Meu coração anda em quatro patas, late... Rogis Maic

Meu coração anda em quatro patas, late ao meio-dia e uiva à meia-noite.
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Às vezes meu umbigo sussurra conselhos. Hoje ele disse: Use mais amarelo e coma menos angústia.
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Meu espelho me deu um tchau hoje. Acho que ele encontrou um reflexo melhor.
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Um pensamento, uma reflexão, uma cadeira. Sentei pra esperar sentido, mas só veio um gato.
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O Instante me ofereceu um sanduíche. Recusei. Tinha pressa entre as fatias.
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Meu sofá me acusou de abandono. Prometi um livro de citações no domingo como compensação.
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O despertador do celular não tocou. Alegou exaustão emocional e pediu férias espirituais. Pulou do dispositivo e saltou pela janela.
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Hoje acordei com a sensação de que meu eu de ontem estava me espionando. Ele nega tudo.
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Recebi uma mensagem do meu eu do futuro: Volta com pão de queijo!
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A lógica me olhou com desdém e atravessou para o outro lado. Desde então, ando a pé com a intuição.
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Todo dia acordo com perguntas existenciais. Hoje, por exemplo: Onde estão minhas meias limpas?
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A vida é um teatro, mas esqueceram de me dar o script e eu improvisei um monólogo existencial sombrio e cômico.
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O problema de falar sozinho é quando você começa a perder os debates.
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Minha sanidade pediu férias. Mandou uma mensagem dizendo que tinha fugido com a geladeira, que, por sua vez, trazia dentro maçãs e o controle da TV.
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Meditei tanto que meu ego ficou de saco cheio e foi morar com minha ex.
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Tentei ser profundo, mas acabei tropeçando no meu próprio calcanhar.
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A realidade é um roteiro mal escrito, mas a atuação é impecável.
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Meu relógio só marca divagações e, às vezes, um café com ironias.
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Dizem que sou estranho. Mal sabem que sou apenas uma versão beta da próxima dimensão.
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Descobri que sou adulto no dia em que me emocionei com meu tapete limpo.
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O caos também tem senso de humor, só é meio ácido.
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Sobreviventes? Só as baratas e os memes.
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Quando o mundo explodiu, alguns riram por educação.
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O apocalipse chegou de chinelos e esqueceu o discurso.
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O juízo final atrasou: ficou preso no trânsito.
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Até o silêncio gritou de nervoso.
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A eternidade, as tardes e eu estamos, nesse momento, com dor de cabeça.
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As trombetas tocaram jazz, blues e samba.
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No último suspiro o tempo fez cócegas no destino.
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No fim, Deus desligou tudo da tomada e trancou o macrocosmo por dentro.


O amor é um desses delírios neurológicos organizados e aceitos