Boa noite
Só na noite escura que encontraremos a Verdadeira Luz assim como só se encontra a Água Viva quando estiveres perdido no deserto. Só encontraremos as respostas exatas quando esvaziamos nossa mente assim como só encontraremos o justo valor de ser, quando estivermos abandonados dentro de nos mesmo. A plenitude deriva se da escassez pois a abundancia só nos entorpece. Devemos ser sempre potes vazios para com cautela preenche los com sabedorias e quando estiver quase cheio, jamais permita que transborde, espalhe o que aprendeu pelos caminhos a quem precisa ouvir.
Esperança é a luz que acende
Quando a noite quer ficar.
É a força que renova a alma
E nos ensina a caminhar.
Mesmo quando o céu escurece,
Ela insiste em florescer.
Sussurra baixinho ao coração:
"Você ainda vai vencer."
Helaine machado
ENQUANTO ELA DORME
é noite, e perto de mim dorme a minha amada
eu, à distância de mil pensamentos,
tento ouvir seu ressonar de paz.
será que ela sonha?
será que quando acordar
se lembrará que vivo estou?
a minha amada tem os olhos azuis
da cor da esperança
suas mãos são finas,
macias como lã de algodão.
ela tem um corpo esculpido
de quase perfeição.
minha amada,
quando sorri ilumina a noite
a noite de treva e solidão.
mas, a minha amada dorme,
minha amada não sabe
que morro aqui, ao seu lado,
acordado, tentando dormir também
para lhe encontrar.
oh, se ela pudesse me ouvir,
oh, se ela pudesse vir aqui
por um instante.
minha amada não respira
o mesmo ar que eu.
de onde estou não posso chegar até ela,
a não ser em pensamento.
nossa cama parece um imenso oceano,
e eu só tenho as mãos para lhe abraçar.
tudo que eu queria nessa vida
era que ela pudesse ouvir meus pensamentos
para que ela soubesse o quanto a desejo,
oh, quem dera,
que ela um dia desses
me acordasse com um beijo.
mas a minha amada dorme,
enquanto eu escrevo poesias,
em delírios que me consomem,
mesmo distante
em noites de insônia
como uma sombra
eu ainda a vejo..
"A vida poderia ser uma eterna Noite na Taverna, onde os homens contariam seus feitos, reais e imaginários, entre um gole e outro, para entreter e aliviar seus pares das dores do mundo, que se agigantam ao amanhecer."
**Entre Dois Amigos**
Augusto olhava a noite pela janela com uma inquietação difícil de esconder. Havia em seu silêncio uma espécie de fadiga antiga, como se carregasse pensamentos que já haviam amadurecido demais dentro dele. Depois de alguns instantes, falou em voz baixa:
— Há uma coisa que me inquieta profundamente: a sensação de que nascemos para uma única forma de existência e passamos a vida inteira tentando negá-la.
Miguel não respondeu de imediato. Girava lentamente o copo entre os dedos, como quem mede o peso de uma ideia antes de pronunciá-la.
— Você fala da arte — disse, por fim.
Augusto manteve os olhos voltados para a rua vazia.
— Falo daquilo que somos quando não estamos tentando ser outra coisa.
O silêncio que se instalou não era desconfortável. Havia nele certa reverência, como se ambos reconhecessem que algumas reflexões exigem espaço antes de serem tocadas novamente.
Augusto prosseguiu:
— Talvez o grande problema seja esse desvio constante. Nascemos artistas, não apenas no sentido do ofício, mas na maneira de perceber o mundo. E, no entanto, passamos a vida tentando nos adaptar a papéis: marido, cidadão exemplar, homem comum, figura socialmente aceitável.
Miguel ergueu os olhos com atenção.
— E você acredita que isso seja um erro?
— Não exatamente um erro. Talvez uma incompatibilidade.
— Incompatibilidade com o quê?
— Com a própria essência.
Miguel recostou-se na cadeira.
— Mas ninguém vive completamente fora do mundo, Augusto.
— Vive, sim. Apenas paga o preço por isso.
— Que preço?
— A inadequação.
Miguel sorriu discretamente.
