Northon Salomao

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A existência não oferece garantias; o Direito tenta construir algumas.

A justiça talvez seja uma das respostas humanas mais sofisticadas ao absurdo de nascermos diferentes e ainda assim precisarmos viver juntos.

Quando nenhuma ordem superior garante a justiça, cabe aos humanos construir instituições capazes de buscá-la.

O Direito não elimina o absurdo da existência; apenas impede que o absurdo tenha a última palavra sobre a convivência.

A esperança jurídica não é acreditar que tudo terminará bem; é construir mecanismos para que o pior não seja inevitável.

Uma Constituição é também uma aposta filosófica no futuro.

Toda geração recebe instituições imperfeitas e decide se as conservará, reformará ou substituirá.

O futuro não é uma sentença transitada em julgado.

A filosofia pergunta o que devemos fazer; o Direito pergunta também quem terá competência para fazê-lo.

A ética examina a ação; o Direito examina a ação dentro de uma ordem social institucionalizada.

A moral pode exigir heroísmo; o Direito precisa estabelecer padrões que possam ser aplicados sem depender de santos.

Uma sociedade não pode esperar virtude extraordinária de todos, por isso cria regras ordinárias para limitar danos extraordinários.

A lei é uma tecnologia social inventada para administrar a imperfeição humana.

Quanto mais conhecemos o ser humano, menos razoável parece construir instituições baseadas na suposição de que todos serão virtuosos.

O bom Direito não nasce da crença em pessoas perfeitas, mas da criação de estruturas capazes de limitar pessoas imperfeitas.

A Filosofia ensina a desconfiar das respostas fáceis; o Direito ensina que algumas respostas ainda precisam ser dadas apesar da complexidade.

Talvez a justiça seja a arte impossível de equilibrar liberdade, igualdade, segurança, dignidade e responsabilidade sem permitir que nenhuma delas devore as demais.

No fim, o jurista filosófico descobre que fazer justiça não é simplesmente aplicar uma lei ao homem, mas perguntar que ideia de homem aquela lei está ajudando a construir.

O Direito começa onde o poder encontra a necessidade de justificar-se

A lei limita a liberdade apenas quando a própria liberdade não consegue proteger a convivência.

Toda autoridade que teme a razão revela, pelo próprio medo, o limite de sua autoridade.

A Justiça é a tentativa civilizada de substituir a força pela razão.

A liberdade jurídica não é o direito de fazer tudo; é a garantia de que ninguém poderá impedir arbitrariamente aquilo que a lei permite.

Onde a razão não pode examinar a lei, o arbítrio começa a governar.

A lei existe para limitar o poder, não para oferecer ao poder uma linguagem de justificação.