Bagunça
Será mesmo que preciso arrumar a bagunça que insiste em se formar na minha cabeça? Minhas ilusões me permitem ir mais longe que todas as minhas certezas, aliás, são elas que me refazem a cada dia.
MINHA BAGUNÇA
Não queira me mudar! Sou a minha desordem, mas sei onde me encontro! Mesmo que você se perca neste meu jeito torto de ser, se você me mudar, eu me desencontro! Eu sou menos confusa do que você imagina embora eu te pareça meio sem pé, nem cabeça! Eu ainda consigo separar o coração da razão, embora isso não te convença. Eu sei que vivo me perdendo, e talvez até me ache meio esquisita... Mas é nessa minha desordem que eu encontro razão na vida! Deixe-me assim! Eu me ajeito pelos cantos. E se você olhar bem pra mim, verá que tenho lá meus encantos!
Não precisa reparar a bagunça, é que nas minhas loucuras vou ajeitando, me desculpando se por acaso ferir alguém. Sinta meu viver, é simples, mas é de verdade, tudo com sinceridade. Venha sorrindo, não seja visita, faça morada em mim.
Vou ter dois filhos e os nomes deles vão ser Nauê e Aná. Quando eles fizerem bagunça eu direi: paranauê, paraná.
Ai depois dessa vou tomar meu remédio...kk
“Entre, porém já vou lhe precaver. Está uma bagunça.. não falo de minha casa, nem tão pouco de meu quarto. Digo que meu coração está uma bagunça, há sentimentos e dores espalhados por todos os cantos.. muitos retalhos de amor, como podes ver. É como se um furação houvesse passado por aqui. Esta tudo tão desarrumado, me perdoe. Mas não há o que eu possa fazer.. não sozinha. É impossível reconstruir tudo o que foi dilacerado, jogado ao chão, era tudo tão frágil.. mas quem vivia aqui parece que não sabia, foi tão grosseiro, hostil. Deixou marcas, cicatrizes.. está tudo tão sujo, o solo marcado de sangue. Não sei se algum dia conseguirei reconstruir tudo isso, amenizar o estrago sem tamanho, podes crer que tudo isso foi feito por uma unica pessoa? E pensar que a unica coisa que essa mesma fez foi sair daqui sem avisar. Sem explicações, sem um adeus. Já lhe aconteceu algo assim? Um caso de abandono? Talvez entenda-me, não é só a bagunça, mas também a dor que não me deixa em paz. Será que serei obrigada à aguentá-la a vida toda? Não pode ser possível algo assim.. porém talvez eu sinta falta da dor quando ela for embora sabe, o inquilino de meu coração também me causava dor e agora veja, aqui estou me lamentando por sua partida. A dor me parece ser a unica lembrança de quem viveu aqui. De quem feriu, bagunçou e extraviou sentimentos. De quem eu sinto falta e amo. Perdão, creio que posso ter lhe assustado por esse desabafo repentino e sem sentido.. mas é que sentia falta de conversar e também precisava deixar essas palavras fluírem, elas me sufocavam sabe.. Mas enfim, seja bem vindo e não repare a bagunça.”
Lá vem você de novo dançando zoeira, fazendo bagunça, cantando poema, tocando poesia, falando de música...mexendo comigo.
Meus Sentimentos estão compatíveis com meu quarto!
Uma total bagunça....
Vou organizar meu quarto, colocar tudo em seu devido lugar...
Mas meus sentimentos..só o tempo organiza.....
A última folha do caderno era tipo um rascunho da minha vida.
Imagina a bagunça, imagina cada rabisco torto, cada paragrafo confuso, cada reticência pra continuar depois, cada espaço. Sim, espaços... Mas dessa vez geográficos, de distancia, e de distancia em distancia cabia um ponto final errado. Cabia um fim que nunca existiu aqui dentro, só ali escrito. Porque na teoria é sempre mais fácil, você sabe ... Sou mesmo esse rascunho sempre inacabado.