— Isso soa mais como orgulho do que filosofia.
Augusto negou com serenidade.
— Orgulho seria acreditar que somos superiores. Não é isso. Trata-se apenas de reconhecer que não nos encaixamos. E que, quando tentamos nos encaixar à força, alguma coisa em nós acaba se rompendo.
— E você nunca tentou viver como os outros?
Augusto soltou um riso breve, quase cansado.
— Tentei. Com disciplina, inclusive. Acreditei que bastava insistir, repetir hábitos, cumprir funções… como um ator aprendendo um papel.
— E o que aconteceu?
— Percebi que a vida, quando não é verdadeira, transforma-se num teatro sem plateia.
Miguel permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Talvez todos estejam representando. Alguns apenas têm mais consciência disso do que outros.
— A diferença — disse Augusto — é que certos homens sabem que jamais poderão sair do palco.
— E você se considera um deles?
Augusto desviou o olhar para a rua escura.
— Sei que não consigo viver longe daquilo que me constitui. Posso assumir compromissos, ocupar funções, simular normalidade… mas, em algum momento, tudo perde sentido.
— Então a arte é uma prisão?
— Não. É a única forma de liberdade que conheço. Mas exige tudo em troca.
Miguel assentiu lentamente, absorvendo aquelas palavras.
— E não existe conciliação possível?
— Existem tentativas.
— E fracassos?
— Quase sempre.
O silêncio voltou, agora mais denso e mais humano.
Depois de algum tempo, Miguel falou novamente:
— É curioso… o mundo espera que sejamos muitas coisas. E talvez sejamos, de fato. Mas você insiste que existe algo essencial que nos define.
Augusto voltou-se para ele com calma.
— Não insisto. Apenas reconheço.
— E quem não reconhece isso?
— Talvez viva melhor.
— E você prefere o quê?
Augusto demorou a responder.
— Prefiro a verdade, mesmo que ela me exclua.
Miguel pousou o copo sobre a mesa.
— Então não se trata de escolha.
— Nunca se tratou.
— Trata-se de condição?
— Exatamente.
Miguel respirou fundo antes de concluir:
— Nesse caso… talvez não sejamos artistas.
Augusto olhou para ele com uma serenidade quase melancólica.
— Somos aquilo que não conseguimos deixar de ser.
E, pela primeira vez naquela conversa, nenhum dos dois sentiu necessidade de acrescentar mais nada.
No silêncio da noite serena, o vento murmua, suave e pequeno.
E as estrelas brilham intensamente, o céu é tomado pelo seu brilho, que mostra os segredos mudos guardados por elas.
O tempo passa carregando com elas a força de quem acredita, que a vida, embora aflita, vai sempre florescendo uma nova estação, como esperança no coração.
O que há de me esperar?
Nada? Nem o luar?
Não há brilho da lua na noite fria e crua.
Cadê minha amiga?
Tão distante... Será inimiga?
Cadê a socialização?
Sempre fico nesta solidão.
Por que ainda penso em melhoria da vida, ainda que ela já está partida?
Como posso ter a brandura se minha mente surra a amargura?
Por que sofrer se com um gatilho posso dar um epílogo nesse meu viver?
*VOCÊ NÃO É A CASA*
Naquela noite o bar estava quase vazio. Duas mesas ocupadas, um sujeito dormindo sobre o próprio copo e eu, no balcão, fingindo que ainda havia alguma coisa para esperar. O dono tinha colocado uma moeda no jukebox e a música saía baixa, um pouco torta, como se até ela soubesse que não valia a pena se esforçar demais.
Eu estava olhando para a garrafa quando vi a fotografia.
Uma mulher de vestido branco, descalça, subindo uma escadaria destruída.
Fiquei algum tempo olhando aquilo.
Não sei por quê.
Talvez porque havia alguma coisa familiar naquela escada.
Os tijolos estavam expostos. O reboco tinha caído em pedaços. Havia entulho nos degraus. A casa parecia ter sido abandonada depois de uma briga longa demais. Daquelas em que ninguém lembra mais quem começou e todos saem perdendo.
Ela subia.
De costas.
