa esperando, nĂŁo deixa nada muito claro, vocĂȘ voltou a roer unhas, vocĂȘ nunca sabe, mas a verdade Ă© que ele estĂĄ sempre ali, ou logo adiante. Ele Ă© diferente. Ele nĂŁo Ă© sĂł um cara. Ele te ouve como se te entendesse, fala como quem soubesse o que dizer e nĂŁo diz nada muitas vezes, porque ele entende os silĂȘncios. Ele mente pra nĂŁo te chatear e nĂŁo te deixa descobrir. Ele existe. VocĂȘ sabe que seriam bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas vocĂȘ prefere ser a garota dele. E que serĂŁo importantes na histĂłria um do outro para sempre, independentemente de tudo que estiver pra acontecer. Porque ele nĂŁo Ă© sĂł um cara. VocĂȘ nĂŁo quer mais sĂł um cara. E ele Ă© tudo que vocĂȘ quer hoje.
E eu sĂł preciso me desfocar do sonho que me deixa mĂope e enxergar alĂ©m, ou melhor: enxergar o que estĂĄ na minha cara.
"When so many are lonely as seem to be lonely, it would be an inexcusably selfish to be lonely alone".
Embora amor dentro de mim eu tenha. SĂł que nĂŁo sei usar amor: Ă s vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, Ă© porque preciso que Deus venha. Venha antes que seja tarde demais.
Se as pessoas nĂŁo se manifestassem agressivamente contra tudo sĂł para tentar provar que sĂŁo inteligentes. Se em vez de lutar para nĂŁo envelhecer, lutĂĄssemos para nĂŁo emburrecer.
Se.
Eu jå quis tantas coisas. Fiz tantas outras. Dizem que a gente não deve se arrepender do que fez, só do que não fez. Mas eu não conheço nenhuma pessoa que nunca tenha se arrependido de ter feito ou dito algo. Eu jå me arrependi, sim. E muito. E tive a coragem de tentar acertar as coisas. Nem sempre sei o que fazer, mas sei reconhecer um erro. Aprendi a pedir desculpas e acho isso bonito. à importante a gente conseguir olhar para dentro e fazer uma anålise crua de quem somos.