Não dava para saber quem era. Nem precisava.
O que importava era que ainda estava subindo.
Pedi outra dose.
O homem do meu lado olhou para a fotografia e disse:
— Lugar perigoso.
Eu disse que sim.
Mas não era a escada que me preocupava.
Era reconhecer a casa.
A gente passa uma parte da vida construindo paredes. Trabalho. Família. Amigos. Algumas mulheres. Hábitos. Pequenas certezas. Vai colocando coisa dentro e chamando aquilo de vida.
Depois começam as rachaduras.
Primeiro ninguém percebe.
Uma porta que já não fecha direito. Um joelho que reclama. Um nome que você esquece. Uma pessoa que antes ligava e agora não liga mais. Um amigo que morreu e deixou uma cadeira vazia que ninguém tem coragem de ocupar.
Depois vem o resto.
A casa começa a perder pedaços.
Aos sessenta e poucos anos, eu já não tenho a mesma disposição para fingir que não vejo.
O corpo diminui um pouco.
A paciência também.
A gente começa a carregar menos coisas porque percebe que carregar tudo nunca foi sinal de força. Às vezes era só medo de deixar alguma coisa para trás.
Olhei novamente para a mulher.
O vestido branco destoava daquela destruição toda.
Aquilo me incomodou.
Talvez porque eu tivesse passado tempo demais acreditando que era preciso estar inteiro para continuar.
Não é.
Você pode estar cansado e continuar.
Pode ter perdido gente e continuar.
Pode olhar para trás e descobrir que boa parte daquilo que chamava de futuro já virou entulho.
E continuar.
A escada estava quebrada, mas ainda era uma escada.
Isso bastava.
A mulher levantava um pouco o vestido para não tropeçar. Não havia heroísmo naquilo. Nenhuma grande lição. Ela simplesmente precisava subir.
Foi quando entendi uma coisa que demorei décadas para entender.
Eu não sou a casa.
Passei muito tempo confundindo as duas coisas.
Achei que cada perda arrancava um pedaço de mim. Que cada fracasso derrubava uma parede. Que cada despedida me deixava mais perto do fim.
Talvez não.
Talvez algumas coisas apenas precisem cair.
Há construções que só continuam de pé porque ninguém teve coragem de abandoná-las.
A música terminou.
O dono do bar não colocou outra.
Ficamos alguns segundos ouvindo o silêncio das garrafas, dos copos, da rua quase vazia.
Paguei a conta e saí.
Na calçada, o ar estava frio.
Não me senti renovado. Não houve epifania. Minha vida continuava com os mesmos problemas e algumas contas novas.
Mas, naquela noite, eu tinha uma pequena diferença.
Eu sabia que a ruína não era necessariamente o fim.
Às vezes era só o lugar onde a gente finalmente percebe que não precisa morar para sempre.
E então sobe.
Mesmo descalço.
Mesmo tarde.
Mesmo sem saber exatamente o que existe no andar de cima.
Sobe porque ficar parado dentro dos próprios escombros também é uma escolha.
E eu já tinha passado tempo demais escolhendo errado.
Meus pecados
Eu nunca imaginei que uma noite tão perfeita
pudesse começar com uma taça de vinho.
Bebemos ao som de nossas músicas favoritas,
sentados frente a frente
num sofá que mal cabia nós dois,
embalados pelo olhar um do outro
e sem nos darmos conta de que não tínhamos brindado.
Que pecado perder a chance de brindar a nossa vida.
Que pecado não ter usado aquele vestido vermelho que você gosta tanto. Que pecado você ter me ganhado tão depressa.
Mas foram estes pecados que contradisseram os limites da criação e me trouxeram ao paraíso desta madrugada que acaba de começar.
Enquanto você dorme ao meu lado, eu me recuso a fechar os olhos.
O silêncio da noite me permite ouvir sua respiração,
ora lenta, ora apressada,
e me lembra de que essa mudança de ritmo nos acompanha em tudo:
nos beijos, nas brigas, nas tardes de caminhada,
e até nas músicas que a gente gosta de dançar
mesmo sendo péssimos em matéria de expressão corporal.
Reparo que você quase não se movimenta pela cama
e que não fez questão de virar pro outro lado;
logo me ocorre que você talvez saiba que eu estou te observando
e queira contribuir com minha doce redenção,
mas minhas suspeitas caem por terra quando você murmura algo
que eu não consigo entender e puxa o cobertor pra mais perto de si.
Fosse eu essa manta velha e me atreveria e roubar um beijo seu.
Mas essa manta nunca vai te ter como eu te tenho.
Ela nunca vai ver você sorrir enquanto dorme como eu estou vendo agora. Me pergunto se é comigo que está sonhando.
Talvez, no seu sonho, é você quem me observa dormir.
Mas eu continuo acordada.
Não posso perder nenhum momento do seu sono.
Queria viver essa noite pro resto da minha vida, deitada ao seu lado e sentindo seu coração bater.
Que pena que o tempo não ouve o meu clamor, já está amanhecendo e a sensação que eu tenho é de que esta madrugada durou apenas 10 minutos. Eu ficaria aqui pelo resto dos meus dias, juro.
Sei que jurar é um erro, mas são os pequenos pecados que vez ou outra me proporcionam esses 10 minutos com você.
R E C O N S T R U I N D O
A cidade estava toda pronta para uma noite de Natal iluminada.
O clima era de festa completa. O comércio cheio, as ruas lotadas, o povo indo e vindo com sacolas nas mãos, com aquela pressa boa de quem quer celebrar. Ninguém sabia o que estava por vir após o anoitecer.
Anoiteceu. Jiquiriçá acendeu suas luzes. Em cada casa, a mesa quase posta, a ceia quase pronta.
Já era quase à meia-noite quando a chuva começou. Ela veio sem pedir licença, sem dar tempo para pensar.
A água rompeu as ruas com fúria, engolindo tudo pela frente. O que até então era chão firme e seguro, de repente virou mar.
A alegria virou pranto num instante. Lares foram largados para trás no escuro e inundados. Gente em disparada, com o que coube nas mãos, buscando um ponto mais alto para se abrigar naquela madrugada.
Do alto, abrigados como deu, vimos nossas casas tombarem. E não era só parede caindo. Era uma vida inteira boiando. O retrato da formatura, a geladeira a prazo, o suor de anos, tudo se perdeu rapidamente.
Naquela virada, o brilho do Natal se apagou no lamaçal.
A perda foi sem medida. Aquilo abalou profundamente nosso povo e fez Jiquiriçá chorar.
Os dias que se sucederam foram duros, de muita luta e labuta, mas nada nos abalou. A vida sempre teima em não parar, e nós estamos firmes nessa luta que é de todos.
E é com fé, suor, garra e com a força de quem vive aqui que estamos reconstruindo, tijolo por tijolo.
Não está longe o dia em que a veremos renascida, mais iluminada, mais bonita do que nunca, a nossa querida Jiquiriçá.
Eraldo Cunha
“Ao deitar, deixo que a noite embale minha consciência. Entre o silêncio e as estrelas, encontro gratidão pelo dia que vivi e serenidade para o amanhã que virá.”
Roberto Ikeda
“O anoitecer não é o fim do dia, é o convite silencioso da noite para que a alma respire. Quando o céu escurece, é a luz interior que se acende — e os livros, como estrelas em páginas, nos guiam por dentro do que somos, do que sonhamos e do que ainda podemos descobrir.”
Roberto Ikeda
Se vier o dia, eu trabalho;
se vier a noite, eu descanso;
se cair a chuva, eu canto;
se nascer o fruto, a Deus eu agradeço:
Quatro coisas não posso deixar de fazer na vida:
trabalhar, descansar, cantar e agradecer a Deus.
Não esqueça: a noite também vagueia quando um coração está ferido. Num coração ferido, um simples boato é capaz de derrubar um império.
Essa mensagem é para você
Que não está feliz
que chorou a noite toda
que está com medo
que tem vergonha de pedir ajuda
que foi expulso de casa
que perdeu tudo no jogo
que mora na rua
que se prostitui
que foi abandonado pelos pais
que voltou de uma quase morte
que voltou de um infarte
que esta com cançer
que perdeu o emprego
que foi humilhado no trabalho
que sofre assédio
que está em constatnte conflito interno
que sente um vazio
que descobriu que não deveria ter casado
que odeia a solidão
que procura alguém para casar.
Tudo isso é apenas conflito interno, situações que a resposta, não esta no outro, esta dentro de você no seu subconsciente. Se afaste de tudo que destraía sua atenção, vá em direção a si mesmo; reencontre, reconecte com si mesmo. Os conflitos externos são reflexos do que esta bagunçado dentro de você. A solução está nas atitudes simples da vida, peça ajuda. Transforme-se!
Nos sonhos repetitivos ela já fez seu abrigo,
Na noite perdida dos goles de vinho seco, ela chega fazendo companhia mesmo não estando fisicamente ali,
Doces lamúrias são ouvidas pelo vazio da madrugada que só responde com o seu silêncio,
Pensamentos vagabundos, chegam sem pedir licença, vêm aos berros e sem pena de dizer adeus,
Atingindo a frequência certa eu tenho a opção de desligar tudo e reiniciar.
O dia tem o seu tempo marcado pelas horas do relógio, a noite abre as cortinas do céu e nos mostra o brilho das estrelas, toda criação do Altíssimo cumpre o tempo que Ele determinou, sem exceder e sem subtrair, tudo acontece no tempo certo.
Meu coração anda em quatro patas, late ao meio-dia e uiva à meia-noite.
*
Às vezes meu umbigo sussurra conselhos. Hoje ele disse: Use mais amarelo e coma menos angústia.
*
Meu espelho me deu um tchau hoje. Acho que ele encontrou um reflexo melhor.
*
Um pensamento, uma reflexão, uma cadeira. Sentei pra esperar sentido, mas só veio um gato.
*
O Instante me ofereceu um sanduíche. Recusei. Tinha pressa entre as fatias.
*
Meu sofá me acusou de abandono. Prometi um livro de citações no domingo como compensação.
*
O despertador do celular não tocou. Alegou exaustão emocional e pediu férias espirituais. Pulou do dispositivo e saltou pela janela.
*
Hoje acordei com a sensação de que meu eu de ontem estava me espionando. Ele nega tudo.
*
Recebi uma mensagem do meu eu do futuro: Volta com pão de queijo!
*
A lógica me olhou com desdém e atravessou para o outro lado. Desde então, ando a pé com a intuição.
*
Todo dia acordo com perguntas existenciais. Hoje, por exemplo: Onde estão minhas meias limpas?
*
A vida é um teatro, mas esqueceram de me dar o script e eu improvisei um monólogo existencial sombrio e cômico.
*
O problema de falar sozinho é quando você começa a perder os debates.
*
Minha sanidade pediu férias. Mandou uma mensagem dizendo que tinha fugido com a geladeira, que, por sua vez, trazia dentro maçãs e o controle da TV.
*
Meditei tanto que meu ego ficou de saco cheio e foi morar com minha ex.
*
Tentei ser profundo, mas acabei tropeçando no meu próprio calcanhar.
*
A realidade é um roteiro mal escrito, mas a atuação é impecável.
*
Meu relógio só marca divagações e, às vezes, um café com ironias.
*
Dizem que sou estranho. Mal sabem que sou apenas uma versão beta da próxima dimensão.
*
Descobri que sou adulto no dia em que me emocionei com meu tapete limpo.
*
O caos também tem senso de humor, só é meio ácido.
*
Sobreviventes? Só as baratas e os memes.
*
Quando o mundo explodiu, alguns riram por educação.
*
O apocalipse chegou de chinelos e esqueceu o discurso.
*
O juízo final atrasou: ficou preso no trânsito.
*
Até o silêncio gritou de nervoso.
*
A eternidade, as tardes e eu estamos, nesse momento, com dor de cabeça.
*
As trombetas tocaram jazz, blues e samba.
*
No último suspiro o tempo fez cócegas no destino.
*
No fim, Deus desligou tudo da tomada e trancou o macrocosmo por dentro.
O amor é um desses delírios neurológicos organizados e aceitos
